Jake Gyllenhaal é capa e recheio da nova edição da revista The Sunday Times Style, onde ele fala sobre sua experiência como tio, seu vício pelo programa Bake Off Reino Unido e mais. Confira as fotos e a entrevista abaixo:

“Lamento não estarmos juntos pessoalmente, porque você seria capaz de sentir o cheiro da bergamota”, diz Jake Gyllenhaal enquanto conversamos no chat de vídeo, e ele abre um sorriso atrevido. Ele é o rosto e o corpo da nova fragrância da Prada, Luna Rossa Ocean (você deve ter visto o anúncio, feito por Johan Renck, o diretor de Chernobyl e Breaking Bad), e estamos discutindo seu interesse pelo seu próprio estilo – “uma expressão em uma única mente”, como ele diz – um assunto que ele deseja explorar, mas não pelos motivos que você imagina. De todos os dramas recentes da internet sobre Gyllenhaal, um ficou na minha mente: que aparentemente ele não toma banho o suficiente.

Recentemente, quando você e várias outras celebridades apareceram no noticiário dizendo que não gostavam de tomar banho – o que foi aquilo?

“Eu não sei! Acho que alguém me perguntou sobre minha rotina de banho – o que eu achei um pouco invasivo. E então minha resposta foi que eu faço de tudo, às vezes. E o que eu recebi de volta foi que eu não tomo banho. Tudo bem – nunca fui acusado de ser fedorento. Está bem. Claro que eu tomo banho. No perfume Luna Rossa, diariamente.”

O devaneio olfativo de Gyllenhaal é repentinamente interrompido pelo som de um cachorro latindo furiosamente.

“Quem é ele?” ele pergunta. Fico mortificada em dizer a ele que é meu cachorro, Chips, que entrou na sala.

“Chips!” Ele fala com o cachorro. “Oh, Chips é tão fofo. Oh, ele é tão fofo. Oh, oi, Chips!”

Não achei que Gyllenhaal fosse rir, mas lá está ele, na tela de vídeo na minha frente, em casa em Nova York, rindo. A estrela de Brokeback Mountain indicada ao Oscar tem pensado muito sobre sua vida durante o lockdown. Ele fez 40 anos em dezembro e decidiu que, embora esteja “orgulhoso de minhas conquistas, principalmente profissionalmente”, pode ter perdido o lado mais pessoal da vida. “Percebi o quanto gostaria de ser mais divertido”, diz ele. “Então isso é uma grande coisa. Estou tentando superar isso.”

Ele está atualmente sentado em uma sala branca vazia, vestindo uma camiseta branca simples, o que cria um vazio que não faz um bom trabalho em me ajudar a separá-lo dos personagens muitas vezes assustadores, intensos e inescrutáveis que ele interpreta em filmes como Nightcrawler e Jarhead. Mas ele mudou. “Não se passou um dia nos últimos dois anos que eu não tenha feito o jantar em casa ou comido na casa de outras pessoas. O que para mim levou a conversas muito mais profundas, noites muito mais longas. Muito mais conversas vulneráveis.”

Ajudado, sem dúvida, por todos os episódios de Bake Off Reino Unido que ele tem assistido. Sim, Bake Off. Ele mencionou durante o verão que era fã do programa. Porque? Ele diz, pensativo, que é “sempre atraente para mim ver que tipo de piadas ridículas sairão dos apresentadores de comédia”, uma frase que me faz pensar que podemos ter mais trabalho a fazer em suas brincadeiras divertidas. Então, ele gosta de fazer o bolo Alaska (bolo com sorvete e merengue) em casa e vê-lo desmoronar no forno?

“Quero dizer, sim, eu faço. Eu cozinho muito em casa.”

Você faz? Você faz o Alaska?

“Oh, o bolo Alaska, essa é a sua fantasia. Mas se você quiser, posso fazer isso por você, se um dia nos encontrarmos pessoalmente.”

Se eles fizerem outro episódio com celebridades, você viria para a Grã-Bretanha e participaria dele?

“Absolutamente não. Mas gostaria de pedir a Prue Leith que doasse um de seus pares de óculos para uma instituição de caridade com a qual trabalho. Se ela mudou a prescrição ou algo assim. Porque os óculos dela são os melhores e todas as semanas mal posso esperar para ver quais ela vai usar.”

É neste ponto que começo a me perguntar se Gyllenhaal está me trolando.

“Ela é uma pessoa cujo comportamento eu aspiro ter.”

Ele está definitivamente me trolando.

“Ela é sempre muito generosa quando algo realmente não está bom.”

Ele é um verdadeiro admirador da Inglaterra, pelo menos, e diz que viveu em Londres por vários anos de sua vida quando fazia filmes, e adora as folhas, as árvores. Ele adora passear com os cachorros aqui “porque você pode deixá-los sem coleira. Você não pode fazer isso em um parque em Manhattan por causa do medo de outras pessoas.”

Gyllenhaal, que cresceu em Los Angeles em uma família da indústria, com seu pai, Stephen, um diretor e sua mãe, Naomi Foner, uma roteirista, está claramente no meio de uma grande mudança em sua vida. Mesmo assim, fui avisada de que ele não falará sobre relacionamentos nas entrevistas. Nem sobre suas ex-namoradas Taylor Swift, Kirsten Dunst, Reese Witherspoon e Natalie Portman, nem sobre sua atual namorada, Jeanne Cadieu, uma modelo francesa de 25 anos. E presumidamente não o fato de que sua irmã, Maggie, também uma atriz de sucesso, se casou com o ator Peter Sarsgaard e teve duas filhas um tempo atrás, enquanto ele nunca conseguiu se estabelecer. No entanto, ele claramente quer falar sobre isso de alguma forma.

O despertar de sua vida envolveu o comprometimento com seus deveres de tio. As duas filhas de Maggie são “de verdade, e não estou dizendo isso apenas porque é uma entrevista, duas das pessoas mais incríveis. Elas vêm de uma longa linha de mulheres incríveis e são ainda mais incríveis do que as anteriores.” Tendo passado a maior parte de sua vida apenas vendo-as de passagem “em um jantar ou algo assim”, ele decidiu que era hora de intensificar seu papel de tio e começar a tê-las “vindo para ficar comigo, você sabe, quando minha irmã e meu cunhado precisam de uma folga e, na verdade, de ter tempo para dizer: vamos passar cinco dias juntos. Conhecê-las e observá-las crescer e realmente sentar e ouvir suas experiências e as coisas pelas quais estão passando.”

Ele as deixa estar no comando e dá a elas liberdades que elas não poderiam obter em outro lugar, “porque elas estão além de ser só uma dupla. E elas realmente não ficam em seus telefones. O pai delas as ensinou muito sobre o ar livre e o campo, é muito importante para ele. Então, elas acham as árvores mais interessantes do que os telefones, o que é uma raridade.” Mas elas assistem seus filmes, certo? “Não!” diz ele, ligeiramente horrorizado.

Ele menciona Greta Thunberg como uma figura inspiradora e também tem gostado de ler o brilhante livro de Rachel Cusk, Coventry, e acredita que as mulheres “são superiores aos homens” de várias maneiras, incluindo desenvolver um senso de mortalidade mais cedo do que os homens – ele diz que só agora percebeu que não viverá para sempre.

Profissionalmente, ele também passou algum tempo trabalhando em um filme extraordinário para a Netflix, chamado The Guilty. É baseado em um filme dinamarquês que ele viu no Festival de Cinema de Sundance e sentiu que poderia ser refeito de maneira interessante em um cenário americano. Ele estrela como um policial que entra em uma situação psicologicamente desesperadora enquanto atende uma chamada de emergência de uma mulher que parece ter sido sequestrada.

Falamos sobre seus papéis de grande sucesso como Donnie Darko e Brokeback Mountain (pelo qual ele foi indicado ao Oscar em 2006), dos quais ele continua muito orgulhoso. Eu pergunto se ele acha que haveria uma reação diferente para dois atores heterossexuais como Heath Ledger e ele sendo escalado para um grande filme gay como Brokeback hoje em dia. Ele pensa sobre isso e suspira.

“Aaahh. Eu não sei. Talvez? Parte da medicina de contar histórias é que éramos dois caras heterossexuais interpretando esses papéis. Havia um estigma sobre fazer um papel assim, sabe, por que você faria isso? E acho que foi muito importante para nós dois quebrarmos esse estigma”, diz ele. “Mas, novamente, acho que isso abriu o caminho para as pessoas dizerem, você sabe, pessoas de todas as experiências diferentes deveriam desempenhar mais papéis, que não deveria ser limitado a um pequeno grupo de pessoas. E eu acredito nisso. Mas, ao mesmo tempo fiquei muito orgulhoso de estar naquele espaço e de ter essa oportunidade. E a reação da maioria da comunidade gay quando o filme foi lançado, eu tive esse tipo de – nós dois tivemos, todos no filme – tivemos esse sentimento avassalador de coração aberto e gratidão.”

E você conversa com outros atores sobre o medo de ser cancelado?

“Eu não converso com muitos outros atores. Acho que estamos vivendo em uma época em que as nuances não são tão apreciadas e provavelmente fica inflamado pelo fato de que não estamos juntos pessoalmente, nem cara a cara, onde muito mais é compreendido. Mas eu definitivamente estou por trás de todos os movimentos que aconteceram. Acho que estamos em uma transição massiva.”


Fonte: The Sunday Times Style
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

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