Jake Gyllenhaal foi indicado ao Tony Award por sua atuação na peça Sea Wall/A Life e também como produtor (Sea Wall/A Life e Slave Play). Confira a entrevista que o ator concedeu para o The New York Times após sua indicação:

Esta tarde Jake Gyllenhaal realizou um feito inédito: recebeu sua primeira indicação ao Tony por seu papel como Abe na segunda parte de Sea Wall/A Life, dois monólogos narrados por jovens pais, e foi produtor em dois trabalhos nomeados para melhor peça (Sea Wall/A Life e Slave Play). Tom Sturridge, que se apresenta na primeira parte da peça, Sea Wall, também foi indicado a melhor protagonista em uma peça.

Em uma entrevista na noite de quinta-feira, o ator falou sobre superar seu medo inicial de estar sozinho no palco por uma hora, a evolução de sua performance ao longo de suas apresentações e como foi ter seu pai na plateia. Estes são trechos editados da conversa.

Qual é a sensação de receber sua primeira indicação?

Estou extremamente comovido. Em um momento em que tudo é tão incerto, é bom ter um pouquinho de certeza. “Sea Wall/A Life” foi algo criado entre amigos e se tornou uma jornada muito intensa e significativa para todos nós.

Quão diferente é atuar e produzir shows dentro da Broadway e fora dela?

Eu sabia que estava vendo algo extraordinário quando assisti “Slave Play” pela primeira vez, e eu sabia que queria ajudá-la alcançar o maior número de pessoas possível. E então quando trouxemos “Sea Wall/A Life” para Broadway, eu senti como se estivesse em uma espécie de show de rock apresentando um monólogo. O teatro Hudson é um teatro tão vertical, e a plateia parece estar muito próxima de você. Eu me lembro de sair encharcado de suor depois da primeira prévia da Broadway, e pensei, “Caramba, isso vai exigir muita hidratação.”

Como sua performance evoluiu ao longo das apresentações?

No início eu estava absolutamente apavorado por estar sozinho no palco interpretando um monólogo de uma hora, enfrentando as minhas maiores inseguranças e projeções. Então, inicialmente, era muito mais sobre o êxito de terminar tudo com a maior parte da escrita intacta na primeira parte. Depois, quando fomos para Broadway, eu realmente senti que estava conversando com o público e era capaz de ouvi-los de uma forma que não conseguia quando estava mais assustado.

Você interpreta um personagem que está lidando com um pai moribundo. Seu próprio pai teve a oportunidade de assistir a peça?

A primeira vez que a apresentei para meu pai foi surreal e muito comovente. Acho que não temos muitas oportunidades para falar com nossos pais – falando por mim mesmo, eu não tenho – sobre o que pensamos sobre eles morrerem. Poder conhecer a pessoa no escuro é realmente ouvir e ser capaz de falar com o coração aberto sobre isso – você vai me fazer chorar. Foi uma honra poder dizer a ele o quão importante ele é para mim.


Fonte: The New York Times
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

O público aos prantos foi uma cena comum durante as nove semanas de exibição de Sea Wall/A Life ano passado na Broadway, as peças solo de um ato estrelando, respectivamente, Tom Sturridge e Jake Gyllenhaal. Dirigido por Carrie Cracknell, as peças – conectadas apenas pelo tema de pesar impensável e a possibilidade de esperança por um fio – foram a combinação para uma noite poderosa de teatro, ganhando resenhas críticas e casas lotadas, recuperando seu investimento de $2,8 milhões apenas dois meses depois sua estreia em agosto de 2019 no teatro Hudson.

Grande parte do sucesso da produção, comercial e artisticamente, foi graças ao elenco. Dois atores com nomes conhecidos em Hollywood e com experiência na Broadway, Gyllenhaal e Sturridge, sob a direção eloquente e imaculadamente detalhada de Cracknell, deram performances que doem na alma.

Sturridge sobe ao palco primeiro, escalando o quebra-mar que deu nome a sua peça. Escrita pelo dramaturgo Simon Stephens (Punk Rock, The Curious Incident of the Dog in the Night-Time), a peça traz Sturridge como Alex, um doce britânico de vinte e poucos anos, pasmo com a perda de sua amada filha e o que pode ou não ser o colapso de seu casamento.

Em seguida, temos Gyllenhaal em A Life de Nick Payne. Falando diretamente ao público, como Sturridge havia feito antes dele, Gyllenhaal interpreta Abe, um homem preso entre a tristeza do recente falecimento de seu pai e o deslumbre pelo nascimento de sua filha. Ambas as perspectivas – vida sem ele, vida com ela – aterrorizam Abe antes de fortalecê-lo.

Desde outubro do ano passado, quando Sea Wall/A Life finalizou sua exibição, tudo mudou. O Deadline pediu a Gyllenhaal, Sturridge e Cracknell para refletirem sobre seu show – uma das 18 produções da Broadway elegíveis para as próximas indicações ao Tony Award – e o que ele oferecia ao público, e imaginar o que poderiam dizer ao público neste momento doloroso. Eles compartilharam o que mais sentem falta sobre o teatro e o que cada um espera fazer, talvez mais cedo do que você imagina.

A conversa foi editada e condensada para maior clareza e duração.

DEADLINE: Jake, você na verdade teve duas novas produções na Broadway ano passado – você foi um produtor em Slave Play. Geralmente você teria a chance de se reconectar com todo mundo na primavera por causa do Tony Awards e toda a loucura e festas que acontecem com ele. Quão decepcionante está sendo esse ano?

JAKE GYLLENHAAL: Eu acho que foi tão prolongado. Todos na Broadway são guerreiros, então todos estavam prontos pra seguir em frente e continuar até que fomos forçados a parar. Eu não conheço nenhum outro ramo que trabalhe tão arduamente e que continue a trabalhar em quase qualquer circunstância, e realmente só foi interrompido por esta pandemia. Então, para mim, sempre houve esse ímpeto [de avanço] na Broadway para não prestar atenção ao que um dia já foi, e agora ficamos sem nada que possamos dizer com confiança sobre o futuro. Então, estamos olhando para trás e nos sentindo nostálgicos. Há muito para se sentir falta em relação ao encontro e as pessoas, seja estar nas festas para o Tony Awards ou as apresentações, e é disso que sinto tanta falta.

Houve inúmeras vezes durante esse período onde me senti muito grato por ser um artista, muito grato por ter o trabalho de contar histórias, mesmo que não seja possível fazê-lo no momento. Nunca me senti tão grato por ter isso como meu trabalho e por compreender seu poder pela falta de oportunidade de fazê-lo. Também vou dizer, acho que agora é um tempo onde há todo esse desenvolvimento e os artistas estão se juntando. Tem gente com quem eu queria falar e nunca teria conseguido, mas todo mundo está conversando, sabe? Ideias estão sendo trocadas e coisas novas estão acontecendo e coisas que eu realmente achei que queria fazer caíram no esquecimento e novas coisas surgiram que realmente parecem muito mais profundas e próximas do meu coração.

DEADLINE: É possível ter uma conexão real através do Zoom?

GYLLENHAAL: Acho que quanto mais você valoriza essas interações, mais você vai lutar por elas, e a luta acontece ao tentar praticar a paciência e tentar se encaixar em um espaço onde parece certo esperar, porque se você realmente valoriza o teatro acho que vale a pena esperar. Qualquer filosofia de teatro diz que não é apenas a experiência de assistir a apresentação, é a semana seguinte, é a semana anterior, é a experiência de comprar os ingressos, a coisa toda. Eu acho que a catarse que sentiremos, o orgulho que sentiremos, a empolgação que sentiremos será dez vezes maior por causa do tanto que o público esperou por esta experiência. Falando por mim, minha experiência de teatro ainda está acontecendo enquanto espero por ela.

DEADLINE: Quão difícil é planejar agora o que vocês farão a seguir, principalmente no teatro?

GYLLENHAAL: Eu estava indo para Londres [quando tudo foi suspenso] para fazer Sunday in the Park with George no West End e nós tivemos que adiar a apresentação, que foi adiada um ano e ainda temos toda intenção de fazê-la. E então eu estou planejando umas coisas bem divertidas que não posso falar sobre mas que espero que aconteçam logo após o ano novo, e que seria feito com segurança. Por mais que eu fale sobre paciência, ainda tenho que trabalhar nisso e estou tentando colocar as coisas, com sorte, para fevereiro/março, mas com segurança. Então há planos de fazer um certo tipo de performance ao vivo, é a melhor maneira que eu poderia dizer. Não sei se vou ficar bem com isso – fazer uma apresentação apenas com nós e mais ninguém.

DEADLINE: Existem planos para vocês três trabalharem juntos novamente? Sei que vocês fizeram um audiolivro do Audible para Sea Wall/A Life, mas tem alguma conversa sobre filmar ou interpretá-la novamente?

GYLLENHAAL: Foi uma combinação tão improvável de pessoas, de palavras, e aconteceu da maneira afortunada que foi, e por falta de uma palavra melhor, mágica. Não acho que sentimos que tudo acabou e acho que há algo especial e lamento falar por todos nós, mas minha observação é que estamos todos prontos para qualquer coisa. Eu faria qualquer coisa com esse grupo novamente, incluindo Sea Wall/A Life, que talvez apareça em uma encarnação diferente. E se talvez nunca acontecer de novo, acho que todos ficaríamos, tipo, ok, é assim que deve acontecer. Mas me recuso a não trabalhar com esses dois nunca mais.

DEADLINE: Então vocês estariam abertos a uma versão cinematográfica?

GYLLENHAAL: Se nós fôssemos fazer isso seria interessante ver o que esse material inspiraria nos autores e a forma como Carrie o vê e ver se talvez ela extraia uma ideia totalmente nova do que era, e talvez nem mesmo apenas a coisa em si, mas uma nova criação, quase como uma espécie de sequência ou algo assim. Quer dizer, eu anseio por isso. Acho que é provavelmente terrível para mim dizer isso, mas durante esse tempo eu tenho ansiado por encontrar gravações de produções que encerraram antes que eu pudesse vê-las, sabe? Para ouvir aquelas vozes cantando e ver algumas dessas apresentações, mesmo que tenham sido mal filmadas. Não podemos ir aos arquivos do Lincoln Center todos juntos, sabe? Eu realmente gostaria que pudéssemos continuar a exibir Slave Play agora. Eu gostaria que as pessoas pudessem ter essa experiência porque é muito visionária e acho que é muito importante. Sea Wall/A Life também. Tematicamente, é sobre luto e comunicação e sobre ser aberto e vulnerável nos momentos em que estamos apavorados e como é difícil amar e estar vivo.


Fonte: Deadline
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Barry Levinson vai dirigir Francis and The Godfather, com Oscar Isaac estrelando como Francis Coppola e Jake Gyllenhaal como Robert Evans em um drama sobre as batalhas lendárias e malucas que ocorreram durante a produção do clássico O Poderoso Chefão de 1972. O filme é baseado em um roteiro da Black List escrito por Andrew Farotte que foi reconstruído por Levinson. Mike Marcus, Doug Mankoff e Andrew Spaulding da Echo Lake Entertainment estão produzindo junto com Kevin Turen, Jon Levine e Jason Sosnoff da Baltimore Pictures. Endeavor Content é responsável por lidar com os direitos mundiais do filme junto com a FilmNation.

Enquanto O Poderoso Chefão é considerado um dos melhores filmes americanos e um símbolo da era 70 do autor, chegar até isso não foi tarefa fácil. Coppola tinha 31 anos na época, determinado a convencer Evans e o estúdio a deixarem ele filmar um filme caro em Nova York, que se passava em uma época da história que mais tarde se tornaria um grande sucesso de vendas. Isso porque o roteiro original de Mario Puzo se passava em Kansas City. Dentre outros debates, estava a ideia de apostar no Marlon Brando, uma figura eclética que não participava de um filme de sucesso fazia anos, para interpretar o mafioso patriarca da família Don Corleone (pelo qual ele ganharia o prêmio de Melhor Ator), e também Al Pacino como Michael Corleone, um personagem que vagarosamente evoluiu de um desejo de se afastar dos negócios da família para assumi-los quando ficou claro que seu pai seria assassinado após as tentativas falhadas. Evans, que aceitou o trabalho difícil após sua carreira como ator, tinha suas próprias dificuldades, enquanto o estúdio estava correndo risco de fechar suas operações. Tinha também as discussões nada fáceis com mafiosos reais que não estavam muito contentes em ter seus negócios sujos divulgados por um grande estúdio de cinema.

“Apesar de toda a loucura da produção, e contra todas as probabilidades, um filme clássico aconteceu”, disse Levinson. As histórias de por trás das cenas são umas que ouço a muitos anos pelo Peter Bart, meu chefe por 20 anos na Variety (e às vezes coautor numa coluna ocasional sobre filmes). Bart foi afastado do New York Times para se tornar o segundo executivo de criatividade do Evans, e ele estava no centro de todas essas gloriosas discussões.

Será muito interessante ver quem Levinson escolheu para interpretar Bart. Falando nisso, Robert Duvall (Tom Hagen), James Caan (Sonny Corleone), John Cazale (Fredo), Talia Shire (Connie Corleone), Diane Keaton (Kay Corleone) e todo o elenco fantástico. Mas o filme claramente foca nos colapsos entre produtores e diretor do filme e o chefe do estúdio que precisava desesperadamente de um sucesso.

Além do Oscar para Brando — que famosamente boicotou a cerimônia e mandou Sacheen Littlefeather em seu lugar para aceitar o prêmio, uma ativista apache pelos direitos de Nativos Americanos, como forma do ator protestar contra como Hollywood retratava nativos americanos e a discussão acerca de Wounded Knee — o filme ganhou Melhor Filme e outro por Melhor Roteiro Adaptado para Puzo e Coppola. É um terreno rico para um filme para quem ama filmes. Ben Affleck está dirigindo algo similar em um filme sobre a produção de Chinatown.

Para sua parte, Coppola já aprovou. Ele disse: “Qualquer filme que Barry Levinson faz sobre qualquer coisa, será interessante e digno!”

Mike Marcus da Echo Lake, que já viu várias versões de dramas de por trás das cenas ao se fazer um filme como agente principal na CAA e chefe de estúdio da MGM, disse: “Estava aqui um homem jovem que vivia fora do sistema e a cada passo que dava o sistema dizia pra ele, ‘Você não pode fazer isso.’ Mas o Francis nunca desistiu da sua visão e o resultado fala por si próprio.”

Isaac é representado pela WME e pela Inspire Entertainment; Gyllenhaal e Levinson pela WME.


Fonte: Deadline
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Ao longo de sua carreira, Jake Gyllenhaal tem sido um ator conhecido pela sua dedicação pela arte. Mas, chegando perto dos 40 anos, trabalho está começando a importar menos do que uma vida bem vivida, ele conta para Olivia Marks.

“Já consigo ver isso na revista,” brinca Jake Gyllenhaal. Com um sorriso largo, semelhante à de um filhote, ele está carregando dois copos de papel com água quente escaldante e uma caixa de chá PG Tips, debaixo do braço, do set da sessão de fotos com a Vogue para sua entrevista. E enquanto eu odeio ser uma repórter previsível… bom, aqui estamos nós. É uma cena tão improvável – a estrela de Hollywood fazendo ele mesmo uma xícara de chá (dois saquinhos de chá, sem leite, admitindo que, na verdade, ele preferiria a marca Yorkshire Gold) em um estúdio de fotos espaçoso no centro de Manhattan. Mas daí, Gyllenhaal insiste que é “tão britânico quando um americano pode ser.”

Sem ficar muito presa nas minúcias das habilidades de fazer chá dele (sem leite?), é verdade que o ator de 39 anos é meio que um admirador da Inglaterra. Ele fez sua estreia profissional no teatro no Garrick de Londres lá em 2002, com 21 anos, em This Is Our Youth (que também contam com Anna Paquin e Hayden Christensen). “Eu tive essa sensação de estar entre pessoas que olhavam para as coisas do mesmo jeito que eu olhava,” ele me conta da experiência, passando a mão pelo seu cabelo de príncipe da Disney, uma leve rouquidão em sua voz.

Desde então, ele passou “cinco ou seis anos somados” na capital, vivendo em vários lugares desde o leste de Londres até Notting Hill. Ele adora o Hampstead Heath – “eu acho que não existe nenhum outro lugar no mundo como esse” – e frequentemente se cerca de britânicos (ele recentemente terminou uma temporada na Broadway de Sea Wall/A Life com o ator Tom Sturridge e com a diretora Carrie Cracknell). Ah, e ele quer que seja sabido que sua etiqueta no teatro está em dia. Diferente de seus colegas americanos, ele odeia ir para o backstage após a peça. E, “eu não aplaudo quando os atores vão até o palco.”

Até então, bem britânico. O seu senso de humor é deliciosamente seco, também – mais seco do que alguém poderia esperar vindo de um ator que, ao longo de uma extensa carreira, ficou conhecido por possuir um certo comportamento sério e seriedade pelo trabalho. Eu não previa, por exemplo, a longa conversa que tivemos sobre a impraticabilidade de macacões ao ir ao banheiro (“Nós divagamos,” ele diz. “Ou não?”), ou o fato dele fixar com aqueles olhos famosos (meu deus, aqueles olhos azuis gelo, olhos claros) e perguntar se eu gostaria de um pequeno papel no seu novo show.

Deixa eu te contar, sentar em um banco lado a lado com o Jake Gyllenhaal na deslumbrante luz do sol, discutindo se eu deveria ou não interpretar uma crítica de arte chamada Blair na peça de Stephen Sondheim e James Lapine, Sunday in the Park with George – a qual ele irá estrear no Savoy Theatre em Londres em junho – é um deleite surreal. (Essa conversa ocorreu, claro, antes de um ponto de interrogação ter sido colocado sobre quando nossos teatros vão abrir.) “Ele entra em cena e diz [ele faz uma voz feminina sem ar], ‘George, Chromolume número sete.’ Você deveria entrar só no lugar de um convidado, sim? Ok!” O charme dele é tão grande, por um segundo eu fico tentada a aceitar.

Gyllenhaal irá esperançosamente reprisar seu papel como Georges Seurat, o pintor pontilista francês do século 19, no qual o musical ganhador do Prêmio Pulitzer é baseado. Realizado pela primeira vez em 1984, e lidando com amor, arte e conexão humana, é um espetáculo de duas metades distintas. A primeira segue um Seurat focado enquanto tenta completar sua obra de arte, A Sunday Afternoon on the Island of La Grande Jatte, ignorando suas muitas críticas, assim como Dot, sua amante e musa (interpretada por Annaleigh Ashford), no processo. A segunda retrata um tetraneto fictício de Seurat – também chamado George, e também interpretado por Jake – que é um artista na América dos dias atuais, e é igualmente obcecado com seu trabalho custando sua vida pessoal.

A peça chegou ao Gyllenhaal pela primeira vez em 2016, quando pediram que ele cantasse alguns dos números musicais para um espetáculo em Nova York. O breve show foi um sucesso, então quando, um pouco depois, um teatro em Broadway ficou disponível por alguns meses, ele sugeriu que eles levassem pros palcos. As críticas foram de brilhar, Jake uma revelação. (Ele me conta, adequadamente orgulhoso, “Foi realmente maravilhoso.”)

“Eu amo atuar em filme eu tive muita sorte,” ele diz, “mas eu realmente me sinto em casa quando estou atuando e cantando simultaneamente. Tem sido deste jeito desde que eu era muito novo.” Mesmo assim teatro musical não é, eu sugiro, onde as pessoas o imaginam. Sunday não é nenhum melzinho na chupeta, mas sim uma trilha notoriamente difícil de ser cantada. “Eu sou muito interessado em saber onde eles me colocam,” ele ri. “Eu tentei fugir desses lugares minha vida inteira.”

Nascido e criado em Los Angeles, ele curtia algo de uma infância dourada como parte de uma família liberal no ramo do show-business. Seus pais – diretor Stephen Gyllenhaal e roteirista Naomi Foner (agora divorciados) – contavam com Jamie Lee Curtis e o agora falecido Paul Newman como amigos próximos (Gyllenhaal conhece eles como padrinhos). A mãe dele é “profundamente feminista”, e Jake cresceu “em um mundo com minha mãe organizando jantares em casa com grupos feministas e mulheres muito poderosas na política e em Hollywood”. Ela suplementou a dieta dele de filmes do Spielberg com filmes do Ken Loach, o que explica muita coisa. Agora ele mora em Nova York, perto de sua irmã atriz Maggie e de um círculo próximo de amigos, alguns que ele conheceu na escola, outros, como Sturridge – “forte, tão inteligente, engraçado” – ele colheu ao longo do caminho.

É verdade que ele é um ator que evitou classificações – profissionalmente e pessoalmente. Ele deu o tom com a película indie cult Donnie Darko, o papel que o deixou conhecido, em que ele interpretava o jovem torturado que dá nome ao filme. Quatro anos depois, ele ganhou um Bafta por seu trabalho excepcional ao lado de Heath Ledger no marco de carreira de Ang Lee, O Segredo de Brokeback Mountain, antes de interpretar um fuzileiro naval americano no filme Soldado Anônimo de Sam Mendes e um caçador de assassinos em série para David Fincher em seu filme Zodíaco. Ele tem uma reputação de ir a fundo com suas preparações. Para O Abutre de 2014, ele perdeu 13kg e mal dormiu para se transformar no rígido malandro, mas ele correu 24km por noite para interpretar o campeão de boxe em Nocaute. Quando, em 2017, ele interpretou Jeff Bauman em O que te faz mais forte, um homem que perdeu as pernas no bombardeio da maratona de Boston, os dois conversaram todos os dias por meses.

Enquanto ele ainda tem que começar a praticar pontilhismo, ele disse que consegue facilmente se identificar com a mentalidade do Seurat, um artista consumido pelo trabalho acima de tudo. “Sim, eu me identifico com isso profundamente,” ele explica sinceramente. “Essa é a dificuldade o tempo todo.” Mas algo mudou nos últimos anos. “Estou interessado na minha vida, até mais do que em meu trabalho. Eu alcancei um ponto na minha carreira em que eu estou com fome por outas coisas. Eu vi o quanto da minha vida eu negligenciei como resultado de estar comprometido com aquele trabalho e com aquela ideia.”

Basicamente, ele se iluminou. Uma parte disso tem a ver com idade, “ver a vida como algo que é, sabe, passageiro, e o mundo estando como está agora. Eu me voltei para a minha fala, me voltei para meus amigos e me voltei para o amor. Eu estou um pouco menos interessado no trabalho, eu diria, e mais interessado nisso.”

Parece que interpretar um artista neurótico foi transformador. Ele concorda, especialmente na maneira que o fez olhar para seu futuro. O George do Segundo Ato, ele diz, experiencia sucesso financeiro e de crítica, mas nunca teve uma família. Ele recita sua frase favorita da peça: “Tudo o que você fizer, deixe que venha de você. E então será novo. Nos mostre mais.” Faz ele pensar no “ato de fazer amor para fazer uma criança… a coisa real é vida. Você chega no final da peça e é sobre isso que ela é. Crianças. Crianças e arte.”

Você vê crianças no seu futuro, eu pergunto? “Sim, claro que eu vejo”, ele responde. “Eu definitivamente vejo. Eu acho que essa é provavelmente a razão de eu ver o final da peça do jeito que eu vejo. Eu sei que é por causa disso que eu vejo o final da peça do jeito que eu vejo.”

“Eu não sou alguém que alguma vez existiu em um espaço onde eu realmente soubesse o que viria a seguir,” ele diz. “Mas você tem que estar aberto a isso. E não houve nenhuma outra época na minha vida que eu possa seguramente dizer que…” ele arrasta a fala, mas fica claro para onde ele estava indo. Gyllenhaal é conhecido por ser fantasticamente privado, e seus relacionamentos passados com mulheres de alto nível – Kirsten Dunst e Reese Witherspoon entre elas – tem sido bom, se frequentemente de maneira errada, documentados. Há dois anos ele está em um relacionamento com a modelo francesa Jeanne Cadieu e, enquanto se aproxima dos 40 anos, claramente família está em sua mente.

Mas de novo, ele sempre foi muito próximo de sua própria família. “Eu fui criado por um pai maravilhoso que sempre foi carinhoso,” ele diz. “Minha mãe e minha irmã são umas das pessoas mais extraordinárias que eu conheço. Nossa vulnerabilidade um com outro, nossa habilidade de comunicar sobre como as coisas podem estar sendo difíceis são as coisas de que mais me orgulho de minha família. De tudo que eu espero passar pra frente, essas são as mais importantes. Minha mãe sempre dizia que ela me via como um certo tipo de criança e que ela queria proteger isso. E confessadamente, mesmo que eles tenham errado algumas coisas, eles passaram um bom tempo protegendo essa coisa, essa sensibilidade, eu acho. Eu sou grato por isso.”

Ele está contente que homens estão encontrando um jeito de serem mais vulneráveis, também. “É muito importante que estejamos representando homens de maneiras diferentes em filmes, na arte. Eu lembro de ser muito jovem, muito sensível, e me disseram que eu era um capacho.” Ele ri incrédulo. “Eu acho que o que eles estavam tentando dizer, que está cheio de suas pequenas complicações interessantes, é que eu me importava. E as coisas me afetavam. Que potencialmente eu não seria alguém que você imaginaria pulando de um teto para um prédio em chamas. Mas eu não acredito nisso. Quando eu fiz Soldado Anônimo, o escritor William Broyles me disse, ‘Você é igual muitos dos caras que serviram comigo.’ Eu acho que é importante perpetuar isso na contação de histórias.” Ele pausa, antes de brincar: “Ao mesmo tempo, isso pode só ser eu tentando conseguir mais empregos.”

Ele tem uma rede de amigos forte – dê uma olhada no Instagram dele e você achará fotos do Tom Holland e do Ryan Reynolds com hashtags como #MetaDeMarido e #dianacionaldomelhoramigo. E quando lhe digo que ele é sortudo e incomum, como homem já na casa dos trinta, ter relacionamentos tão sólidos, ele visivelmente se emociona. “Você está fazendo eu me sentir muito emotivo sobre meus amigos,” ele diz, docemente. “Essas amizades masculinas são muito importantes para mim.” Bom, eu digo, não tem nada mais legal do que saber que temos nossas pessoas. “Nós estamos todos desesperados por isso, não estamos?” ele diz, olhando para mim com aqueles olhos que buscam por algo. E eu acho que ele está certo: tudo o que realmente importa é amor e arte e conexão humana.


Fonte: Vogue Britânica
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Jake Gyllenhaal passará uma boa parte do tempo que passamos juntos hoje tentando explicar em como ele mudou. Ele vai abordar isso de todas direções. Um momento ele pode mencionar como “existe uma preciosidade que foi embora”. Em outro ele irá detalhar como ele vem tentando “tirar um tempo, uns momentos, escutar meus próprios sentimentos”. Ou ele vai comparar como ele está agora com como ele estava da última vez que nos encontramos assim, há dez anos. “Tudo que posso dizer a você é que eu me sinto muito bem com onde eu estou na minha vida. Eu estava tão perdido em tantas maneiras diferentes, procurando por coisas fora de mim mesmo, e quando a gente se encontrou pela última vez eu acho que era isso que estava acontecendo. Agora eu estou meio que tipo: esse é quem eu sou, de várias maneiras. É esse quem eu serei.”

Pelo menos parte disso tem relação com uma evolução em como Gyllenhaal aborda seus trabalhos de atuação. Ele tinha ficado conhecido, particularmente no decorrer da última década, por papeis envolvendo preparação intensa que na maioria das vezes vinha acompanhado de algum tipo de transformação física notável, mas agora ele fala disso quase como se tivesse sido um tipo de fase pela qual ele passou. Não é que ele esteja negando o que fez, ou mesmo dizendo que esses instintos ainda não estejam vivos dentro dele – “Eu sou super específico, eu sou obsessivo às vezes quando estou criando coisas,” ele reafirma – mas ele está reconhecendo como o processo criativo que ele adotou pode, entretanto, cumulativamente, ter equivalido a um tipo de evitamento.

“Eu acho que me escondi muito”, ele diz. “Tipo, ‘Eu me escondo e daí eu crio esses personagens e eu mexo com essas ideias em um canto…’ eu me escondi na minha ideia do que eu pensava ser o que um ator deveria ser, o que eles devem fazer. E eu estou meio: ‘Foda-se, eu não sou nem um pouco assim.”

Na verdade, conversas com Jake Gyllenhaal não sem sempre o processo mais linear. Tem muitas mais explicações e pensamentos que irão surgir sobre quem ele é e quem ele era, e muitas outras histórias e discussões que irão oferecer evidência, ambas corroborativas e contraditórias, talvez algumas vezes até mesmo quando ele não quer que elas sejam, mas elas nem sempre chegam da maneira mais organizada possível. Em um momento, no meio de um fluxo de sentenças quebradas e terminadas pela metade, ele pede desculpa, explicando que “esse músculo da entrevista, falar de mim mesmo, não é usado há um tempo.” Talvez não, mas eu acho que o problema principal é algo mais interessante. Enquanto Gyllenhaal certamente pode ser eloquente e inteligente, em alguns momentos ele é charmosamente inarticulado, precisamente da maneira que alguém é quando está se empenhando para comunicar uma experiência real ou pensamento ou sentimento, a qual eles ainda não descobriram um grupo bonito e pré- preparado de palavras. Mesmo que as vezes possa ser uma estratégia, ainda parece como se ele estivesse te convidando para a jornada de tentar descobrir tudo isso, ao invés de só de mandar um cartão postal brilhante do destino final.

Por exemplo, quando eu pergunto a ele como ou quando essas mudanças recentes começaram para ele, ele não tem uma resposta pronta. Ao invés disso, ele começa com vários outras pensamentos, se interrompendo com várias interjeições – “quando aconteceu?”, “o que foi?”, “quando foi de verdade?” – antes de se contentar com o que ele acredita ter sido pelo menos um dos momentos chave: sua experiência com o filme de 2017 “O que te faz mais forte”.

O que te faz mais forte, produzido pela empresa de Gyllenhaal, conta a história de Jeff Bauman, que perdeu ambas as pernas no atentado ocorrido em 2013 durante a Maratona de Boston. Naturalmente, Bauman foi interpretado por Gyllenhaal, que abordou o desafio com uma intensidade visceral característica (e impressionante). Quando o filme foi lançado, Gyllenhaal – que continua profundamente orgulhoso do filme – o promoveu vigorosamente, o Jeff Bauman da vida real frequentemente aparecendo junto com ele em dupla inesperadamente divertida. Mas enquanto o filme
não afundou sem deixar traços, também não aparentou deixar sua marca na cultura. Aqui está exatamente como, sentado aqui hoje, Gyllenhaal descreve isso tudo, e sua reação subsequente:

“Acho que eu meio que force demais, eu queria que esse filme fosse tão excelente. Foi uma devoção minha ao cara que eu interpretei e a mim mesmo. Eu tentei de tudo que eu podia para ser fiel a história – eu lutei tanto para que esse filme fosse visto, para que a história dele fosse apreciada. Eu senti muita pressão. Porque nós tínhamos feitos uma escolha de contra uma história sobre algo que era devastador e muito real e de uma pessoa que eu me tornei grande amigo. Então eu só tentei muito. Não teve a resposta que eu desejava que tivesse tido. E eu acho que de algumas maneiras, no processo disso tudo, aprendendo com o Jeff, que eu interpreto no filme, eu falei ‘O que eu estou fazendo? Pelo que eu estou tentando tanto?’ Sabe? Você não pode fingir essas coisas, sabe. Você nunca vai interpretar a experiência de verdade. Uma pessoa disse para mim: ‘Você perdeu sua imaginação.’ E eu acho que eu percebi que eu meio que quase perdi minha imaginação. E eu pensei, ‘Bom, que porra é atuar…’ – ou, ‘o que porra é criação…’ – ‘…sem imaginação?’ E daí eu fiquei ‘Certo…’. Tipo: vamos nos divertir um pouquinho mais aqui.”

Desde então, há dois jeitos evidentes no qual o “um pouquinho mais de diversão” tem se manifestado nos trabalhos de Gyllenhaal. O primeiro tem sido no palco, no teatro. Gyllenhaal foi direto de O que te faz mais forte e de outro filme produzido em conjunto com sua empresa (o drama familiar Wildlife, uma adaptação do romance de Richard Ford) pra uma aparição na Broadway como o protagonista no musical Sunday in the Park With George de Stephen Sondheim após apenas seis semanas de ensaios. Na época, exausto, ele estava preocupado se até mesmo seria capaz de passar por isso. Mas não só ele recebeu críticas delirantes, mas mais importante, ele descobriu um pouco desse um-pouco-mais-de-diversão.

“Tudo que isso fez foi me alimentar,” ele diz, “E eu fiquei, ‘Ah meu deus, essa é minha alegria, é isso que eu amo.’”

Gyllenhaal também aplicou subsequentemente qualquer que seja esse novo princípio para seu trabalho nos filmes.

“Eu acho que a ideia de um personagem para mim mudou,” ele diz. “Eu só me deixo ir na alegria dele.” Fortuitamente, essa mudança na abordagem apareceu quando ele foi abordado para aparecer no novo filme do Homem-Aranha, fazendo o papel do vilão Mysterio.

“Eu só estou tirando todo o julgamento disso,” ele diz agora, “porque só parece que é besteira. São coisas que eu amo, sabe. Eu sempre quis fazer parte de um filme de super-herói, sabe o que eu digo? Quero dizer, quando as pessoas dizem, ‘Ah, você vai interpretar um super-herói? Você quer ser um super-herói?’ E eu fico, quero dizer, depende de qual, mas, sim, claro. Sim. Eu amo isso, também. E eu também amo Meu Nome É Joe – não existe porra nenhuma igual a isso, e a experiência desse filme me atinge no coração e no estômago de um jeito que nenhum outro filme consegue. Mas ao mesmo tempo, eu amo profundamente e entendo o Bruce Banner, sabe.”

Outra maneira de colocar é de que existem certas formas de louvores que podem te encaixotar, porque o elogio que eles passam também implica um tipo de limitação.

“Pessoas me falando, “Ah, você sabe, ele é um ator muito sutil…’,” Gyllenhaal diz. “Isso era algo que as pessoas me falavam o tempo todo. E eu ficava, ‘Não, eu não sou!’ quero dizer, existem tantos outros…” Ele se interrompe, e ao invés decide completar seu pensamento assim: “Quero dizer, eu sou esperto o suficiente para saber que eu não vou mostrar tudo que tenho na mão agora. Existe muito mais.”

Interpretar o Mysterio ofereceu ao Gyllenhaal bastante alcance para mostrar outro lado do que ele poderia fazer, uma oportunidade que ele acatou com gosto. Adicionando uma camada extra para o humor exagerado do Mysterio existe o fato de que o próprio personagem estava constantemente atuando, fingindo ser algo que não era. Gyllenhaal gostou de abusar disso também. “Era divertido para mim, porque eu sentia que você nunca realmente sabia quando ele estava atuando, mesmo quando ele não estava atuando,” ele explica. “Tinham vezes que eu saía do set e ficava, “Cara, essa não foi uma atuação muito boa…ooooh! Perfeito!’ Eu podia só jogar isso pela janela. Qualquer critério que eu tinha, eu tive que me livrar dele, e isso foi muito divertido.”

Se existe um novo e mais solto Jake Gyllenhaal, outra manifestação disso é sua relativamente recente presença no Instagram, uma virada de eventos que ele justificou em uma entrevista na TV americana com as palavras: “Eu cheguei na conclusão de que ninguém se importa com nada mais, então, eu deveria fazer uma conta no Instagram.”

“Talvez seja tudo parte da mesma coisa,” ele concede. “Todo mundo estava levando tudo um pouco sério demais. Talvez eu estivesse me levando a sério demais. Eu na verdade não sou sério assim. Eu posso ser, mas na verdade eu sou um brincalhão. E é um ótimo lugar para ser isso. Eu tenho um grupo inteiro de pessoas que estão fazendo isso que talvez me conheçam e estariam interessados em conseguir uma foto de vez em quando para ver se eu tenho algo sem sentido para falar. Então, ninguém realmente se importa, sabe? E também, eu comecei a falar para mim mesmo: ‘Você vai colocar seu rosto em um cartaz para um filme que vai estar no mundo inteiro em diferentes cidades em ruas, e você não vai fazer uma coisa similar nessa plataforma que te dá a oportunidade de dizer algumas coisas potencialmente interessantes… e potencialmente algumas bem desinteressantes? Algumas coisas engraçadas? E brincar um pouquinho?’ Quero dizer, olha, nem sempre me deixa confortável. Mas tem coisas sobre isso que são
divertidas.”

Caracteristicamente, Gyllenhaal centraliza no mesmo respiro conversacional dessa leveza de um artigo recente do New Yorker pelo autor e neurologista falecido Oliver Sacks sobre os perigos da era digital. E daí, de alguma maneira para seu desconcerto – e talvez, você perceba corretamente, incredulidade ocasional – nós espiralamos por um certo buraco negro, começando assim:

“Nós estamos em uma época muito interessante. Sabe, para onde estamos nos encaminhando? Como é que podemos olhar para os dados que a Apple cospe para você no final da semana e perceber que de alguma maneira você passou três horas nas redes sociais? Pra onde diabos que isso foi? Quero dizer, eu ainda estou boquiaberto que eu passei 17 horas procurando por comida no FreshDirect.”

17 horas? Em uma semana?

“Não são 17, mas é tipo, de cinco a sete. Tipo, procurando pepino Persas. É uma busca de verdade para mim.”

Você passou cinco horas em uma semana procurando comida no FreshDirect!

“Eu gosto de comida! Eu curto comida, e cozinhar a comida.”

Você sabe que existem lojas disponíveis que você pode ir andando né?

“Sim, eu faço isso também. Se eles calculassem todas as horas que eu passei procurando por produtos alimentares, você saberia que a maior parte dos personagens que eu interpretei não são personagens! Obviamente, acabei de me expor. Quero dizer, eu realmente gosto de comprar comida. E eu também gosto de procurar se os ingredientes são ou não sustentáveis ou da onde eles são. E isso demora um tempo, sabe o que quero dizer?”

E o pepino Persa – isso é real? Eu não sabia que existia uma coisa chamada pepino Persa.

“O quê? Sim, claro. Sim.”

Como que isso é diferente de um pepino normal?

“Eles são menores. Eles são mais crocantes. Você está zoando?”

Eu não estou zoando.

“O pepino Persa e o pepino Japonês, eles têm um certo tamanho e eles são ótimos.”

E para que você os usa?

“Salada. Eu não procuro tanto assim por pepino Persas, tenho que admitir. Eu procuro por outras coisas que potencialmente você talvez nem conheça. Eu achei um biscoito maravilhoso de gengibre.”

O que o biscoito de gengibre tinha de especial?

“O gosto dele. Isso é descritivo o suficiente? Só um biscoito de gengibre clássico. Um clássico, com cobertura.”

Redondo?

“Não, retangular. Parecia um pouco com cartas de baralho. Mas grande. Macios, mas tipo um pouco de – como Paul Hollywood diria – um pouco de ‘você ainda consegue ouvir o crack…’ ou sei lá. Como que a gente divagou para isso?” 

Me contaram que você gosta desses programas britânicos de culinária. Estou meio horrorizado.

“Sério? Eu assisti todos eles. Sim. O que tem neles que você não gosta…?”

Depois que nós discutimos os variados prós e contras dos programas culinários e o mundo mais abrangente dos programas de reality por um tempo, Gyllenhaal faz uma observação peculiar e meio interessante sobre o mundo particular de The Great British Bake Off. “Tem meio que uma perversão no programa, no sentido de que você nunca
pode experimentar, ou sentir o cheiro do que você está vendo. Você pode assistir pessoas construindo Legos, você não precisa sentir o cheiro dos Legos. Você não precisa sentir o gosto deles, você pode só assistir. Mas quando você assiste alguém fazendo algo como um tiramisu… Você nunca vai sentir o gosto dele! Não. Você nunca vai sentir o gosto dele! E tudo que você tem é alguém descrevendo-o para você. Você sabe, é a Mary Berry e os outros jurados que te contam, e eles são especialistas, e isso é ótimo. Mas tem algo sobre isso que eu acho, particularmente como britânico, que você vai deve achar bem interessante.”

Você está sugerindo que há algo prazerosamente masoquista nessa ausência?

“Sim. Sim. E, ao mesmo tempo, também maravilhoso de assistir, tipo, você está na zona rural britânica, você está em uma tenda. Sabe? É ótimo.”

Ai meu deus.

“Eu sei. Me desculpe. Talvez você não deveria ter aceitado essa entrevista”. Gyllenhaal passou pedaços significativos de sua vida adulta na Grã-Bretanha (mais recentemente, filmando Homem-Aranha: Longe de Casa) e estará de volta por vários meses nesse verão quando Sunday in the Park With George tiver sua reprise no Savoy Teatro em Londres. (É um musical, que incidentalmente, foca na vida e trabalho do pintor do pontilhismo Georges Seurat.) Gyllenhaal diz que ele gosta da tradição e trabalho britânicos de atuação e dias mais curtos de trabalho, e o senso de humor mais seco. “Têm tantas coisas que eu amo. E eu também estive muito acolhido aqui desde muito pequeno. Sabe, do jeito que meu cérebro funciona, o jeito que minha mente funciona, eu me senti mais acolhido lá do que nunca.”

Eu pergunto para ele, por outro lado, o que enlouquece ele na Grã-Bretanha, “Eu acho, que no final das contas, o quão diferente nós somos,” ele responde. “No final das contas, às vezes só digo: você pode por favor me dizer como você se sente?” Ele continua reclamando sobre a falta de sistemas de aquecimentos ou ventiladores no verão (“é só uma sugestão”) e o jeito que as pessoas britânicas se recusam a acreditar que qualquer outra pessoa seja capaz de fazer uma xícara de chá decente (“só não é verdade”) e o preconceito de que nenhum americano seja capaz de fazer um sotaque que se passe por britânico.

Só voltando para a primeira coisa: você sabe que nós nunca vamos te contar como nos sentimos né?

“Não, eu sei disso. Eu sei. Acredite em mim, estou bem ciente.” Tem um amor preguiçoso na nossa cultura – não só na Grã-Bretanha ou América, mas mais na cultura popular global nesse ponto – por um tipo específico de histórias sobre os famosos, uma que mostre eles como obcecados com si mesmos e com egos inflados. Parece que muitos de nós – muito mais do que deveria – desejam que essas histórias sejam verdadeiras. (Eu vejo isso como um sub tópico de um ressentimento mais amplo e geralmente não examinado contra os famosos por causa de uma presumida vaidade em pensar que nó estamos interessados neles, um ressentimento mantido, principalmente, por aqueles mais profundamente interessados neles.) No entanto, mesmo que o Jake Gyllenhaal tente se separar desse tipo de mundo, ele não é imune, e um clássico mal intencionado do gênero apareceu no tabloide americano New York Post em 26 de abril de 2019. A manchete era A arte favorita do Jake Gyllenhaal é a dele própria e a história dizia, em partes, isso:

Um espião da Page Six recentemente ouviu por acaso uma conversa em uma loja de molduras de arte no centro entre um coletor – que foi sortudo o suficiente para ter um retrato dele mesmo feito pelo seu artista favorito – e o dono da loja.

Quando o rapaz perguntou pro dono se parecia vaidoso demais ter um retrato dele mesmo emoldurado, o dono o tranquilizou dizendo, “Jake Gyllenhaal vem aqui o tempo todo e eu nunca emoldurei alguma coisa pra ele que não fosse uma imagem dele mesmo.”

Talvez compreensivamente, Gyllenhaal não aparenta estar muito exuberante quando eu menciono isso, mas eu fico feliz que eu mencionei, porque é as vezes quando as pessoas estão levemente com o pé atrás que elas fornecem as expressões mais eloquentes e próximas ao coração de como elas realmente se sentem e pensam. Primeiro, a pedido meu, Gyllenhaal endereça as especificidades, mas sua resposta cresce a partir dali. “Meu deus. O que você quer saber de uma história sem sentido? Então o que eu acho que aconteceu é – porque eu posso seguramente afirmar que eu não tenho nenhuma fotografia minha emoldurada no meu apartamento – é que eu tenho um escritório de produção, e nesse escritório da empresa de produção nós tempo pôsteres dos meus filmes.”

O que não é tão estranho.

“Quero dizer, algumas pessoas podem pensar que é. Mas é o que é. E então o que eu presumo que aconteceu é que quando eles foram emoldurados, alguém disse isso. Quero dizer, não tem jeito de ser qualquer outra coisa diferente disso.”

Mas é, consequentemente, ofensivo? Porque certamente agrega em um tipo de estereótipo.

“Eu sou um garoto grande. Você sabe, pessoas gostam de escrever muitas coisas. Na verdade, você não pode parar as pessoas de fazer quaisquer coisas que elas queiram fazer. Eu sou um forte apoiador de que criar é muito mais difícil do que destruir. E, você sabe, todos nós temos uma criança de três anos dentro de nós que gosta de construir Lego e daí chutá-los logo em seguida. Mas eu também acredito que enquanto adultos, nós devíamos ter uma parte de nós que diz, ‘Vamos pegar as épocas difíceis para criar, ao invés de destruir.’ É um absurdo. Para mim, o absurdo é um absurdo. Como eu disse: francamente, eu não acho que ninguém realmente se importa. Eu não ficaria sabendo disso se eu não tivesse recebido um telefonema das pessoas com as quais eu trabalho. Eu só pensei: só não é verdade, então por que eles vão falar sobre isso? Tipo, vamos pro meu apartamento! Eu também acredito que as pessoas, no final das contas, em algum momento, sabem quando alguma coisa é um absurdo, e quem alguém é, e quem eles mostram que são.”

Enquanto estamos falando disso, aqui está outra manchete, publicada somente alguns dias antes do Gyllenhaal e eu nos encontrarmos: Jake Gyllenhaal apoiou Bernie Sanders através do Insta de seu Gato? A história se refere a uma postagem de uma conta que pertence a um gato chamado Ms Fluffle Stilt Skin – que muitas pessoas online aparecem acreditar, por razões que não são inteiramente claras, pertencer à o Jake – na qual o gato em questão é mostrado na frente do candidato concorrendo a presidência pelos democratas que falando em uma tela de TV. A legenda da foto diz “Estou curtindo esse cara”. Se existe um jeito de ter uma conversa sobre isso que não seja de maneira surreal, nós falhamos. Você viu a reportagem?

“Me falaram sobre. Eu não tenho gatos.”

Parece que as pessoas realmente acham que é verdade.

“Uma das minhas coisas favoritas sobre Fluffle Stilt Skin, um gato que eu conheço…”

Você conhece esse gato!

“Eu conheço o gato. E ela é uma gata maravilhosa. E, como todos os americanos, ela tem o direito de apoiar quem quer que seja que ela queira apoiar.”

E como que você acabou envolvido nisso?

“Eu vou dizer uma coisa: você não vai receber nenhuma clareza nessa situação que você espera. A não ser dizer que eu tenho um cachorro. Eu sou alérgico a gatos.”

E, só para constar, você não fez confirmação?

“Não.”

Outro jeito que o Gyllenhaal endereça sua recente trajetória é através do prisma da masculinidade. “A ideia de ser adulto, de ser um homem, era, no momento em que falamos pela última vez, algo pela qual eu estava procurando,” ele reflete. “Eu passei muitos anos tentando entender o que é isso. Tipo, filme após filme, experiências de vida após experiências de vida, indo até certos extremos, para dizer ‘Ah, está no mundo físico? É um homem que segura uma arma…? É um homem que entra em um rinque de boxe…? É um homem que se apaixona por outro homem?’ O que é a masculinidade? E sem saber, acho que era isso que eu estava procurando.”

O que eu acredito que ele esteja dizendo agora é que ao invés de tentar aprender sobre ser um homem ao habitar todas essas versões diferentes de masculinidade em seus papéis no cinema, ele só está tirando um tempo para tentar ser.

“Tem sido bem agradável,” ele diz. “Muito mais espaço para minha mente vagar, e muito mais tempo para simplesmente dizer, ‘Ah, como isso fez eu me sentir?’ Mesmo que ele tenha estado no palco, Gyllenhaal não está em um filme estipulado para grava uma cena desde o último dia de gravações de Homem-Aranha em setembro de 2018, e ele diz que não tem nenhum plano fixo de quando ele irá fazer isso de novo. Ao invés disso, ele diz que anda lendo, cozinhando, particularmente para suas sobrinhas (“Eles gostam das coisas que eu cozinho, sabia”), deixando o cabelo crescer (“você meio que fica: ‘por que não?’”), viajando, tanto para ver a família dele na Califórnia, como para mais longe. Ele menciona uma viagem recente para o Butão, uma que aparenta ter sido realizada como que a bel-prazer – “Alguém me disse, ‘Ah é uma boa época para ir pro Butão.’ E eu pensei, ‘Onde fica Butão?’ Eu sabia que era perto da Índia, eu só não sabia exatamente onde” – mas ele descreve como uma experiência incrível. Ele me conta sobre ter tomado chá após uma caminhada de três horas do lado de um lago glacial derretido, e sobre outra caminhada até um templo onde um monge viveu por 35 anos. “Eu tomei chá com ele também,” Gyllenhaal diz. “E uns biscoitos bem velhos.”

Ao mesmo tempo, de uma maneira diferente, Gyllenhaal está mais ocupado do que nunca. Ele tem uma empresa de produção, uma de verdade com 30 projetos em desenvolvimento (“alguns em que eu apareço, outro que não”), e quatro filmes nos quais ele não estrela que estão ou em pós-produção ou aguardando lançamento. A companhia se chama Nine Stories, um nome que em parte é uma relíquia acidental, herdado do nome da corporação que Gyllenhaal precisava por razões de negócios quando ele iniciou a carreira, o qual o jovem Gyllenhaal tinha pego de um livro que ele amava profundamente, uma coleção de histórias curtas de JD Salinger. Quando ele montou sua companhia de produção atual, Gyllenhaal tentou incontáveis outros nomes, mas falhando em encontrar um que parecesse funcionar, eventualmente voltou a esse.

Ainda assim, mesmo deixando de lado seus pensamentos levemente místicos acerca do número nove, ele agora tem uma razão para tal.

“Eu acho, também, que se você conseguir fazer nove grandes histórias durante uma vida, ou contá-las,” ele sugere, “você já está pronto para ir.”

E quanto você acha que já fez?

“Eu acho que já estive nelas. Eu ainda tenho que fazer alguma.”

Mas esse é o plano?

“Sim.”

Quando o Gyllenhaal fala sobre todas as coisas que ele entendeu e resolveu desde que nos encontramos pela última vez dez anos atrás, ele faz parecer como se as coisas agora estivessem resolvidas e concluídas. Eu não imagino que estejam. Eu amo que ele sente como se tivesse trabalhado com todas essas coisas, e eu acho que ele seja sincero ao falar sobre isso, mas eu tenho um palpite bem forte que se nos encontrarmos de novo em dez anos ele terá trabalhado mais um monte de coisas novas.

O que talvez seja mais significativo a longo prazo é o espírito e energia e curiosidade que ele trás a tudo isso. Quando você escuta o Gyllenhaal falando – por exemplo, para dar só um exemplo, quando ele explica como ele precisa estar “trabalhando com pessoas que digam, ‘Sim, você pode tentar todas essas coisas estranhas, e nós vamos cortá-las fora de qualquer maneira se não gostarmos, mas vá em frente’” – você tem um gostinho de não só como pode ser tonificante trabalhar com ele, mas o quão enlouquecedor provavelmente é algumas vezes também, mas você também vê que ele é genuinamente empenhado em uma jornada de exploração honesta, uma que não é focada em alisar seu próprio ego.

Nós somos pressionados a admirar pessoas que tem tudo resolvido, mas eu estou sempre caladamente mais interessado, e mais impressionado, pelos outros: os sempre curiosos, não sempre certos; aqueles cheios de perguntas, sempre procurando por algo, não aqueles com todas as repostas que tem certeza que já encontraram tudo; o tipo certo de bagunça, não o tipo errado de perfeição. E me parece que o Gyllenhaal pode ser um desses.

Um pouco antes de ir embora, nós falamos sobre um momento chave de seu passado, O Segredo de Brokeback Mountain (2005) de Ang Lee, no qual ele apareceu juntamente do Heath Ledger. Gyllenhaal me disse dez anos atrás que não conseguia assistir o filme, e eu pergunto se esse ainda é o caso. Ele diz que é. Ele fala – no passado e agora – sobre o filme como algo que ele estava completamente dedicado à, mas que, entretanto, de algumas maneiras existia além de seu controle e entendimento. “Existem coisas em que você é simplesmente escolhido – uma qualidade, uma essência – e o Ang fez isso. E ainda é um mistério para mim. E algo que eu e o Heath  compartilhávamos: que isso era um mistério pra gente na época.”

Eu menciono à Gyllenhaal que quando eu recentemente assisti entrevistas de TV antigas daquela época, eu fiquei abalado com o quão homofóbico muitas das brincadeiras era, mesmo quando a intenção era se o oposto disso: cowboys gays, é tudo uma tremenda de uma piada. Isso lembra ele de uma coisa.

“Quero dizer, eu lembro que eles queriam fazer uma abertura para o Oscar aquele ano que meio que fazia piada com isso,” ele diz. “E o Heath se recusou. Eu estava meio que na época, ‘Ah, ok… tanto faz.’ Eu estou sempre: é tudo uma diversão do bem. E o Heath disse, ‘Não é uma piada para mim – eu não quero fazer nenhuma piada sobre isso.” Eu digo o quão inteligente da parte do Heath isso me parece, em retrospecto, “Absolutamente,” diz Gyllenhaal.

O celular dele fica apitando, e ele claramente precisa ir embora, mas mesmo enquanto ele se prepara para tal, sua linha de pensamento o leva a refletir mais sobre as ocasiões, como a filmagem de O Segredo de Brokeback Mountain onde, como ele coloca, “as experiências de vida delas são tão profundas que não importa o quão poderoso o filme é para várias outras pessoas, o que ele significa para elas, ele significa algo completamente diferente para mim.” Ele menciona, como um segundo exemplo, Nocaute, e daí de repente, inesperadamente, Jake Gyllenhaal está falando sobre o primeiríssimo dia em que apareceu na frente de uma câmera, na idade de dez anos interpretando o filho de Billy Crystal na amável comédia peixe-fora-d’água City Slickers. Ele começa descrevendo a cena inteira: sentindo a temperatura nada natural das luzes de 10K iluminando a sala de aula por uma janela, e em como tinha um corredor que estava escuro, e em como havia um grupo de pessoas que não precisavam assistir, e em como ele se sentiu admirado, adentrando aquele espaço sagrado.

“Eu assisti aquela cena algumas vezes,” ele diz, “e eu vejo aquele garotinho, e tudo que eu lembro é o outro lado, aquela perspectiva. E está muito profundo em mim.” Gyllenhaal não diz para onde está indo, mas se agora eu imagino que ele tem um dia calmo pela frente, um pouco de leitura, procurando produtos online para cozinhar no jantar antes de colocar um jazz medieval e ir para cama, eu estou errado. Mesmo que não menciona, ele tem um ensaio para o qual precisa ir.

O próximo episódio do programa de TV Saturday Night Live vai ser apresentado pelo comediante John Mulaney. Um sketch, que se passa em um aeroporto de Nova York, encontra uma variedade impressionante de personagens extravagantes, a maioria interpretada por membros do elenco do show, cantando versões relacionadas com viagem aérea de músicas famosas de musicais. Lá pelo fim da cena, um homem caminha no palco em pijamas listrados – um homem recebido, logo que a plateia percebe que é o Jake Gyllenhaal, com aplausos de deleite típicos de é uma pessoa famosa! Ele procede e canta uma música, uma originalmente do musical Wicked mas agora sobre o quão felizmente o personagem do Gyllenhaal se submete aos cuidados dos inspetores da segurança do aeroporto, embora invasivos. Enquanto ele se aproxima do clímax da música – você pode procurar bem fundo na minha cavidade! ele boom – Gyllenhaal flutua do chão, e voa por cima do palco por fios, antes de desaparecer alto nos cantos, longe em direção a qualquer diversão estranha que o espera mais à frente.

Fonte: Another Man | Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Durante um evento na Galeria Nacional em Londres na semana passada, Jake Gyllenhaal concedeu uma entrevista para o site London Theatre. Confira:

Em um evento especial no início desta semana na Galeria Nacional, em frente à pintura de Georges Seurat ‘A Sunday Afternoon’, que inspirou Sondheim e o escritor de livros James Lapine a criar o musical, Jake Gyllenhaal falou sobre como a peça foi “terminada e agora inacabada novamente” depois que ele a estrelou na Broadway.

“O fato de termos que ouvir esse musical tem sido um sonho tornado em realidade”, disse o ator, “e tem sido desde o momento em que comecei a trabalhar com Jeanine Tesori [produtora criativa] e Annaleigh Ashford [co-estrela]. E é por isso que estamos vindo para cá, porque temos muitos negócios inacabados para fazer. Não há lugar melhor [para apresentá-lo] do que na cidade que tanto amamos, e que eu amo tanto. Há anos que estou querendo voltar para cá, é realmente uma honra estar aqui.”

Gyllenhaal interpreta no musical uma versão fictícia do artista Seurat e também seu neto, um artista em conflito. O show começa com o artista proclamando: ‘Branco, uma página em branco ou tela. O desafio: trazer ordem ao todo, através do design, composição, tensão, equilíbrio, luz e harmonia.’

Tesori, autora de musicais como Fun Home e Caroline, or Change, falou no evento como os paralelos poderiam ser traçados entre o personagem central e o próprio Sondheim.

“A peça é sobre começar do nada e ir para alguma coisa, e há consequências em viver esse tipo de vida”, disse ela. “É um trabalho manual, mas é um trabalho que envolve sua alma e seu coração. É a história deste artista, mas também é a história desse artista, Stephen Sondheim, e ele e James Lapine entendiam como era começar com uma tela em branco.”

Ela acrescentou que o show tem uma “vibração e urgência de como é estar no trabalho e o incrível terror de que você não é bom o suficiente e o terror de uma página em branco”, que é um tema importante que foi escolhido no musical.

“Quando você é cantor, você pensa: ‘Vamos começar por aqui? Entramos agora? Somos bons o suficiente para cantar isso?’ Quando estávamos tocando essa música, principalmente quando tocávamos as músicas, Jake e eu queríamos encontrar a melancolia que estava por baixo.”

O musical retorna a Londres no próximo verão, dirigido por Sarna Lapine no Teatro Savoy. Os ingressos já estão à venda.


Fonte: London Theatre
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil