Jake Gyllenhaal falou com Kenneth Goh, editor-chefe da Harper’s Bazaar Singapura, sobre filmes, relógios e superpoderes.

Faz um ano desde que você assumiu o papel de primeiro embaixador de relógios da Cartier. Como tem sido até agora?

Não é difícil usar um relógio bonito. Também é um ótimo lugar para trabalhar – eles são realmente maravilhosos para mim e também abraçam os artistas de uma maneira diferente. Obviamente, estamos aqui para vender algo e mostrar algo às pessoas, mas há algo fundamental por trás disso, que é o respeito pelos artistas e a apreciação de quem é alguém. Quando Cartier veio até mim e disse: “Apreciamos o seu trabalho e o foco com o qual você o faz”, que [meu trabalho] de alguma forma incorpora uma parte da empresa deles neste relógio … eu pensei que [isso poderia ser] uma parceria maravilhosa.

Por que você acha importante que os homens usem relógio o tempo todo?

Você sabe, não temos muitos acessórios; e há algo sobre a graça e a elegância do relógio. É um lembrete de quem você poderia ser, deveria ser, quer ser. E está bem no seu pulso.

Se você tivesse a chance de interpretar o papel de Alberto Santos-Dumont em uma cinebiografia, como o interpretaria?

Chapéus em abundância! É sempre sobre adereços: aviões, adereços, relógios … Santos estava no mundo pilotando aviões e fazendo todas essas coisas incríveis, sendo um aventureiro que corre riscos. Eu amo que quando você pensa em Cartier e pensa em Santos, existe esse equilíbrio entre função e estilo. É esse tipo intenso de obsessão entre os dois; sobre beleza e funcionalidade. E quando uso o relógio, vejo a história do relógio; Eu posso sentir isso. Sinto a responsabilidade de cumprir essa ideia.

Tendo interpretado um supervilão em Homem-Aranha: Longe de Casa, que qualidade de super-herói você desejaria ter em sua vida diária?

Não sei se esse personagem pode ser descrito como um supervilão, não sei se ele é mesmo um vilão, mas sei não há muito super sobre mim! OK… Super paciência! Sou muito paciente, mas não o suficiente. Então, eu gostaria de ter mais disso. Super paciência, você consegue imaginar um filme assim? Ninguém iria querer assistir esse filme. Sim, mas eu gostaria disso. O que você desejaria?

Eu acho que ser capaz de ser invisível.

Sério? Você está usando um terno rosa!

É o oposto diamétrico: você quer ser capaz de não estar aqui.

Isso é tão interessante. Seu estilo é lindo, mas você não quer ser visto. Isso é realmente interessante.

Qual foi o seu papel mais desafiador até agora?

Ser uma pessoa; esse é o meu papel mais desafiador; tipo, apenas ser um bom irmão, um filho … não considero nada tão desafiador, exceto quando interpretei o garoto que perdeu as pernas nos atentados de Boston [no filme biográfico de 2017, Stronger]. Tentando entender a mentalidade desse personagem, no que ele experienciou… isso foi um desafio.


Fonte: Harper’s Bazaar Singapura
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Em Sea Wall/A Life na Broadway, Jake Gyllenhaal – a estrela do cinema que recentemente vem se transformando em filmes como Nightcrawler ou Homem-Aranha: Longe de Casa – faz algo que parece ser novo em sua simplicidade. A performance dele no monólogo A Life é íntima e livre de personagem, interpretando um homem enfrentando os paralelos entre a morte de seu pai e o nascimento de seu recém-nascido (Gyllenhaal, merece ser mencionado, não passou por nenhuma dessas coisas).

“O trabalho que eu sempre tento fazer é muito, muito detalhado,” diz a diretora Carrie Cracknell, que trabalhou com ambos Gyllenhaal e Tom Sturridge, que interpreta o primeiro monólogo da peça, Sea Wall. “Nós conversamos bastante sobre o momento por momento, e eu acho que o que construímos foi um grupo de objetivos compartilhados sobre a estética da performance e o fato de que queríamos que tudo parecesse muito natural.”

Cracknell relembra do processo de ensaios – visto aqui nessas fotos exclusivas cedidas a Vanity Fair – como um tipo de “mania”, um período de exploração, reinvenção, e brincadeira, apesar do assunto sombrio. (Sturridge interpreta um pai e marido que é deixado com seu luto após uma viagem de família ter uma reviravolta trágica. A produção estreou em uma temporada limitada e esgotada no Public Theater no começo desse ano, e abriu a pré-estreia no Hudson Theater, na Broadway, semana passada. “Na maioria das vezes era só eu e um dos atores, e iria meio que alternar entre histeria total – e quero dizer, genuinamente – e meio que hilariante, e quase como um stand-up. Eles ficavam – ambos, mas particularmente o Jake – brincando e meio que fazendo essas vozes engraçadas e dançando pela sala, e daí meio que entravam nesse trabalho muito, muito emocionalmente vulnerável,” Cracknell explica. “Era muito interessante porque eu acho que estávamos tentando segurar essa dualidade o tempo inteiro sobre isso ser muito engraçado – alguns elementos da peça são como stand-up. E daí toca em algo muito real. Esse senso de exploração estava presente constantemente.”

Ela relembra que uma vez o Gyllenhaal testou seu monólogo inteiro como se fosse um monólogo; uma vez o Sturridge veio e tocou um set de piano inteiro antes de começar o trabalho do dia. Teve até uma semana em que o cachorro do Gyllenhaal, Leo, teve uma proposta de ser coadjuvante.

“O cachorro dele foi um aspecto bem grande – nós até conversamos sobre colocar o cachorro na peça e talvez fazer ele subir no palco,” conta Cracknell. “O Leo meio que trouxe essa afetuosidade e energia maravilhosa para todos nós enquanto ele estava na sala de ensaios.”

Gyllenhaal e Sturridge, que contracenaram em Velvet Buzzsaw, filme desse ano da Netflix, ambos viram o processo como um contraste ao ritmo acelerado de uma gravação de filme. “Isso tem um tipo de intensidade o tempo inteiro em termos de tomar decisões muito, muito rápido e entregá-las perfeitamente, e então na verdade os ensaios se tornaram esse tipo de processo de desenvolvimento de pausa em que eles podiam testar coisas e se sentir livres,” diz Cracknell. “Nós todos queríamos meio que manter essa atmosfera.”

E há uma liberação nas tentativas da produção de ser “estritamente conversacional” e quebrar a quarta parede repetidamente durante cada performance. “Nós tentamos realmente nos livrar de toda essa pele que você geralmente tem entre o ator e a audiência. Se alguém está tossindo, uma vez o Jake saiu e pegou água para ela e voltou com a água. Ou se um telefone toca, eles talvez falem, ‘Não se preocupe, está tudo bem.’ Então eles estão realmente tentando estar no ambiente com as pessoas que vêm assistir a isso todas as noites, e eles pegam essa energia e eles a colocam na apresentação. Acho que é pouco comum para atores, particularmente com o Jake; ele é muito conhecido e ele fez uma variedade tão incrível de personagens muito peculiares. Na verdade, no que ele estava interessado era jogar um pouco disso fora e tentar ficar mais próximo dele mesmo e tentar atuar de uma maneira que é muito, muito aberta, muito atenciosa, e meio simples.”

Cracknell diz que esse esforço em tentar se conectar teve alguns efeitos imediatos na plateia. “As peças [são] um lembrete de viver no momento presente porque você nunca sabe o que vai mudar, e eu acho que refletir sobre nascimento e sobre o luto e sobre transformação, meio que faz você querer ser mais vívido na sua vida e mais bem conectado as pessoas a sua volta,” ela diz. “Eu amo quando eu vejo pessoas saírem do teatro ligando para familiares e amigos. Eu vejo isso acontecendo alguns dias, aquele sentimento que faz você querer ir atrás e ser mais conectado à sua família, eu penso que se isso acontece, é muito especial.”


Fonte: Vanity Fair
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal

Você se da conta como o jovem Jake Gyllenhaal é, quando descreve sua primeira lembrança da Calvin Klein, a marca da qual agora ele é embaixador: “Um anúncio de Marky Mark e Kate Moss, perguntei ao meu pai o que era esse pôster gigante com aquele super-humano e me respondeu ‘é Mark Wahlberg com roupa intíma'”, explica. Desde que se tornou um ator cult para os críticos e para o público em Donnie Darko com 19 anos e em Brokeback Mountain com 24, Gyllenhaal (Los Angeles, 1980) sempre transmitiu uma energia melancólica para sua idade.

O ator foi escolhido para representar Eternity Eau De Parfum, a primeira fragância da Calvin Klein criada só para homens. No comercial, Gyllenhaal vive momentos de intimidade com sua mulher e filhos, mesmo que, na vida real, reconhece que a intimidade o aterroriza. Calvin Klein descreve o homem Eternity como ‘robusto mas refinado’ e não encontrariam ninguém melhor que Gyllenhaal: um tipo que foi de férias para o Caribe para ler a biografia do segundo presidente dos Estados Unidos, John Adams, vencedor do Pulitzer, mas causou sensação na internet por suas fotos passeando sem camisa na ilha de St. Barth. Robusto, mas refinado.

Nesse verão você abriu o Instagram coincidindo com a estreia de ‘Homem-Aranha: Longe de casa’. Como foi essa transição para as redes sociais [Instagram] aos 38 anos?

Vejo o Instagram como um olhar interessante da ideia do que é a fama, como isso faz você sentir a atenção de pessoas que não conhece. Para os artistas é normal ter contato com o publico, quem te oferece uma profunda quantidade de críticas e uma profunda quantidade de elogios que provavelmente não merece nos dois casos. Mas para pessoas que não se dedicam às artes, será impressionante. No meu caso, estou nos olhos do publico desde muito jovem, estar no Instagram não é tão diferente do que conceder uma entrevista, assistir um evento ou ler uma crítica sobre o meu trabalho. Instagram é como uma extensão da minha carreira.

Por alguma razão, a internet é fascinada por fotos sua comendo e há varias contas dedicadas a postá-las. Inclusive da sua mania de morder os fones. Isso te deixa constrangido toda vez que come fora?

Essa é uma pergunta interessante, porque vivemos em uma época em que as pessoas tiram fotos de outras pessoas, dentro ou fora de estabelecimentos e nas quais as pessoas tiram muitas fotos de si mesmas. Quando as pessoas te reconhecem na rua, tem que se render a possibilidade de que podem tirar uma foto sua. Portanto não tenho insegurança sobre como eu me alimento. Eu gosto de comer fora.

Na época, você confessou que após a audição para o papel de Frodo em ‘O Senhor dos Anéis’, o diretor Peter Jackson te disse que foi a pior audição que ele tinha visto. O que você aprendeu com aquela crítica?

Já fazem 20 anos, então eu não sei o que te dizer. Sou uma pessoa muito diferente do que era naquela época. Acredito que os atores tem que aprender a crescer em um mundo cheio de rejeições, alguns aprendem a progredir e outros partem seus corações. O que aprendi ao longo desses anos é que é muito mais fácil jogar tomates, você não precisa ter talento para ser negativo, mas precisa de talento para criar algo. É muito mais difícil ser criativo do que destrutivo, então acho que só de tentar requer uma valentia incrível.

Nesse verão você participou de um filme da Marvel, seu primeiro ‘blockbuster’ em dez anos. Você ainda pensa em continuar trabalhando em filmes com baixo orçamento?

Já tenho experiência o suficiente nesse ramo para confiar no meu instinto se considero que um projeto seja adequado, mas, essencialmente, trata-se de ser autêntico. Se você sente que um projeto se encaixa com o que você é de verdade e sente que não estará enganando o publico ou os jornalistas quando chegar a hora de apresenta-lo então é algo que você deve fazer. Alguns atores dizem “sempre quis interpretar essa pessoa” e eu também era assim em um ponto da minha carreira, mas aprendi a descartar essa atitude. Claro que existem cineastas com quem eu adoraria trabalhar, como Jacques Audiard, com quem eu consegui fazer um filme ano passado [The Sisters Brothers] ou Pedro Almodóvar. Acredito que Pedro está vivo em um mundo onde muitas pessoas não estão, o considero um cineasta impressionante. Mas nunca tive sonhos como ‘oh, adoraria interpretar Abraham Lincoln’, sou mais do tipo ‘o trabalho dessa pessoa me parece incrível, tomara que eu possa colaborar com ela, aprender com ela e que ela fique com o que aprender comigo’. Por isso faço o que eu faço.

Você disse que quando alguém te parava na rua, você se oferecia para conversar, mas eles só queriam uma selfie. Começaram a falar com você desde então ou ainda querem apenas uma foto?

É que eu percebi que as pessoas se importam menos de conversarem comigo do que documentar essa conversa. É como se estivéssemos perdendo o dom de simplesmente conversar uns com os outros, as pessoas só querem uma foto e quando eu falo ‘oi, tudo bem?’ ‘qual é o seu nome?’, eles já não estão mais interessados ​​[risos]. Então não, acho que a resposta para sua pergunta é que não com muita frequência, não.

Você acha que ‘Brokeback Mountain’ não mudou a cultura, mas a cultura estava esperando por aquilo. Mas foi muito surpreendente que um filme com estrelas contasse uma historia de amor entre dois homens. Alguém te aconselhou para não aceitar o papel?

Ninguém do meu círculo, profissional ou pessoal, me aconselhou para que não fizesse esse filme. Mas teve sim alguns que me falaram que talvez não fosse uma escolha adequada ou o caminho certo para mim, porque eu tinha outras opções para escolher naquele momento. Algumas pessoas consideravam que eu deveria fazer esses outros papéis, exceto [Brokeback Mountain] e curiosamente nenhum desses outros projetos foram filmados.

Você teve dúvidas?

Para mim nunca houve dúvidas. Não sei se é por causa da minha educação e por causa do mundo em que eu cresci, tive a sorte de frequentar uma escola muito progressista onde vários dos meus professores eram gays. Nunca os questionei, via homens casados com homens e mulheres casadas com mulheres e nunca dei a menor importância. É claro que por ser um homem hétero, me intimidava a ideia de filmar as cenas mais físicas. Me perguntava como sairiam e houve momentos embaraçosos. Mas ao mesmo tempo eu sabia que estávamos contando a historia sobre amor que significava muito para mim e isso era para mim mais importante que qualquer outra coisa. Ainda é. Me aterroriza o amor, a intimidade e manter relações profundas, te falo com sinceridade, mas sou consciente de que a minha vida não vale nada sem essas conexões. Então essas são as historias que eu quero contar. E afinal, a quantidade de pessoas que se aproximaram para contar como Brokeback Mountain significaram muito para eles me fez perceber que eu não era consciente da sorte que eu tive desde pequeno. Quando li Brokeback Mountain não pensei no fato de serem dois homens porque cresci em um mundo em que o amor podia estar em todas as partes e entre todas as pessoas.

É provável que, se filmassem hoje ‘Príncipe da Pérsia’ causaria polêmica por colocar um ator branco interpretando um personagem árabe. Você pensaria duas vezes antes de aceitar um papel assim?

Bom, meu amigo, você sabe que não há resposta para essa pergunta. Você não pode voltar no tempo.

Bem, no filme você podia.

Já fiz vários filmes nos quais eu posso controlar o tempo. O que aconteceu na época já passou, graças a Deus por todas as mudanças incríveis que estão acontecendo pelo mundo. Avançamos profundamente e estamos passando por tempos contraditórios que são confusos para muitas pessoas, porque se sentem isoladas apesar de terem dispositivos para se comunicar e olhar para outras pessoas. A única coisa que posso fazer, como alguém que ajuda a contar historias, é que as pessoas se reconciliem com elas mesmas e voltem a ser elas mesmas. Esse sempre foi meu objetivo, inclusive quando eu estava viajando para frente e para trás no tempo e virando tudo de cabeça pra baixo. E é isso.


Fonte: El País
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

O ator, agora na Broadway no show de dois homens “Sea Wall / A Life”, reprisa seu papel como o rosto de Calvin Klein Eternity para o novo eau de parfum deste mês. Não que ele precise. ”Eu acredito em tomar banho como uma prática espiritual e uma prática física.”

Jake Gyllenhaal acha que eu sou gostoso. Ele disse isso numa tarde de verão, enquanto estávamos sentados em um dos dois andares no pátio dos fundos da Lucali, a pizzaria do Brooklyn com a lista de espera perpétua de uma milha de comprimento. (Ele é assíduo. O proprietário, Mark Iacono, abriu cedo e já estava produzindo tortas.) Ou melhor, as palavras reais do ator eram: ”Você pode querer usar isso.” Ele estava segurando um guardanapo de papel com a mão, fazendo um gesto de abanar. Um bigode desuor perolado pontilhava meu lábio superior, e Gyllenhaal aparentemente se deu conta. Da minha gostosura.

Tirei meu blazer, deixando de lado um rubor de vergonha. Era verão na cidade e um forno a lenha brilhava por dentro. Além disso, não é isso que um ator perceptivo deve absorver: o sutil desconforto de seu companheiro de mesa murcho?

De certa forma, é isso que Gyllenhaal tem feito todas as noites no Hudson Theatre desde que o show da Broadway, Sea Wall/A Life, começou a ser exibido no final de julho. É um díptico de histórias de pesar: um soco no estômago de um monólogo de Tom Sturridge, seguido de uma virada anti-solo de Gyllenhaal, que interpreta trinta e poucos anos entre perder um pai e receber um filho. (“Li em algum lugar que nascer é arriscar a morte”, diz seu personagem, o peso da paternidade se aproxima.) Mas mesmo em um palco vazio, Gyllenhaal quase não está sozinho. ”Eu nunca fiz um show em que falo com o público o tempo todo”, diz ele, descrevendo um invulgar casulo de intimidade no local de mil lugares (quatro vezes o que a produção contou pela primeira vez quando saiu da Broadway na primavera passada ) ”Não temos regras em nosso programa. Aconteça o que acontecer, acontece.”

Como o quê? ”Um telefone toca. Muitos atores seriam como” – a voz de Gyllenhaal se transforma em fingida derrota – ”Como você se atreve a destruir a santidade do espaço sagrado do teatro?” Ele credita a diretora Carrie Cracknell por manter os dois homens à tarefa. ”Toda vez que parecia que estávamos nos apresentando, ela nos chamava de besteira e, nesse sentido, a ideia de que estamos separados do público também parece besteira. Se algo acontecer é humano – especialmente quando estamos falando sobre a bagunça de ser humano – não faz sentido tentar fingir que não existe.” É por isso que ele se desculpa comicamente, no meio do jogo, enquanto passa pela primeira fila. Gostaria de saber se ele alguma vez estendeu um lenço de papel a um espectador chorando. Ou suando.

Mas o que nos levou a Lucali (além da promessa de uma boa fatia de pizza) foi um tipo diferente de
papel: Gyllenhaal como o rosto do Calvin Klein Eternity. Em 2017, ele interpretou o homem da família em um comercial dirigido por Cary Fukunaga, ao lado de Liya Kebede e sua filha fictícia. (A internet jorrou sobre o momento de ”pai bonitão” de Gyllenhaal, mas, na realidade, ele é o tio bonitão das filhas de sua irmã Maggie.) Agora, Gyllenhaal está enfrentando uma versão mais intensa da eau de parfum. É um pouco como quando um show bem recebido é transferido para a Broadway? ”Estou totalmente disposto a fazer essa conexão”, ele disse com uma risada – e totalmente disposto a falar sobre aromas cinematográficos, narcisismo ficcional e sua maneira preferida de suar.

Vanity Fair: Paternidade é um tema recorrente na peça e nessa campanha original da Eternity. Sua família está pressionando?

Jake Gyllenhaal: Meu pai em particular ficou fascinado com a escolha de ser pai em um anúncio. Ele ficou tipo, “Então, o que é isso tudo?” Quando a equipe da Calvin Klein me trouxe à tona, o que parecia muito mais interessante foi a idéia de família, em vez de vender uma fragrância com sexo. Era obviamente a implicação do sexo porque havia uma criança, mas a filha era um produto do amor. Muitos dos papéis que faço são eu me perguntando, e não consigo separar – seja um anúncio ou um filme – ser honesto em relação a qualquer uma dessas coisas. E amo minhas sobrinhas, adoro a idéia de ter meu próprio filho, então queria explorar isso. Estou fazendo um show na Broadway que é sobre ser filho, ser pai e acho que estou em um lugar da minha vida em que meus pais estão em uma certa idade e nossas posições começam a mudar. Meus pais fizeram filmes, e minha mãe, em particular, sempre fazia perguntas sobre a família e explorava essa idéia.

VF: Estou no meio do “Maternidade”, de Sheila Heti, e o livro trata da ideia de ser uma artista ou uma mãe, e se uma sublima a outra.

JG: Bem, assisto a alguém como Stephen Sondheim, que eu diria ser o poeta-letrista de destaque de nossa época, particularmente no teatro musical – e ele gerou filho após filho com suas criações. Eu fiz um dos shows dele [Sunday in the Park with George], e o primeiro ato é sobre um artista estar obcecado com o trabalho dele e não ser capaz de se comprometer com a vida. E então, no segundo ato – essa é a minha interpretação – é um artista que era renomado, ganhou muito dinheiro, mas não era, como disse meu professor de história da arte do ensino médio, um ”artista meta-histórico” que transcende décadas e gerações. E, no entanto, ele descobre no final da peça que ter uma família é seu triunfo. As únicas coisas que deixamos para trás são crianças e arte, e essa é a pergunta sem fim.

VF: Dados os temas de Sea Wall / A Life, existe um peso persistente que você precisa, por exemplo, exorcizar na banheira à noite?

JG: Não. Eu sou uma bagunça maravilhosa, sabe? Aprendi a aceitar muito sobre mim. Eu me envolvi em muitas coisas físicas estranhas para papéis que fiz, coisas emocionais para papéis que fiz. No outro dia, Carrie [Cracknell, a diretora] foi tipo, ”Vocês dois pareciam destruídos no final da temporada [fora da Broadway]”. E é interessante porque nunca ri tanto na minha vida. No entanto, a energia que você está trocando retira de você. Eu acredito no banho como uma prática espiritual e uma prática física. Desde que trabalhei na Coréia do Sul em um filme, descobri que a esfoliação é uma coisa realmente maravilhosa e muito masculina, que eu não apreciava tanto antes.

VF: Claramente, você está investindo em se cuidar. Existem coisas que você faz para o bem-estar e depois coisas que você chama de besteira?

JG: Eu acho que é tudo besteira se você quiser que seja besteira, e não é se você não quiser. Eu me sinto assim em praticamente tudo, desde que você não esteja machucando ninguém. Eu acredito no suor, sob qualquer forma. Para mim, minha melhor forma de autocuidado é a intimidade; isso me faz suar. E então eu acredito no equilíbrio entre descanso e exercício. É realmente simples assim para mim. Porque eu tenho uma irmã mais velha que é atriz – e porque ela me ensinou desde que eu era criança e eu a admiro – o cuidado com a pele é importante. As pessoas podem definitivamente me aceitar por isso, mas você estaria rindo do jeito que quiser. Eu acho que cuidar de si mesmo é realmente importante, principalmente nos dias de hoje como homens. Ser vulnerável e admitir essas vulnerabilidades é muito, muito importante.

VF: Alguns atores usam perfume para ajudar a entrar no personagem. Você já fez isso, seja com aromas da floresta ou fedor sem chuva?

JG: Eu usei e tentei de tudo. Nada funciona. No final, é tudo uma boa redação.

VF: Por outro lado, John Waters deu à platéia cartões Odorama para ”Polyester”. Se você pudesse imaginar um filme seu que mereça um cartão de raspar e cheirar, o que seria?

JG: Estou pensando no Romeu e Julieta de Zeffirelli – como seria esse cartão de raspar e cheirar, porque se cheirar a aparência do filme, meu Deus. E Nightcrawler – cheiro de couro de carro novo. Possui notas de topo de sangue e matéria fecal.

VF: John Waters definitivamente aprovaria.

JG: Sim, com certeza.

VF: Conte-me sobre a próxima adaptação de Lake Success, de Gary Shteyngart. Parece entrar em um personagem que narcisista é talvez menos atraente do que o papel de pai para a eternidade?

JG: Eu quero experimentar isso. De fato, vivo nele o tempo todo – assinamos diariamente e a cada hora, minuto a minuto. Estou realmente fascinado por explorar alguém que é narcisista e obcecado pelo capitalismo e todas as armadilhas ao seu redor. É possível atrair alguém disso para sua humanidade? Estamos longe demais? Os textos de Gary – que você o ama e entende algo sobre ele, mesmo com nojo – , acho isso tão humano. Vivemos em um mundo onde há muitos negros e brancos, e o espectro realmente não existe em muitos outros espaços.

VF: Você entrou no Instagram recentemente e é um espaço igualmente higienizado. Você não vê muitos desconfortáveis.

JG: Eu concordo totalmente. No meu mundo, muitas pessoas se adaptam e alteram as partes bonitas de suas personalidades para mostrar às pessoas algo que provavelmente não é totalmente verdadeiro. Eu faço isso há muitos anos de maneiras diferentes, e acho que meu desejo de fazer parte de algo como o Instagram é apenas para dizer: ”Eu faço parte de tudo com todos”. Não quero me isolar de alguma ideia do que um artista deveria ser. Se estou interessado no desconhecido no meu trabalho, o Instagram é um desconhecido para mim. Por que eu evitaria isso? E estou descobrindo algumas coisas interessantes! Eu digo isso com uma piscadela. Curiosidade é tudo, e se a perdermos, somos fodidos.

Fonte: Vanity Fair
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Eles são a atração principal de Sea Wall/A Life, mas além do agradecimento final, Jake Gyllenhaal e Tom Sturridge nunca estão no palco ao mesmo tempo. Mas eles claramente se tornaram amigos, brincando, enquanto conheço eles, sobre posar no sofá ao estilo daqueles anúncios sensuais para Burn This com Keri Russel e Adam Drive. Sendo estrela de cinema há mais tempo, Gyllenhaal age um pouco como um irmão mais velho para o Sturridge, que é o irmão britânico mais introvertido e inquieto, apesar de que estamos cruzando em uma curva aqui: Ambos são nervosos, pessoas inquietas. E também estão usando correntes douradas combinando.

O espetáculo começou no Teatro Público em fevereiro e março e agora está na Broadway com a mesma diretora, Carrie Cracknell. No primeiro dos dois monólogos, Sea Wall, de Simon Stephens, Sturridge interpreta um fotógrafo que descreve seu relacionamento com sua esposa e sogro; depois vem A Life, de Nick Payne, no qual o personagem de Gyllenhaal fala alternadamente sobre a doença de seu pai e a gravidez de sua esposa. Ambos monólogos revelam uma tragédia em seus centros, o que pode fazer com que eles pareçam exercícios de atuação.

Assim como juntar dois atores para falar sobre o que o outro faz no palco e como cada um deles chegou até lá. Uma coisa da qual o Gyllenhaal tem certeza é de que o espetáculo sutilmente se abrilhantou durante sua transferência. Se por nada mais, pelo clima do lado de fora. “Pessoas se referiram a ele como ‘rígido’” ele diz. “Esse espetáculo não é mais rígido. Esse espetáculo é durante o verão!”

Tom Sturridge: Eu quero começar com October Sky… [Filme importante de 1999 de Gyllenhaal, que interpreta o filho de um minerador de carvão]

Jake Gyllenhaal: [Risadas] dá para imaginar? No final dessa entrevista, nós nos odiaríamos.

TS: Eu não sei como você entrou em contato com o Nick [Payne].

JG: Eu fui na leitura de um espetáculo de um amigo, e Lynne Meadow, a diretora artística, disse, “Eu vou te dar algumas peças diferentes que eu acho que você vai se interessar,” e aconteceu que a do Nick era uma dessas, e aconteceu que If There Is I Haven’t Found It Yet  era uma das peças. Eu imediatamente me apaixonei por ela. Daí, por acaso do universo, a próxima coisa que fizemos foi Constellations [também de Payne]. Por que você quis fazer a sua parte da peça?

TS: Quando eu li pela primeira vez, eu me senti tão próximo dela pela beleza com o qual articula, exatamente o jeito que eu me sinto sobre a minha família. A maior parte da peça é sobre o nascimento de uma família e como isso é maravilhoso. Isso é raro no palco porque é esperado que nós mantenhamos as coisas interessantes fazendo todo mundo se odiar. Eu pensei, Essas circunstâncias são muito parecidas com as minhas. Acho que eu nunca hesitei. Para você, Nick fez uma leitura [de A Life, chamada de Art of Dying na época] na Royal Court, o que, no meu entendimento disso, foi como um homem lendo uma redação. Foi um salto de imaginação ter de pensar nela como teatro?

JG: Foi clareador, glorioso, insanamente claro somente porque era repleto de sentimento. Foi meio que esse monólogo obtuso que Nick escreveu para ele mesmo porque era só ele tentando lidar com a experiência do falecimento do seu pai.

TS: Você pensou que iria interpretar Nick Payne?

JG: Nunca. Há momentos em que escapa, mas eu resisti. Ele escreveu muitas coisas para mim, também. Meu ritmo e meu jeito de falar estão incorporados. É uma mistura estranha de nós dois e do jeito que nós falamos. O motivo pelo qual eu gosto da escrita dele, e você provavelmente pode perceber por essa entrevista, é que nós tropeçamos nas palavras, e nós adicionamos outras palavras. É aí que nos encontramos.

TS: Tendo dificuldade em encontrar vocabulário? 

JG: Acho que eu ainda continuo luto com quão pessoais alguns momentos da peça realmente são. Às vezes eu sinto como se eu estivesse potencialmente violando ficção e não-ficção, qualquer que seja o limite. Eu recentemente voltei desse grande longo tour de divulgação ao redor do mundo [de Spider-Man: Far From Home] em diferentes fusos horários, e eu voltava do aeroporto, e eu fazia minha parte no trânsito se eu estivesse em Seoul ou Londres ou outro lugar, indo até uma entrevista de rádio ou alguma coisa. Eu fazia quando eu acordava e não conseguia mais dormir. Eu ainda faço sempre que eu acordo, mesmo que seja em um estado inconsciente. Eu acho que é raro um ator ter a oportunidade de fazer algo novamente e redescobrir certas coisas. No nosso período de pré estreia no Public, você fez umas merdas bem malucas…

TS: Eu não sei se isso é uma sensibilidade inglesa para mim, mas é realmente uma extensão do processo de ensaio. Tem uma audiência lá, mas eles deveriam saber que estão assistindo um experimento. Na primeira pré-estreia, eu fiz com um microfone, tendo nunca segurado um microfone na minha vida. Mas eu acho que o animador de retornar para ela é detalhar ainda mais. Antes, nós só estávamos, “Conseguimos passar por esses dez minutos sem as pessoas dormires?” Agora a gente realmente consegue fazer cirurgia.

JG: Você pensa em mim e na minha história que vêm logo em seguida?

TS: Eu estou completamente consciente do bastão que eu te passo. Na primeira pré-estreia, eu saía em uma fúria, ainda no personagem, revoltado que ele tinha contado a história para essas pessoas. Você podia sentir a audiência pensando, Bom, por que caralhos você contou isso? Eu acho que tudo bem guiá-los de maneiras diferentes, mas é importante saber o que você está fazendo e que você lembre do amor [do personagem] no final.  

JG: Quero dizer, monólogos já tem essa percepção da complacência do ator. Esses são monólogos sobre perda. Como que você sai dessa caixa? Se qualquer um nos conhece como ator, a última coisa que você quer fazer é ser complacente a isso. Eu quero andar na montanha-russa de milhares de sentimentos diferentes. Eu realmente penso que é sobre as pessoas saírem do teatro no final dessa experiência se sentindo – como minha mãe dizia para mim quando eu assistia um filme que eu amava ou tinha uma experiência que eu amava – limpos.

TS: Esse é o contrato que pedimos da audiência: Ter fé no amor no começo. Estamos aqui para criar uma comunidade juntos e fazer algo lindo. Não “Aqui vamos nós, isso vai ser muito depressivo.” A audiência realmente dita a maneira com que as coisas acontecem. Se uma pessoa ri de alguma coisa por causa de uma conexão pessoal com ela, eu só – zoom, para onde quer que eles estejam, os próximos quatro minutos são para você. Não é uma coisa ruim. Estou reconhecendo que você tossiu, ou qualquer coisa, seu telefone pode tocar, estamos aqui juntos.

JG: “Venha para Broadway, cidadão. Desembale esses doces.”

TS: Todos na plateia estão somente a um passo de distância de quase todas as experiências essa tarde. Depois, quando falamos com as pessoas, eles não falam das especificidades da peça; eles falam sobre os pais deles ou dos filhos. É por isso que trouxemos ela pra Broadway, porque o público sentiu uma certa propriedade sobre ela.

JG: Se estamos falando honestamente, havia uma espécie de desejo de indulgência, a indulgência da atuação. Daí o que nos foi dado como resposta foram as pessoas compartilhando suas experiências próprias conosco, o que fez a gente perceber que essa coisa era maior do que o que estávamos fazendo. E daí do nada, o espetáculo virou um espetáculo.

TS: Tendo feito um grande número de peças, existe alguma diferença em como você se sente nos dez minutos antes da primeira pré-estreia?

JG: Quando eu fiz If There Is I Haven’t Found It Yet, eu ficava nervoso todas as noites. Quando eu fiz Sunday in the Park With George , eu não fique nervoso em nem um segundo.

TS: Sério?

JG: Mesmo quando fizemos ela no City Center. Você está envelopado e envolvido por uma orquestra de 25 partes, ou eu estava. Claro, tiveram vezes com esse show, antes de eu entrar, em que eu estava nervoso. Mas eu sabia em algum lugar que não funcionava a não ser que eu não escondesse nada.  Tudo que a audiência ama é essa imperfeição. É o que nós todos tendemos a fazer. É isso que eu descobri no palco, e é uma coisa linda porque me ajudou na minha vida e no meu trabalho com filmes. Você pode me odiar ou me amar ou sei lá, mas no final das contas eu sou assim. E você?

TS: Horas antes [de subir ao palco], simplesmente a ideia de ter que ir do começo ao fim era aterrorizante. O jeito que eu entrava no palco no Public, pelo menos no início, era como aquela cena em GLADIATOR que ele vai pra arena pela primeira vez. 

JG: “Você não está entretido?!”

TS: Eu me lembro de estar lá com a audiência pela primeira vez e o nervosismo completamente desaparecendo e eu percebi que esse era o lugar mais seguro possível para se estar. Tem algo que te assusta, ao entrar nessa nova experiência?

JG: Quero dizer, nós temos dois dias de ensaio e dois dias de técnico. A gente não faz o espetáculo há quatro meses. 

TS: Justo, estou com medo agora.

Sea Wall/A Life está no Hudson Theatre. Compre ingressos aqui

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Fonte: Vulture  | Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Não é fácil ser o novo cara a entrar no universo de super-heróis. Jake Gyllenhaal descobriu isso vestindo seu elaborado e extremamente pesado (20 quilos) uniforme para interpretar Mysterio em seu primeiro filme Marvel, Homem-Aranha: Longe de Casa.

Com o peitoral aceso deslumbrantemente por baterias de lítio e uma capa do nível de Game of Thrones, a fantasia de ponta necessitava de quase uma hora para estar completamente armada. Não tinha nenhuma solução rápida se a natureza chamasse durante as longas horas de filmagens.

Enquanto isso, o co-protagonista Tom Holland, em seu segundo filme solo e quinta aparição como Homem-Aranha, teve modificações estratégicas com zíper feitas em seu traje heroico para esses momentos especificamente. “É uma das falhas no meu primeiro traje, que falta zíper para ir ao banheiro, uma coisa que o Tom pode te dizer como é importante,” conta Gyllenhaal, que continua. “Está tudo certo. Você regula a ingestão de água ao longo do dia.”

Isso que dá contratar um profissional como Gyllenhaal para estrelar como o vilão de longa data dos quadrinhos, Mysterio, que vai contra seu tipo ao se unir para salvar o mundo com o atirador de teias em ‘Longe de Casa’. Uma vez que o ator indicado ao Oscar se comprometeu a interpretar o super-herói, ele ia arrasar, com imperfeições no uniforme e tudo mais. E se existiram longas discussões no nível de ‘Hamlet’ nas quais ele ponderava juntar-se ou não ao universo da Marvel aos 38 anos, dentre uma das carreiras mais ambiciosas e indefiníveis de Hollywood, Gyllenhaal não irá mostrar.

O momento só parecia ser o certo, e a oportunidade perfeita se apresentou, conta um tranquilo Gyllenhaal, relaxado em um sofá no pátio do Hotel Four Season. O ator somente aparenta uma intensidade, com contato visual total enquanto explica seu interno debate final pré-Mysterio. “Ao pensar sobre um personagem como esse, você sempre tem que agarrar a ideia que provavelmente você será chamado assim nas ruas. Então eu tive que fazer uma pergunta simples: É esse um nome que eu quero que seja berrado quarteirão abaixo? E eu pensei, ‘Sim.’” Gyllenhaal diz, explodindo em risadas, “Se alguém gritar, ‘Mysterio!’ Eu na verdade não tenho que olhar porque todo mundo vai achar que o cara é meio doido de qualquer jeito. Posso só continuar andando.”

Ele não deveria ter tanta certeza disso. ‘Longe de Casa’ até oferece uma explicação para o nome de atração de circo. Após o super-herói desconhecido aparecer em Veneza, Itália, para lutar com um monstruoso elemental da água, os noticiários italianos o apelidam de ‘Mysterio’.

Mysterio, que tem como nome real Quentin Beck e que vem de um universo alternativo, imediatamente preenche o dolorido vazio paterno de Peter Parker após a saída do Tony Stark de Robert Downey em Vingadores: Ultimato. O diretor Jon Watts diz que desenvolveu esse tema crucial durante as filmagens, baseado na química palpável entre Gyllenhaal e Holland, 23.

Uma das cenas de ‘Longe de Casa’ mostra Gyllenhaal assustadoramente parecido com Stark ao colocar os óculos de sol do bilionário.

“Jake podia quase que se transformar nele,” diz Watts. “Era surreal, a metamorfose.”

Gyllenhaal e Downey são amigos de longa data. Na verdade, Gyllenhaal estava trabalhando no filme de 2007 Zodíaco com Downey enquanto o ator, previamente perturbado, estava prestes a aceitar o papel de super-herói que mudou a indústria.

“Robert tinha me contado que ia fazer esse filme do ‘Homem de Ferro’”, diz Gyllenhal, que estava animado em presenciar o perfil de Hollywood de Downey explodir com o novo papel. “Ver alguém que estava quase perdido em um período virar uma das maiores estrelas do mundo e ter isso acontecendo em um período tão curto de tempo. Uma das maiores lições que aprendi presenciando isso é que você nunca sabe quem vai estar, onde e quais oportunidades elas vão receber. Até mesmo no momento mais próximo.”

Gyllenhaal está aproveitando ao máximo esse momento. Ele e Holland começaram seu próprio bromance público para apoiar a relação existente entre eles no filme. “Eu realmente gosto do cara,” diz Gyllenhaal. “E ele é um ótimo ser humano, não sou o único que pensa isso.”

Ademais, Gyllenhaal é capaz de incorporar sua curiosidade intelectual, seu superpoder de atuação, em todos os aspectos do Mysterio. Ele até ponderou sobre a barba do Mysterio, um passo além do personagem dos quadrinhos. “Jake e eu passamos horas e horas e horas discutindo a barba, o comprimento, o maxilar. Teve muito papo de barba,” conta Watts.

Gyllenhal não discute totalmente seus motivos em introduzir outra barba no Universo Cinemático da Marvel, o que não é pouca coisa. “Há motivos para isso. Motivos que não posso elaborar agora,” ele diz. “Mas, sim, (a barba) teve que ser aprovada por um monte de pessoas.”

Existe muito que Gyllenhaal diz ter amado explorar. Como o nome sugere, Mysterio é um personagem complexo com várias camadas. Discuti-las revelariam spoilers gigantes. Mas foi satisfatório retirá-las.

“Tem motivos para eu amar esse personagem, e os motivos pelos quais eu amo o personagem serão revelados. Foi por isso que eu quis interpretá-lo,” diz Gyllenhaal, que se apoia na expressão facial mais comicamente exagerada enquanto levanta as mãos em um movimento de “me ajudem” tentando parar o que parece ser uma linha básica de questionamentos. “Têm tantas coisas acontecendo com o Mysterio. Mas é uma coisa complicada de se falar sobre.”

É suficiente dizer que o amor de Gyllenhaal pelo papel floresceu juntamente com sua fantasia complicada. Se Mysterio retornar para um bis, terão upgrades, promete Watts. “Da segunda vez o uniforme sempre melhora,” ele diz.

Mesmo enquanto Gyllenhaal caminha para novas jornadas dramáticas, preparando-se para as apresentações na Broadway de Sea Wall/A Life que iniciam em Julho e indo até London’s West End na próxima primavera com Sunday in the Park with George, ele tem os pensamentos felizes da batida de “Disco Inferno” que ele podia acender em seu peitoral.


Fonte: USA Today
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil