Na sessão dupla de Sea Wall/A Life no Public Theater, Tom Sturridge e Jake Gyllenhaal entregam uma performance devastadora que pode estar ao lado de qualquer coisa no palco de Nova York até agora nesta temporada. A dupla – que também está coestrelando em Velvet Buzzsaw da Netflix – talvez deva sua fama aos filmes, mas aqui eles reivindicam seu lugar no palco mais uma vez.

Nada disso será uma surpresa para quem viu Gyllenhaal em sua colaboração anterior com o dramaturgo Nick Payne (Constellations, 2015), ou para aqueles que viram Sturridge no inquietante 1984 em 2017. Mas essas performances no Public são vitais o suficiente para surpreender. Dirigido por Carrie Cracknell com uma atenção infalível aos detalhes – uma mexida de papéis ali, uma mudança de luz lá – a produção é dividida em duas partes: primeiro Sturridge em Sea Wall, seguido de Gyllenhaal em A Life, monólogos ligados apenas por tema e humor.

Em Sea Wall, Sturridge se reúne com o escritor de Punk Rock, Simon Stephens (The Curious Incident of the Dog in the Night-Time), assim como Gyllenhaal se reúne com o autor de Constellations.

Sturridge já está no palco da plataforma de tijolos enquanto o público se senta, sentado em um muro alto, bebendo uma cerveja e mexendo no que parecem ser fotos velhas. Logo ele vai nos dizer que as pessoas muitas vezes percebem um grande buraco em seu torso. Ele não parece estar falando metaforicamente, embora percebamos um vazio espiritual no momento em que ele começa a falar.

Seu personagem é Alex, um agradável britânico na faixa dos vinte anos que reconta o seu grande e eterno amor por sua esposa, por sua filha e por seu sogro que aparenta ser durão. Ele menciona um início difícil em sua vida adulta, mas que parece ter sido suavizado por um amor sem limites por sua família. Ele e sua esposa até decidiram que não queriam outra criança por temerem que fosse desviar o foco de sua garotinha perfeita.

Se nós não percebemos a tragédia até agora, esse último detalhe resolve tudo. Conforme Alex começa a contar uma história sobre uma viagem em família para uma praia no sul da França, o medo vai se formando. Apenas imaginamos como o desastre vai acontecer e como um pai conseguiu sobreviver a uma crueldade tão aleatória e destruidora.

A segunda peça é A Life, em que Abe, interpretado por Gyllenhaal, dá dois exemplos: ele conta sobre seu pai e sua filha. Mais especificamente, ele relembra a morte de seu pai e o nascimento de sua filha, alternando entre as duas histórias tão rápido e sem problemas que elas parecem estar acontecendo ao mesmo tempo. Mas não estão.

Igual ao comovente The Waverly Gallery de Kenneth Lonergan, A Life dá toda a importância necessária ao declínio de um pai que está envelhecendo, sua natureza comum sem conforto algum. “Eu amo o meu pai,” Abe fala, e então, como se fosse o primeiro a dizer essas palavras, “Meu pai está morto.”

O relato de Abe sobre o nascimento de sua filha não é menos vívido. Nosso encontro anterior com o pai de Sea Walls nos preparou para o que quer que seja, então há um certo terror em A Life, em um cenário no qual qualquer coisa pode dar errado, a qualquer minuto. Nascimento e morte, nos é mostrado, são igualmente preciosos. Eles são, simplesmente, a vida.


Fonte: Deadline
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

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