Arquivo de Entrevista



Com The Guilty fazendo sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Toronto neste sábado, 11 de setembro, Jake Gyllenhaal e Antoine Fuqua conversaram com o The Hollywood Reporter sobre trabalharem juntos novamente e por que a Netflix foi a escolha ideal para distribuição do filme. Confira:

Dias antes do início da produção em tempo real de The Guilty em novembro, o diretor Antoine Fuqua foi forçado a entrar em quarentena depois que um contato próximo testou positivo para COVID.

Ele acabou dirigindo o filme inteiro de uma van conectada ao set em Los Angeles a um quarteirão de distância. Munido de três monitores, um walkie talkie e seu telefone, Fuqua concluiu o filme, um remake do thriller dinamarquês de mesmo nome de 2018, em 11 dias.

“Meu dia mais memorável foi quando eu estava tendo [um eco] da minha própria voz no meu ouvido porque tínhamos seis atores no Zoom para uma tomada de 20 minutos de duração”, diz Gyllenhaal, que também produziu. “Não conseguimos decifrar essa reverberação da minha voz e estávamos ficando sem tempo. E fiz uma cena inteira com minha própria voz repetindo de volta para mim enquanto falava com cada ator. Quase não consigo assistir a essa cena do filme porque depois de 10 horas disso eu realmente cheguei mais perto do que nunca da insanidade.”

Enquanto Fuqua inicialmente entrava em pânico, ele rapidamente percebeu que Gyllenhaal estava conseguindo, apesar das dificuldades técnicas. “Ele teve que atuar com todos esses ecos e vozes diferentes em sua cabeça. Então, ele se concentrou e entregou. Enquanto eu o assistia eu falava, ‘É o que eu amo em Jake’. O foco é incrível.”

Jake, você adquiriu os direitos do filme dinamarquês em 2018. Qual foi o motivo por trás dessa mudança?

GYLLENHAAL: Inicialmente, senti que se traduzia muito bem no contexto americano – socialmente, politicamente. Dizia algo sobre os nossos sistemas. Eu pensei que seria uma conversa muito interessante, importante. Eu meio que senti em meus ossos. Eu comecei a gostar bastante dos monólogos ou espaços e como os criadores de histórias usam metade ou três quartos de sua imaginação ao invés de contar e te mostrar tudo.

O que fez vocês decidirem trabalharem juntos neste projeto?

GYLLENHAAL: Estávamos procurando algo para fazermos juntos desde Southpaw. E houve muitas vezes em que Antoine compartilhou algo comigo, ou eu compartilhei algo com ele, e simplesmente não parecia certo. Ele é um cineasta maravilhoso. Ele adora performance e como lidar com assuntos muito intensos. Ele realmente sabe como criar um suspense. E ele não tem medo dos lados mais sombrios da humanidade. Na verdade, acho que ele prospera nesses espaços. Então, para mim, parecia um encaixe perfeito. Além disso, o papel exigia uma intimidade com o cineasta. Que é o que temos.

FUQUA: O material falou comigo – o roteiro – quando ele me mandou, e conversamos sobre ele. Desde Southpaw, desenvolvemos uma amizade muito boa. Então, estamos sempre tentando encontrar um projeto que faça sentido e pelo qual ambos tenhamos paixão. E este, em particular, eu fiquei animado porque é focado em Joe, o personagem. Foi um desafio. E também senti que era algo que realmente destaca as habilidades de Jake – segurar a tela, segurar o público, estando tão focado nele apenas em cada quadro. Ele é tão talentoso. Foi uma grande oportunidade de fazermos isso juntos.

O que vocês lembram da primeira conversa que tiveram sobre o projeto?

FUQUA: Ele me ligou e disse: “Eu tenho um projeto que estou tentando tirar do papel há algum tempo. E pensando sobre, fez sentido que eu deveria falar com você.” E eu lembro de dizer: “Por que você não me ligou primeiro?” (risos) Mas eu estava ocupado fazendo outras coisas. E ele disse: “É algo que poderíamos fazer muito rápido”. E ele meio que me deu um breve resumo disso. Quase disse sim sem ler, porque pude perceber o quão apaixonado ele estava por esse projeto. E eu confio em seu gosto.

GYLLENHAAL: A primeira coisa que disse a ele foi: “Imagine esse filme sendo rodado em uma semana”, foi a única oportunidade que tive de conseguir um diretor do porte dele. Ambos gostamos de desafios. E eu sei que ele tem tempo e disponibilidade limitados. Eu estava realmente focado em moldar um thriller e divertir o público. E então ele começou a falar sobre o que estava por trás de tudo isso, meio que me forçando a voltar ao que havia me atraído para esse projeto em primeiro lugar, que era a questão da saúde mental e nossos problemas sistêmicos. Ele realmente queria fazer um filme que não apenas entretém, mas também entretenha essas ideias.

O que levou vocês a escolher a Netflix como distribuidora?

GYLLENHAAL: Estávamos conversando com compradores e eles [Netflix] forneceram uma perspectiva sobre o filme que eu senti que era a perspectiva certa. Este é um filme que eu sinto que vive lindamente nos cinemas, mas tem sua atenção quando você assiste na telinha. Sempre pensei nisso como alguém se deparando com o filme e dizendo: “OK, vou dar uma chance para esse aqui.” É o tipo de filme que, assim que você clica nele, acho que não há como você parar de assisti-lo. E, francamente, a parte decepcionante do streaming é que as pessoas têm a oportunidade de desligá-lo a qualquer momento. Então, achei um desafio fazer algo em que as pessoas precisarão assistir até o final para saber o que acontece. Além disso, acho eles [Netflix] maravilhosos. Já trabalhei com eles várias vezes e há muita liberdade criativa.

FUQUA: Netflix é um ótimo lugar para fazer filmes agora. Scott Stuber dá a você liberdade para fazer seu filme. Eles lêem o roteiro. Eles conversaram comigo e com Jake e basicamente disseram: “Vá em frente”. Tivemos conversas criativas sobre algumas coisas, mas não foi nada que interrompeu o fluxo de forma alguma. Acho ótimo porque você não está preocupado com a bilheteria do fim de semana nesse tipo de coisa. Você só sabe que todos ao redor do mundo podem assistir ao filme imediatamente. Tinha vontade de trabalhar com a Netflix. Este é meu primeiro projeto com eles. Espero fazer mais.

Jake, o que há de único em Antoine?

GYLLENHAAL: Ele é um visualista. Ele vem daquela escola de Propaganda [Filmes] de cineastas que vieram desse mundo com visuais profundos e um amor pelos clássicos e suas referências são sempre [Sidney] Lumet. Discutimos Lumet ao longo de todo o processo e desempenho. Quando estou com ele, ele me deixa liderar. Ele diz: “Estou trabalhando com você porque confio em você”. Quando ele trabalhou com Denzel [Washington], por exemplo, eu acho que ele… ele simplesmente ama o ator. Ele é um diretor de ator maravilhoso. E se você quiser isso, ele é o seu cara. Eu vou para qualquer lugar por ele.

Jake, descreva Antoine em três palavras.

GYLLENHAAL: Melhor. Voz. Do mundo. Ele realmente se entrega. Ele é profundamente carismático, amoroso e destemido. E bonito é um asterisco para o carismático.

Antoine, descreva Jake em três palavras.

FUQUA: Persistente, focado, apaixonado. E ele tem um belo cabelo comprido.

Jake, qual é o seu filme favorito do Antoine?

GYLLENHAAL: Dia de Treinamento.

Antoine, qual é sua performance favorita de Jake?

FUQUA: O Segredo de Brokeback Mountain. Ele é simplesmente admirável. Ele está fora de si mesmo e desempenhou um belo papel, e foi muito sincero e verdadeiro sobre tudo isso.

O que vocês irão fazer a seguir? Algum plano de trabalharem juntos novamente?

FUQUA: Estou trabalhando em Emancipation com Will [Smith] e estou focado nisso agora. Nós fomos [atingidos] com o furacão Ida [em Nova Orleans]. Voltaremos na próxima semana ou duas, com sorte. Mas gostaria de fazer algo com Jake imediatamente.

GYLLENHAAL: Fiz Ambulance com Michael Bay. E agora, estou realmente focado na minha produtora e nos projetos que estamos desenvolvendo. Mas Antoine e eu estamos sempre buscando. Isso que é legal em relacionamentos assim. Eu sinto que agora eu sei quando ele vai começar alguma coisa.


Fonte: The Hollywood Reporter
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Estrelado por Jake Gyllenhaal, dirigido por Antoine Fuqua e com roteiro de Nic Pizzolatto (criador de True Detective), The Guilty, um remake em inglês do filme dinamarquês Den Skyldige de 2018, fará sua estreia amanhã, 11 de setembro, no Festival Internacional de Cinema de Toronto. O site Deadline conversou com Jake e Antoine sobre os desafios enfrentados durante a gravação do filme. Confira:

No sábado à noite, o novo thriller, pulsante e fascinante da Netflix, The Guilty, terá sua estreia mundial no Festival de Cinema de Toronto, exibido na sala de exibição do Princess of Wales Visa. O filme, um remake em inglês do filme dinamarquês Den Skyldige de 2018, estrelado por Jacob Cedergren, é dirigido por Antoine Fuqua e estrela Jake Gyllenhaal em uma performance de força total como um atendente de emergência trabalhando em Los Angeles .

O filme se passa em tempo real durante o curso de uma manhã em que o amargo e desanimado policial de Gyllenhaal, Joe Bayler, agora relegado a uma tarefa um tanto mundana de atender a várias ligações, se encontra em uma corrida contra o tempo para salvar uma interlocutora angustiada (Riley Keough ) andando em um carro no qual ela está sequestrada, embora pareça estar fingindo estar ligando para sua própria filha. Enquanto os incêndios florestais também estão ocorrendo nas telas da parede da central de atendimento de emergência de Los Angeles, Bayler tenta manter as linhas abertas e rastrear seus movimentos, mesmo quando seu próprio estado psicológico passado e demônios pessoais entram em ação, todos tentando salvar esta mulher.

Como no filme dinamarquês, que estreou inicialmente em Sundance (foi onde Gyllenhaal viu e decidiu que valeria a pena continuar como um remake americano), há um conjunto de vozes passando por seu fone de ouvido enquanto a história tensa se desenrola, e esse elenco também inclui Ethan Hawke, Peter Sarsgaard e Paul Dano. O criador de True Detective, Nic Pizzolatto, forneceu o roteiro, que Fuqua filmou em 11 dias durante a pandemia, um feito técnico que envolvia restrições de Covid, bem como algumas filmagens muito complicadas e habilidosas.

Embora nem Gyllenhaal nem Fuqua, que anteriormente trabalharam no filme Southpaw, possam estar em Toronto para a estreia, eles se juntaram a mim no início desta semana antes da estreia do TIFF para uma conversa sobre os desafios distintamente únicos de fazer o filme.

DEADLINE: Jake, tudo isso começou com você. O que o fez pensar que seria adequado uma versão americana?

JAKE GYLLENHAAL: Bem, eu tinha visto desde o Sundance 2018, e assim que vi, não sei exatamente. Eu não poderia dizer o porquê necessariamente, mas às vezes, você apenas tem esses sentimentos em seus ossos, e eu apenas senti que precisava ser transposto para um contexto americano. Eu apenas senti imediatamente como se ele falasse sobre muitas coisas que eu amo, ou que eu amei recentemente, sobre a narrativa que eu me encontrei no meio. Passei o último ano antes dessa pandemia mundial no palco e estava fazendo um monólogo, sabe, que era Off Broadway, e depois foi para a Broadway, e então, acho algo sobre a natureza dessas coisas que não são ditas, nossa percepção, nosso uso de nossa imaginação no cinema, e até onde você pode levar isso.

Fiquei tão seduzido por essa ideia, e adoro aquela forma de contar histórias em que você pode apenas subtrair três quartos do que estamos acostumados, porque somos um público que está tão acostumado a ver e ouvir de tudo, e eu pensei “essa é uma maneira tão interessante de contar histórias”. Mas também achei que colocar isso no contexto americano também seria muito interessante. Então, eu passei dois anos falando sobre e desenvolvendo, e então, eventualmente, quando estávamos em meio ao início da pandemia e todo mundo estava procurando por filmes para fazer que fossem contidos, isso se encaixou no projeto. Então, enviei-o a Antoine e, em um dia, ele disse que leu e disse que queria fazer.

DEADLINE: Mesmo que Antoine tenha tornado isso extremamente cinematográfico, há algumas maneiras de ver isso funcionando como uma peça também. Você já considerou isso como um veículo de palco, uma vez que é basicamente um show one-man ou sempre foi um filme em sua mente?

GYLLENHAAL: Sim. Acho que sim, porque no palco você não consegue chegar perto. Quero dizer, isso é uma coisa boa e infeliz sobre uma performance teatral. O Antoine pode falar sobre isso, obviamente, também, mas acho que a gente tem uma relação muito íntima, e acho, teve momentos nisso, nesse processo, onde a câmera estava, dependendo da lente, ele estava usando as três câmeras operando ao mesmo tempo a centímetros do meu rosto. Então, embora ele seja reproduzido, e nós o tenhamos filmado em longas seções, cortamos o filme em cinco atos e gravamos 20 páginas por dia. Filmamos o filme em 11 dias. Então nós tocamos como certas seções, como se você estivesse fazendo uma cena extraordinariamente longa para um filme ou uma cena extraordinariamente curta para uma peça, mas nós a cortamos em sequências de 20 páginas.

DEADLINE: Antoine, você é conhecido por fazer muitos filmes de ação e projetos em grande escala, mas este, embora seja tão excêntrico quanto qualquer um deles, também tem uma verdadeira intimidade. O que te fez dizer sim tão rápido?

ANTOINE FUQUA: A primeira coisa foi Jake. Eu estava trabalhando com Jake novamente, mas quando li o material, parecia falar de todas as questões de hoje aqui na América de muitas maneiras diferentes, mas não da maneira óbvia também. Achei isso interessante, e então, fazer algo tão intenso e tentar segurar o público com essas coisas contraditórias que estavam acontecendo foi emocionante tentar realizar.

É um grande filme de suspense e ver se podemos segurar as cartas tanto quanto podemos sem dar nada ao público, apenas o suficiente, e ver se podemos manter esse tipo de intensidade e esse tipo de inclinação de um público que faria exigências. Como Jake disse, você não pode chegar perto em uma peça no palco, e eu diria a Jake no início que eu apenas teria a câmera presa a ele como um inseto irritante. Isso vai grudar nele, e ele não poderia ir a lugar nenhum porque isso fazia parte da história, certo, que ele teria que ficar em um lugar, e mesmo quando ele se levantou e foi até o bebedouro, seguiu ele em todos os lugares.

Então, a ideia de mostrar que ele estava preso de alguma forma foi intrigante de fazer e resolver com Jake, e fazer com que ele fizesse tomadas de 20, 30 minutos. Agora, temos 20 minutos na página, mas lembre-se, temos tantos problemas técnicos diferentes acontecendo, que às vezes durava 30, 40 minutos, e ele teria que repetir algo porque eu diria, Jake, volte para a outra pessoa. Então ele teria que fazer uma pausa, repensar seus pensamentos, e isso é divertido para mim assistir. Era incrível, e ele pulava ali, então às vezes não durava apenas 20 minutos, mas cerca de 30 ou 40 minutos que ele tinha que ficar, e sem um corte.

DEADLINE: Isso o deixou nervoso, Jake? Um movimento em falso e você tem que começar tudo de novo?

GYLLENHAAL: Não. Eu acho que se você tiver sorte o suficiente para fazer isso por muito tempo, e sua alegria é o desafio, então você se dá mais desafios. A repetição de uma voz, aquela repetição que estava acontecendo, que aconteceu comigo uma vez por meio dia, e sabendo que tínhamos pouco tempo para gravar o filme, e tínhamos um bloqueio iminente em Los Angeles quando estávamos filmando todos os dias; nunca sabíamos se eles iriam nos ligar e dizer: “Estamos desligando você”.

Nunca soubemos se haveria um caso positivo da Covid e seríamos encerrados e, portanto, tínhamos 11 dias muito curtos para gravar um filme e tínhamos uma quarentena de 12 dias (se tivéssemos que encerrar) Então, não importa o que acontecesse, teríamos que fazer uma grande pausa e voltar. Não foi… tão assustador quanto momentos foram para a saúde real de todos ao redor, eu prospero nesses momentos. Eu gosto deles. Eu sei que existem razões para eles. Não há razão para lutar contra eles, porque o que estamos fazendo quando fazemos isso? Temos um ótimo trabalho, número um, mas também, sempre vai lhe dar algo. Então, eu acho que estou muito acostumado, particularmente em uma longa corrida no palco ou algo assim, você se deleita com os momentos que se tornam atípicos. Eu amo os momentos aleatórios que são os erros em uma performance teatral, e cresci, ao longo dos anos, adoro esses momentos quando você está fazendo um filme.

DEADLINE: Antoine foi influenciado pelo filme original dinamarquês? Você ao menos assistiu quando soube que iria dirigir o remake?

FUQUA: Jake mudou de assunto depois que eu liguei para ele de volta, não sei, por um tempo no telefone, algo da revisão que você viu [no filme] é sobre o que conversamos. Aí eu vi o original, que é fantástico, aliás, e aí, você olha aquilo e Gustav [Moller] fez um trabalho incrível, e eu só estava pensando que não sei se posso refazer esse filme, sabe? Foi tão bom, mas havia tantas coisas acontecendo em nosso mundo, nesta parte do mundo que fazia sentido, e então, certas escolhas que eu e Jake fizemos juntos. Eu meio que disse que todo diretor, todo mundo tem sua própria linguagem e seu próprio estilo de coisas. Gustav certamente traçou um ótimo projeto, e então eu simplesmente tive todo um conceito de mitologia grega que comecei a jogar em Jake, que provavelmente pensa que eu sou um lunático na metade do tempo, mas eu sempre o vi como no Inferno de Dante (com os fogos acesos telas constantemente enfurecidas).

Então, a questão era, ele está no purgatório e é tudo sobre o que acontece no purgatório, redenção ou não, ou quaisquer escolhas. Então, havia esse tipo de outra camada da qual falamos, mesmo quando ele está tremendo e está com frio. Sabe, quando você está morrendo, as pessoas dizem que está frio, certo? Então, às vezes a culpa é como uma forma de morrer, certo? Isso corrói você pouco a pouco. Então, havia todas essas pequenas coisas que Jake e eu conversamos, e nós entramos em uma profunda toca de coelho, mas no final das contas, quando colocamos fogo em LA, o Inferno de Dante, como se ele estivesse no inferno… tudo isso começa a afetar a [nova] visão disso.

DEADLINE: Jake, quanta pesquisa você fez com pessoas reais fazendo este trabalho em centros de emergência?

GYLLENHAAL: Bem, eu acho que a natureza de estar dentro dessas emergências, estar com operadores de emergência, com certeza fiz minha pesquisa dentro desse espaço. Mas a originalidade desse personagem é que ele está fora do lugar, então eu não queria estar no mesmo ritmo que você estaria se tivesse isso como um trabalho diariamente. O que eu gosto sobre ele como personagem é que ele está meio fora do ritmo de como ele até faz as perguntas (para quem liga). A natureza deles… (é) não o que você recebe de uma operadora de 911. Eles podem implicar coisas, mas nunca vão dizer isso. Estar dentro desse espaço é muito importante, mas também acho que estar dentro desse espaço como um socorrista, que tive a honra de interpretar uma série de socorristas … Tenho vários deles que são meus amigos como resultado de todas as pesquisas que fiz, e eles também foram nossos conselheiros. Então, é meio enigmática a coisa toda, todos aqueles relacionamentos que tive ao longo dos anos, mas acho que era muito importante que ele estivesse fora do lugar.

DEADLINE: Você também é o produtor do filme. Como você montou esse impressionante elenco e como funcionou em termos de produzir e atuar ao lado deles, por assim dizer?

GYLLENHAAL: Bem, Antoine pode falar sobre isso. Basicamente, a natureza de quem ele era, quando eu dei para Antoine, eu disse, vamos filmar isso em um período de tempo muito curto. Essa é a única maneira de conseguir um diretor como Antoine, para fazê-lo rodar este filme em 11 dias, e então, continuar com as outras coisas que eles estavam planejando fazer, mas nós ligamos. Acabamos de ligar para pessoas que conhecíamos e pedir favores. Antoine ligou para Ethan (Hawke), e ele pode falar sobre isso. Eu vou primeiro com a família. Então, procurei meu cunhado (Peter Sarsgaard) e, obviamente, Antoine o conhece por trabalhar no filme que fizeram juntos. Então, nós tivemos todos esses relacionamentos e apenas dissemos, ‘você vai fazer isso?’ Eu me lembro que houve um momento em que eu disse a você, Antoine, eu estava, tipo, ‘liga para o Ethan’, e você estava, tipo, ‘ok’, e então ele disse que faria isso. Eu estava, tipo, ‘sim’. Quando você recebe uma ligação de Antoine Fuqua, você fica ‘certo’, sabe?

DEADLINE: Os aspectos técnicos de fazer isso em tão pouco tempo devem ser enormes, e você não estava necessariamente nem no set com Jake, certo?

FUQUA: Sim. Bem, tecnicamente, tudo era complicado. Para começar, foi realmente complicado por causa do COVID. Isso é realmente o que era, e fui exposto a alguém com teste positivo, mas o meu deu negativo. Então, eu tive que entrar em quarentena, e isso estava ameaçando as datas das filmagens. Tínhamos uma janela curta, mas era no auge do COVID. Então, conforme começamos, tivemos que encontrar maneiras de manter essa coisa funcionando e ainda fazer o trabalho da maneira certa. Eu consegui, felizmente antes do teste COVID, ir ao set com os designers de produção e Jake, e conversamos sobre todas as coisas diferentes enquanto caminhávamos. Mas então, uma vez que eu tive que entrar em lockdown, nós, em um fim de semana, surgimos com uma van chamada van colorida que tinha monitores e todo o sistema dentro. É normalmente usado para fotografia, e pedi ao cara que viesse à minha casa e testasse… e houve uma série de falhas e ficamos, tipo, ‘Oh, meu Deus’, e acho que foi meu segundo AD que teve a ideia de talvez operar um hardwire… a van era como um jato e tinha todos esses monitores e outras coisas, e funcionou quando fizemos um hardwire. Ia da van até o set de filmagem. Então, literalmente, bem na lateral do set, na rua do lado, estacionada com dois carros bloqueando na minha frente e atrás de mim, para que ninguém pudesse passar por mim, e com um amigo Navy SEAL se certificando de que ninguém estava nem mesmo na área ao meu redor. Então, criamos este dispositivo para som depois de dar conta da imagem.

Há uma caixa que teve que ser enviada para todo o mundo porque os atores estavam em toda parte. Nova York, Londres, Nova Zelândia, eu acho. Eles estavam em toda parte, e de alguma forma tentamos dar a eles este dispositivo, para que gravassem sua performance, para que pudéssemos ter uma performance limpa, e Ed Novick, que era o cara do meu telefone, veio com outra maneira, porque não estava funcionando. Jake tinha cerca de, eu não sei, cinco vozes em sua cabeça porque no meu computador ao meu lado eu tinha todo mundo no Zoom. Eu poderia dar a todos os atores uma espécie de dica, e poderia vê-los sentados na sala de estar segurando seus bebês, tipo, todos os tipos de coisas. As pessoas estão em casa. Eles estão sentados. Eles estão, tipo, fazendo suas coisas com o bebê, mas eu podia ver todos eles, mas sempre havia um atraso. Então, Jake, pelo primeiro, eu acho, um ou dois dias, ele teve muitas vozes em seu ouvido. Então, Ed Novick, que eu acho que é muito mais inteligente do que eu, tecnicamente com essas coisas quando se trata de som, ele veio com uma maneira de deixar tudo limpo no set porque, literalmente, Jake estava ouvindo sua própria voz também. Então, ele estava atuando, ouvindo sua própria voz, e então, quando outro ator chegava, a voz deles estava dobrando, e então, minha voz às vezes, e lembre-se, esse filme era para ouvir, certo?

Então, tivemos que resolver esse problema, o que fizemos, do qual estou muito orgulhoso. Ed descobriu isso. Nós descobrimos o hardwire para meu segundo cameraman, meu extrator de foco, na verdade. Nós descobrimos isso, e então, uma vez que descobrimos, então eu tenho uma câmera espiã no set, para que eu pudesse ver minha equipe e falar com meu DP e tudo mais. Então, eu tinha meu telefone para mim e Jake para conversas privadas. Eu tinha dois walkie-talkies. Era literalmente como um centro de comando, e o que foi interessante é que, no final, eu não poderia ter ido ao set e Jake viria falar comigo da parede. Ele subia na escada e, literalmente, falava comigo lá embaixo na rua. É assim que nos comunicaríamos, ou teríamos que enviar mensagens de texto ou ligar no telefone quando fosse privado, mas o interessante foi, eu comecei a perceber, essa era uma oportunidade incrível de fazer isso porque o filme em si era sobre um cara que não pode ir a lugar nenhum. Então, eu mesmo estava na mesma situação que Joe e estava preso nesta van, certo, e foi frustrante, mas eu estava tão sintonizado porque estava sozinho comigo, acho que um grande monitor que foi dividido em três câmeras diferentes, além do zoom de todos os atores. Então, eu tinha tudo isso acontecendo, mas comecei a perceber que Jake e eu estávamos sempre em sincronia. Isso foi uma coisa interessante porque eu estava realmente em sintonia com ele fisicamente. Eu não poderia ir a lugar nenhum. Eu não tive permissão para sair da van, certo. Então, eu estava sentado lá experimentando isso com ele dessa forma.

DEADLINE: O filme é tão tenso. Você pode falar sobre o processo de edição?

FUQUA: Em primeiro lugar, tivemos um ótimo editor, Jason Ballantine. Conversamos muito sobre isso antes do início, na medida em que eu colocaria a câmera no lugar, para que ela não se movesse às vezes por uma boa parte do filme no começo. A câmera ficava presa lá e eu filmava as coisas dessa maneira, e conversamos muito sobre isso, e eu não iria realmente entrar em grandes close-ups até mais tarde, mas apenas meio que me aproximava dele assim na medida que a história ia ficando mais intensa. Mas Jason foi incrível. Ele teve muito a ver com isso, também, criativamente. Ele tinha instintos muito bons e acho que faz uma grande diferença com os thrillers de suspense, porque talvez seja apenas uma linha ou um comportamento que pode revelar a diferença, ou pode, no nosso caso, revelar certas coisas, e assim, e ele foi muito inteligente sobre certas escolhas que faria e mostraria a mim e a Jake, e discutiríamos isso, e ele confirmaria alguns de seus pensamentos e quando ambos conversamos sobre isso achávamos que talvez ele estivesse certo. Esses caras trazem muito para a mesa também, como editores. Então, eu acho que ele teve muito a ver com isso também.

DEADLINE: Como fazer esse filme com tantos desafios únicos foi diferente dos outros filmes que você já fez?

GYLLENHAAL: Acho que toda a equipe ficou muito grata por poder fazer um filme naquela época, e conforme lentamente rastejamos de volta e começamos a entender todos os nossos sistemas de uma maneira diferente, estávamos no início daquela época, e nós estávamos realmente gratos. Talvez seja a época que estou da minha vida. Talvez seja o fato de que todos nós passamos por tantas coisas que são muito mais importantes do que fazer filmes. O que me fez perceber é que o que fazemos é importante, e é, não vou dizer essencial, mas quero dizer, tirou todo o tipo de pressão maravilhosa do que temos feito por tanto tempo . Parecia diferente, sim, porque estávamos no meio de algo que eu nunca tinha experimentado… Trabalhar com Antoine, ser nosso segundo filme juntos, confiar nele tão inerentemente, amá-lo, ele me amar, sabendo que mesmo que não estivéssemos no mesmo lugar, era exatamente o que você deseja quando trabalha com alguém. Você quer essa confiança. Você quer sentir que eles vão checar como você está, e você vai checar como eles estão, e eles vão cuidar de você, e você vai cuidar deles, e foi isso que eu senti. Então, foi uma extensão de um relacionamento que tínhamos construído cinco anos antes em Southpaw, e continua até hoje, e isso me faz perceber, que no negócio em que atuamos, trata-se de relacionamentos e não apenas de enviar flores um ao outro , mas passar pela experiência com amigos, e foi isso que aconteceu aqui.

The Guilty estreia no sábado, 11 de setembro, no Festival Internacional de Cinema de Toronto. Ele abrirá em alguns cinemas em 24 de setembro e começará a ser transmitido na Netflix em 1º de outubro.


Fonte: DEADLINE
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Jake Gyllenhaal e o diretor Antoine Fuqua conversaram com a Entertainment Weekly sobre o filme The Guilty e os desafios de gravar durante a pandemia.

A partir do momento em que o ator indicado ao Oscar viu o original dinamarquês com o mesmo nome no Sundance em 2018, ele “simplesmente senti em meus ossos” que o “intenso thriller psicológico” se traduziria em um contexto americano. Jake Gyllenhaal rapidamente adquiriu os direitos, recrutando o criador de True Detective, Nic Pizzolatto como roteirista e Antoine Fuqua, com quem ele já havia colaborado no drama de boxe de 2015 Southpaw, como diretor. E então veio a pandemia do COVID-19 e o subsequente fechamento de Hollywood – mas Gyllenhaal logo percebeu que ele realmente tinha o filme ideal para ser feito durante essa época única. The Guilty se passa em um dia inteiro em um call center 911 e apresenta o personagem principal, Joe Bayler, um policial rebaixado que se tornou operador (interpretado por Gyllenhaal), interagindo principalmente com um banco profundo de atores reconhecíveis que ele e o público ouvem mas nunca vê.

Então, apenas 48 horas antes do início das filmagens de 11 dias, um contato próximo de Fuqua testou positivo para o Corona vírus, colocando o cineasta em quarentena e o projeto à beira de nunca acontecer.

“O que parecia vantajoso na época acabou sendo meio que uma maldição,” Gyllenhaal conta a EW sobre a gravação no final de 2020 que já estava em perigo devido ao aumento no número de casos de COVID. “Eles falavam sobre fechar Los Angeles quase todos os dias. Então, porque Antoine em seguida testou negativo vários dias depois, nós decidimos pegar uma van montada com telas e estacionar ele a uma quadra de distância, conectada até o estúdio em que estávamos gravando. A gente se ligava por FaceTime depois dessas cenas que duravam 25 minutos. Ele me dava direções, eu as seguia, fazíamos outra tomada. Nunca nos vimos pessoalmente durante toda a gravação.”

Gyllenhaal diz que o amor que ele e Fuqua construíram em Southpaw é a razão pela qual eles foram capazes de trabalhar em circunstâncias tão inusitadas: “Por causa da nossa amizade e porque eu confio muito nele, eu iria a qualquer lugar por ele. Eu simplesmente sei, de alguma forma, que quando somos desafiados, Antoine e eu sempre melhoramos.”

De sua parte, Fuqua considerou uma experiência “emocionante”. “Eu precisava ter olhos no set [e] em nossas câmeras principais, e uma maneira de me comunicar com meus atores foi via Zoom e telefone, quando precisava ser privado,” o diretor de Training Day e Equalizer compartilha com o EW por e-mail. “Jake e eu só nos veríamos pessoalmente por trás da parede do estúdio. Jake subia em uma escada e eu abria a porta da minha van e nos comunicávamos. Definitivamente, perdi o contato próximo com minha equipe, mas todos colaboraram e encontramos uma maneira”.

Embora Gyllenhaal não pudesse ter previsto a perda de última hora de seu confidente e parceiro, ele sabia que não iria trabalhar cara a cara com a maioria de seus talentosos coadjuvantes. Gyllenhaal aparece em quase todos os quadros do filme, enquanto Joe tenta salvar um visitante em grave perigo, apenas para logo descobrir que enfrentar sua própria verdade é a única saída. Normalmente mencionamos a lista de vozes que entram e saem do filme, mas Gyllenhaal acredita que “parte da diversão são as pessoas tentando adivinhar quem são os atores”. O oposto de agradável para Gyllenhaal, ou para todos nós nos primeiros dias da pandemia, foram os problemas relacionados ao Zoom que a produção encontrou ao conectar o elenco.

“Havia um computador e ele estava em uma gaveta ao meu lado, mas eu não tinha controle sobre ele”, explica Gyllenhaal, que agiu por meio da perda de sinal, ecos… “Essa gaveta é a gaveta de som e também foi a primeira gaveta do nosso assistente de direção. Então ele a abria, falava com os atores e os preparava, fechava o computador pela metade, fechava a gaveta e ia para um outro monitor onde ele poderia sinalizá-los. E apenas de vez em quando, eu olhava para a direita e podia ver esses 12 quadrados de pessoas em seus closets, em uma cama, alguém em sua sala de estar, alguém literalmente enfiado entre travesseiros para tentar obter o som certo. [risos] Foi muito divertido – fora o quão intenso foi como filme.”

Fuqua acrescenta: “Assistir Jake realizar seu desempenho foi difícil da melhor maneira. Atuar também é ouvir, mas as dificuldades de ter que atuar sob COVID e os desafios técnicos foram um desafio que Jake lidou lindamente.”

Quando se trata de falar diretamente sobre o que acontece na tela, Gyllenhaal é muito mais cauteloso no que compartilha, esperando que consiga passar pela entrevista sem revelar muito. “Nada é o que parece”, ele brinca depois de fazer uma pausa para contemplar. “Joe realmente não gosta de seu trabalho, mas, no final, o que ele percebe é que, para resolver este caso, ele tem que enfrentar uma verdade dentro de si mesmo. Eu adoro personagens que são pontos de interrogação e, em muitas maneiras, ele é o ponto de interrogação final.”

The Guilty estará disponível mundialmente na Netflix em 1 de outubro. Confira as primeiras stills do filme em nossa galeria:


Fonte: Entertainment Weekly
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Jake Gyllenhaal, rosto da fragrância masculina Luna Rossa Ocean da Prada, concedeu uma entrevista para a Forbes e falou sobre a marca italiana, seus cheiros favoritos e o que vem por aí em sua carreira. Confira:

Por que você se interessou em se tornar o rosto da nova fragrância Luna Rossa Ocean da Prada?

Eu amo o que a Prada representa. É uma marca que representa o cruzamento entre a grande arte e o design, a tecnologia de encontro. Eu acredito profundamente no fato de que grandes coisas são feitas quando há um equilíbrio entre o racional e o abstrato. Também adorei a abordagem que a Prada tinha da fragrância e da campanha – sobre aventura, conexão com a natureza e o poder da tecnologia para fazer coisas extraordinárias. E, claro, adorei o fato de Johan Renck estar dirigindo o curta!

O que você gosta no Luna Rossa Ocean?

O perfume é refrescante e forte. O cheiro de bergamota fresca é muito sofisticado e adoro que o cheiro evoca uma sensação de aventura. Também adoro que a fragrância esteja ligada à ideia do oceano e de se aventurar no desconhecido e correr riscos. Essa é uma ideia com a qual posso me alinhar.

Qual foi sua parte favorita ao filmar a campanha?

Minha parte favorita foi trabalhar com Johan Renck. Ele é maravilhoso, e rimos muito juntos na filmagem. Não há nada melhor do que trabalhar com pessoas que você respeita e que também têm um grande senso de humor e gostam de se divertir enquanto trabalham, o que nós fizemos. Eu também gostei muito de estar em uma réplica em tamanho real do navio Luna Rossa, que é uma incrível obra de arte e tecnologia. Pensar em uma embarcação desse tamanho no oceano, fazendo-a viajar na velocidade que viaja, é impressionante.

O que você aprendeu sobre fragrâncias trabalhando com a Prada?

Aprendi que uma fragrância não é apenas sobre o cheiro – é também sobre o que é criado ao seu redor: a história da fragrância, o design do frasco, o que ela evoca quando você a segura, onde fica em sua casa. Esses elementos também fazem parte da experiência e vão muito longe para trazê-la à vida. Acho que com Luna Rossa Ocean, a Prada fez um belo trabalho nisso.

Visto que o perfume foi inspirado na vela, ele evocou alguma lembrança para você?

Não sou um marinheiro experiente, mas adoro velejar e já naveguei quando era pequeno. Acho que a ideia de estar em mar aberto em uma embarcação como o Luna Rossa, aproveitando o poder da natureza para seguir em frente, para fazer progressos, para se aventurar em algum lugar novo, é simplesmente uma ideia incrível.

Quais são seus cheiros favoritos?

Adoro o cheiro da laranja descascada e de Lilases. Também adoro o cheiro das pessoas que amo! Uma das minhas primeiras memórias olfativas foi da minha madrinha. Ela sempre usava o mesmo perfume. Ela foi alguém com quem passei muito tempo quando criança. Cada vez que sinto esse cheiro, mesmo agora, mesmo nas pessoas que encontro ao acaso, me lembro dela.

Que projetos você tem pela frente?

Tenho um filme para sair neste outono na Netflix chamado The Guilty, dirigido por Antoine Fuqua e que minha produtora, Nine Stories, também produziu. Trabalhei muito neste filme por muitos anos e estou muito animado com seu lançamento. Eu também tenho outro filme saindo no próximo ano chamado Ambulance, dirigido por Michael Bay.


Fonte: Forbes
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Em 2019, as estrelas de cinema e teatro Jake Gyllenhaal e Tom Sturridge uniram forças para apresentar dois monólogos independentes, Sea Wall/A Life no The Public Theatre da Off-Broadway, antes de se transferirem rapidamente para Hudson da Broadway. A tiragem limitada terminou poucos meses antes de COVID-19 forçar o fechamento de todos os teatros da Broadway.

Mais de um ano depois, os dois são indicados ao Tony Award de Melhor Ator Principal em uma Peça, mesmo com a Broadway em um fechamento sem precedentes que deixou a indústria e seu público mais famintos do que nunca pelo retorno das performances ao vivo. Os dois atores se reconectaram recentemente para discutir suas experiências de trabalho nesses monólogos profundamente pessoais e para refletir sobre um ano sem teatro nesta conversa, que foi editada para maior clareza.

Jake Gyllenhaal: Eu já ouvi você falar sobre isso antes, mas talvez você possa falar sobre por que você queria fazer o Sea Wall em primeiro lugar?

Tom Sturridge: Acho que a primeira coisa foi meu relacionamento com [o dramaturgo de Sea Wall] Simon [Stephens]. “Literalmente” é uma palavra chata para usar em uma frase, mas ele era literalmente a razão de eu fazer teatro. Ele me deu meu primeiro emprego no teatro. Não sei se é o mesmo nos Estados Unidos, mas na Inglaterra o teatro é uma comunidade bastante difícil de entrar se você for inexperiente. Eu nunca tinha feito uma peça antes de conhecer Simon – Simon foi o primeiro autor a acreditar em mim. E então, alguns anos atrás, ele veio me ver em um show que eu estava fazendo em Nova York e ele me entregou o Sea Wall – foi um dos textos mais bonitos que eu já li. Obviamente, a maior parte disso é sobre a paternidade – ser um jovem pai – e eu era um jovem pai, então isso falou com quem eu era e sou. E essa foi uma parte da minha vida que eu nunca explorei no meu trabalho, e eu realmente queria. E você, por que e A Life?

Gyllenhaal: É estranho como nossas jornadas são paralelas em termos de ambas as peças… Ambos seguimos nossa paixão por essas duas peças por anos. A diferença para mim foi que eu tive que implorar a Nick Payne para fazer A Life e Simon simplesmente veio ao seu show e entregou a você! [Risos.] Mas, e talvez o mais importante, não poderíamos fazê-los sozinhos, eles não eram completos de alguma forma sem o outro e então o destino interferiu e nos uniu … Para mim, esse é o show. As peças existem separadamente umas das outras na página, mas não podem ser totalmente expressas sem a outra no palco.
Quando li A Life, fiquei profundamente comovido. Quão vulnerável, quão específica e quão íntima a narrativa era. A especificidade, o humor e a honestidade do diálogo de Nick é o motivo pelo qual amo sua escrita. Mas essa peça era diferente das outras duas que fiz com ele e era uma responsabilidade dupla, porque era lidar com coisas reais, momentos reais que aconteceram na vida de Nick. E eu acho que a falta de ficção é o que me fez querer fazer isso: a ideia de que muito do que fazemos como performers é realmente uma performance, e o esforço disso é tentar movê-la o mais próximo do que realmente estava no momento. E isso é difícil de fazer com uma escrita que não é tão boa quanto a de Simon e Nick.

Sturridge: Você acha que sabíamos desde o início que era necessário não atuar – ou pelo menos não interpretar o texto da maneira que tínhamos interpretado os textos antes?

Gyllenhaal: O que eu senti da minha conexão com A Life e o que eu senti da sua conexão com o Sea Wall, foi que eles foram tecidos em nós tão profundamente, que não havia outra escolha além disso. Lembro-me do verão antes de fazermos a peça, trabalhando com Carrie [Cracknell, diretor de Sea Wall / A Life] e Nick no apartamento que eu estava hospedado em Londres e ele estava reescrevendo partes e eu estava apenas chorando enquanto as líamos em voz alta. Quando alguém fala sobre perda ou amor da maneira que esses dois escritores falam, isso faz muito por você. E egoisticamente como ator, tudo que eu quero fazer é trabalhar em peças que já fizeram muito do trabalho para mim.

Sturridge: Eu sei! E essa é a parte estranha de tudo isso, você apenas teve que sair do caminho.

Gyllenhaal: Fiquei surpreso ao observar seu processo de chegar lá. Criando seus limites e suas barreiras e suas próprias suposições e, em seguida, derrubando-os. É tão interessante porque para mim, como artista, você é alguém tão astuto, tão consciente e sensível – e ainda assim, você também respeita profundamente o que vai acontecer. Você cria ideias para si mesmo e se elas não funcionarem para você ou não funcionarem ou funcionarem, você segue em frente sem muito atrito ou angústia. Fiquei tão comovido com sua coragem como criador. Eu sou alguém que gosta de entrar em uma sala e mexer e pensar e eu consigo todas as respostas e volto – porque eu acho que provavelmente tenho mais medo de uma percepção.

Sturridge: Lembro-me de várias repetições de A Life durante o processo de ensaio que foram dramaticamente diferentes de onde você chegava.

Gyllenhaal: Sim, mas eles não foram por minha sugestão! Essas eram todas “ah, isso não está funcionando, como podemos ajudar esse cara a fazer funcionar?” As suas foram: “Vou fazer essas escolhas, já pensei sobre isso.”

Sturridge: [risos] Nesse ponto, a resposta foi do público: “Isso não está funcionando!”

Gyllenhaal: [risos] Sim, também houve aqueles momentos de ensaio em que decidi parar faltando mais da metade do meu monólogo…

Sturridge: Oh meu Deus! Eu esqueci disso! Mas era tão necessário. Eu ia lá e arrasava com o Sea Wall, estava sempre bem. E então você se levantava e todos nós fazíamos apostas sobre “em que ponto Jake irá simplesmente parar e sair da sala de ensaio? Ele vai terminar a peça? Ou vai demorar oito minutos hoje?”

Gyllenhaal: Parte do meu processo é desistir às vezes! [Risos] Mas, honestamente, demorei um pouco para realmente me sentir à vontade para me comunicar diretamente com o público. Acho que tive que passar pela vergonha de ser terrível e me acostumar com a novidade de realmente ver seus rostos. O processo de trazer pessoas aleatórias para a sala de ensaio era aterrorizante e humilhante, mas absolutamente necessário. Um passo tão importante no início, falar com estranhos – entender que o show era sobre eles e não sobre mim. E depois de algum tempo eu me senti tipo: Eu entendi. E você ainda estava trabalhando nisso e me lembro de ter pensado: “ooh, não sei se Tom vai ser legal na frente do público.” E então você só arrasou com tudo. [Risos] Não, eu acho que você tem mais experiência nesse espaço, de saber que agora não é o fim de tudo. Acho que para mim havia medo de me apresentar e de mostrar a bagunça que eu sou. Qual foi a sua passagem favorita do Sea Wall?

Sturridge: É estranho. Quando você faz essa pergunta, a primeira coisa que você faz é voltar à sua memória do texto. Mas minha memória é mais de momentos ao vivo. Tipo, não tanto o que eu disse, mas houve momentos dentro da peça em que estávamos fazendo isso na frente de um público que eu esperava ansiosamente. Há um momento na peça em que descrevo o paredão pela primeira vez. Que era uma espécie de ponto de respiração, e um espaço nela … Era o momento da peça em que eu não sabia que direção ela iria tomar. E sempre dizia muito de como o público reagia a isso – como a noite seria. E isso só me faz pensar sobre o teatro e sua imprevisibilidade.

Você sabe o quê? Essa pergunta, “qual é a sua parte favorita?” Minha resposta foi um disparate total. Talvez seja verdade para todas as peças, talvez seja específico para monólogos, mas não havia nenhuma parte. Você acabou de mergulhar nesta piscina. E realmente, só me lembro quando saí. Havia tantas versões de quem éramos quando entrávamos. Lembro-me de entrar e de ir embora.

Gyllenhaal: Tive essa sensação quando nos mudamos para a Broadway. Naquela primeira noite, aquela primeira prévia em que estava lotado.

Sturridge: O primeiro ensaio aberto foi um indicativo da diferença entre The Public e Broadway. Eles foram tão poderosos em suas respostas. E meio musculoso na forma como eles mesmos podiam interpretar a peça e puxá-la para longe de nós. E assim você poderia continuar com todas as intenções que quisesse, mas quero dizer, a peça ia para onde eles queriam que ela fosse. E isso foi a coisa mais libertadora.

Gyllenhaal: Sim! Mas a gente teve que se preparar pra pegar aquele bicho, sabe? Quando você diz “musculoso”, acho que é verdade. Todas as noites, o que era tão emocionante nas apresentações era que era o show do público, e o público nos dizia aonde queria ir. De muitas maneiras, as coisas de que mais sinto falta no teatro são as experiências que vivemos sozinhos naquele palco. Sabe? Algo sobre não ser um grande elenco e ter que confiar uns nos outros. Pude ver mais o público. Se tivéssemos 20 pessoas no palco, você sentiria o público, mas não os veria da mesma forma. Já com Sea Wall / A Life éramos apenas nós e o público. E sei que parece óbvio, mas pude perceber por que sinto tanta falta do teatro … porque é tudo sobre eles. É tudo uma questão de público. E é tudo sobre todos se reunindo e o espaço que compartilhamos. E pudemos ver isso, de uma forma que eu nunca fui capaz de ver no palco. Porque estávamos olhando diretamente para eles.

Sturridge: Sim, olhando para eles. E eles estavam falando conosco. E você estava caminhando por suas bolsas.

Gyllenhaal: [risos] Sim. Algumas pessoas perderam seus AirPods durante nossa corrida – eu tenho um pouco de Fagin em mim! Brincando. Eu senti como se fosse nosso show. Quer dizer, se não fosse por você, Tom, a peça nunca teria acontecido. Porque eu ia cair fora antes de fazermos ela no The Public.

Sturridge: Fale sobre o aspecto de produção disso. Em primeiro lugar, o fato extraordinário de que você estava fazendo Slave Play ao mesmo tempo, e como – obviamente, estou a par de muito disso – mas como nós passamos do The Public para a Broadway? Porque este não é um show da Broadway óbvio, e ainda estou meio surpreso que ele deu aquele salto e que o risco foi assumido – e você estava comandando aquele trem.

Gyllenhaal: Bem, foi o momento perfeito, pois sabíamos que o Hudson estava disponível por um curto período de tempo. Como produtores, pensamos: este show provou que funciona, temos um certo tempo, uma certa quantidade de ingressos para vender, e eu acreditei que poderíamos fazer isso quando olhei para todas as análises do que era possível, apenas em um nível puramente financeiro. E concordamos que seria possível organizar o show para um período limitado de final de verão e receber de volta o dinheiro de todos.

Sturridge: Isso se baseia na noção de que, se, dentro desse período, o teatro estivesse cheio, todos teriam seu dinheiro de volta? Foi uma decisão matemática ou você está falando sobre a possibilidade de fazer as pessoas irem ao teatro quando normalmente não vão, ou seja, no calor do verão, quando não há ninguém na cidade?

Gyllenhaal: Bem, acho que são os dois. Eu olhei para ele como: quão grande é o risco? Qual é o risco por parte do público? E qual é o risco para as pessoas que irão investir? Porque acredito que quando você está produzindo ou agindo em qualquer coisa, você tem a responsabilidade de fazer um retorno sobre esses investimentos. Nem sempre é possível, e é muito difícil quando você está fazendo isso na Broadway. Mas nós olhamos e eu disse tudo bem, a matemática poderia funcionar. E então eu misturei naquilo uma coisinha chamada fé – ou talvez insanidade. Pensei comigo mesmo, essa é uma história que pode levar as pessoas à cura. E nós simplesmente continuamos com isso.

Embora tenha sido inicialmente anunciado como esses dois monólogos sobre a morte, na verdade eu sempre os encarei como monólogos sobre a vida. E então eu senti que era possível, e eu sabia em algum lugar em meus ossos, desde o momento em que li A Life e então quando nos reunimos para fazer isso juntos, eu sabia que se pudéssemos comunicar às pessoas que este era um show sobre a vida e sobre a afirmação da vida, que as pessoas viriam. E eles vieram. E as pessoas falaram sobre isso. Quando as pessoas iam aos bastidores quando estávamos no The Public – sim, havia pessoas com o coração partido, sim, havia pessoas que choravam. Mas também houve pessoas que decidiram fazer escolhas em direção à verdade em suas próprias vidas como resultado de ouvir as palavras de Simon e Nick, o que me fez pensar: “Precisamos levar isso a um público maior, se possível. Simplesmente não parece certo parar agora.” E então foi uma questão de tentar, descaradamente, convencer as pessoas a embarcarem no trem e … para nossa surpresa, tivemos tantos financistas maravilhosos que o fizeram. Mas, para mim, acho que abordamos isso de um ponto de vista muito diferente, que foi: a natureza do show era tentar ser nós mesmos o máximo possível, então queríamos trazer isso para o palco em todos os sentidos. Então, tentamos rotas diferentes. Tínhamos um orçamento muito pequeno para marketing e … é uma equipe de marketing e uma equipe de publicidade incríveis.

Sturridge: Como surgiu o mural com JR na parte de trás do teatro?

Gyllenhaal: Eu conheço JR há vários anos e ele captura o rosto humano de forma tão bonita. Pensamos: vamos fotografar a primeira amostra do público e vamos usar aquela parede de fundo, o espaço que raramente é usado para expressão. Não sei como você se sente, mas sempre achei que os fundos dos teatros são as partes mais legais e íntimas de um teatro.

Sturridge: Eu senti que isso deu a nós – e ao público que tirou as fotos conosco – tal propriedade daquele espaço. Era uma sensação incrível passar por ela todos os dias. Chocante… O Slave Play teve uma abordagem semelhante?

Gyllenhaal: Quando vi Slave Play pela primeira vez, pensei que era um desafio da maneira que a Broadway precisava e o mundo precisava. Quer dizer, nós dois nos beneficiamos de um sistema que historicamente beneficia os homens brancos e reconheço que nasci com o privilégio de ser um homem branco. E Slave Play me virou do avesso e me fez sentir abalado e desconfortável e me animou e me perturbou e … E eu acho que é o que eu amo como membro da audiência, é quando eu saio abalado É uma experiência rara quando você é realmente desafiado por uma peça inteira. De que outra forma podemos aprender? De que outra forma podemos crescer? Muitos artistas em minha vida mudaram minha trajetória pessoal com um show que vi – estou falando sobre minha vida.

Quero dizer, é interessante, Slave Play e Sea Wall são profundamente diferentes, mas eles têm uma semelhança porque acho que ambos mexem com você. E me senti assim quando vi Slave Play e me senti assim quando li A Life e depois quando ouvi você ler Sea Wall. Quero dizer abalado, mas estranhamente em casa. Me senti confortado por alguém dizendo que há muito trabalho a ser feito. Como produtor, essa é a arte que quero ver. Você sabe, arte que muda o ponto de vista.

Sturridge: Existe algum outro teatro que você está tentando montar nestes tempos incertos agora para o futuro?

Gyllenhaal: Estamos trabalhando nisso. Quer dizer, para mim também não é apenas sobre as histórias, é sobre as mentes. As mentes das pessoas que querem fazer, desafiar dessa forma. Mas não me interpretem mal, também sou um grande fã de grande entretenimento alegre e também sou um fã de teatro musical padrão. A alegria dessas experiências também é algo que adoro. Eu não preciso apenas ser despedaçado e abalado.

Sturridge: O “Sunday in the Park with George” ainda está chegando ao West End?

Gyllenhaal: Cara, espero que sim. Nós vamos tentar. Definitivamente vamos tentar. Foi doloroso cancelar…

Sturridge: Você se lembra de nossos rituais durante o Sea Wall/A Life?

Gyllenhaal: Eu me lembro quando você saia do palco todas as noites, você avaliava o público e a energia do público de uma forma tão honesta para que eu pudesse ter um terreno firme e saber para onde estava indo. Era como se você fosse a linha de frente e, em seguida, você vinha e dizia: “É com isso que estamos lidando. Tem isto ali e aquilo ali e este é um grupo maravilhoso. ” Você sempre dizia isso para mim: “Há um grupo maravilhoso bem atrás aqui” ou “Há três pessoas na frente que são tão amáveis”, ou “cuidado com o homem com o saco plástico cheio de doces na fileira dois do lado direito.”

Sturridge: Sim, a primeira fileira sempre foi assustadora porque a primeira era a única fileira que você podia ver completamente.

Gyllenhaal: [risos] Sim.

Sturridge: Certamente houve alguns clientes recorrentes. E os rituais fora do palco?

Gyllenhaal: Oh sim. Quero dizer, eu estava falando sobre, eu estava falando outro dia sobre o pré-show e depois entre os shows para nossas escapadas com sushi do Whole Foods.

Sturridge: Nós chegamos a tentar fugir do sushi Whole Foods?

Gyllenhaal: Uma vez tivemos uma refeição realmente chique! Lembro que caminhamos pelo parque e nos disseram: “Vamos fazer uma refeição realmente chique!” Isso foi um erro.

Sturridge: Toalha de mesa branca, três pratos… totalmente, totalmente errado, totalmente não é o que você precisava antes de um grande show. Saímos sentindo-nos mal.

Gyllenhaal: [risos] Nós pensamos que teríamos uma celebração chique e foi um desastre. Ou, como você, quando vomitou na lata de lixo do The Public, foi ótimo.

Sturridge: Essa foi uma das experiências mais assustadoras de toda a minha vida.

Gyllenhaal: Estou tão orgulhoso de você que você fez isso, foi incrível. E você fez algumas merdas bem assustadoras como artista, então isso diz muito.

Sturridge: O nível de euforia passando por aquele show depois – eu nunca experimentei nada parecido.

Gyllenhaal: O que você mais espera quando as apresentações retornarem?

Sturridge: Você não está tão animado por simplesmente ir ao teatro de novo? Cumprimentar a pessoa ao seu lado e aplaudir de pé quando um ser humano pisa em um pedaço de madeira na sua frente instantaneamente, o que quer que ele faça, seja quem for. E apenas a celebração de estarmos vivos e juntos novamente.

Gyllenhaal: Sim.

Sturridge: Vou conseguir um ingresso para o que quer que seja. A primeira expressão de palavras no espaço. Não quero seguir o tipo de rota polêmica, mas temos revertido muito para a tecnologia de uma maneira excelente e ela nos salvou. Quero dizer, você sabe, nossas televisões e nossas transmissões e nossos telefones e todas essas coisas. Você meio que esquece que o teatro é um dos últimos bastiões de espaços onde essas coisas não são permitidas. Apenas estar em uma sala junto com um monte de pessoas focadas na mesma coisa, será meio emocionante.

Gyllenhaal: Infelizmente, é a razão pela qual pode ser uma das últimas coisas de volta… Oh, devemos falar sobre nossos rituais sagrados pré-show. Quais foram eles?

Sturridge: Tocar os assentos.

Gyllenhaal: Tocando os assentos e suas cebolinhas cruas à noite.

Sturridge: [risos] Cebolinha crua à noite. Essa foi uma fase de três semanas. Não era sagrado.

Gyllenhaal: Seu hálito não foi sagrado por 3 semanas seguidas, mas você disse que era necessário, então aceitei o golpe e fiquei grato por estarmos no palco sozinhos! Podemos falar sobre nossa incrível equipe, particularmente nosso incrível gerente de palco e equipe de gerenciamento. E eu não sei como você se sente, mas acho que sem eles eu não poderia fazer o show. E o nível deles – acho que o que é imbatível sobre a equipe no palco é que eles estão profundamente envolvidos emocionalmente da mesma forma que os criadores ou os atores. Compartilhamos tantos sentimentos entre nós e havia muito apoio quando estávamos nos debatendo e havia muito amor o tempo todo. Quer dizer, íamos nos reunir no escritório de Peter [Peter Lawrence era o gerente de palco] antes do show e então você sempre iria para os bastidores. Você sempre ia e entrava pela frente do teatro.

Sturridge: Isso é o que eu nunca, jamais, esquecerei. Eu entrava pela frente da casa, entrava no bar, pegava uma cerveja no bar, andava pelo corredor enquanto já tinha, sabe, mil pessoas encontrando seus lugares. E foi simplesmente a sensação mais extraordinária. Subir no palco – às vezes sem ninguém perceber, às vezes era uma espécie de ato extremamente controverso que todos ficavam boquiabertos. Foi a minha versão daquele canal que você falou. De repente, foi muito difícil não dizer a verdade quando você meio que saiu da rua para o palco. Daria muito trabalho tirar um personagem de dentro de você e isso realmente ajudou a matar todas as minhas tentativas de fazer isso.

Gyllenhaal: Que momento especial. Eu aprecio isso profundamente em meu coração. Eu aprecio isso profundamente. Você conhece aquela sensação de: você está no lugar certo. Estávamos no lugar certo. Era a coisa certa a fazer. E esses momentos em sua vida são raros. Eu te amo e adorei trabalhar com você. Não há ninguém que eu conheça que possa avaliar e também se entregar com o coração tão aberto.

Sturridge: Nós estávamos muito felizes. Só estou pensando em nós indo até o sushi da Whole Foods! Foi um verão maravilhoso.

Gyllenhaal: Todos nós teremos esses momentos novamente. E temos que voltar ao sushi da Whole Foods, bem ali na 42nd Street, e fazer isso. E então ir assistir uma peça.

Sturridge: E então ir assistir uma peça. A primeira peça.

Gyllenhaal: OK. Estou dentro.

Sturridge: A menos que estejamos nela!

Gyllenhaal: Mesmo se estivermos nela, temos que ir e fazer isso. Se você estiver em uma peça que eu vou assistir, é melhor me encontrar no Whole Foods sushi. Entre a matinê. No entanto, nada de cebolinhas cruas na noite anterior.

Sturridge: Tudo bem. Combinado.


Fonte: Playbill
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil