Com The Guilty fazendo sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Toronto neste sábado, 11 de setembro, Jake Gyllenhaal e Antoine Fuqua conversaram com o The Hollywood Reporter sobre trabalharem juntos novamente e por que a Netflix foi a escolha ideal para distribuição do filme. Confira:

Dias antes do início da produção em tempo real de The Guilty em novembro, o diretor Antoine Fuqua foi forçado a entrar em quarentena depois que um contato próximo testou positivo para COVID.

Ele acabou dirigindo o filme inteiro de uma van conectada ao set em Los Angeles a um quarteirão de distância. Munido de três monitores, um walkie talkie e seu telefone, Fuqua concluiu o filme, um remake do thriller dinamarquês de mesmo nome de 2018, em 11 dias.

“Meu dia mais memorável foi quando eu estava tendo [um eco] da minha própria voz no meu ouvido porque tínhamos seis atores no Zoom para uma tomada de 20 minutos de duração”, diz Gyllenhaal, que também produziu. “Não conseguimos decifrar essa reverberação da minha voz e estávamos ficando sem tempo. E fiz uma cena inteira com minha própria voz repetindo de volta para mim enquanto falava com cada ator. Quase não consigo assistir a essa cena do filme porque depois de 10 horas disso eu realmente cheguei mais perto do que nunca da insanidade.”

Enquanto Fuqua inicialmente entrava em pânico, ele rapidamente percebeu que Gyllenhaal estava conseguindo, apesar das dificuldades técnicas. “Ele teve que atuar com todos esses ecos e vozes diferentes em sua cabeça. Então, ele se concentrou e entregou. Enquanto eu o assistia eu falava, ‘É o que eu amo em Jake’. O foco é incrível.”

Jake, você adquiriu os direitos do filme dinamarquês em 2018. Qual foi o motivo por trás dessa mudança?

GYLLENHAAL: Inicialmente, senti que se traduzia muito bem no contexto americano – socialmente, politicamente. Dizia algo sobre os nossos sistemas. Eu pensei que seria uma conversa muito interessante, importante. Eu meio que senti em meus ossos. Eu comecei a gostar bastante dos monólogos ou espaços e como os criadores de histórias usam metade ou três quartos de sua imaginação ao invés de contar e te mostrar tudo.

O que fez vocês decidirem trabalharem juntos neste projeto?

GYLLENHAAL: Estávamos procurando algo para fazermos juntos desde Southpaw. E houve muitas vezes em que Antoine compartilhou algo comigo, ou eu compartilhei algo com ele, e simplesmente não parecia certo. Ele é um cineasta maravilhoso. Ele adora performance e como lidar com assuntos muito intensos. Ele realmente sabe como criar um suspense. E ele não tem medo dos lados mais sombrios da humanidade. Na verdade, acho que ele prospera nesses espaços. Então, para mim, parecia um encaixe perfeito. Além disso, o papel exigia uma intimidade com o cineasta. Que é o que temos.

FUQUA: O material falou comigo – o roteiro – quando ele me mandou, e conversamos sobre ele. Desde Southpaw, desenvolvemos uma amizade muito boa. Então, estamos sempre tentando encontrar um projeto que faça sentido e pelo qual ambos tenhamos paixão. E este, em particular, eu fiquei animado porque é focado em Joe, o personagem. Foi um desafio. E também senti que era algo que realmente destaca as habilidades de Jake – segurar a tela, segurar o público, estando tão focado nele apenas em cada quadro. Ele é tão talentoso. Foi uma grande oportunidade de fazermos isso juntos.

O que vocês lembram da primeira conversa que tiveram sobre o projeto?

FUQUA: Ele me ligou e disse: “Eu tenho um projeto que estou tentando tirar do papel há algum tempo. E pensando sobre, fez sentido que eu deveria falar com você.” E eu lembro de dizer: “Por que você não me ligou primeiro?” (risos) Mas eu estava ocupado fazendo outras coisas. E ele disse: “É algo que poderíamos fazer muito rápido”. E ele meio que me deu um breve resumo disso. Quase disse sim sem ler, porque pude perceber o quão apaixonado ele estava por esse projeto. E eu confio em seu gosto.

GYLLENHAAL: A primeira coisa que disse a ele foi: “Imagine esse filme sendo rodado em uma semana”, foi a única oportunidade que tive de conseguir um diretor do porte dele. Ambos gostamos de desafios. E eu sei que ele tem tempo e disponibilidade limitados. Eu estava realmente focado em moldar um thriller e divertir o público. E então ele começou a falar sobre o que estava por trás de tudo isso, meio que me forçando a voltar ao que havia me atraído para esse projeto em primeiro lugar, que era a questão da saúde mental e nossos problemas sistêmicos. Ele realmente queria fazer um filme que não apenas entretém, mas também entretenha essas ideias.

O que levou vocês a escolher a Netflix como distribuidora?

GYLLENHAAL: Estávamos conversando com compradores e eles [Netflix] forneceram uma perspectiva sobre o filme que eu senti que era a perspectiva certa. Este é um filme que eu sinto que vive lindamente nos cinemas, mas tem sua atenção quando você assiste na telinha. Sempre pensei nisso como alguém se deparando com o filme e dizendo: “OK, vou dar uma chance para esse aqui.” É o tipo de filme que, assim que você clica nele, acho que não há como você parar de assisti-lo. E, francamente, a parte decepcionante do streaming é que as pessoas têm a oportunidade de desligá-lo a qualquer momento. Então, achei um desafio fazer algo em que as pessoas precisarão assistir até o final para saber o que acontece. Além disso, acho eles [Netflix] maravilhosos. Já trabalhei com eles várias vezes e há muita liberdade criativa.

FUQUA: Netflix é um ótimo lugar para fazer filmes agora. Scott Stuber dá a você liberdade para fazer seu filme. Eles lêem o roteiro. Eles conversaram comigo e com Jake e basicamente disseram: “Vá em frente”. Tivemos conversas criativas sobre algumas coisas, mas não foi nada que interrompeu o fluxo de forma alguma. Acho ótimo porque você não está preocupado com a bilheteria do fim de semana nesse tipo de coisa. Você só sabe que todos ao redor do mundo podem assistir ao filme imediatamente. Tinha vontade de trabalhar com a Netflix. Este é meu primeiro projeto com eles. Espero fazer mais.

Jake, o que há de único em Antoine?

GYLLENHAAL: Ele é um visualista. Ele vem daquela escola de Propaganda [Filmes] de cineastas que vieram desse mundo com visuais profundos e um amor pelos clássicos e suas referências são sempre [Sidney] Lumet. Discutimos Lumet ao longo de todo o processo e desempenho. Quando estou com ele, ele me deixa liderar. Ele diz: “Estou trabalhando com você porque confio em você”. Quando ele trabalhou com Denzel [Washington], por exemplo, eu acho que ele… ele simplesmente ama o ator. Ele é um diretor de ator maravilhoso. E se você quiser isso, ele é o seu cara. Eu vou para qualquer lugar por ele.

Jake, descreva Antoine em três palavras.

GYLLENHAAL: Melhor. Voz. Do mundo. Ele realmente se entrega. Ele é profundamente carismático, amoroso e destemido. E bonito é um asterisco para o carismático.

Antoine, descreva Jake em três palavras.

FUQUA: Persistente, focado, apaixonado. E ele tem um belo cabelo comprido.

Jake, qual é o seu filme favorito do Antoine?

GYLLENHAAL: Dia de Treinamento.

Antoine, qual é sua performance favorita de Jake?

FUQUA: O Segredo de Brokeback Mountain. Ele é simplesmente admirável. Ele está fora de si mesmo e desempenhou um belo papel, e foi muito sincero e verdadeiro sobre tudo isso.

O que vocês irão fazer a seguir? Algum plano de trabalharem juntos novamente?

FUQUA: Estou trabalhando em Emancipation com Will [Smith] e estou focado nisso agora. Nós fomos [atingidos] com o furacão Ida [em Nova Orleans]. Voltaremos na próxima semana ou duas, com sorte. Mas gostaria de fazer algo com Jake imediatamente.

GYLLENHAAL: Fiz Ambulance com Michael Bay. E agora, estou realmente focado na minha produtora e nos projetos que estamos desenvolvendo. Mas Antoine e eu estamos sempre buscando. Isso que é legal em relacionamentos assim. Eu sinto que agora eu sei quando ele vai começar alguma coisa.


Fonte: The Hollywood Reporter
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

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