Jake Gyllenhaal e o diretor Antoine Fuqua conversaram com a Entertainment Weekly sobre o filme The Guilty e os desafios de gravar durante a pandemia.

A partir do momento em que o ator indicado ao Oscar viu o original dinamarquês com o mesmo nome no Sundance em 2018, ele “simplesmente senti em meus ossos” que o “intenso thriller psicológico” se traduziria em um contexto americano. Jake Gyllenhaal rapidamente adquiriu os direitos, recrutando o criador de True Detective, Nic Pizzolatto como roteirista e Antoine Fuqua, com quem ele já havia colaborado no drama de boxe de 2015 Southpaw, como diretor. E então veio a pandemia do COVID-19 e o subsequente fechamento de Hollywood – mas Gyllenhaal logo percebeu que ele realmente tinha o filme ideal para ser feito durante essa época única. The Guilty se passa em um dia inteiro em um call center 911 e apresenta o personagem principal, Joe Bayler, um policial rebaixado que se tornou operador (interpretado por Gyllenhaal), interagindo principalmente com um banco profundo de atores reconhecíveis que ele e o público ouvem mas nunca vê.

Então, apenas 48 horas antes do início das filmagens de 11 dias, um contato próximo de Fuqua testou positivo para o Corona vírus, colocando o cineasta em quarentena e o projeto à beira de nunca acontecer.

“O que parecia vantajoso na época acabou sendo meio que uma maldição,” Gyllenhaal conta a EW sobre a gravação no final de 2020 que já estava em perigo devido ao aumento no número de casos de COVID. “Eles falavam sobre fechar Los Angeles quase todos os dias. Então, porque Antoine em seguida testou negativo vários dias depois, nós decidimos pegar uma van montada com telas e estacionar ele a uma quadra de distância, conectada até o estúdio em que estávamos gravando. A gente se ligava por FaceTime depois dessas cenas que duravam 25 minutos. Ele me dava direções, eu as seguia, fazíamos outra tomada. Nunca nos vimos pessoalmente durante toda a gravação.”

Gyllenhaal diz que o amor que ele e Fuqua construíram em Southpaw é a razão pela qual eles foram capazes de trabalhar em circunstâncias tão inusitadas: “Por causa da nossa amizade e porque eu confio muito nele, eu iria a qualquer lugar por ele. Eu simplesmente sei, de alguma forma, que quando somos desafiados, Antoine e eu sempre melhoramos.”

De sua parte, Fuqua considerou uma experiência “emocionante”. “Eu precisava ter olhos no set [e] em nossas câmeras principais, e uma maneira de me comunicar com meus atores foi via Zoom e telefone, quando precisava ser privado,” o diretor de Training Day e Equalizer compartilha com o EW por e-mail. “Jake e eu só nos veríamos pessoalmente por trás da parede do estúdio. Jake subia em uma escada e eu abria a porta da minha van e nos comunicávamos. Definitivamente, perdi o contato próximo com minha equipe, mas todos colaboraram e encontramos uma maneira”.

Embora Gyllenhaal não pudesse ter previsto a perda de última hora de seu confidente e parceiro, ele sabia que não iria trabalhar cara a cara com a maioria de seus talentosos coadjuvantes. Gyllenhaal aparece em quase todos os quadros do filme, enquanto Joe tenta salvar um visitante em grave perigo, apenas para logo descobrir que enfrentar sua própria verdade é a única saída. Normalmente mencionamos a lista de vozes que entram e saem do filme, mas Gyllenhaal acredita que “parte da diversão são as pessoas tentando adivinhar quem são os atores”. O oposto de agradável para Gyllenhaal, ou para todos nós nos primeiros dias da pandemia, foram os problemas relacionados ao Zoom que a produção encontrou ao conectar o elenco.

“Havia um computador e ele estava em uma gaveta ao meu lado, mas eu não tinha controle sobre ele”, explica Gyllenhaal, que agiu por meio da perda de sinal, ecos… “Essa gaveta é a gaveta de som e também foi a primeira gaveta do nosso assistente de direção. Então ele a abria, falava com os atores e os preparava, fechava o computador pela metade, fechava a gaveta e ia para um outro monitor onde ele poderia sinalizá-los. E apenas de vez em quando, eu olhava para a direita e podia ver esses 12 quadrados de pessoas em seus closets, em uma cama, alguém em sua sala de estar, alguém literalmente enfiado entre travesseiros para tentar obter o som certo. [risos] Foi muito divertido – fora o quão intenso foi como filme.”

Fuqua acrescenta: “Assistir Jake realizar seu desempenho foi difícil da melhor maneira. Atuar também é ouvir, mas as dificuldades de ter que atuar sob COVID e os desafios técnicos foram um desafio que Jake lidou lindamente.”

Quando se trata de falar diretamente sobre o que acontece na tela, Gyllenhaal é muito mais cauteloso no que compartilha, esperando que consiga passar pela entrevista sem revelar muito. “Nada é o que parece”, ele brinca depois de fazer uma pausa para contemplar. “Joe realmente não gosta de seu trabalho, mas, no final, o que ele percebe é que, para resolver este caso, ele tem que enfrentar uma verdade dentro de si mesmo. Eu adoro personagens que são pontos de interrogação e, em muitas maneiras, ele é o ponto de interrogação final.”

The Guilty estará disponível mundialmente na Netflix em 1 de outubro. Confira as primeiras stills do filme em nossa galeria:


Fonte: Entertainment Weekly
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

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