Jake Gyllenhaal passará uma boa parte do tempo que passamos juntos hoje tentando explicar em como ele mudou. Ele vai abordar isso de todas direções. Um momento ele pode mencionar como “existe uma preciosidade que foi embora”. Em outro ele irá detalhar como ele vem tentando “tirar um tempo, uns momentos, escutar meus próprios sentimentos”. Ou ele vai comparar como ele está agora com como ele estava da última vez que nos encontramos assim, há dez anos. “Tudo que posso dizer a você é que eu me sinto muito bem com onde eu estou na minha vida. Eu estava tão perdido em tantas maneiras diferentes, procurando por coisas fora de mim mesmo, e quando a gente se encontrou pela última vez eu acho que era isso que estava acontecendo. Agora eu estou meio que tipo: esse é quem eu sou, de várias maneiras. É esse quem eu serei.”

Pelo menos parte disso tem relação com uma evolução em como Gyllenhaal aborda seus trabalhos de atuação. Ele tinha ficado conhecido, particularmente no decorrer da última década, por papeis envolvendo preparação intensa que na maioria das vezes vinha acompanhado de algum tipo de transformação física notável, mas agora ele fala disso quase como se tivesse sido um tipo de fase pela qual ele passou. Não é que ele esteja negando o que fez, ou mesmo dizendo que esses instintos ainda não estejam vivos dentro dele – “Eu sou super específico, eu sou obsessivo às vezes quando estou criando coisas,” ele reafirma – mas ele está reconhecendo como o processo criativo que ele adotou pode, entretanto, cumulativamente, ter equivalido a um tipo de evitamento.

“Eu acho que me escondi muito”, ele diz. “Tipo, ‘Eu me escondo e daí eu crio esses personagens e eu mexo com essas ideias em um canto…’ eu me escondi na minha ideia do que eu pensava ser o que um ator deveria ser, o que eles devem fazer. E eu estou meio: ‘Foda-se, eu não sou nem um pouco assim.”

Na verdade, conversas com Jake Gyllenhaal não sem sempre o processo mais linear. Tem muitas mais explicações e pensamentos que irão surgir sobre quem ele é e quem ele era, e muitas outras histórias e discussões que irão oferecer evidência, ambas corroborativas e contraditórias, talvez algumas vezes até mesmo quando ele não quer que elas sejam, mas elas nem sempre chegam da maneira mais organizada possível. Em um momento, no meio de um fluxo de sentenças quebradas e terminadas pela metade, ele pede desculpa, explicando que “esse músculo da entrevista, falar de mim mesmo, não é usado há um tempo.” Talvez não, mas eu acho que o problema principal é algo mais interessante. Enquanto Gyllenhaal certamente pode ser eloquente e inteligente, em alguns momentos ele é charmosamente inarticulado, precisamente da maneira que alguém é quando está se empenhando para comunicar uma experiência real ou pensamento ou sentimento, a qual eles ainda não descobriram um grupo bonito e pré- preparado de palavras. Mesmo que as vezes possa ser uma estratégia, ainda parece como se ele estivesse te convidando para a jornada de tentar descobrir tudo isso, ao invés de só de mandar um cartão postal brilhante do destino final.

Por exemplo, quando eu pergunto a ele como ou quando essas mudanças recentes começaram para ele, ele não tem uma resposta pronta. Ao invés disso, ele começa com vários outras pensamentos, se interrompendo com várias interjeições – “quando aconteceu?”, “o que foi?”, “quando foi de verdade?” – antes de se contentar com o que ele acredita ter sido pelo menos um dos momentos chave: sua experiência com o filme de 2017 “O que te faz mais forte”.

O que te faz mais forte, produzido pela empresa de Gyllenhaal, conta a história de Jeff Bauman, que perdeu ambas as pernas no atentado ocorrido em 2013 durante a Maratona de Boston. Naturalmente, Bauman foi interpretado por Gyllenhaal, que abordou o desafio com uma intensidade visceral característica (e impressionante). Quando o filme foi lançado, Gyllenhaal – que continua profundamente orgulhoso do filme – o promoveu vigorosamente, o Jeff Bauman da vida real frequentemente aparecendo junto com ele em dupla inesperadamente divertida. Mas enquanto o filme
não afundou sem deixar traços, também não aparentou deixar sua marca na cultura. Aqui está exatamente como, sentado aqui hoje, Gyllenhaal descreve isso tudo, e sua reação subsequente:

“Acho que eu meio que force demais, eu queria que esse filme fosse tão excelente. Foi uma devoção minha ao cara que eu interpretei e a mim mesmo. Eu tentei de tudo que eu podia para ser fiel a história – eu lutei tanto para que esse filme fosse visto, para que a história dele fosse apreciada. Eu senti muita pressão. Porque nós tínhamos feitos uma escolha de contra uma história sobre algo que era devastador e muito real e de uma pessoa que eu me tornei grande amigo. Então eu só tentei muito. Não teve a resposta que eu desejava que tivesse tido. E eu acho que de algumas maneiras, no processo disso tudo, aprendendo com o Jeff, que eu interpreto no filme, eu falei ‘O que eu estou fazendo? Pelo que eu estou tentando tanto?’ Sabe? Você não pode fingir essas coisas, sabe. Você nunca vai interpretar a experiência de verdade. Uma pessoa disse para mim: ‘Você perdeu sua imaginação.’ E eu acho que eu percebi que eu meio que quase perdi minha imaginação. E eu pensei, ‘Bom, que porra é atuar…’ – ou, ‘o que porra é criação…’ – ‘…sem imaginação?’ E daí eu fiquei ‘Certo…’. Tipo: vamos nos divertir um pouquinho mais aqui.”

Desde então, há dois jeitos evidentes no qual o “um pouquinho mais de diversão” tem se manifestado nos trabalhos de Gyllenhaal. O primeiro tem sido no palco, no teatro. Gyllenhaal foi direto de O que te faz mais forte e de outro filme produzido em conjunto com sua empresa (o drama familiar Wildlife, uma adaptação do romance de Richard Ford) pra uma aparição na Broadway como o protagonista no musical Sunday in the Park With George de Stephen Sondheim após apenas seis semanas de ensaios. Na época, exausto, ele estava preocupado se até mesmo seria capaz de passar por isso. Mas não só ele recebeu críticas delirantes, mas mais importante, ele descobriu um pouco desse um-pouco-mais-de-diversão.

“Tudo que isso fez foi me alimentar,” ele diz, “E eu fiquei, ‘Ah meu deus, essa é minha alegria, é isso que eu amo.’”

Gyllenhaal também aplicou subsequentemente qualquer que seja esse novo princípio para seu trabalho nos filmes.

“Eu acho que a ideia de um personagem para mim mudou,” ele diz. “Eu só me deixo ir na alegria dele.” Fortuitamente, essa mudança na abordagem apareceu quando ele foi abordado para aparecer no novo filme do Homem-Aranha, fazendo o papel do vilão Mysterio.

“Eu só estou tirando todo o julgamento disso,” ele diz agora, “porque só parece que é besteira. São coisas que eu amo, sabe. Eu sempre quis fazer parte de um filme de super-herói, sabe o que eu digo? Quero dizer, quando as pessoas dizem, ‘Ah, você vai interpretar um super-herói? Você quer ser um super-herói?’ E eu fico, quero dizer, depende de qual, mas, sim, claro. Sim. Eu amo isso, também. E eu também amo Meu Nome É Joe – não existe porra nenhuma igual a isso, e a experiência desse filme me atinge no coração e no estômago de um jeito que nenhum outro filme consegue. Mas ao mesmo tempo, eu amo profundamente e entendo o Bruce Banner, sabe.”

Outra maneira de colocar é de que existem certas formas de louvores que podem te encaixotar, porque o elogio que eles passam também implica um tipo de limitação.

“Pessoas me falando, “Ah, você sabe, ele é um ator muito sutil…’,” Gyllenhaal diz. “Isso era algo que as pessoas me falavam o tempo todo. E eu ficava, ‘Não, eu não sou!’ quero dizer, existem tantos outros…” Ele se interrompe, e ao invés decide completar seu pensamento assim: “Quero dizer, eu sou esperto o suficiente para saber que eu não vou mostrar tudo que tenho na mão agora. Existe muito mais.”

Interpretar o Mysterio ofereceu ao Gyllenhaal bastante alcance para mostrar outro lado do que ele poderia fazer, uma oportunidade que ele acatou com gosto. Adicionando uma camada extra para o humor exagerado do Mysterio existe o fato de que o próprio personagem estava constantemente atuando, fingindo ser algo que não era. Gyllenhaal gostou de abusar disso também. “Era divertido para mim, porque eu sentia que você nunca realmente sabia quando ele estava atuando, mesmo quando ele não estava atuando,” ele explica. “Tinham vezes que eu saía do set e ficava, “Cara, essa não foi uma atuação muito boa…ooooh! Perfeito!’ Eu podia só jogar isso pela janela. Qualquer critério que eu tinha, eu tive que me livrar dele, e isso foi muito divertido.”

Se existe um novo e mais solto Jake Gyllenhaal, outra manifestação disso é sua relativamente recente presença no Instagram, uma virada de eventos que ele justificou em uma entrevista na TV americana com as palavras: “Eu cheguei na conclusão de que ninguém se importa com nada mais, então, eu deveria fazer uma conta no Instagram.”

“Talvez seja tudo parte da mesma coisa,” ele concede. “Todo mundo estava levando tudo um pouco sério demais. Talvez eu estivesse me levando a sério demais. Eu na verdade não sou sério assim. Eu posso ser, mas na verdade eu sou um brincalhão. E é um ótimo lugar para ser isso. Eu tenho um grupo inteiro de pessoas que estão fazendo isso que talvez me conheçam e estariam interessados em conseguir uma foto de vez em quando para ver se eu tenho algo sem sentido para falar. Então, ninguém realmente se importa, sabe? E também, eu comecei a falar para mim mesmo: ‘Você vai colocar seu rosto em um cartaz para um filme que vai estar no mundo inteiro em diferentes cidades em ruas, e você não vai fazer uma coisa similar nessa plataforma que te dá a oportunidade de dizer algumas coisas potencialmente interessantes… e potencialmente algumas bem desinteressantes? Algumas coisas engraçadas? E brincar um pouquinho?’ Quero dizer, olha, nem sempre me deixa confortável. Mas tem coisas sobre isso que são
divertidas.”

Caracteristicamente, Gyllenhaal centraliza no mesmo respiro conversacional dessa leveza de um artigo recente do New Yorker pelo autor e neurologista falecido Oliver Sacks sobre os perigos da era digital. E daí, de alguma maneira para seu desconcerto – e talvez, você perceba corretamente, incredulidade ocasional – nós espiralamos por um certo buraco negro, começando assim:

“Nós estamos em uma época muito interessante. Sabe, para onde estamos nos encaminhando? Como é que podemos olhar para os dados que a Apple cospe para você no final da semana e perceber que de alguma maneira você passou três horas nas redes sociais? Pra onde diabos que isso foi? Quero dizer, eu ainda estou boquiaberto que eu passei 17 horas procurando por comida no FreshDirect.”

17 horas? Em uma semana?

“Não são 17, mas é tipo, de cinco a sete. Tipo, procurando pepino Persas. É uma busca de verdade para mim.”

Você passou cinco horas em uma semana procurando comida no FreshDirect!

“Eu gosto de comida! Eu curto comida, e cozinhar a comida.”

Você sabe que existem lojas disponíveis que você pode ir andando né?

“Sim, eu faço isso também. Se eles calculassem todas as horas que eu passei procurando por produtos alimentares, você saberia que a maior parte dos personagens que eu interpretei não são personagens! Obviamente, acabei de me expor. Quero dizer, eu realmente gosto de comprar comida. E eu também gosto de procurar se os ingredientes são ou não sustentáveis ou da onde eles são. E isso demora um tempo, sabe o que quero dizer?”

E o pepino Persa – isso é real? Eu não sabia que existia uma coisa chamada pepino Persa.

“O quê? Sim, claro. Sim.”

Como que isso é diferente de um pepino normal?

“Eles são menores. Eles são mais crocantes. Você está zoando?”

Eu não estou zoando.

“O pepino Persa e o pepino Japonês, eles têm um certo tamanho e eles são ótimos.”

E para que você os usa?

“Salada. Eu não procuro tanto assim por pepino Persas, tenho que admitir. Eu procuro por outras coisas que potencialmente você talvez nem conheça. Eu achei um biscoito maravilhoso de gengibre.”

O que o biscoito de gengibre tinha de especial?

“O gosto dele. Isso é descritivo o suficiente? Só um biscoito de gengibre clássico. Um clássico, com cobertura.”

Redondo?

“Não, retangular. Parecia um pouco com cartas de baralho. Mas grande. Macios, mas tipo um pouco de – como Paul Hollywood diria – um pouco de ‘você ainda consegue ouvir o crack…’ ou sei lá. Como que a gente divagou para isso?” 

Me contaram que você gosta desses programas britânicos de culinária. Estou meio horrorizado.

“Sério? Eu assisti todos eles. Sim. O que tem neles que você não gosta…?”

Depois que nós discutimos os variados prós e contras dos programas culinários e o mundo mais abrangente dos programas de reality por um tempo, Gyllenhaal faz uma observação peculiar e meio interessante sobre o mundo particular de The Great British Bake Off. “Tem meio que uma perversão no programa, no sentido de que você nunca
pode experimentar, ou sentir o cheiro do que você está vendo. Você pode assistir pessoas construindo Legos, você não precisa sentir o cheiro dos Legos. Você não precisa sentir o gosto deles, você pode só assistir. Mas quando você assiste alguém fazendo algo como um tiramisu… Você nunca vai sentir o gosto dele! Não. Você nunca vai sentir o gosto dele! E tudo que você tem é alguém descrevendo-o para você. Você sabe, é a Mary Berry e os outros jurados que te contam, e eles são especialistas, e isso é ótimo. Mas tem algo sobre isso que eu acho, particularmente como britânico, que você vai deve achar bem interessante.”

Você está sugerindo que há algo prazerosamente masoquista nessa ausência?

“Sim. Sim. E, ao mesmo tempo, também maravilhoso de assistir, tipo, você está na zona rural britânica, você está em uma tenda. Sabe? É ótimo.”

Ai meu deus.

“Eu sei. Me desculpe. Talvez você não deveria ter aceitado essa entrevista”. Gyllenhaal passou pedaços significativos de sua vida adulta na Grã-Bretanha (mais recentemente, filmando Homem-Aranha: Longe de Casa) e estará de volta por vários meses nesse verão quando Sunday in the Park With George tiver sua reprise no Savoy Teatro em Londres. (É um musical, que incidentalmente, foca na vida e trabalho do pintor do pontilhismo Georges Seurat.) Gyllenhaal diz que ele gosta da tradição e trabalho britânicos de atuação e dias mais curtos de trabalho, e o senso de humor mais seco. “Têm tantas coisas que eu amo. E eu também estive muito acolhido aqui desde muito pequeno. Sabe, do jeito que meu cérebro funciona, o jeito que minha mente funciona, eu me senti mais acolhido lá do que nunca.”

Eu pergunto para ele, por outro lado, o que enlouquece ele na Grã-Bretanha, “Eu acho, que no final das contas, o quão diferente nós somos,” ele responde. “No final das contas, às vezes só digo: você pode por favor me dizer como você se sente?” Ele continua reclamando sobre a falta de sistemas de aquecimentos ou ventiladores no verão (“é só uma sugestão”) e o jeito que as pessoas britânicas se recusam a acreditar que qualquer outra pessoa seja capaz de fazer uma xícara de chá decente (“só não é verdade”) e o preconceito de que nenhum americano seja capaz de fazer um sotaque que se passe por britânico.

Só voltando para a primeira coisa: você sabe que nós nunca vamos te contar como nos sentimos né?

“Não, eu sei disso. Eu sei. Acredite em mim, estou bem ciente.” Tem um amor preguiçoso na nossa cultura – não só na Grã-Bretanha ou América, mas mais na cultura popular global nesse ponto – por um tipo específico de histórias sobre os famosos, uma que mostre eles como obcecados com si mesmos e com egos inflados. Parece que muitos de nós – muito mais do que deveria – desejam que essas histórias sejam verdadeiras. (Eu vejo isso como um sub tópico de um ressentimento mais amplo e geralmente não examinado contra os famosos por causa de uma presumida vaidade em pensar que nó estamos interessados neles, um ressentimento mantido, principalmente, por aqueles mais profundamente interessados neles.) No entanto, mesmo que o Jake Gyllenhaal tente se separar desse tipo de mundo, ele não é imune, e um clássico mal intencionado do gênero apareceu no tabloide americano New York Post em 26 de abril de 2019. A manchete era A arte favorita do Jake Gyllenhaal é a dele própria e a história dizia, em partes, isso:

Um espião da Page Six recentemente ouviu por acaso uma conversa em uma loja de molduras de arte no centro entre um coletor – que foi sortudo o suficiente para ter um retrato dele mesmo feito pelo seu artista favorito – e o dono da loja.

Quando o rapaz perguntou pro dono se parecia vaidoso demais ter um retrato dele mesmo emoldurado, o dono o tranquilizou dizendo, “Jake Gyllenhaal vem aqui o tempo todo e eu nunca emoldurei alguma coisa pra ele que não fosse uma imagem dele mesmo.”

Talvez compreensivamente, Gyllenhaal não aparenta estar muito exuberante quando eu menciono isso, mas eu fico feliz que eu mencionei, porque é as vezes quando as pessoas estão levemente com o pé atrás que elas fornecem as expressões mais eloquentes e próximas ao coração de como elas realmente se sentem e pensam. Primeiro, a pedido meu, Gyllenhaal endereça as especificidades, mas sua resposta cresce a partir dali. “Meu deus. O que você quer saber de uma história sem sentido? Então o que eu acho que aconteceu é – porque eu posso seguramente afirmar que eu não tenho nenhuma fotografia minha emoldurada no meu apartamento – é que eu tenho um escritório de produção, e nesse escritório da empresa de produção nós tempo pôsteres dos meus filmes.”

O que não é tão estranho.

“Quero dizer, algumas pessoas podem pensar que é. Mas é o que é. E então o que eu presumo que aconteceu é que quando eles foram emoldurados, alguém disse isso. Quero dizer, não tem jeito de ser qualquer outra coisa diferente disso.”

Mas é, consequentemente, ofensivo? Porque certamente agrega em um tipo de estereótipo.

“Eu sou um garoto grande. Você sabe, pessoas gostam de escrever muitas coisas. Na verdade, você não pode parar as pessoas de fazer quaisquer coisas que elas queiram fazer. Eu sou um forte apoiador de que criar é muito mais difícil do que destruir. E, você sabe, todos nós temos uma criança de três anos dentro de nós que gosta de construir Lego e daí chutá-los logo em seguida. Mas eu também acredito que enquanto adultos, nós devíamos ter uma parte de nós que diz, ‘Vamos pegar as épocas difíceis para criar, ao invés de destruir.’ É um absurdo. Para mim, o absurdo é um absurdo. Como eu disse: francamente, eu não acho que ninguém realmente se importa. Eu não ficaria sabendo disso se eu não tivesse recebido um telefonema das pessoas com as quais eu trabalho. Eu só pensei: só não é verdade, então por que eles vão falar sobre isso? Tipo, vamos pro meu apartamento! Eu também acredito que as pessoas, no final das contas, em algum momento, sabem quando alguma coisa é um absurdo, e quem alguém é, e quem eles mostram que são.”

Enquanto estamos falando disso, aqui está outra manchete, publicada somente alguns dias antes do Gyllenhaal e eu nos encontrarmos: Jake Gyllenhaal apoiou Bernie Sanders através do Insta de seu Gato? A história se refere a uma postagem de uma conta que pertence a um gato chamado Ms Fluffle Stilt Skin – que muitas pessoas online aparecem acreditar, por razões que não são inteiramente claras, pertencer à o Jake – na qual o gato em questão é mostrado na frente do candidato concorrendo a presidência pelos democratas que falando em uma tela de TV. A legenda da foto diz “Estou curtindo esse cara”. Se existe um jeito de ter uma conversa sobre isso que não seja de maneira surreal, nós falhamos. Você viu a reportagem?

“Me falaram sobre. Eu não tenho gatos.”

Parece que as pessoas realmente acham que é verdade.

“Uma das minhas coisas favoritas sobre Fluffle Stilt Skin, um gato que eu conheço…”

Você conhece esse gato!

“Eu conheço o gato. E ela é uma gata maravilhosa. E, como todos os americanos, ela tem o direito de apoiar quem quer que seja que ela queira apoiar.”

E como que você acabou envolvido nisso?

“Eu vou dizer uma coisa: você não vai receber nenhuma clareza nessa situação que você espera. A não ser dizer que eu tenho um cachorro. Eu sou alérgico a gatos.”

E, só para constar, você não fez confirmação?

“Não.”

Outro jeito que o Gyllenhaal endereça sua recente trajetória é através do prisma da masculinidade. “A ideia de ser adulto, de ser um homem, era, no momento em que falamos pela última vez, algo pela qual eu estava procurando,” ele reflete. “Eu passei muitos anos tentando entender o que é isso. Tipo, filme após filme, experiências de vida após experiências de vida, indo até certos extremos, para dizer ‘Ah, está no mundo físico? É um homem que segura uma arma…? É um homem que entra em um rinque de boxe…? É um homem que se apaixona por outro homem?’ O que é a masculinidade? E sem saber, acho que era isso que eu estava procurando.”

O que eu acredito que ele esteja dizendo agora é que ao invés de tentar aprender sobre ser um homem ao habitar todas essas versões diferentes de masculinidade em seus papéis no cinema, ele só está tirando um tempo para tentar ser.

“Tem sido bem agradável,” ele diz. “Muito mais espaço para minha mente vagar, e muito mais tempo para simplesmente dizer, ‘Ah, como isso fez eu me sentir?’ Mesmo que ele tenha estado no palco, Gyllenhaal não está em um filme estipulado para grava uma cena desde o último dia de gravações de Homem-Aranha em setembro de 2018, e ele diz que não tem nenhum plano fixo de quando ele irá fazer isso de novo. Ao invés disso, ele diz que anda lendo, cozinhando, particularmente para suas sobrinhas (“Eles gostam das coisas que eu cozinho, sabia”), deixando o cabelo crescer (“você meio que fica: ‘por que não?’”), viajando, tanto para ver a família dele na Califórnia, como para mais longe. Ele menciona uma viagem recente para o Butão, uma que aparenta ter sido realizada como que a bel-prazer – “Alguém me disse, ‘Ah é uma boa época para ir pro Butão.’ E eu pensei, ‘Onde fica Butão?’ Eu sabia que era perto da Índia, eu só não sabia exatamente onde” – mas ele descreve como uma experiência incrível. Ele me conta sobre ter tomado chá após uma caminhada de três horas do lado de um lago glacial derretido, e sobre outra caminhada até um templo onde um monge viveu por 35 anos. “Eu tomei chá com ele também,” Gyllenhaal diz. “E uns biscoitos bem velhos.”

Ao mesmo tempo, de uma maneira diferente, Gyllenhaal está mais ocupado do que nunca. Ele tem uma empresa de produção, uma de verdade com 30 projetos em desenvolvimento (“alguns em que eu apareço, outro que não”), e quatro filmes nos quais ele não estrela que estão ou em pós-produção ou aguardando lançamento. A companhia se chama Nine Stories, um nome que em parte é uma relíquia acidental, herdado do nome da corporação que Gyllenhaal precisava por razões de negócios quando ele iniciou a carreira, o qual o jovem Gyllenhaal tinha pego de um livro que ele amava profundamente, uma coleção de histórias curtas de JD Salinger. Quando ele montou sua companhia de produção atual, Gyllenhaal tentou incontáveis outros nomes, mas falhando em encontrar um que parecesse funcionar, eventualmente voltou a esse.

Ainda assim, mesmo deixando de lado seus pensamentos levemente místicos acerca do número nove, ele agora tem uma razão para tal.

“Eu acho, também, que se você conseguir fazer nove grandes histórias durante uma vida, ou contá-las,” ele sugere, “você já está pronto para ir.”

E quanto você acha que já fez?

“Eu acho que já estive nelas. Eu ainda tenho que fazer alguma.”

Mas esse é o plano?

“Sim.”

Quando o Gyllenhaal fala sobre todas as coisas que ele entendeu e resolveu desde que nos encontramos pela última vez dez anos atrás, ele faz parecer como se as coisas agora estivessem resolvidas e concluídas. Eu não imagino que estejam. Eu amo que ele sente como se tivesse trabalhado com todas essas coisas, e eu acho que ele seja sincero ao falar sobre isso, mas eu tenho um palpite bem forte que se nos encontrarmos de novo em dez anos ele terá trabalhado mais um monte de coisas novas.

O que talvez seja mais significativo a longo prazo é o espírito e energia e curiosidade que ele trás a tudo isso. Quando você escuta o Gyllenhaal falando – por exemplo, para dar só um exemplo, quando ele explica como ele precisa estar “trabalhando com pessoas que digam, ‘Sim, você pode tentar todas essas coisas estranhas, e nós vamos cortá-las fora de qualquer maneira se não gostarmos, mas vá em frente’” – você tem um gostinho de não só como pode ser tonificante trabalhar com ele, mas o quão enlouquecedor provavelmente é algumas vezes também, mas você também vê que ele é genuinamente empenhado em uma jornada de exploração honesta, uma que não é focada em alisar seu próprio ego.

Nós somos pressionados a admirar pessoas que tem tudo resolvido, mas eu estou sempre caladamente mais interessado, e mais impressionado, pelos outros: os sempre curiosos, não sempre certos; aqueles cheios de perguntas, sempre procurando por algo, não aqueles com todas as repostas que tem certeza que já encontraram tudo; o tipo certo de bagunça, não o tipo errado de perfeição. E me parece que o Gyllenhaal pode ser um desses.

Um pouco antes de ir embora, nós falamos sobre um momento chave de seu passado, O Segredo de Brokeback Mountain (2005) de Ang Lee, no qual ele apareceu juntamente do Heath Ledger. Gyllenhaal me disse dez anos atrás que não conseguia assistir o filme, e eu pergunto se esse ainda é o caso. Ele diz que é. Ele fala – no passado e agora – sobre o filme como algo que ele estava completamente dedicado à, mas que, entretanto, de algumas maneiras existia além de seu controle e entendimento. “Existem coisas em que você é simplesmente escolhido – uma qualidade, uma essência – e o Ang fez isso. E ainda é um mistério para mim. E algo que eu e o Heath  compartilhávamos: que isso era um mistério pra gente na época.”

Eu menciono à Gyllenhaal que quando eu recentemente assisti entrevistas de TV antigas daquela época, eu fiquei abalado com o quão homofóbico muitas das brincadeiras era, mesmo quando a intenção era se o oposto disso: cowboys gays, é tudo uma tremenda de uma piada. Isso lembra ele de uma coisa.

“Quero dizer, eu lembro que eles queriam fazer uma abertura para o Oscar aquele ano que meio que fazia piada com isso,” ele diz. “E o Heath se recusou. Eu estava meio que na época, ‘Ah, ok… tanto faz.’ Eu estou sempre: é tudo uma diversão do bem. E o Heath disse, ‘Não é uma piada para mim – eu não quero fazer nenhuma piada sobre isso.” Eu digo o quão inteligente da parte do Heath isso me parece, em retrospecto, “Absolutamente,” diz Gyllenhaal.

O celular dele fica apitando, e ele claramente precisa ir embora, mas mesmo enquanto ele se prepara para tal, sua linha de pensamento o leva a refletir mais sobre as ocasiões, como a filmagem de O Segredo de Brokeback Mountain onde, como ele coloca, “as experiências de vida delas são tão profundas que não importa o quão poderoso o filme é para várias outras pessoas, o que ele significa para elas, ele significa algo completamente diferente para mim.” Ele menciona, como um segundo exemplo, Nocaute, e daí de repente, inesperadamente, Jake Gyllenhaal está falando sobre o primeiríssimo dia em que apareceu na frente de uma câmera, na idade de dez anos interpretando o filho de Billy Crystal na amável comédia peixe-fora-d’água City Slickers. Ele começa descrevendo a cena inteira: sentindo a temperatura nada natural das luzes de 10K iluminando a sala de aula por uma janela, e em como tinha um corredor que estava escuro, e em como havia um grupo de pessoas que não precisavam assistir, e em como ele se sentiu admirado, adentrando aquele espaço sagrado.

“Eu assisti aquela cena algumas vezes,” ele diz, “e eu vejo aquele garotinho, e tudo que eu lembro é o outro lado, aquela perspectiva. E está muito profundo em mim.” Gyllenhaal não diz para onde está indo, mas se agora eu imagino que ele tem um dia calmo pela frente, um pouco de leitura, procurando produtos online para cozinhar no jantar antes de colocar um jazz medieval e ir para cama, eu estou errado. Mesmo que não menciona, ele tem um ensaio para o qual precisa ir.

O próximo episódio do programa de TV Saturday Night Live vai ser apresentado pelo comediante John Mulaney. Um sketch, que se passa em um aeroporto de Nova York, encontra uma variedade impressionante de personagens extravagantes, a maioria interpretada por membros do elenco do show, cantando versões relacionadas com viagem aérea de músicas famosas de musicais. Lá pelo fim da cena, um homem caminha no palco em pijamas listrados – um homem recebido, logo que a plateia percebe que é o Jake Gyllenhaal, com aplausos de deleite típicos de é uma pessoa famosa! Ele procede e canta uma música, uma originalmente do musical Wicked mas agora sobre o quão felizmente o personagem do Gyllenhaal se submete aos cuidados dos inspetores da segurança do aeroporto, embora invasivos. Enquanto ele se aproxima do clímax da música – você pode procurar bem fundo na minha cavidade! ele boom – Gyllenhaal flutua do chão, e voa por cima do palco por fios, antes de desaparecer alto nos cantos, longe em direção a qualquer diversão estranha que o espera mais à frente.

Fonte: Another Man | Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Durante um evento na Galeria Nacional em Londres na semana passada, Jake Gyllenhaal concedeu uma entrevista para o site London Theatre. Confira:

Em um evento especial no início desta semana na Galeria Nacional, em frente à pintura de Georges Seurat ‘A Sunday Afternoon’, que inspirou Sondheim e o escritor de livros James Lapine a criar o musical, Jake Gyllenhaal falou sobre como a peça foi “terminada e agora inacabada novamente” depois que ele a estrelou na Broadway.

“O fato de termos que ouvir esse musical tem sido um sonho tornado em realidade”, disse o ator, “e tem sido desde o momento em que comecei a trabalhar com Jeanine Tesori [produtora criativa] e Annaleigh Ashford [co-estrela]. E é por isso que estamos vindo para cá, porque temos muitos negócios inacabados para fazer. Não há lugar melhor [para apresentá-lo] do que na cidade que tanto amamos, e que eu amo tanto. Há anos que estou querendo voltar para cá, é realmente uma honra estar aqui.”

Gyllenhaal interpreta no musical uma versão fictícia do artista Seurat e também seu neto, um artista em conflito. O show começa com o artista proclamando: ‘Branco, uma página em branco ou tela. O desafio: trazer ordem ao todo, através do design, composição, tensão, equilíbrio, luz e harmonia.’

Tesori, autora de musicais como Fun Home e Caroline, or Change, falou no evento como os paralelos poderiam ser traçados entre o personagem central e o próprio Sondheim.

“A peça é sobre começar do nada e ir para alguma coisa, e há consequências em viver esse tipo de vida”, disse ela. “É um trabalho manual, mas é um trabalho que envolve sua alma e seu coração. É a história deste artista, mas também é a história desse artista, Stephen Sondheim, e ele e James Lapine entendiam como era começar com uma tela em branco.”

Ela acrescentou que o show tem uma “vibração e urgência de como é estar no trabalho e o incrível terror de que você não é bom o suficiente e o terror de uma página em branco”, que é um tema importante que foi escolhido no musical.

“Quando você é cantor, você pensa: ‘Vamos começar por aqui? Entramos agora? Somos bons o suficiente para cantar isso?’ Quando estávamos tocando essa música, principalmente quando tocávamos as músicas, Jake e eu queríamos encontrar a melancolia que estava por baixo.”

O musical retorna a Londres no próximo verão, dirigido por Sarna Lapine no Teatro Savoy. Os ingressos já estão à venda.


Fonte: London Theatre
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Jake Gyllenhaal e Annaleigh Ashford estiveram em Londres na semana passada para conceder algumas entrevistas para meios de comunicação local para divulgar a peça ‘Sunday In The Park With George’. Confira abaixo a entrevista traduzida de Jake para a Evening Standard:

O primeiro papel teatral do indicado ao Oscar, Jake Gyllenhaal, foi na peça de Kenneth Lonergan ‘This Is Our Youth’ no Garrick Theatre em 2002, e lhe rendeu o Evening Standard Theatre Award de ator revelação.

Gyllenhaal, 38 anos, retornará aos palcos de Londres no próximo ano para estrelar ‘Sunday In The Park With George’, de Stephen Sondheim, que segue o pintor pós-impressionista Georges Seurat ao concluir sua pintura mais famosa, A Sunday Afternoon on the Island of La Grande Jatte. Ele e sua co-estrela Annaleigh Ashford apareceram originalmente na versão protagonizada por eles em Nova York em 2016, que eles seguiram com a peça esgotada na Broadway em 2017.

Em entrevista à Standard Online, antes da transferência do musical para o West End, Gyllenhaal disse que sua passagem anterior em Londres “mudou todo o processo de seu trabalho” e elogiou a comunidade teatral “solidária” da capital.

“Eu não tinha ideia no que estava entrando, o que foi uma coisa maravilhosa”, disse ele. “Ingenuamente – eu obviamente conhecia a história do teatro de Londres – pulei nela como um tolo, o que acho que às vezes é a melhor maneira de se fazer. O que descobri quando me apresentei aqui há 18 anos foi uma comunidade incrível e solidária de artistas. Você realmente ganha seu lugar [aqui], você trabalha duro para garantir que você possa dominar o palco aqui.”

Ele também saudou o público do West End como “os melhores ouvintes”, creditando isso à história teatral “profundamente arraigada” da capital.

“Eu sinto que eles são os melhores ouvintes”, disse ele. “Há uma história profundamente enraizada na cultura aqui do teatro ao vivo; é uma história com o público. E, como resultado, eles são incluídos imediatamente e, se você estiver indo bem, eles ficarão com você, e eu amo isso. Para mim, não há teatro como aqui em Londres e levar uma peça como essa para West End será muito especial.”

Sunday In The Park With George estará no Teatro Savoy a partir de 11 de junho de 2020.


Fonte: Evening Standard
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Jake Gyllenhaal falou com Kenneth Goh, editor-chefe da Harper’s Bazaar Singapura, sobre filmes, relógios e superpoderes.

Faz um ano desde que você assumiu o papel de primeiro embaixador de relógios da Cartier. Como tem sido até agora?

Não é difícil usar um relógio bonito. Também é um ótimo lugar para trabalhar – eles são realmente maravilhosos para mim e também abraçam os artistas de uma maneira diferente. Obviamente, estamos aqui para vender algo e mostrar algo às pessoas, mas há algo fundamental por trás disso, que é o respeito pelos artistas e a apreciação de quem é alguém. Quando Cartier veio até mim e disse: “Apreciamos o seu trabalho e o foco com o qual você o faz”, que [meu trabalho] de alguma forma incorpora uma parte da empresa deles neste relógio … eu pensei que [isso poderia ser] uma parceria maravilhosa.

Por que você acha importante que os homens usem relógio o tempo todo?

Você sabe, não temos muitos acessórios; e há algo sobre a graça e a elegância do relógio. É um lembrete de quem você poderia ser, deveria ser, quer ser. E está bem no seu pulso.

Se você tivesse a chance de interpretar o papel de Alberto Santos-Dumont em uma cinebiografia, como o interpretaria?

Chapéus em abundância! É sempre sobre adereços: aviões, adereços, relógios … Santos estava no mundo pilotando aviões e fazendo todas essas coisas incríveis, sendo um aventureiro que corre riscos. Eu amo que quando você pensa em Cartier e pensa em Santos, existe esse equilíbrio entre função e estilo. É esse tipo intenso de obsessão entre os dois; sobre beleza e funcionalidade. E quando uso o relógio, vejo a história do relógio; Eu posso sentir isso. Sinto a responsabilidade de cumprir essa ideia.

Tendo interpretado um supervilão em Homem-Aranha: Longe de Casa, que qualidade de super-herói você desejaria ter em sua vida diária?

Não sei se esse personagem pode ser descrito como um supervilão, não sei se ele é mesmo um vilão, mas sei não há muito super sobre mim! OK… Super paciência! Sou muito paciente, mas não o suficiente. Então, eu gostaria de ter mais disso. Super paciência, você consegue imaginar um filme assim? Ninguém iria querer assistir esse filme. Sim, mas eu gostaria disso. O que você desejaria?

Eu acho que ser capaz de ser invisível.

Sério? Você está usando um terno rosa!

É o oposto diamétrico: você quer ser capaz de não estar aqui.

Isso é tão interessante. Seu estilo é lindo, mas você não quer ser visto. Isso é realmente interessante.

Qual foi o seu papel mais desafiador até agora?

Ser uma pessoa; esse é o meu papel mais desafiador; tipo, apenas ser um bom irmão, um filho … não considero nada tão desafiador, exceto quando interpretei o garoto que perdeu as pernas nos atentados de Boston [no filme biográfico de 2017, Stronger]. Tentando entender a mentalidade desse personagem, no que ele experienciou… isso foi um desafio.


Fonte: Harper’s Bazaar Singapura
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Em Sea Wall/A Life na Broadway, Jake Gyllenhaal – a estrela do cinema que recentemente vem se transformando em filmes como Nightcrawler ou Homem-Aranha: Longe de Casa – faz algo que parece ser novo em sua simplicidade. A performance dele no monólogo A Life é íntima e livre de personagem, interpretando um homem enfrentando os paralelos entre a morte de seu pai e o nascimento de seu recém-nascido (Gyllenhaal, merece ser mencionado, não passou por nenhuma dessas coisas).

“O trabalho que eu sempre tento fazer é muito, muito detalhado,” diz a diretora Carrie Cracknell, que trabalhou com ambos Gyllenhaal e Tom Sturridge, que interpreta o primeiro monólogo da peça, Sea Wall. “Nós conversamos bastante sobre o momento por momento, e eu acho que o que construímos foi um grupo de objetivos compartilhados sobre a estética da performance e o fato de que queríamos que tudo parecesse muito natural.”

Cracknell relembra do processo de ensaios – visto aqui nessas fotos exclusivas cedidas a Vanity Fair – como um tipo de “mania”, um período de exploração, reinvenção, e brincadeira, apesar do assunto sombrio. (Sturridge interpreta um pai e marido que é deixado com seu luto após uma viagem de família ter uma reviravolta trágica. A produção estreou em uma temporada limitada e esgotada no Public Theater no começo desse ano, e abriu a pré-estreia no Hudson Theater, na Broadway, semana passada. “Na maioria das vezes era só eu e um dos atores, e iria meio que alternar entre histeria total – e quero dizer, genuinamente – e meio que hilariante, e quase como um stand-up. Eles ficavam – ambos, mas particularmente o Jake – brincando e meio que fazendo essas vozes engraçadas e dançando pela sala, e daí meio que entravam nesse trabalho muito, muito emocionalmente vulnerável,” Cracknell explica. “Era muito interessante porque eu acho que estávamos tentando segurar essa dualidade o tempo inteiro sobre isso ser muito engraçado – alguns elementos da peça são como stand-up. E daí toca em algo muito real. Esse senso de exploração estava presente constantemente.”

Ela relembra que uma vez o Gyllenhaal testou seu monólogo inteiro como se fosse um monólogo; uma vez o Sturridge veio e tocou um set de piano inteiro antes de começar o trabalho do dia. Teve até uma semana em que o cachorro do Gyllenhaal, Leo, teve uma proposta de ser coadjuvante.

“O cachorro dele foi um aspecto bem grande – nós até conversamos sobre colocar o cachorro na peça e talvez fazer ele subir no palco,” conta Cracknell. “O Leo meio que trouxe essa afetuosidade e energia maravilhosa para todos nós enquanto ele estava na sala de ensaios.”

Gyllenhaal e Sturridge, que contracenaram em Velvet Buzzsaw, filme desse ano da Netflix, ambos viram o processo como um contraste ao ritmo acelerado de uma gravação de filme. “Isso tem um tipo de intensidade o tempo inteiro em termos de tomar decisões muito, muito rápido e entregá-las perfeitamente, e então na verdade os ensaios se tornaram esse tipo de processo de desenvolvimento de pausa em que eles podiam testar coisas e se sentir livres,” diz Cracknell. “Nós todos queríamos meio que manter essa atmosfera.”

E há uma liberação nas tentativas da produção de ser “estritamente conversacional” e quebrar a quarta parede repetidamente durante cada performance. “Nós tentamos realmente nos livrar de toda essa pele que você geralmente tem entre o ator e a audiência. Se alguém está tossindo, uma vez o Jake saiu e pegou água para ela e voltou com a água. Ou se um telefone toca, eles talvez falem, ‘Não se preocupe, está tudo bem.’ Então eles estão realmente tentando estar no ambiente com as pessoas que vêm assistir a isso todas as noites, e eles pegam essa energia e eles a colocam na apresentação. Acho que é pouco comum para atores, particularmente com o Jake; ele é muito conhecido e ele fez uma variedade tão incrível de personagens muito peculiares. Na verdade, no que ele estava interessado era jogar um pouco disso fora e tentar ficar mais próximo dele mesmo e tentar atuar de uma maneira que é muito, muito aberta, muito atenciosa, e meio simples.”

Cracknell diz que esse esforço em tentar se conectar teve alguns efeitos imediatos na plateia. “As peças [são] um lembrete de viver no momento presente porque você nunca sabe o que vai mudar, e eu acho que refletir sobre nascimento e sobre o luto e sobre transformação, meio que faz você querer ser mais vívido na sua vida e mais bem conectado as pessoas a sua volta,” ela diz. “Eu amo quando eu vejo pessoas saírem do teatro ligando para familiares e amigos. Eu vejo isso acontecendo alguns dias, aquele sentimento que faz você querer ir atrás e ser mais conectado à sua família, eu penso que se isso acontece, é muito especial.”


Fonte: Vanity Fair
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal

Você se da conta como o jovem Jake Gyllenhaal é, quando descreve sua primeira lembrança da Calvin Klein, a marca da qual agora ele é embaixador: “Um anúncio de Marky Mark e Kate Moss, perguntei ao meu pai o que era esse pôster gigante com aquele super-humano e me respondeu ‘é Mark Wahlberg com roupa intíma'”, explica. Desde que se tornou um ator cult para os críticos e para o público em Donnie Darko com 19 anos e em Brokeback Mountain com 24, Gyllenhaal (Los Angeles, 1980) sempre transmitiu uma energia melancólica para sua idade.

O ator foi escolhido para representar Eternity Eau De Parfum, a primeira fragância da Calvin Klein criada só para homens. No comercial, Gyllenhaal vive momentos de intimidade com sua mulher e filhos, mesmo que, na vida real, reconhece que a intimidade o aterroriza. Calvin Klein descreve o homem Eternity como ‘robusto mas refinado’ e não encontrariam ninguém melhor que Gyllenhaal: um tipo que foi de férias para o Caribe para ler a biografia do segundo presidente dos Estados Unidos, John Adams, vencedor do Pulitzer, mas causou sensação na internet por suas fotos passeando sem camisa na ilha de St. Barth. Robusto, mas refinado.

Nesse verão você abriu o Instagram coincidindo com a estreia de ‘Homem-Aranha: Longe de casa’. Como foi essa transição para as redes sociais [Instagram] aos 38 anos?

Vejo o Instagram como um olhar interessante da ideia do que é a fama, como isso faz você sentir a atenção de pessoas que não conhece. Para os artistas é normal ter contato com o publico, quem te oferece uma profunda quantidade de críticas e uma profunda quantidade de elogios que provavelmente não merece nos dois casos. Mas para pessoas que não se dedicam às artes, será impressionante. No meu caso, estou nos olhos do publico desde muito jovem, estar no Instagram não é tão diferente do que conceder uma entrevista, assistir um evento ou ler uma crítica sobre o meu trabalho. Instagram é como uma extensão da minha carreira.

Por alguma razão, a internet é fascinada por fotos sua comendo e há varias contas dedicadas a postá-las. Inclusive da sua mania de morder os fones. Isso te deixa constrangido toda vez que come fora?

Essa é uma pergunta interessante, porque vivemos em uma época em que as pessoas tiram fotos de outras pessoas, dentro ou fora de estabelecimentos e nas quais as pessoas tiram muitas fotos de si mesmas. Quando as pessoas te reconhecem na rua, tem que se render a possibilidade de que podem tirar uma foto sua. Portanto não tenho insegurança sobre como eu me alimento. Eu gosto de comer fora.

Na época, você confessou que após a audição para o papel de Frodo em ‘O Senhor dos Anéis’, o diretor Peter Jackson te disse que foi a pior audição que ele tinha visto. O que você aprendeu com aquela crítica?

Já fazem 20 anos, então eu não sei o que te dizer. Sou uma pessoa muito diferente do que era naquela época. Acredito que os atores tem que aprender a crescer em um mundo cheio de rejeições, alguns aprendem a progredir e outros partem seus corações. O que aprendi ao longo desses anos é que é muito mais fácil jogar tomates, você não precisa ter talento para ser negativo, mas precisa de talento para criar algo. É muito mais difícil ser criativo do que destrutivo, então acho que só de tentar requer uma valentia incrível.

Nesse verão você participou de um filme da Marvel, seu primeiro ‘blockbuster’ em dez anos. Você ainda pensa em continuar trabalhando em filmes com baixo orçamento?

Já tenho experiência o suficiente nesse ramo para confiar no meu instinto se considero que um projeto seja adequado, mas, essencialmente, trata-se de ser autêntico. Se você sente que um projeto se encaixa com o que você é de verdade e sente que não estará enganando o publico ou os jornalistas quando chegar a hora de apresenta-lo então é algo que você deve fazer. Alguns atores dizem “sempre quis interpretar essa pessoa” e eu também era assim em um ponto da minha carreira, mas aprendi a descartar essa atitude. Claro que existem cineastas com quem eu adoraria trabalhar, como Jacques Audiard, com quem eu consegui fazer um filme ano passado [The Sisters Brothers] ou Pedro Almodóvar. Acredito que Pedro está vivo em um mundo onde muitas pessoas não estão, o considero um cineasta impressionante. Mas nunca tive sonhos como ‘oh, adoraria interpretar Abraham Lincoln’, sou mais do tipo ‘o trabalho dessa pessoa me parece incrível, tomara que eu possa colaborar com ela, aprender com ela e que ela fique com o que aprender comigo’. Por isso faço o que eu faço.

Você disse que quando alguém te parava na rua, você se oferecia para conversar, mas eles só queriam uma selfie. Começaram a falar com você desde então ou ainda querem apenas uma foto?

É que eu percebi que as pessoas se importam menos de conversarem comigo do que documentar essa conversa. É como se estivéssemos perdendo o dom de simplesmente conversar uns com os outros, as pessoas só querem uma foto e quando eu falo ‘oi, tudo bem?’ ‘qual é o seu nome?’, eles já não estão mais interessados ​​[risos]. Então não, acho que a resposta para sua pergunta é que não com muita frequência, não.

Você acha que ‘Brokeback Mountain’ não mudou a cultura, mas a cultura estava esperando por aquilo. Mas foi muito surpreendente que um filme com estrelas contasse uma historia de amor entre dois homens. Alguém te aconselhou para não aceitar o papel?

Ninguém do meu círculo, profissional ou pessoal, me aconselhou para que não fizesse esse filme. Mas teve sim alguns que me falaram que talvez não fosse uma escolha adequada ou o caminho certo para mim, porque eu tinha outras opções para escolher naquele momento. Algumas pessoas consideravam que eu deveria fazer esses outros papéis, exceto [Brokeback Mountain] e curiosamente nenhum desses outros projetos foram filmados.

Você teve dúvidas?

Para mim nunca houve dúvidas. Não sei se é por causa da minha educação e por causa do mundo em que eu cresci, tive a sorte de frequentar uma escola muito progressista onde vários dos meus professores eram gays. Nunca os questionei, via homens casados com homens e mulheres casadas com mulheres e nunca dei a menor importância. É claro que por ser um homem hétero, me intimidava a ideia de filmar as cenas mais físicas. Me perguntava como sairiam e houve momentos embaraçosos. Mas ao mesmo tempo eu sabia que estávamos contando a historia sobre amor que significava muito para mim e isso era para mim mais importante que qualquer outra coisa. Ainda é. Me aterroriza o amor, a intimidade e manter relações profundas, te falo com sinceridade, mas sou consciente de que a minha vida não vale nada sem essas conexões. Então essas são as historias que eu quero contar. E afinal, a quantidade de pessoas que se aproximaram para contar como Brokeback Mountain significaram muito para eles me fez perceber que eu não era consciente da sorte que eu tive desde pequeno. Quando li Brokeback Mountain não pensei no fato de serem dois homens porque cresci em um mundo em que o amor podia estar em todas as partes e entre todas as pessoas.

É provável que, se filmassem hoje ‘Príncipe da Pérsia’ causaria polêmica por colocar um ator branco interpretando um personagem árabe. Você pensaria duas vezes antes de aceitar um papel assim?

Bom, meu amigo, você sabe que não há resposta para essa pergunta. Você não pode voltar no tempo.

Bem, no filme você podia.

Já fiz vários filmes nos quais eu posso controlar o tempo. O que aconteceu na época já passou, graças a Deus por todas as mudanças incríveis que estão acontecendo pelo mundo. Avançamos profundamente e estamos passando por tempos contraditórios que são confusos para muitas pessoas, porque se sentem isoladas apesar de terem dispositivos para se comunicar e olhar para outras pessoas. A única coisa que posso fazer, como alguém que ajuda a contar historias, é que as pessoas se reconciliem com elas mesmas e voltem a ser elas mesmas. Esse sempre foi meu objetivo, inclusive quando eu estava viajando para frente e para trás no tempo e virando tudo de cabeça pra baixo. E é isso.


Fonte: El País
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil