Jake Gyllenhaal esteve no programa The Tonight Show Starring Jimmy Fallon na última terça-feira, 19. Traduzimos a entrevista e vocês podem conferir a transcrição abaixo:

Jimmy: Parabéns, a propósito, no novo capítulo Marvel na sua vida.
Jake: Obrigado.
Jimmy: Mysterio. Eles sabem. Cara, foi uma grande coisa quando o trailer saiu. Você vai ser o Mysterio no novo “Homem- Aranha.”
Jake: Sim.
Jimmy: E eu fiquei muito empolgado com isso. E eu vi que Ryan Reynolds, nosso amigo, postou uma – vou riscar isso porque tem umas palavras sujas. Vocês não podem ver.
Jake: Nossa.
Jimmy: Ryan Reynolds postou uma foto sua e do Hugh Jackman em uma festa de fim de ano.
Jake: Isso é Photoshop. A gente não estava juntos de verdade.
Jimmy: E dizia “Esses caras me disseram que era uma festa de suéters.” Então – Eu acho que é uma foto incrível – a melhor reação. Eu amei. Achei maravilhoso. Então, você finalmente criou uma conta no Instagram.
Jake: Sim.
Jimmy: Você, o quê? – Quero dizer – Você é o último da resistência.
Jake: Obrigado!
Jimmy: Você era a última resistência, cara. A gente estava te esperando.
Jake: A última pessoa a entrar pro Instagram.
Jimmy: Sim, o Instagram estava esperando por você.
Jake: Sim, eu cheguei a conclusão que ninguém se importa com mais nada, então eu deveria criar um Instagram.
Jimmy: Não, as pessoas – Elas se importam.
Jake: Se importam?
Jimmy: Sim. Por isso que elas entram pro Instragram.
Jake: Ah, sim, não
Jimmy: Elas se importam com todo mundo.
Jake: Eu nem tenho certeza se eu estou no Instagram.
Jimmy: Você definitivamente está.
Jake: Estou?
Jimmy: Eu te vi no Instagram.
Jake: Sim, eu estou no Instagram.
Jimmy: É, você está.
Jake: Eu estou no Instagram.
Jimmy: Bom, você pegou essa foto – Tinha aquela foto, e daí você pegou – Você fez usou Photoshop na foto. E daí você, Deadpool, Wolverine. Esse é o Jimmy Bolha?
Jake: Sim, esse é o Jimmy… E o Homem-Aranha também, no cantinho.
Jimmy: É, é o Aranha ali no canto.
Jake: É o Homem-Aranha no canto. Foi um cara chamado BossLogic, na verdade. Foi ele quem fez isso.
Jimmy: Ele que fez isso para você?
Jake: Sim, a gente devia dar um agradecimento a ele, porque eu não tenho absolutamente nenhuma habilidade artística. Não existiria nenhuma possibilidade de eu conseguir fazer isso.
Jimmy: Bosslogic?
Jake: Bosslogic, isso
Jimmy: “Bass” ou “Boss”?
Jake: Eu não sei, cara.
Jimmy: Você conhece alguém que se chama Bosslogic?
Jake: Esse é o cara que fez a foto – Bosslogic. “Ba-sla-jik.”
Jimmy: “Ba-sla-jik?”
Jake: Ba-sla-jik.
Jimmy: O nome dele é “Bas-Laji.”
Jake: “Bas-laji.”
Jimmy: Ah, Bosslogic.
Jake: É Bosslogic.
Jimmy: Ai meu Deus. Sim, não, claro.
Jake: Ele é ótimo.
Jimmy: Nikolai Baslajic, sim. É um agente da CIA. Ele é procurado em 30 países. Claro!
Jake: Baslajica?
Jimmy: Sim, em Baslajica. Baslajica, é da onde ele é, claro. Mas, cara, aqui está você como Mysterio. Olha isso. Você apareceu na tela, e as pessoas ficaram “Uau!”
Jake: Sim.
Jimmy: E como – viu do que eu estou falando, cara?
Jake: Quem diria – quem diria que. É que, tipo, esses são os lasers verdes que eu realmente atiro pelas minhas mãos.
Jimmy: Sim, eu sei disso faz anos.
Jake: Eu consigo fazer isso, e é por isso que eles me contrataram.
Jimmy: E finalmente você pode fazer bom uso disso em um filme.
Jake: Sim, finalmente! Finalmente!
Jimmy: Tipo, você fica fazendo truques quando está no cinema e tals.
Jake: Quando eu era criança, meu pai falava tipo, “O que vamos fazer com essa criança?”
Jimmy: Mãos de laser! Meu Deus! E agora, aqui está você, em um filme de grande produção.
Jake: Sim. Valeu a pena, meu.
Jimmy: Como é o Tom Holland?
Jake: Ele é ótimo, cara.
Jimmy: Cara, ele é ótimo?
Jake: Ele é incrível.
Jimmy: É, ele é legal.
Jake: Ele é o cara mais legal. Do mundo.
Jimmy: Ele é.
Jake: Eu adoro ele como Homem-Aranha.
Jimmy: Sim. Mas eu acho que é mais divertido o que você está fazendo no Instagram. Você está meio que trollando ele.
Jake: Meu Deus! Toda essa coisa de Instagram… Você realmente gosta disso.
Jimmy: Cara, eu totalmente –
Jake: Você está obcecado com o meu Instagram.
Jimmy: Ah, sim, o seu Instagram. Sim, sigam o Jake no Instagram. @jakegyllenhaal.
Jake: Esse é meu nome.
Jimmy: Isso. Estou surpreso que você conseguiu esse nome. Porque você não estava no Instagram por tanto tempo. Alguma outra pessoa provavelmente devia ter pego.
Jake: Acho que alguém pegou bem no começo.
Jimmy: Você teve que comprar de um estranho? Que dizia que era o Jake Gyllenhaal?
Jake: Não. Alguém conseguiu pra mim.
Jimmy: Só me conta.
Jake: Eu tenho amigos.
Jimmy: Foi o Baslajic?
Jake: Baslajic.
Jimmy: Não sei sobre esse cara. Ele consegue fazer de tudo. Se você quer que seja feito, ligue pro Baslajic.
Jake: Bosslogic está pirando agora.
Jimmy: Ele vai cuidar disso, cara. Ele vai cuidar disso tudo.
Jake: Eu consegui. Alguém conseguiu. Eu não sei como a gente conseguiu, mas agente conseguiu.
Jimmy: Bom, você tem agora, é @jakegyllenhaal. E você postou essa coisa que eu achei engraçada, do Tom Holland. Acho que ele estava só dando uma entrevista. Você tirou toda a voz – todo o áudio da entrevista dele, adicionou essa música estranha. Só assista.
Jake: Ele – ele é só… maravilhoso.
Jimmy: Ele é o homem dos sonhos.
Jake: Ele é.

Jimmy: Nós temos muito sobre o que falar
Jake: Sim!
Jimmy: Primeiramente quero te parabenizar por estar de volta ao teatro. Você sempre apoia o teatro, cara. Eu gosto disso, que você faz isso. Você está no Teatro Público de Nova York, o que é maravilhoso. Já estive lá algumas vezes.
Jake: É uma grande honra. É uma grande honra estar lá.
Jimmy: Sim. É mesmo. Eu assisti “Hamilton” lá uma vez.
Jake: Sim! Estamos no mesmo teatro que “Hamilton”.
Jimmy: Mas o que é isso – são dois projetos em um, certo?
Jake: Isso. São dois monólogos. Um deles se chama “Sea Wall”,e o outro se chama “A Life”. E eu estou em “A Life”.
Jimmy: Você está em “A Life”. É a primeira parte ou a segunda parte da peça?
Jake: É a segunda parte.
Jimmy: Então, para seus fãs, eles podem só pular a primeira metade e ir te ver. Não estou dizendo que você está falando para as pessoas fazerem isso, mas –
Jake: Eu acho que você viraria um novo fã do Tom Sturridge, que faz o primeiro monólogo, porque ele fantástico.
Jimmy: Sério?
Jake: Sim. Então, sim.
Jimmy: Como você se envolveu nisso?
Jake: Então, de qualquer forma, eu fiz dois outros shows com esse escritor, Nick Payne, e são shows lindos. E daí ele me deu esse monólogo, porque ele escreveu para ele próprio, na verdade. E era sobre –
Jimmy: Bom, eu sei sobre o que é.
Jake: Sim, é sobre o falecimento do pai dele, inicialmente. E então – E eu pedi por quatro anos para ele se eu poderia fazer essa peça, e ele dizia “Não”, porque era muito pessoal para ele. E daí ele teve uma filha, um ano e meio atrás, e eu pedi de volta. E eu acho que ele já passou por muita coisa. Mas daí a gente pensou que talvez poderíamos fazer sobre ambos o falecimento do pai dele e do nascimento da filha dele. E a peça é realmente sobre isso.
Jimmy: Ai meu Deus!
Jake: Então é bem comovente, é comovente, mas é linda. É uma peça linda.
Jimmy: E como é a reação da plateia?
Jake: É bem especial. Quero dizer, quando você vem, é tipo – Meio que todo mundo – A plateia, em um monólogo, é tipo – Você sabe, certo? É como se eles fossem seus parceiros.
Jimmy: Você precisa da plateia. Acredite em mim – Eu amo vocês. Vocês são os melhores do mundo inteiro. Tão melhor que a da noite passada. Tão melhor que a da noite passada. Essa é a melhor plateia que eu já tive.
Jake: Eles são bem bons.
Jimmy: Sim, sim, sim.
Jake: Essa é minha família agregada.
Jimmy: É. Eu amo sua família.
Jake: Eles são ótimos. É, sim, não. Então, na verdade, sim, e tipo, coisas acontecem todas as noites, mas, geralmente, quando você está fazendo uma peça, você sabe, tipo, um telefone toca, ou alguma coisa acontece, você sabe, coisas aleatórias acontecem em uma plateia todas as noites. Tantas, tantas coisas estranhas.
Jimmy: Sim.
Jake: Então, por exemplo, abrir um doce que dá pra ouvir tão alto, até, outra noite tinha alguém cantando no corredor. Eles estavam meio que aquecendo a voz, e todo mundo estava escutando.
Jimmy: Da onde? Tipo, era um cantor?
Jake: Bom, no Teatro Público tem também “Joe’s Pub”, e tem vários outros teatros nesse teatro. Então, tinha uma mulher que estava preparando sua voz.
Jimmy: Enquanto você fazia esse monólogo sério.
Jake: Tipo “la, la, la, la”. Sim, era um monólogo super sério. Mas você meio que só vai, porque é um monólogo, então está tudo muito presente. Sabe? E em um outro dia, uma mulher estava tossindo bem alto, tipo, muito, muito alto – e eu me senti tão mal por ela – no meio da peça. E, então, eu só perguntei se ela estava bem no meio do monólogo.
Jimmy: Sério?
Jake: Sim, sim. Ela estava tipo… E eu falei “Você está bem?” E daí ela “Eu estou bem! Pode continuar!” E eu estava tipo – Eu corri para fora do palco e peguei água e dei pra ela.
Jimmy: Sério mesmo?
Jake: Sim. Eu dei água pra ela.
Jimmy: Esse é um bom homem.
Jake: Sim, porque não?
Jimmy: Essa é uma boa jogada. E esse é o preço da entrada.

Jimmy: Eu quero falar sobre esse novo filme “Velvet Buzzsaw”. Eu vi você na Netflix outra noite porque eu estava assistindo algo e aí apareceu “Se você gosta disso, vai gostar de Velvet Buzzsaw”. Eu to falando sério.
Jake: Eu quero saber o que você assiste na Netflix.
Jimmy: O que eu estava assistindo na Netflix?
Jake: Se você gosta disso, vai gostar de Velvet Buzzsaw.
Jimmy: É, interessante o porquê, é sobre o mundo da arte e sobre assassinato e coisas do tipo. Ah, sabe o que pode ter sido?
Jake: É um filme de terror.
Jimmy: Talvez tenha sido Bandersnatch.
Jake: O que? O que é isso?
Jimmy: Cara, você não viu Bandersnatch?
Jake: Todo mundo está chateado comigo.
Jimmy: Ah cara, você vai enlouquecer. Você vai amar isso.
Jake: Bosslogica?
Jimmy: O Bosslogica ia amar isso. Tá brincando? Você vai enlouquecer.
Jake: Sério?
Jimmy: Com certeza, é meio que a mesma coisa.
Jake: Você, tipo, me mantém numa caverna?
Jimmy: Black Mirror é bom.
Jake: Sim. Você tava esperando que eu dissesse “Eu não sei o que é isso”, certo?
Jimmy: Não.
Jake: Ok, que bom.
Jimmy: Eu sei que você sabe o que é isso. Porque eu pensaria que isso me lembra algo parecido.
Jake: Ok.
Jimmy: Essa história. Bem, eu vi seu rosto e eu gosto muito de você. Eu tava com a minha esposa também. E eu vi seu rosto, tipo, aparecer na tela. Você faz esse negócio em que você está bem na frente da câmera. E eu pensei “Eu nunca vi esse filme do Jake Gyllenhaal”. E eu gostei. Eu assisti.
Jake: Bom, muito obrigado.
Jimmy: Bem, basicamente a ideia se passa no mundo da arte e basicamente, eu não quero falar seu nome ainda porque é um nome tão bom.
Jake: Morf Vandewalt.
Jimmy: Qual é. O que está acontecendo com esses nomes que você está dizendo?
Jake: É um nome real.
Jimmy: Bosslogic e Mors— Moss— Não, Mort Van—
Jake: É Bosslogica e Morf Vandewalt.
Jimmy: Morf Van—Mor—Seu primeiro nome é Morf.
Jake: Morf Vandewalt.
Jimmy: Cara, você surtou quando você foi o Morf?
Jake: Todo mundo na banda está tipo… Você está rindo. Foi mal. Sim.
Jimmy: Morf Vandewalt.
Jake: Morf Vandewalt, sim.
Jimmy: Quando você descobriu que você ia interpretar— primeiro de tudo, você trabalhou com esse diretor antes, em Nightcrawler.
Jake: Sim, Dan Gilroy.
Jimmy: Cara, você estava— quer dizer, obviamente, você estava ótimo nesse filme, todos nós sabemos. Você estava absurdamente bom nele.
Jake: Obrigado.
Jimmy: Eu não sei por que você escolhe esses papéis loucos. Faz um papel em que você, tipo, fica relaxando por uma hora e meia. Faz um papel em que você fica descansando em uma cadeira ou algo assim.
Jake: Tipo o que?
Jimmy: Porque eu me sinto mal porque você faz todos esses dramas psicológicos loucos. Eu me sinto mal. Eu me preocupo com o seu cérebro.
Jake: Me diz o que você quer que eu faça e eu vou tentar fazer.
Jimmy: Faz tipo, um desenho animado ou algo do tipo.
Jake: Ok.
Jimmy: Você vai fazer?
Jake: Aham.
Jimmy: É divertido.
Jake: Essa foi minha voz de desenho animado.
Jimmy: Ah é?
Jake: Ok, sim.
Jimmy: Você não consegue fazer o Mickey Mouse.
Jake: Parece bom.
Jimmy: Sim, ta bom. Eu vou assistir de qualquer maneira. Ok, espera. Então, basicamente você está no mundo da arte e se você comprar as obras desse artista— se você é nojento e gasta dinheiro com isso e usa de maneira errada, a obra ganha vida e te mata.
Jake: Sim, basicamente isso.
Jimmy: É fantástico. Velvet Buzzsaw.
Jake: Sim, eu interpreto um crítico de arte. E ele é bem importante no mundo da arte. Quando ele faz uma crítica, meio que pode fazer ou destruir a carreira de um artista, sabe. Então, sim, todo mundo— a arte se vinga das pessoas que tentam e utilizam as obras de maneira errada. E é meio sobre como nós valorizamos a arte. Tipo, nós valorizamos por causa de quanto custa em termos de dinheiro ou por que nós gostamos?
Jimmy: Eu sou muito mais do mundo do “gostar”.
Jake: Sim.
Jimmy: É por isso que eu não tenho uma coleção cara.
Jake: Sim, sim.
Jimmy: Pôsteres caros tipo da revista Mad.
Jake: Ai meu Deus. Eu tenho a revista Mad também.
Jimmy: Você tem?
Jake: Sim, eu amo a revista Mad.
Jimmy: Eu também amo.
Jake: Sim.
Jimmy: Você já esteve na capa?
Jake: Não.
Jimmy: Alô, seu sonho está prestes a virar realidade, cara. Pode sair. Não, eu estou só brincando.
Jake: Ai meu Deus! Ai meu Deus! O que? Ai meu Deus!
Jimmy: Me desculpa, desculpa, desculpa.
Jake: Ah cara.
Jimmy: Mas da próxima vez.
Jake: Eu achei que estava na “Ellen” por um segundo.
Jimmy: Eu quero mostrar um clipe pra todo mundo. Aqui—
Jake: Alfred E. Newman aparece. Ai meu Deus!
Jimmy: Eu vou te surpreender. Eu vou pegar a Ellen para me ajudar também. Ellen, vamos surpreendê-lo. Colocá-lo na revista Mad. Eu quero mostrar um clipe para todo mundo. Aqui está Jake Gyllenhaal em Velvet Buzzsaw. Deem uma olhada nisso.

[trecho de Velvet Buzzsaw]

Jimmy: Não percam Jake Gyllenhaal em Velvet Buzzsaw. Já está sendo transmitido. Vão na Netflix e assistam. Velvet Buzzsaw.


Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Enquanto a platéia começa a se sentar no Teatro Newman do Teatro Público de Nova York, o ator Tom Sturridge silenciosamente sobe ao palco, posicionando objetos pelo espaço preenchido somente por um piano e uma pequena cômoda. Ele está envolvido em pensamentos enquanto se serve do que aparenta ser cerveja e drinques, antes de manualmente ligar as luzes do teatro e começar a falar.

É um começo perfeito para uma dupla de monólogos que formam a produção Off Broadway Sea Wall/A Life, uma noite de teatro muito íntima do diretor Carrie Cracknell, que anteriormente trouxe A Doll’s House para os palcos da West End de Londres e do BAM em Brooklyn. Cracknell mantém tudo tão pequeno a ponto que passar perto de um dos atores não está tão distante assim da realidade. Sturridge (de Sweetbitter) e Jake Gyllenhaal, que mais recentemente trabalharam juntos em Velvet Buzzsaw da Netflix, estão associados com dramaturgos com quem já colaboraram várias vezes antes.

A primeira metade, Sea Wall, é a terceira colaboração de Sturridge com Simon Stephens (O Estranho Caso do Cachorro Morto). Conforme inicia sua história de partir o coração interpretando Alex, fica claro que o ator e o escritor são verdadeiramente um par perfeito. Com suas calças Adidas, Sturridge começa seu conto solo descrevendo um homem – o diálogo repleto de piadas e personificações – que se transforma em algo muito mais obscuro e profundo sobre sua própria história conforme continuamente tenta desviar do sofrimento que ele claramente está sentindo. É um equilíbrio delicado e Sturridge habilmente interpreta o luto de um homem que tenta com todas a forças evitar que o resto de si mesmo se desfaça, ou deixar que a platéia descubra o quão profunda é a sua dor, então ele continua fazendo perguntas sobre o que ele não sabe: Deus, Pi, o Quebra-Mar. A dor silenciosa de Sturridge é o oposto perfeito da energia frenética de Gyllenhaal em A Life.

A peça – escrita por Nick Payne (Constellations), com quem Gyllenhaal colaborou muitas vezes anteriormente – pega muitos dos mesmos temas abordados em Sea Wall (o questionamento da vida, o ser pai, o ser homem) e oferece uma pequena mudança neles. Ao invés de sair da luz como Sturridge, Gyllenhaal faz sua entrada na escuridão total. E enquanto Sturridge passeia pelo palco, Gyllenhaal fica na maior parte do tempo parado, utilizando somente um iPhone para fixar seu monólogo. Sua história começa com uma gravidez, uma gravidez que ele não tem certeza como se sente sobre. Ele fica alternando entre duas histórias diferentes, incapaz de as desamarrar, precisamente porque ambas criaram esse novo material do qual ele é feito. E muito como Sea Wall, A Life é repleta das intimidades de família, desde listas mundanas até músicas favoritas. Gyllenhaal é magnético e engraçado, e interpreta com nervosismo, dando uma passada em um monólogo bem reconhecível de um filme dos anos 90 que é ainda mais desolador.

Com duas ótimas performances impressionantes, no que Sea Wall/A Life se atrapalha minimamente é em amarrar concretamente as duas metades – as obras são tematicamente similares e existem pequenos fragmentos do diálogo que, se você prestar bastante atenção, conectam as duas. Mas se você não está (porque você realmente já vai estar sentindo todas as emoções neste momento), o final pode parecer meio abrupto. Em suma, no entanto, isso é uma reclamação mínima para uma tarde que irá te destruir emocionalmente, te convencer da destreza de atuação de Sturridge, e te fazer considerar mais afundo que Gyllenhaal é um dos atores mais talentosos de sua geração.

Nota: B+


Fonte: Entertainment Weekly
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Na sessão dupla de Sea Wall/A Life no Public Theater, Tom Sturridge e Jake Gyllenhaal entregam uma performance devastadora que pode estar ao lado de qualquer coisa no palco de Nova York até agora nesta temporada. A dupla – que também está coestrelando em Velvet Buzzsaw da Netflix – talvez deva sua fama aos filmes, mas aqui eles reivindicam seu lugar no palco mais uma vez.

Nada disso será uma surpresa para quem viu Gyllenhaal em sua colaboração anterior com o dramaturgo Nick Payne (Constellations, 2015), ou para aqueles que viram Sturridge no inquietante 1984 em 2017. Mas essas performances no Public são vitais o suficiente para surpreender. Dirigido por Carrie Cracknell com uma atenção infalível aos detalhes – uma mexida de papéis ali, uma mudança de luz lá – a produção é dividida em duas partes: primeiro Sturridge em Sea Wall, seguido de Gyllenhaal em A Life, monólogos ligados apenas por tema e humor.

Em Sea Wall, Sturridge se reúne com o escritor de Punk Rock, Simon Stephens (The Curious Incident of the Dog in the Night-Time), assim como Gyllenhaal se reúne com o autor de Constellations.

Sturridge já está no palco da plataforma de tijolos enquanto o público se senta, sentado em um muro alto, bebendo uma cerveja e mexendo no que parecem ser fotos velhas. Logo ele vai nos dizer que as pessoas muitas vezes percebem um grande buraco em seu torso. Ele não parece estar falando metaforicamente, embora percebamos um vazio espiritual no momento em que ele começa a falar.

Seu personagem é Alex, um agradável britânico na faixa dos vinte anos que reconta o seu grande e eterno amor por sua esposa, por sua filha e por seu sogro que aparenta ser durão. Ele menciona um início difícil em sua vida adulta, mas que parece ter sido suavizado por um amor sem limites por sua família. Ele e sua esposa até decidiram que não queriam outra criança por temerem que fosse desviar o foco de sua garotinha perfeita.

Se nós não percebemos a tragédia até agora, esse último detalhe resolve tudo. Conforme Alex começa a contar uma história sobre uma viagem em família para uma praia no sul da França, o medo vai se formando. Apenas imaginamos como o desastre vai acontecer e como um pai conseguiu sobreviver a uma crueldade tão aleatória e destruidora.

A segunda peça é A Life, em que Abe, interpretado por Gyllenhaal, dá dois exemplos: ele conta sobre seu pai e sua filha. Mais especificamente, ele relembra a morte de seu pai e o nascimento de sua filha, alternando entre as duas histórias tão rápido e sem problemas que elas parecem estar acontecendo ao mesmo tempo. Mas não estão.

Igual ao comovente The Waverly Gallery de Kenneth Lonergan, A Life dá toda a importância necessária ao declínio de um pai que está envelhecendo, sua natureza comum sem conforto algum. “Eu amo o meu pai,” Abe fala, e então, como se fosse o primeiro a dizer essas palavras, “Meu pai está morto.”

O relato de Abe sobre o nascimento de sua filha não é menos vívido. Nosso encontro anterior com o pai de Sea Walls nos preparou para o que quer que seja, então há um certo terror em A Life, em um cenário no qual qualquer coisa pode dar errado, a qualquer minuto. Nascimento e morte, nos é mostrado, são igualmente preciosos. Eles são, simplesmente, a vida.


Fonte: Deadline
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Perdas, tanto do inimaginável quanto de variedades tristemente rotineiras, fomentam o par de atos que tem sua estreia em Nova Iorque no Public Theater. Apresentando Jake Gyllenhaal e Tom Sturridge, Sea Wall/A Life é composta de monólogos tematicamente interligados narrados por jovens homens contando suas experiências ao lidar com tragédias pessoais. É um assunto com o qual tristemente todos nós podemos nos relacionar, fazendo a noite tão angustiante quanto envolvente. Sea Wall de Simon Stephen conta com Sturridge (visto na Broadway em 1984 e em Orfãos) como Alex, cujo comportamento assombrado e o hábito de não finalizar suas frases indica seu estado emocional torturado. No início da história, ele está alegremente apaixonado por sua esposa e feliz com o iminente nascimento de sua filha.

Com o passar dos anos, Alex também é sortudo em ter um sogro, um soldado britânico aposentado, de quem ele verdadeiramente gosta. Então ele está ansioso para aceitar o convite para que ele, sua esposa e filha, agora com oito anos, se juntem ao velho homem para passar as férias no litoral francês.

As férias são divertidas no início, com Alex desajeitadamente tentando mergulhar pela primeira vez (“Eu era naquele momento o oposto direto matemático de Daniel Craig,” ele admite encantadoramente) e sendo mostrado a um quebra-mar que precipitadamente cai centenas de metros. “Eu não tinha ideia de que o leito do mar foi construído assim”, ele nos diz. “Eu pensei que era uma inclinação gradual.”

O quebra-mar, como talvez você possa ter imaginado, é uma metáfora para o modo como a vida pode subitamente cair sob nossos pés. Um único evento devastador acontece que claramente reduz esse entusiasmado rapaz na alma torturada que vemos a nossa frente. O escritor (Heisenberg, The Curious Incident of the Dog in the Night-Time) felizmente se priva de embelezar a simples história com toques retóricos floridos. Em um certo momento, Alex nos informa que ele está prestes a nos contar “a coisa mais cruel que eu já fiz com qualquer outra pessoa”. O fato dele parar antes de contar isso, deixando o resto para nossa imaginação, se prova muito mais poderoso do que qualquer coisa que ele pudesse dizer. Sturridge apresenta o pequeno ato de maneira tocante, transmitindo tanto o entusiasmo juvenil de um futuro pai quanto a desolação emocional de um homem destruído.

Gyllenhaal adota um estilo mais relaxado, conversador, ao mesmo tempo que utiliza completamente seu carisma de estrela de cinema em A Life, escrito por Nick Payne (cujas peças If There Is I Haven’t Found It Yet e Constellations ele também aparece). Ele interpreta Abe, que conta duas histórias simultaneamente: uma sobre seu pai sucumbindo a uma doença cardíaca, e outra sobre seu receio em se tornar pai de uma garotinha. Nada muito incomum ocorre no decorrer desses eventos, mas a história é cheia de momentos angustiantes, incluindo Abe descrevendo seu desconforto ao ajudar seu pai doente a ir ao banheiro, e sua frustração ao ouvir que os médicos interromperam o tratamento. Quando Abe pergunta se seu pai está morrendo, um médico diz para ele “Nós tentamos operar dentro de uma cultura de otimismo.” Nunca uma frase tão banal soou tão arrepiante.

O ato lida com circunstâncias mais comuns que o seu antecessor, o que de certa forma faz tudo mais tocante. O contraste entre os eventos mais alegres e mais trágicos da vida do narrador é feito de forma comovente, principalmente quando ele reflete sobre as maneiras tão diferentes em que eles ocorreram. “Eu não entendo porque nos preparamos tão maravilhosamente e elaboradamente para o nascimento e ainda assim tão terrivelmente e casualmente para a morte,” ele se queixa. As peças estão sutilmente conectadas em termos de linguagem bem como em termos de tema. Enquanto Alex quase nos contou sobre “a coisa mais cruel que eu já fiz com qualquer outra pessoa”, Abe relata sua reação quando sua esposa tenta confortá-lo lembrando-o que o pai o amava. “Eu acho que talvez seja a coisa mais amável que eu já ouvi”, ele diz.

Encenada de forma apropriadamente minimalista e poderosa dirigida por Carrie Cracknell em um palco praticamente vazio, a peça tão maravilhosamente interpretada oferece um lembrete vital de que a vida é muito fugaz.


Fonte: The Hollywood Reporter
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Aconteceu nesta quinta-feira, 14, a noite de abertura da peça estrelada por Jake Gyllenhaal e Tom Sturridge, Sea Wall/A Life, no The Public Theater, Nova York, após alguns dias de preview. Confira as fotos em nossa galeria:

Em Sundance, Jake Gyllenhaal se reúne com Krista Smith para falar sobre sua nova colaboração com Dan Gilroy, diretor e roteirista de O Abutre, em seu novo filme Velvet Buzzsaw.

KRISTA: Jake, sempre me alegra ver você.

JAKE: É muito bom te ver também.

KRISTA: É sempre um ótimo dia quando te vejo no cronograma.

JAKE: É mesmo?

KRISTA: Sim, claro.

JAKE: Que legal!

KRISTA: Eu amo conversar com você! E Dan Gilroy, para mim, vocês colaboraram em uma das minhas atuações preferidas suas em “O Abutre”.

JAKE: Obrigado.

KRISTA: E talvez uma parte disso tenha tido haver com a mídia, possivelmente. Mas eu achei você tão bom nesse filme.

JAKE: Tinha haver com a mídia, mas também tinha haver com o estado atual dos assuntos no nosso mundo, então…

KRISTA: Então aguçou minha curiosidade quando vi que vocês iam trabalhar juntos novamente, e com a esposa dele, Rene, que está nesse filme também, no mundo das artes desta vez e o título é brilhante.

JAKE: Sim.

KRISTA: Velvet Buzzsaw.

JAKE: Isso.

KRISTA: Só isso já me conquistou.

JAKE: Eu sei, acho que foi quando eu li o roteiro pela primeira vez, era Projeto Sem Nome do Dan Gilroy, ou talvez era Velvet Buzzsaw e ele mudou para Sem Nome e daí voltou no seu instinto natural, o que eu acho que foi a escolha certa. Quando você assistir o filme, você vai saber.

KRISTA: Eu vou? Bom, o personagem, Morf Vandewalt, é bem fabuloso.

JAKE: Ele é.

KRISTA: E o jeito que você se apresenta no filme é muito fabuloso.

JAKE: Obrigado.

KRISTA: Então deve ter tido algum tipo de arquivo de pesquisa, eu adoraria ter visto isso. Em como você chegou nesse cara, e nos visuais e tal. Pode me contar um pouco sobre isso?

JAKE: Sim, esse foi diferente. Eu não sei, nesse foi tipo, acho que teve um acordo. Dan e eu fomos bem obscuros e profundos em O Abutre, e esse personagem, eu senti e o li como mais divertido. Então eu estava tentando criar ideias que viessem de um senso de diversão. Tiveram coisas estranhas que surgiram durante, nas preparações, meses antes. Ideias que mudamos, e elas eram tipo as coisas comuns, como Jerry Saltz e pesquisando sobre crítica em geral no mundo da arte, e entrando em festas quando eu conseguisse. E escutando o que as pessoas tinham a dizer sobre diferentes peças de arte, e isso e aquilo. Mas daí se tratava de tentar descobrir quem essa pessoa era, e isso foi difícil. Ele é um cara que está com dificuldades em criticar outras pessoas, mas ao mesmo tempo tentando descobrir sua própria identidade. Sua própria identidade sexual, seu lugar no mundo, qual é o trabalho dele. Então, particularmente a ideia de um cara que meio que… um personagem que começa como esse crítico, e ele é um personagem gay, e daí ele “vira hétero” para essa mulher no filme. Então para mim, eu estava meio, sem que se tornasse uma caricatura, como posso pintar esse personagem de uma maneira que seja realista? E Dan e eu passamos por essa pesquisa, e de alguma maneira nós pensamos no Brandon como uma inspiração. De certo modo essa ideia de masculinidade. Essa ideia profunda de masculinidade e ao mesmo tempo alguém que não tinha limites nesse sentido e foi fascinante. E eu vi essa foto dele beijando um gato e essa foi definitivamente minha verdadeira inspiração. E aí eu roubei os óculos do maquiador do filme.

KRISTA: Oh, você roubou?

JAKE: Sim, sim, ele usa esses óculos e eu só peguei eles do rosto dele no teste de câmera e nós o experimentamos e o Dan ficou tipo, eu acho que é isso. E eu fiquei, legal, então é isso.

KRISTA: Sim, isso é muito bom. Então isso realmente distorce um pouco o mundo, não? É um suspense obviamente, mas conhecendo o Dan, ele tem uma pegada muito intelectual. E meio que vira isso na cabeça dele sobre esse absurdo. E eu acho, claramente trabalhando com a Vanity Fair nós estamos nisso e há ótimos artistas e vários deles, mas também tem esse lado distorcido onde isso parece arbitrário às vezes quando você está tipo “Ah, será que meu filho de seis anos conseguiria fazer essa pintura ou ela vale 22 milhões?”

JAKE: Totalmente, totalmente.

KRISTA: Tudo depende dos críticos nos dizendo que é um retrato de 2 milhões e não um retrato que seu filho fez.

JAKE: E eu tenho certeza que você ama a pintura do seu filho de seis anos muito mais do que você amaria uma de 22 milhões. Digo, sim, eu acho que é uma parábola, esse filme, uma parábola sobre ganância e definitivamente sobre… O Dan faz essas estranhas histórias proféticas. Ele vê algo e então começa a pegar os eventos recentes e começa a ver o nosso mundo. Ele vive em um espaço muito isolado da mente dele, e eu acho que ele queria mostrar quão longe nós chegamos se tratando do que damos importância, tipo ao que nós damos valor. E por nós darmos importância para coisas tipo um Hockney de 90 milhões, e de certa maneira isso ganhar e perder valor por um certo tempo de uma maneira estranha desvalorizou o artista e a expressão, e então desvalorizou o nosso questionamento sobre nós mesmos. Apenas pensando, “Bom, o que eu valorizo? O que eu amo? O que realmente me interessa?” Não o que outras pessoas me dizem, e isso e aquilo. E eu acho que é isso que ele está tentando dizer. E eu acho que ele realmente diz isso de uma maneira que obviamente é assustadora e também é engraçada e completamente absurda. Mas eu acho que esse é o objetivo. Ele nunca admitiria que é uma pessoa esperançosa, mas eu acho que ele está soltando um alerta novamente, meio que “Será que nós podemos não fazer outro Lou Bloom real do mundo de O Abutre?”.

KRISTA: Bom, tem isso e tal nas notícias nos últimos anos sobre a lavagem de dinheiro através do mundo da arte e esse é um novo lugar. Costumava ser imobiliário, costumava ser isso e agora o mundo da arte e os preços aumentaram, e as coleções… Você já se sentiu tentado a colecionar ou você coleciona arte de um modo geral?

JAKE: Eu não sei, não, na verdade eu não coleciono, mas eu já me senti, e me senti por causa desse filme, tentado a colecionar. E eu me sinto [tentado] quando vou a uma exposição, e eu amo ir em museus, eu geralmente penso, “Bom, isso seria algo que eu colocaria na minha casa?”, ou “O que é isso? O que era isso? Por que as pessoas colocam isso na casa delas?” Já estive em casas em que as pessoas colocam, mas não, eu sou movido por coisas diferentes. Eu considero que a arte está em todo lugar. A primeira obra de arte que eu comprei foi essa foto que estava acompanhada de uma obra do John Updike no New Yorker que eu amo. E foi bem emocionante, porque foi algo que eu tirei do mundo e eu fiquei tipo isso marca um tempo da minha vida, algo significante na minha vida e para mim aquilo pareceu arte. E eu acho sim que heranças de família e coisas do tipo se tornam arte porque elas têm significado e importância, e é isso que eu valorizo. Mas claro, você pensa sobre investimentos e você pensa sobre essas coisas e aí você fica “Ai meu Deus, o que eu estou fazendo?”. Mas eu também amo esse mundo.

KRISTA: Você aprendeu bastante sobre criticar arte e a olhar para as obras de uma maneira diferente?

JAKE: Eu acho que esse tipo de coisa vem, como todos os críticos de Sundance provavelmente podem confirmar, da experiência e tempo e de assistir filmes e o amor pelo gênero e então ser capaz de ter tempo suficiente e anos de experiência para dizer “Eu já vi tudo e eu realmente posso comparar.” A única coisa que eu posso dizer a que eu relacionei, eu não fiz muita pesquisa nesse espaço, mas quando você está, digamos em um júri em um festival de filme e você tem que assistir 30 filmes em duas semanas, como que você diferencia o que você acha que é bom ou não, ou o que você gostaria de, dentre um grupo de pessoas, dar algum tipo de prêmio. Eu acho que é aí que você pensa “Nossa, isso é o que um crítico tem que fazer o tempo todo” E aí você adiciona ao que é o artista é na vida real. E se eles já conhecem os artistas ou se eu comi algo ruim hoje. Ou eu acordei no lado errado da cama hoje? E aí você percebe que é relativo também. E a coisa toda é uma expressão e eles estão se expressando. Então é isso que eu gosto de pensar quando eu leio uma crítica muito ruim. Eles apenas estavam…

KRISTA: É apenas o sushi ruim..

JAKE: Apenas o sushi, eles comeram um sushi muito ruim. Eles comeram algum sushi muito ruim na noite anterior.

KRISTA: Eles provavelmente estão errados.

JAKE: Não, não, há realmente coisas em que eu não estava bem e eu acho que isso é verdade. E apenas há coisas que não funcionam. Mas eu acho que algo que deve ser aplaudido são as pessoas que colocam coisas lá fora e fazem elas se realizarem e a determinação que se tem para criar qualquer coisa.

KRISTA: Eu tenho muito respeito por isso. Eu já estive em um júri uma vez e eu tive a visão de nossa, eles fizeram isso, eles inventaram isso. Há valor em tudo isso em um certo nível e se isso ressoa ou não, mas…

JAKE: Meus amigos sempre diziam para mim quando eu era criança, quando eu estava atuando quando criança, eles costumavam dizer “Então você gravou em duas horas, por que foi tão difícil?” Eles sempre brincavam com isso e eles pensavam que nós filmávamos tudo em duas horas porque acontecia em duas horas.

KRISTA: Sim, sim, bom eu na verdade tenho que admitir, eu era muito mais velha do que eu gostaria de admitir, antes de eu perceber que filmes não eram de fato gravados em sequência, tipo, o que? Você filmou essa cena primeiro? Esse é o fim, eu realmente pensava que era…

JAKE: Posso admitir algo pra você também? Eu estava gravando um número de filmes antes de perceber que eles estavam fora de ordem. Mas sabe, atores não são muito espertos, então…

KRISTA: Tudo bem, nós amamos você mesmo assim. Claramente eu também não era muito esperta. Ok, fala comigo sobre o Dan. Como que ele é realmente? Como é ter uma conversa com ele, trabalhar com ele? E também, a esposa dele, Rene Russo, eu acho que é incrível. Ela é maravilhosa.

JAKE: Eu também acho. Como é trabalhar com ele? Ele é um homem que por alguma razão, eu não sei ao certo o porquê, ele simplesmente não tem medo de riscos intensos. E com isso eu quero dizer risco criativo, mas também outros riscos. Eu acho que ele admira pessoas que realmente se mostram e dizem algo ousado, fazem e tentam algo ousado. Então ele vem desse espaço. Raramente há alguma ideia ruim. Há algumas ideias que são eliminadas. Mas conversar com ele é tão divertido. A mente dele é exatamente como os filmes dele são em várias maneiras, em um sentido que você acha que está indo para uma direção e então de repente você está indo para um mundo ainda mais mágico. E ele é hilário e amável. Ele é gentil com as pessoas com quem trabalha. E trabalhar com a Rene é o mesmo. É engraçado, porque eles dois são pessoas muito cínicas pra ser honesto, eles têm um ponto de vista muito cínico. Eu sei o que o Dan pensa sobre AI e isso me deu um ataque de pânico quando ele estava falando um dia no set sobre. Mas eu acho que em algum lugar neles eles são tipo, não em algum lugar, é óbvio, principalmente com a Rene que todos nós conhecemos muito publicamente. Eles são amorosos, calorosos, pessoas incrivelmente motivadoras. Eu terminava de gravar uma tomada e ele ficava tipo “Ótimo, sério, muito bom!” e eu ficava tipo “Dan, essa foi a primeira tomada” e ele “Ótimo, mas assim, foi ótimo, podemos seguir em frente, você quer?” e eu dizia “Será que podemos gravar mais algumas?” e ele “Mais algumas, ótimo!” Sabe? (risadinhas) Então assim, eu não sei dizer se ele estava, talvez na cabeça dele ele estivesse “Isso foi horrível, mas eu tenho que motivar ele” ou se realmente tinha ficado bom ou não. Eu sou incrivelmente grato e abençoado que de alguma maneira nossos mundos colidiram. Eles realmente colidiram. Eu amo eles, eu realmente os amo.

KRISTA: E esse é um suspense também, vai ser assustador, né? Eu vou ficar assustada assistindo?

JAKE: Provavelmente sim. Não posso garantir que não é assustador.

KRISTA: É, pareceu meio assustador, mas eu gosto disso.

JAKE: Depende do quão sensível você é.

KRISTA: No mundo da arte, quando o objeto dissolveu. Toni Collete, certo? Ela também está nisso, né?

JAKE: Sim, sim, a Toni é incrível, ela é incrível.

KRISTA: Sim, o visual estava divino.

JAKE: E John Malkovich e Tom Sturridge, com quem estou fazendo esse espetáculo. Mas o Tom e o John Malkovich tem uma cena no meio do filme que é tão incrível. É um daqueles momentos vendo dois grandes atores no trabalho de duas gerações diferentes, mas ver eles dois trabalhando nisso, eu diria que é a minha cena favorita do filme. É absurdo.

KRISTA: É diferente de alguma maneira para você que tem atuado por um tempo, obviamente em lançamentos tradicionais, e fazer esse filme com a Netflix onde vai ser lançado e eu poderei ver na sexta?

JAKE: É estranho, mas eu também não posso dizer que amo riscos e mudança e então ficar apegado aos meus modos e dizer “Calma aí, eu quero que seja da mesma maneira, era um lançamento teatral a maneira que eu conhecia antes”. Eu tenho que aceitar os meios em que, eu acho que nós todos fazemos, e eu apenas digo eu porque sou a única pessoa que realmente tenho algum controle sobre. Mas eu sou tipo, vamos ver no que dá, vamos ver como funciona, qual a sensação. O Dan conseguiu fazer esse filme com mais liberdade criativa e com mais liberdade financeira do que ele teria conseguido em qualquer outro estúdio, e eu acho que isso é um testamento real. E se isso significa que o filme vai ser lançado no dia depois que estrear aqui, então que seja isso, é algo novo.

KRISTA: É ótimo, porque todo mundo está falando sobre e então todos podem assistir. Eu vejo a importância disso. Então, você está em Nova Iorque agora, basicamente você é um nova iorquino. E você está preparando um espetáculo. Você vai falar um pouco sobre isso?

JAKE: Claro, eu adoraria falar sobre o espetáculo.

KRISTA: De volta ao palco.

JAKE: Sim, eu estou fazendo um espetáculo, são dois monólogos. Eu faço um monólogo e o Tom Sturridge, que está em Velvet Buzzsaw, faz o outro. E o dele foi escrito pelo maravilhoso dramaturgo Simon Stevens que escreveu O Estranho Caso do Cachorro Morto. Ele escreveu essa peça extraordinária. E eu estou trabalhando em um monólogo escrito pelo Nick Payne. Eu já fiz dois espetáculos dele até agora, dirigido por essa incrível diretora, Carrie Cracknell. Ela é maravilhosa, e vai acontecer no The Public e nós começamos na sexta.

KRISTA: Então eles estão interligados?

JAKE: Sim, eles meio…

KRISTA: Gerados por uma razão, obviamente.

JAKE: Sim, bom na verdade eles foram escritos separadamente. E aí, de alguma maneira, por meio de um curioso caso dO Estranho Caso do Cachorro Morto, eles meio que se juntaram. O Tom sempre quis fazer isso e eu sempre quis fazer o monólogo do Nick. E eles são sobre amor. Sempre que nós amamos algo ou alguém, a possibilidade de que inevitavelmente nós vamos perdê-los, mas também o que nasce do amor. A minha parte em particular é sobre a morte do pai dele e o nascimento da filha ao mesmo tempo. Eles não acontecem ao mesmo tempo, mas eles se juntam, a ideia de que a vida e a morte meio que existem no mesmo espaço. E há uma beleza extraordinária em ambas. Então minha parte é sobre isso, mas eu não vou entregar a parte do Tom, mas é uma peça linda.

KRISTA: Como que está indo a sua memorização?

JAKE: Bem.

KRISTA: Bem?

JAKE: Sim, isso é o menor dos meus problemas.

KRISTA: A internet explodiu com Homem-Aranha e tem um Jake escondido lá. O Jake aparece, isso é animador, certo?

JAKE: Sim, eu sei, eu sei.

KRISTA: Como um vilão, certo? Eu não sou muito familiarizada com os personagens do Homem-Aranha.

JAKE: Sabe, não é tão simples, mas… nos quadrinhos o Mistério é um vilão, sim. Mas essa é outra abordagem bem interessante. Como a Marvel e a Sony, mas nesse caso em particular a Marvel, fazem com frequência, eu acho que elas vão te levar para um lugar que você não esperava.

KRISTA: Isso é bom, a animação, Spiderverse, que estreou é fantástica. Antes quando eu pensava que só o Tobey Maguire era o Homem-Aranha e aí depois o Andrew Garfield e agora o Tom Holland.

JAKE: Essa é a sensação de envelhecer.

KRISTA: Acontece rápido demais, eu fico pera aí nós já estamos… Você também quase já foi escolhido para ser o Homem-Aranha em algum momento?

JAKE: Eu acho que sim. Quer dizer, e você também?? Eu sinto que todos nós já fomos. Na verdade, eu acho que em um certo ponto nós todos desejamos ser o Homem-Aranha, então não importa mais no momento. Mas sim, digo, sim. Houveram diversas encarnações dessa história e eu me encontro nessa. E eu tenho que dizer que acho que o Tom Holland, o Homem-Aranha atual, o mais novo Homem-Aranha, é muito incrível. Eu acho que ele é perfeito para o papel, mas eu também acho que ele é um excelente ator.

KRISTA: Sim, ele é um ator muito bom e eu tenho que dizer, meus filhos amam os Vingadores, então eu já vi todos os Vingadores. E nós fomos ver o último Vingadores, em que foi muito brutal e eu fiquei “Ai meu deus. Uau, qual a mensagem aqui? Ok, só siga o fluxo” E aí no final com o Homem de Ferro, Robert Downey, que merece um Oscar todo ano pelo Homem de Ferro, o que ele faz com esse personagem.

JAKE: Verdade.

KRISTA: Ele é muito bom.

JAKE: É isso o que nós valorizamos. Quer dizer, essa é outra questão sobre o que nós damos valor. O que nós consideramos atuação. Eu sempre acho isso muito interessante.

KRISTA: Certo, mas eles fizeram aquela cena e então ele está desaparecendo e ele está olhando para ele, e eu comecei a chorar de verdade em um filme da Marvel, apenas pelo olhar do Tom Holland e aí você percebe que esses são atores muito bons, pois eles estão se conectando em um nível tão grande no meio de todo esse caos. A mãe está tipo fungando e os meus filhos estão olhando para mim mortificados. Mas sim, foi muito comovente.

JAKE: É Shakespeariano e eu acho que realmente acontece se você está trabalhando com um cineasta, os cineastas que estão fazendo esses filmes são absolutamente extraordinários. No caso de alguém como o John Watts que fez esse Homem-Aranha, ele nos deu um tremendo espaço e liberdade. Eu fiquei surpreso pois estando em alguns filmes grandes, eu sempre achei que eles tinham esse controle porque é grande, e não tinha nada disso. Foi tudo sobre explorar e tentar coisas e se divertir, e eu acho que toda essa energia realmente vai para o momento final para que por exemplo, um pai assistindo o filme, pode assistir e pensar “Esse é um momento real com pessoas que realmente acreditam nisso, pois permitiu-se que isso acontecesse, não foi fabricado.”

KRISTA: Mesmo em toda a sua grandeza.

JAKE: Sim, e tenho que dizer que isso me surpreendeu.

KRISTA: Bom, eu estou animada para ver vocês no filme.

JAKE: Obrigado.

KRISTA: E eu estou animada para ver Velvet Buzzsaw.

JAKE: Sim, em breve.

KRISTA: E eu vou para Nova Iorque e vou te ver. Quando que vocês começam?

JAKE: Nossa primeira amostra é dia primeiro de fevereiro.

KRISTA: E quanto tempo vai durar?

JAKE: Até 31 de março.

KRISTA: Ah, eu com certeza irei. Eu estarei lá em Março.

JAKE: Não é uma noite comprida.

KRISTA: Ótimo.

JAKE: Tranquilo, duas horas exatas.

KRISTA: Bom.

JAKE: 15 minutos de intervalo.

KRISTA: Entre os dois?

JAKE: Tem petiscos e bebidas. Boa companhia. Música boa, iluminação boa, cabelo bom.

KRISTA: Eu estou dentro. Cabelo bom, iluminação boa. Eu sou superficial, petiscos, quer dizer, qual é.

JAKE: É perfeito, você pode trazer petiscos para dentro do teatro. Eu acho, me desculpe, eu não tenho 100% de certeza. Você pode levar petiscos escondidos para o teatro se você quiser. Só não pode fazer muito barulho, porque é um pouco desagradável quando você é o único ator no palco e você está tentando lembrar suas falas e alguém está abrindo o pacote de um doce estranho.

KRISTA: Tipo remédio pra tosse.

JAKE: Sim, não faça isso.

KRISTA: A embalagem.

JAKE: Mas sim, ou faça isso mas saiba que nós podemos chamar sua atenção.


Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil