Enquanto a platéia começa a se sentar no Teatro Newman do Teatro Público de Nova York, o ator Tom Sturridge silenciosamente sobe ao palco, posicionando objetos pelo espaço preenchido somente por um piano e uma pequena cômoda. Ele está envolvido em pensamentos enquanto se serve do que aparenta ser cerveja e drinques, antes de manualmente ligar as luzes do teatro e começar a falar.

É um começo perfeito para uma dupla de monólogos que formam a produção Off Broadway Sea Wall/A Life, uma noite de teatro muito íntima do diretor Carrie Cracknell, que anteriormente trouxe A Doll’s House para os palcos da West End de Londres e do BAM em Brooklyn. Cracknell mantém tudo tão pequeno a ponto que passar perto de um dos atores não está tão distante assim da realidade. Sturridge (de Sweetbitter) e Jake Gyllenhaal, que mais recentemente trabalharam juntos em Velvet Buzzsaw da Netflix, estão associados com dramaturgos com quem já colaboraram várias vezes antes.

A primeira metade, Sea Wall, é a terceira colaboração de Sturridge com Simon Stephens (O Estranho Caso do Cachorro Morto). Conforme inicia sua história de partir o coração interpretando Alex, fica claro que o ator e o escritor são verdadeiramente um par perfeito. Com suas calças Adidas, Sturridge começa seu conto solo descrevendo um homem – o diálogo repleto de piadas e personificações – que se transforma em algo muito mais obscuro e profundo sobre sua própria história conforme continuamente tenta desviar do sofrimento que ele claramente está sentindo. É um equilíbrio delicado e Sturridge habilmente interpreta o luto de um homem que tenta com todas a forças evitar que o resto de si mesmo se desfaça, ou deixar que a platéia descubra o quão profunda é a sua dor, então ele continua fazendo perguntas sobre o que ele não sabe: Deus, Pi, o Quebra-Mar. A dor silenciosa de Sturridge é o oposto perfeito da energia frenética de Gyllenhaal em A Life.

A peça – escrita por Nick Payne (Constellations), com quem Gyllenhaal colaborou muitas vezes anteriormente – pega muitos dos mesmos temas abordados em Sea Wall (o questionamento da vida, o ser pai, o ser homem) e oferece uma pequena mudança neles. Ao invés de sair da luz como Sturridge, Gyllenhaal faz sua entrada na escuridão total. E enquanto Sturridge passeia pelo palco, Gyllenhaal fica na maior parte do tempo parado, utilizando somente um iPhone para fixar seu monólogo. Sua história começa com uma gravidez, uma gravidez que ele não tem certeza como se sente sobre. Ele fica alternando entre duas histórias diferentes, incapaz de as desamarrar, precisamente porque ambas criaram esse novo material do qual ele é feito. E muito como Sea Wall, A Life é repleta das intimidades de família, desde listas mundanas até músicas favoritas. Gyllenhaal é magnético e engraçado, e interpreta com nervosismo, dando uma passada em um monólogo bem reconhecível de um filme dos anos 90 que é ainda mais desolador.

Com duas ótimas performances impressionantes, no que Sea Wall/A Life se atrapalha minimamente é em amarrar concretamente as duas metades – as obras são tematicamente similares e existem pequenos fragmentos do diálogo que, se você prestar bastante atenção, conectam as duas. Mas se você não está (porque você realmente já vai estar sentindo todas as emoções neste momento), o final pode parecer meio abrupto. Em suma, no entanto, isso é uma reclamação mínima para uma tarde que irá te destruir emocionalmente, te convencer da destreza de atuação de Sturridge, e te fazer considerar mais afundo que Gyllenhaal é um dos atores mais talentosos de sua geração.

Nota: B+


Fonte: Entertainment Weekly
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Na sessão dupla de Sea Wall/A Life no Public Theater, Tom Sturridge e Jake Gyllenhaal entregam uma performance devastadora que pode estar ao lado de qualquer coisa no palco de Nova York até agora nesta temporada. A dupla – que também está coestrelando em Velvet Buzzsaw da Netflix – talvez deva sua fama aos filmes, mas aqui eles reivindicam seu lugar no palco mais uma vez.

Nada disso será uma surpresa para quem viu Gyllenhaal em sua colaboração anterior com o dramaturgo Nick Payne (Constellations, 2015), ou para aqueles que viram Sturridge no inquietante 1984 em 2017. Mas essas performances no Public são vitais o suficiente para surpreender. Dirigido por Carrie Cracknell com uma atenção infalível aos detalhes – uma mexida de papéis ali, uma mudança de luz lá – a produção é dividida em duas partes: primeiro Sturridge em Sea Wall, seguido de Gyllenhaal em A Life, monólogos ligados apenas por tema e humor.

Em Sea Wall, Sturridge se reúne com o escritor de Punk Rock, Simon Stephens (The Curious Incident of the Dog in the Night-Time), assim como Gyllenhaal se reúne com o autor de Constellations.

Sturridge já está no palco da plataforma de tijolos enquanto o público se senta, sentado em um muro alto, bebendo uma cerveja e mexendo no que parecem ser fotos velhas. Logo ele vai nos dizer que as pessoas muitas vezes percebem um grande buraco em seu torso. Ele não parece estar falando metaforicamente, embora percebamos um vazio espiritual no momento em que ele começa a falar.

Seu personagem é Alex, um agradável britânico na faixa dos vinte anos que reconta o seu grande e eterno amor por sua esposa, por sua filha e por seu sogro que aparenta ser durão. Ele menciona um início difícil em sua vida adulta, mas que parece ter sido suavizado por um amor sem limites por sua família. Ele e sua esposa até decidiram que não queriam outra criança por temerem que fosse desviar o foco de sua garotinha perfeita.

Se nós não percebemos a tragédia até agora, esse último detalhe resolve tudo. Conforme Alex começa a contar uma história sobre uma viagem em família para uma praia no sul da França, o medo vai se formando. Apenas imaginamos como o desastre vai acontecer e como um pai conseguiu sobreviver a uma crueldade tão aleatória e destruidora.

A segunda peça é A Life, em que Abe, interpretado por Gyllenhaal, dá dois exemplos: ele conta sobre seu pai e sua filha. Mais especificamente, ele relembra a morte de seu pai e o nascimento de sua filha, alternando entre as duas histórias tão rápido e sem problemas que elas parecem estar acontecendo ao mesmo tempo. Mas não estão.

Igual ao comovente The Waverly Gallery de Kenneth Lonergan, A Life dá toda a importância necessária ao declínio de um pai que está envelhecendo, sua natureza comum sem conforto algum. “Eu amo o meu pai,” Abe fala, e então, como se fosse o primeiro a dizer essas palavras, “Meu pai está morto.”

O relato de Abe sobre o nascimento de sua filha não é menos vívido. Nosso encontro anterior com o pai de Sea Walls nos preparou para o que quer que seja, então há um certo terror em A Life, em um cenário no qual qualquer coisa pode dar errado, a qualquer minuto. Nascimento e morte, nos é mostrado, são igualmente preciosos. Eles são, simplesmente, a vida.


Fonte: Deadline
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Perdas, tanto do inimaginável quanto de variedades tristemente rotineiras, fomentam o par de atos que tem sua estreia em Nova Iorque no Public Theater. Apresentando Jake Gyllenhaal e Tom Sturridge, Sea Wall/A Life é composta de monólogos tematicamente interligados narrados por jovens homens contando suas experiências ao lidar com tragédias pessoais. É um assunto com o qual tristemente todos nós podemos nos relacionar, fazendo a noite tão angustiante quanto envolvente. Sea Wall de Simon Stephen conta com Sturridge (visto na Broadway em 1984 e em Orfãos) como Alex, cujo comportamento assombrado e o hábito de não finalizar suas frases indica seu estado emocional torturado. No início da história, ele está alegremente apaixonado por sua esposa e feliz com o iminente nascimento de sua filha.

Com o passar dos anos, Alex também é sortudo em ter um sogro, um soldado britânico aposentado, de quem ele verdadeiramente gosta. Então ele está ansioso para aceitar o convite para que ele, sua esposa e filha, agora com oito anos, se juntem ao velho homem para passar as férias no litoral francês.

As férias são divertidas no início, com Alex desajeitadamente tentando mergulhar pela primeira vez (“Eu era naquele momento o oposto direto matemático de Daniel Craig,” ele admite encantadoramente) e sendo mostrado a um quebra-mar que precipitadamente cai centenas de metros. “Eu não tinha ideia de que o leito do mar foi construído assim”, ele nos diz. “Eu pensei que era uma inclinação gradual.”

O quebra-mar, como talvez você possa ter imaginado, é uma metáfora para o modo como a vida pode subitamente cair sob nossos pés. Um único evento devastador acontece que claramente reduz esse entusiasmado rapaz na alma torturada que vemos a nossa frente. O escritor (Heisenberg, The Curious Incident of the Dog in the Night-Time) felizmente se priva de embelezar a simples história com toques retóricos floridos. Em um certo momento, Alex nos informa que ele está prestes a nos contar “a coisa mais cruel que eu já fiz com qualquer outra pessoa”. O fato dele parar antes de contar isso, deixando o resto para nossa imaginação, se prova muito mais poderoso do que qualquer coisa que ele pudesse dizer. Sturridge apresenta o pequeno ato de maneira tocante, transmitindo tanto o entusiasmo juvenil de um futuro pai quanto a desolação emocional de um homem destruído.

Gyllenhaal adota um estilo mais relaxado, conversador, ao mesmo tempo que utiliza completamente seu carisma de estrela de cinema em A Life, escrito por Nick Payne (cujas peças If There Is I Haven’t Found It Yet e Constellations ele também aparece). Ele interpreta Abe, que conta duas histórias simultaneamente: uma sobre seu pai sucumbindo a uma doença cardíaca, e outra sobre seu receio em se tornar pai de uma garotinha. Nada muito incomum ocorre no decorrer desses eventos, mas a história é cheia de momentos angustiantes, incluindo Abe descrevendo seu desconforto ao ajudar seu pai doente a ir ao banheiro, e sua frustração ao ouvir que os médicos interromperam o tratamento. Quando Abe pergunta se seu pai está morrendo, um médico diz para ele “Nós tentamos operar dentro de uma cultura de otimismo.” Nunca uma frase tão banal soou tão arrepiante.

O ato lida com circunstâncias mais comuns que o seu antecessor, o que de certa forma faz tudo mais tocante. O contraste entre os eventos mais alegres e mais trágicos da vida do narrador é feito de forma comovente, principalmente quando ele reflete sobre as maneiras tão diferentes em que eles ocorreram. “Eu não entendo porque nos preparamos tão maravilhosamente e elaboradamente para o nascimento e ainda assim tão terrivelmente e casualmente para a morte,” ele se queixa. As peças estão sutilmente conectadas em termos de linguagem bem como em termos de tema. Enquanto Alex quase nos contou sobre “a coisa mais cruel que eu já fiz com qualquer outra pessoa”, Abe relata sua reação quando sua esposa tenta confortá-lo lembrando-o que o pai o amava. “Eu acho que talvez seja a coisa mais amável que eu já ouvi”, ele diz.

Encenada de forma apropriadamente minimalista e poderosa dirigida por Carrie Cracknell em um palco praticamente vazio, a peça tão maravilhosamente interpretada oferece um lembrete vital de que a vida é muito fugaz.


Fonte: The Hollywood Reporter
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Aconteceu nesta quinta-feira, 14, a noite de abertura da peça estrelada por Jake Gyllenhaal e Tom Sturridge, Sea Wall/A Life, no The Public Theater, Nova York, após alguns dias de preview. Confira as fotos em nossa galeria:

Em Sundance, Jake Gyllenhaal se reúne com Krista Smith para falar sobre sua nova colaboração com Dan Gilroy, diretor e roteirista de O Abutre, em seu novo filme Velvet Buzzsaw.

KRISTA: Jake, sempre me alegra ver você.

JAKE: É muito bom te ver também.

KRISTA: É sempre um ótimo dia quando te vejo no cronograma.

JAKE: É mesmo?

KRISTA: Sim, claro.

JAKE: Que legal!

KRISTA: Eu amo conversar com você! E Dan Gilroy, para mim, vocês colaboraram em uma das minhas atuações preferidas suas em “O Abutre”.

JAKE: Obrigado.

KRISTA: E talvez uma parte disso tenha tido haver com a mídia, possivelmente. Mas eu achei você tão bom nesse filme.

JAKE: Tinha haver com a mídia, mas também tinha haver com o estado atual dos assuntos no nosso mundo, então…

KRISTA: Então aguçou minha curiosidade quando vi que vocês iam trabalhar juntos novamente, e com a esposa dele, Rene, que está nesse filme também, no mundo das artes desta vez e o título é brilhante.

JAKE: Sim.

KRISTA: Velvet Buzzsaw.

JAKE: Isso.

KRISTA: Só isso já me conquistou.

JAKE: Eu sei, acho que foi quando eu li o roteiro pela primeira vez, era Projeto Sem Nome do Dan Gilroy, ou talvez era Velvet Buzzsaw e ele mudou para Sem Nome e daí voltou no seu instinto natural, o que eu acho que foi a escolha certa. Quando você assistir o filme, você vai saber.

KRISTA: Eu vou? Bom, o personagem, Morf Vandewalt, é bem fabuloso.

JAKE: Ele é.

KRISTA: E o jeito que você se apresenta no filme é muito fabuloso.

JAKE: Obrigado.

KRISTA: Então deve ter tido algum tipo de arquivo de pesquisa, eu adoraria ter visto isso. Em como você chegou nesse cara, e nos visuais e tal. Pode me contar um pouco sobre isso?

JAKE: Sim, esse foi diferente. Eu não sei, nesse foi tipo, acho que teve um acordo. Dan e eu fomos bem obscuros e profundos em O Abutre, e esse personagem, eu senti e o li como mais divertido. Então eu estava tentando criar ideias que viessem de um senso de diversão. Tiveram coisas estranhas que surgiram durante, nas preparações, meses antes. Ideias que mudamos, e elas eram tipo as coisas comuns, como Jerry Saltz e pesquisando sobre crítica em geral no mundo da arte, e entrando em festas quando eu conseguisse. E escutando o que as pessoas tinham a dizer sobre diferentes peças de arte, e isso e aquilo. Mas daí se tratava de tentar descobrir quem essa pessoa era, e isso foi difícil. Ele é um cara que está com dificuldades em criticar outras pessoas, mas ao mesmo tempo tentando descobrir sua própria identidade. Sua própria identidade sexual, seu lugar no mundo, qual é o trabalho dele. Então, particularmente a ideia de um cara que meio que… um personagem que começa como esse crítico, e ele é um personagem gay, e daí ele “vira hétero” para essa mulher no filme. Então para mim, eu estava meio, sem que se tornasse uma caricatura, como posso pintar esse personagem de uma maneira que seja realista? E Dan e eu passamos por essa pesquisa, e de alguma maneira nós pensamos no Brandon como uma inspiração. De certo modo essa ideia de masculinidade. Essa ideia profunda de masculinidade e ao mesmo tempo alguém que não tinha limites nesse sentido e foi fascinante. E eu vi essa foto dele beijando um gato e essa foi definitivamente minha verdadeira inspiração. E aí eu roubei os óculos do maquiador do filme.

KRISTA: Oh, você roubou?

JAKE: Sim, sim, ele usa esses óculos e eu só peguei eles do rosto dele no teste de câmera e nós o experimentamos e o Dan ficou tipo, eu acho que é isso. E eu fiquei, legal, então é isso.

KRISTA: Sim, isso é muito bom. Então isso realmente distorce um pouco o mundo, não? É um suspense obviamente, mas conhecendo o Dan, ele tem uma pegada muito intelectual. E meio que vira isso na cabeça dele sobre esse absurdo. E eu acho, claramente trabalhando com a Vanity Fair nós estamos nisso e há ótimos artistas e vários deles, mas também tem esse lado distorcido onde isso parece arbitrário às vezes quando você está tipo “Ah, será que meu filho de seis anos conseguiria fazer essa pintura ou ela vale 22 milhões?”

JAKE: Totalmente, totalmente.

KRISTA: Tudo depende dos críticos nos dizendo que é um retrato de 2 milhões e não um retrato que seu filho fez.

JAKE: E eu tenho certeza que você ama a pintura do seu filho de seis anos muito mais do que você amaria uma de 22 milhões. Digo, sim, eu acho que é uma parábola, esse filme, uma parábola sobre ganância e definitivamente sobre… O Dan faz essas estranhas histórias proféticas. Ele vê algo e então começa a pegar os eventos recentes e começa a ver o nosso mundo. Ele vive em um espaço muito isolado da mente dele, e eu acho que ele queria mostrar quão longe nós chegamos se tratando do que damos importância, tipo ao que nós damos valor. E por nós darmos importância para coisas tipo um Hockney de 90 milhões, e de certa maneira isso ganhar e perder valor por um certo tempo de uma maneira estranha desvalorizou o artista e a expressão, e então desvalorizou o nosso questionamento sobre nós mesmos. Apenas pensando, “Bom, o que eu valorizo? O que eu amo? O que realmente me interessa?” Não o que outras pessoas me dizem, e isso e aquilo. E eu acho que é isso que ele está tentando dizer. E eu acho que ele realmente diz isso de uma maneira que obviamente é assustadora e também é engraçada e completamente absurda. Mas eu acho que esse é o objetivo. Ele nunca admitiria que é uma pessoa esperançosa, mas eu acho que ele está soltando um alerta novamente, meio que “Será que nós podemos não fazer outro Lou Bloom real do mundo de O Abutre?”.

KRISTA: Bom, tem isso e tal nas notícias nos últimos anos sobre a lavagem de dinheiro através do mundo da arte e esse é um novo lugar. Costumava ser imobiliário, costumava ser isso e agora o mundo da arte e os preços aumentaram, e as coleções… Você já se sentiu tentado a colecionar ou você coleciona arte de um modo geral?

JAKE: Eu não sei, não, na verdade eu não coleciono, mas eu já me senti, e me senti por causa desse filme, tentado a colecionar. E eu me sinto [tentado] quando vou a uma exposição, e eu amo ir em museus, eu geralmente penso, “Bom, isso seria algo que eu colocaria na minha casa?”, ou “O que é isso? O que era isso? Por que as pessoas colocam isso na casa delas?” Já estive em casas em que as pessoas colocam, mas não, eu sou movido por coisas diferentes. Eu considero que a arte está em todo lugar. A primeira obra de arte que eu comprei foi essa foto que estava acompanhada de uma obra do John Updike no New Yorker que eu amo. E foi bem emocionante, porque foi algo que eu tirei do mundo e eu fiquei tipo isso marca um tempo da minha vida, algo significante na minha vida e para mim aquilo pareceu arte. E eu acho sim que heranças de família e coisas do tipo se tornam arte porque elas têm significado e importância, e é isso que eu valorizo. Mas claro, você pensa sobre investimentos e você pensa sobre essas coisas e aí você fica “Ai meu Deus, o que eu estou fazendo?”. Mas eu também amo esse mundo.

KRISTA: Você aprendeu bastante sobre criticar arte e a olhar para as obras de uma maneira diferente?

JAKE: Eu acho que esse tipo de coisa vem, como todos os críticos de Sundance provavelmente podem confirmar, da experiência e tempo e de assistir filmes e o amor pelo gênero e então ser capaz de ter tempo suficiente e anos de experiência para dizer “Eu já vi tudo e eu realmente posso comparar.” A única coisa que eu posso dizer a que eu relacionei, eu não fiz muita pesquisa nesse espaço, mas quando você está, digamos em um júri em um festival de filme e você tem que assistir 30 filmes em duas semanas, como que você diferencia o que você acha que é bom ou não, ou o que você gostaria de, dentre um grupo de pessoas, dar algum tipo de prêmio. Eu acho que é aí que você pensa “Nossa, isso é o que um crítico tem que fazer o tempo todo” E aí você adiciona ao que é o artista é na vida real. E se eles já conhecem os artistas ou se eu comi algo ruim hoje. Ou eu acordei no lado errado da cama hoje? E aí você percebe que é relativo também. E a coisa toda é uma expressão e eles estão se expressando. Então é isso que eu gosto de pensar quando eu leio uma crítica muito ruim. Eles apenas estavam…

KRISTA: É apenas o sushi ruim..

JAKE: Apenas o sushi, eles comeram um sushi muito ruim. Eles comeram algum sushi muito ruim na noite anterior.

KRISTA: Eles provavelmente estão errados.

JAKE: Não, não, há realmente coisas em que eu não estava bem e eu acho que isso é verdade. E apenas há coisas que não funcionam. Mas eu acho que algo que deve ser aplaudido são as pessoas que colocam coisas lá fora e fazem elas se realizarem e a determinação que se tem para criar qualquer coisa.

KRISTA: Eu tenho muito respeito por isso. Eu já estive em um júri uma vez e eu tive a visão de nossa, eles fizeram isso, eles inventaram isso. Há valor em tudo isso em um certo nível e se isso ressoa ou não, mas…

JAKE: Meus amigos sempre diziam para mim quando eu era criança, quando eu estava atuando quando criança, eles costumavam dizer “Então você gravou em duas horas, por que foi tão difícil?” Eles sempre brincavam com isso e eles pensavam que nós filmávamos tudo em duas horas porque acontecia em duas horas.

KRISTA: Sim, sim, bom eu na verdade tenho que admitir, eu era muito mais velha do que eu gostaria de admitir, antes de eu perceber que filmes não eram de fato gravados em sequência, tipo, o que? Você filmou essa cena primeiro? Esse é o fim, eu realmente pensava que era…

JAKE: Posso admitir algo pra você também? Eu estava gravando um número de filmes antes de perceber que eles estavam fora de ordem. Mas sabe, atores não são muito espertos, então…

KRISTA: Tudo bem, nós amamos você mesmo assim. Claramente eu também não era muito esperta. Ok, fala comigo sobre o Dan. Como que ele é realmente? Como é ter uma conversa com ele, trabalhar com ele? E também, a esposa dele, Rene Russo, eu acho que é incrível. Ela é maravilhosa.

JAKE: Eu também acho. Como é trabalhar com ele? Ele é um homem que por alguma razão, eu não sei ao certo o porquê, ele simplesmente não tem medo de riscos intensos. E com isso eu quero dizer risco criativo, mas também outros riscos. Eu acho que ele admira pessoas que realmente se mostram e dizem algo ousado, fazem e tentam algo ousado. Então ele vem desse espaço. Raramente há alguma ideia ruim. Há algumas ideias que são eliminadas. Mas conversar com ele é tão divertido. A mente dele é exatamente como os filmes dele são em várias maneiras, em um sentido que você acha que está indo para uma direção e então de repente você está indo para um mundo ainda mais mágico. E ele é hilário e amável. Ele é gentil com as pessoas com quem trabalha. E trabalhar com a Rene é o mesmo. É engraçado, porque eles dois são pessoas muito cínicas pra ser honesto, eles têm um ponto de vista muito cínico. Eu sei o que o Dan pensa sobre AI e isso me deu um ataque de pânico quando ele estava falando um dia no set sobre. Mas eu acho que em algum lugar neles eles são tipo, não em algum lugar, é óbvio, principalmente com a Rene que todos nós conhecemos muito publicamente. Eles são amorosos, calorosos, pessoas incrivelmente motivadoras. Eu terminava de gravar uma tomada e ele ficava tipo “Ótimo, sério, muito bom!” e eu ficava tipo “Dan, essa foi a primeira tomada” e ele “Ótimo, mas assim, foi ótimo, podemos seguir em frente, você quer?” e eu dizia “Será que podemos gravar mais algumas?” e ele “Mais algumas, ótimo!” Sabe? (risadinhas) Então assim, eu não sei dizer se ele estava, talvez na cabeça dele ele estivesse “Isso foi horrível, mas eu tenho que motivar ele” ou se realmente tinha ficado bom ou não. Eu sou incrivelmente grato e abençoado que de alguma maneira nossos mundos colidiram. Eles realmente colidiram. Eu amo eles, eu realmente os amo.

KRISTA: E esse é um suspense também, vai ser assustador, né? Eu vou ficar assustada assistindo?

JAKE: Provavelmente sim. Não posso garantir que não é assustador.

KRISTA: É, pareceu meio assustador, mas eu gosto disso.

JAKE: Depende do quão sensível você é.

KRISTA: No mundo da arte, quando o objeto dissolveu. Toni Collete, certo? Ela também está nisso, né?

JAKE: Sim, sim, a Toni é incrível, ela é incrível.

KRISTA: Sim, o visual estava divino.

JAKE: E John Malkovich e Tom Sturridge, com quem estou fazendo esse espetáculo. Mas o Tom e o John Malkovich tem uma cena no meio do filme que é tão incrível. É um daqueles momentos vendo dois grandes atores no trabalho de duas gerações diferentes, mas ver eles dois trabalhando nisso, eu diria que é a minha cena favorita do filme. É absurdo.

KRISTA: É diferente de alguma maneira para você que tem atuado por um tempo, obviamente em lançamentos tradicionais, e fazer esse filme com a Netflix onde vai ser lançado e eu poderei ver na sexta?

JAKE: É estranho, mas eu também não posso dizer que amo riscos e mudança e então ficar apegado aos meus modos e dizer “Calma aí, eu quero que seja da mesma maneira, era um lançamento teatral a maneira que eu conhecia antes”. Eu tenho que aceitar os meios em que, eu acho que nós todos fazemos, e eu apenas digo eu porque sou a única pessoa que realmente tenho algum controle sobre. Mas eu sou tipo, vamos ver no que dá, vamos ver como funciona, qual a sensação. O Dan conseguiu fazer esse filme com mais liberdade criativa e com mais liberdade financeira do que ele teria conseguido em qualquer outro estúdio, e eu acho que isso é um testamento real. E se isso significa que o filme vai ser lançado no dia depois que estrear aqui, então que seja isso, é algo novo.

KRISTA: É ótimo, porque todo mundo está falando sobre e então todos podem assistir. Eu vejo a importância disso. Então, você está em Nova Iorque agora, basicamente você é um nova iorquino. E você está preparando um espetáculo. Você vai falar um pouco sobre isso?

JAKE: Claro, eu adoraria falar sobre o espetáculo.

KRISTA: De volta ao palco.

JAKE: Sim, eu estou fazendo um espetáculo, são dois monólogos. Eu faço um monólogo e o Tom Sturridge, que está em Velvet Buzzsaw, faz o outro. E o dele foi escrito pelo maravilhoso dramaturgo Simon Stevens que escreveu O Estranho Caso do Cachorro Morto. Ele escreveu essa peça extraordinária. E eu estou trabalhando em um monólogo escrito pelo Nick Payne. Eu já fiz dois espetáculos dele até agora, dirigido por essa incrível diretora, Carrie Cracknell. Ela é maravilhosa, e vai acontecer no The Public e nós começamos na sexta.

KRISTA: Então eles estão interligados?

JAKE: Sim, eles meio…

KRISTA: Gerados por uma razão, obviamente.

JAKE: Sim, bom na verdade eles foram escritos separadamente. E aí, de alguma maneira, por meio de um curioso caso dO Estranho Caso do Cachorro Morto, eles meio que se juntaram. O Tom sempre quis fazer isso e eu sempre quis fazer o monólogo do Nick. E eles são sobre amor. Sempre que nós amamos algo ou alguém, a possibilidade de que inevitavelmente nós vamos perdê-los, mas também o que nasce do amor. A minha parte em particular é sobre a morte do pai dele e o nascimento da filha ao mesmo tempo. Eles não acontecem ao mesmo tempo, mas eles se juntam, a ideia de que a vida e a morte meio que existem no mesmo espaço. E há uma beleza extraordinária em ambas. Então minha parte é sobre isso, mas eu não vou entregar a parte do Tom, mas é uma peça linda.

KRISTA: Como que está indo a sua memorização?

JAKE: Bem.

KRISTA: Bem?

JAKE: Sim, isso é o menor dos meus problemas.

KRISTA: A internet explodiu com Homem-Aranha e tem um Jake escondido lá. O Jake aparece, isso é animador, certo?

JAKE: Sim, eu sei, eu sei.

KRISTA: Como um vilão, certo? Eu não sou muito familiarizada com os personagens do Homem-Aranha.

JAKE: Sabe, não é tão simples, mas… nos quadrinhos o Mistério é um vilão, sim. Mas essa é outra abordagem bem interessante. Como a Marvel e a Sony, mas nesse caso em particular a Marvel, fazem com frequência, eu acho que elas vão te levar para um lugar que você não esperava.

KRISTA: Isso é bom, a animação, Spiderverse, que estreou é fantástica. Antes quando eu pensava que só o Tobey Maguire era o Homem-Aranha e aí depois o Andrew Garfield e agora o Tom Holland.

JAKE: Essa é a sensação de envelhecer.

KRISTA: Acontece rápido demais, eu fico pera aí nós já estamos… Você também quase já foi escolhido para ser o Homem-Aranha em algum momento?

JAKE: Eu acho que sim. Quer dizer, e você também?? Eu sinto que todos nós já fomos. Na verdade, eu acho que em um certo ponto nós todos desejamos ser o Homem-Aranha, então não importa mais no momento. Mas sim, digo, sim. Houveram diversas encarnações dessa história e eu me encontro nessa. E eu tenho que dizer que acho que o Tom Holland, o Homem-Aranha atual, o mais novo Homem-Aranha, é muito incrível. Eu acho que ele é perfeito para o papel, mas eu também acho que ele é um excelente ator.

KRISTA: Sim, ele é um ator muito bom e eu tenho que dizer, meus filhos amam os Vingadores, então eu já vi todos os Vingadores. E nós fomos ver o último Vingadores, em que foi muito brutal e eu fiquei “Ai meu deus. Uau, qual a mensagem aqui? Ok, só siga o fluxo” E aí no final com o Homem de Ferro, Robert Downey, que merece um Oscar todo ano pelo Homem de Ferro, o que ele faz com esse personagem.

JAKE: Verdade.

KRISTA: Ele é muito bom.

JAKE: É isso o que nós valorizamos. Quer dizer, essa é outra questão sobre o que nós damos valor. O que nós consideramos atuação. Eu sempre acho isso muito interessante.

KRISTA: Certo, mas eles fizeram aquela cena e então ele está desaparecendo e ele está olhando para ele, e eu comecei a chorar de verdade em um filme da Marvel, apenas pelo olhar do Tom Holland e aí você percebe que esses são atores muito bons, pois eles estão se conectando em um nível tão grande no meio de todo esse caos. A mãe está tipo fungando e os meus filhos estão olhando para mim mortificados. Mas sim, foi muito comovente.

JAKE: É Shakespeariano e eu acho que realmente acontece se você está trabalhando com um cineasta, os cineastas que estão fazendo esses filmes são absolutamente extraordinários. No caso de alguém como o John Watts que fez esse Homem-Aranha, ele nos deu um tremendo espaço e liberdade. Eu fiquei surpreso pois estando em alguns filmes grandes, eu sempre achei que eles tinham esse controle porque é grande, e não tinha nada disso. Foi tudo sobre explorar e tentar coisas e se divertir, e eu acho que toda essa energia realmente vai para o momento final para que por exemplo, um pai assistindo o filme, pode assistir e pensar “Esse é um momento real com pessoas que realmente acreditam nisso, pois permitiu-se que isso acontecesse, não foi fabricado.”

KRISTA: Mesmo em toda a sua grandeza.

JAKE: Sim, e tenho que dizer que isso me surpreendeu.

KRISTA: Bom, eu estou animada para ver vocês no filme.

JAKE: Obrigado.

KRISTA: E eu estou animada para ver Velvet Buzzsaw.

JAKE: Sim, em breve.

KRISTA: E eu vou para Nova Iorque e vou te ver. Quando que vocês começam?

JAKE: Nossa primeira amostra é dia primeiro de fevereiro.

KRISTA: E quanto tempo vai durar?

JAKE: Até 31 de março.

KRISTA: Ah, eu com certeza irei. Eu estarei lá em Março.

JAKE: Não é uma noite comprida.

KRISTA: Ótimo.

JAKE: Tranquilo, duas horas exatas.

KRISTA: Bom.

JAKE: 15 minutos de intervalo.

KRISTA: Entre os dois?

JAKE: Tem petiscos e bebidas. Boa companhia. Música boa, iluminação boa, cabelo bom.

KRISTA: Eu estou dentro. Cabelo bom, iluminação boa. Eu sou superficial, petiscos, quer dizer, qual é.

JAKE: É perfeito, você pode trazer petiscos para dentro do teatro. Eu acho, me desculpe, eu não tenho 100% de certeza. Você pode levar petiscos escondidos para o teatro se você quiser. Só não pode fazer muito barulho, porque é um pouco desagradável quando você é o único ator no palco e você está tentando lembrar suas falas e alguém está abrindo o pacote de um doce estranho.

KRISTA: Tipo remédio pra tosse.

JAKE: Sim, não faça isso.

KRISTA: A embalagem.

JAKE: Mas sim, ou faça isso mas saiba que nós podemos chamar sua atenção.


Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Quando a produção de O Abutre, estreia como diretor do roteirista Dan Gilroy junto com Jake Gyllenhaal em sua fase de coque samurai, acabou em 2014, o cineasta virou para sua estrela e disse, “Nós não acabamos ainda.” Eles tinham outras histórias para contar.

Mais de três anos depois, a dupla se reuniu com a atriz Rene Russo e com o diretor de fotografia Robert Elswit em Velvet Buzzsaw, trocando a atmosfera obscura e sombria dos caçadores noturnos de ambulância pelos campos chiques da cena da arte contemporânea de Los Angeles. É um mundo em que ex artistas punks investiram na máquina capitalista e se tornaram ilustres donos de galerias (como Rhodora Haze interpretada por Russo) e críticos que exalam falas dramáticas como, “A crítica é tão limitadora e emocionalmente exaustiva” (Como o sofisticado Morf Vandewalt de Jake Gyllenhaal).

Todos aparentam ser moralmente comprometidos e procurando fazer dinheiro – mesmo que esse dinheiro venha da venda de quadros demoníacos que matam pessoas. Pense como se “Moça Com o Brinco de Pérola” pudesse saltar da moldura e te estrangular com o xale ou se uma peça do Bansky retalhasse os espectadores ao invés de a si mesmo. “Eu não conseguiria viver com arte porque ela é tão poderosa,” disse Russo, em conversa com a EW no telefone duas semanas antes da grande estreia do filme no Sundance.

É um conceito, de acordo com ela, que brinca com a ideia de que “se os artistas pudessem se vingar,” quer isso seja contra o sistema esmagador de almas e esfomeado por dinheiro que cerca a maioria das formas de arte ou contra os críticos alegremente destruindo o trabalho de uma vida de alguém. Com uma risada divertida, Russo diz, “Isso poderia ser divertido!”

Gyllenhaal menciona como o “processo criativo do Dan Gilroy é bem privado,” mas ele sabia que o cineasta, novamente, escreveu os papéis principais especificamente para suas estrelas de O Abutre. Russo, que está casada com Gilroy por aproximadamente 27 anos, diz que ela normalmente lê os roteiros dele enquanto ele os escreve. Mas não o de Velvet Buzzsaw. “Dessa vez ele só me deu quando estava pronto, e eu pensei que era maluquice porque ele é assim. Dany é uma viagem.”

Bem antes da estreia de Roman J. Israel, Esq. de Gilroy, seu segundo filme, o ex-morador da Costa Leste fez uma viagem até o museu Dia:Beacon no interior de Nova York. (Aceite as palavras de Russo sobre – “É um lugar bizarro.”) Essa excursão cultural o ajudou a formar a estrutura geral de Velvet Buzzsaw: um artista recluso morre em seu apartamento, deixando para trás uma carreira inteira de arte. Apesar de seus desejos de queimar as peças, a assistente de Rhodora, Josephina (Zawe Ashton de Animais Noturnos) dá um golpe e as vende para sua clientela de elite – sem saber que os demônios pessoais do artistas estão meio que literalmente ligadas às pinturas.

“Nós queríamos construir um mundo acreditável, habitado por personagens acreditáveis, lidando com eventos inacreditáveis,” Gilroy explica. “Depois olhamos, vendo os diversos tons, de O bebê de Rosemary e O Exorcista, e ficamos intrigados com a ideia, de estabelecer um tom no começo com coisas que são críveis e acreditáveis, depois quando o inacreditável começa a acontecer ele se torna mais poderoso” – como quando uma exibição esférica cara vai de uma experiência sensual a uma armadilha de morte.

Como a arte em si, por detrás da tinta do roteiro está uma camada da fundação baseada nas dificuldades “bastante pessoais” de Gilroy com Hollywood.

Ele menciona especificamente a vez que tentou fazer Superman Lives nos anos 90. Nicolas Cage era cotado para interpretar o Homem de Aço para o diretor Tim Burton, mas a Warner Bros. deu fim ao processo duas semanas antes do início das filmagens “porque o orçamento estava muito salgado.” Esse era o maior medo de Gilroy se tornando realidade. Abalado, se dirigiu até a praia de Santa Monica onde lamentou o equivalente a um ano e meio de histórias que nunca seriam ouvidas.

“De repente eu pensei ‘Não importa. Eu estou criando algo tanto para mim quanto para outras pessoas e eu trabalhei com pessoas que apreciaram e viram o que eu fiz e eu tive a chance de criar,’” lembra Gilroy. “Eu jurei a mim mesmo que um dos preceitos que eu iria seguir era que não importava, no final, o número de pessoas que assistiram ou o nível de sucesso comercial. [Arte é] algo que crio para mim mesmo. Eu preciso criar algo que é relevante para mim e que carrega alguma visão de mundo que as pessoas possam se identificar com.” (Uma cena de Velvet Buzzsaw com John Malkovich é tirada diretamente dessa experiência.)

Quando ele havia terminado Roman J. Israel, o diretor tinha um roteiro na mão de suas estrelas. “Ele notoriamente não manda nada a mim. Ele entrega pessoalmente,” diz Gyllenhaal. “Ele me deu uma cópia capa dura, uma cópia linda encadernada de Velvet Buzzsaw e eu a li assim que eu abri a embalagem.”

Após interpretar um psicopata que documenta cenas de crime para as agências do noticiário local, Gyllenhaal ficou envolvido com o personagem de Morf. Como o nome sugere, “ele está morfando o tempo todo – sua identidade, suas opiniões, sua atração,” o ator explica. O crítico de arte sexualmente fluído, que acaba envolvido com uma mulher após seu término com um homem, menciona à Josephina, “Nós temos um relacionamento de gostos.”

Enquanto Gyllenhaal “nunca mudou uma palavra do que estava escrito,” Gilroy diz que “a história por trás, o olhar, cada traço do personagem foi algo que o Jake inventou sozinho.” Assim como foi decisão de Gyllenhaal ter um coque samurai em O Abutre, seu corte de cabelo no estilo “Romano” em Velvet Buzzsaw foi parcialmente ideia do ator enquanto ele e Gilroy “estavam morrendo histericamente” discutindo sobre no banheiro. Os óculos vieram do artista de maquiagem do filme Donald Mowat (“Esses são óculos dele,” Gyllenhaal exclamou) e a fisicalidade veio, em partes, de Marlon Brando depois que Gilroy exibiu um clipe do protagonista de O Poderoso Chefão no The Ed Sullivan Show.

“Brando é alguém que obviamente foi sexualizado e era fascinante como resultado disso,” diz Gyllenhaal. “E desde então descobrimos muito sobre sua própria identidade e ele está desafiando limites em todos os lugares, e mesmo assim ele é uma das nossas [mais tradicionais] estrelas masculinas clássicas e então acho que olhamos para o Morf desse jeito.”

Russo, admitidamente, não está procurando sua próxima performance. “Se fosse como eu quero, eu andaria pelo meu jardim, eu limparia meu armário, eu leria, eu assistiria documentários,” a estrela de filmes como Garra de Campeões e Thomas Crown – A Arte do Crime diz. “Eu não trabalharia de maneira alguma. É estressante. E eu odeio me levantar de manhã!” (À isso nós dizemos, “Amém!”). Mas com Gilroy a alimentando com roteiros, ela encontra oportunidades raras.

“Eu tive uma ótima carreira, não me entenda errado,” ela esclarece. “Tem sido maravilhoso, e eu não posso reclamar, mas também não posso dizer que sinto que não tivesse tido personagens o suficiente que eu poderia me doar. E daí, do nada, quando você menos espera, a vida só deixa um presente no seu colo.”

Rhodora, para ela, foi “uma viagem.” Russo elabora, “A Rhodora não é fácil e eu realmente tenho que pensar sobre isso porque pra mim ela foi uma pessoa complexa. Eu tenho um ditado no meu quadro aqui [na casa na Califórnia dela] que diz ‘Seja gentil já que todos que você conhece estão enfrentando uma batalha’… Eu sempre penso assim: Qual é a batalha dessa pessoa? A batalha da Rhodora vem do passado dela como artista anarquista, por isso as tatuagens que espiam das elegantes vestimentas aprovadas por Anna Wintour. Agora, sua preocupação está em vender o maior número daquelas pinturas demoníacas que conseguir. Não importa que corpos estejam se acumulando. Como um dos amigos que estão na indústria dizem, ‘É um grande sucesso.’

A nova história parece uma continuação espiritual do que Gilroy explorou em O Abutre – (palavras de quem está escrevendo, não do Gilroy) – já que sua excursão como iniciante desenvolveu o conflito entre o jornalismo antiético e a demanda do consumidor por notícias tenebrosas disfarçadas de entretenimento.

“Em Velvet Buzzsaw, quero explorar a relação entre arte e comércio nos dias de hoje… e é uma relação desconfortável em múltiplas áreas do entretenimento,” diz Gilroy. “Eu sinto que a qualidade de um trabalho não deveria ser julgada pelo volume de interações nas mídias sociais ou o número de visualizações ou cliques recebidos ou pela quantia que se foi paga por ele. Isso não significa que o sucesso comercial diminui um trabalho; porque não diminui, mas eu acredito que não o define também.”

O diretor adiciona como pensamento final: “Estou dizendo em Velvet Buzzsaw que a arte é mais do que uma mercadoria e não nos esqueçamos disso.” Se pelo menos seus personagens percebessem isso antes de vender a próxima obra de arte assassina.

Velvet Buzzsaw teve sua estreia na Netflix na sexta-feira.


Fonte: Entertainment Weekly
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil