Durante um evento na Galeria Nacional em Londres na semana passada, Jake Gyllenhaal concedeu uma entrevista para o site London Theatre. Confira:

Em um evento especial no início desta semana na Galeria Nacional, em frente à pintura de Georges Seurat ‘A Sunday Afternoon’, que inspirou Sondheim e o escritor de livros James Lapine a criar o musical, Jake Gyllenhaal falou sobre como a peça foi “terminada e agora inacabada novamente” depois que ele a estrelou na Broadway.

“O fato de termos que ouvir esse musical tem sido um sonho tornado em realidade”, disse o ator, “e tem sido desde o momento em que comecei a trabalhar com Jeanine Tesori [produtora criativa] e Annaleigh Ashford [co-estrela]. E é por isso que estamos vindo para cá, porque temos muitos negócios inacabados para fazer. Não há lugar melhor [para apresentá-lo] do que na cidade que tanto amamos, e que eu amo tanto. Há anos que estou querendo voltar para cá, é realmente uma honra estar aqui.”

Gyllenhaal interpreta no musical uma versão fictícia do artista Seurat e também seu neto, um artista em conflito. O show começa com o artista proclamando: ‘Branco, uma página em branco ou tela. O desafio: trazer ordem ao todo, através do design, composição, tensão, equilíbrio, luz e harmonia.’

Tesori, autora de musicais como Fun Home e Caroline, or Change, falou no evento como os paralelos poderiam ser traçados entre o personagem central e o próprio Sondheim.

“A peça é sobre começar do nada e ir para alguma coisa, e há consequências em viver esse tipo de vida”, disse ela. “É um trabalho manual, mas é um trabalho que envolve sua alma e seu coração. É a história deste artista, mas também é a história desse artista, Stephen Sondheim, e ele e James Lapine entendiam como era começar com uma tela em branco.”

Ela acrescentou que o show tem uma “vibração e urgência de como é estar no trabalho e o incrível terror de que você não é bom o suficiente e o terror de uma página em branco”, que é um tema importante que foi escolhido no musical.

“Quando você é cantor, você pensa: ‘Vamos começar por aqui? Entramos agora? Somos bons o suficiente para cantar isso?’ Quando estávamos tocando essa música, principalmente quando tocávamos as músicas, Jake e eu queríamos encontrar a melancolia que estava por baixo.”

O musical retorna a Londres no próximo verão, dirigido por Sarna Lapine no Teatro Savoy. Os ingressos já estão à venda.


Fonte: London Theatre
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Jake Gyllenhaal e Annaleigh Ashford estiveram em Londres na semana passada para conceder algumas entrevistas para meios de comunicação local para divulgar a peça ‘Sunday In The Park With George’. Confira abaixo a entrevista traduzida de Jake para a Evening Standard:

O primeiro papel teatral do indicado ao Oscar, Jake Gyllenhaal, foi na peça de Kenneth Lonergan ‘This Is Our Youth’ no Garrick Theatre em 2002, e lhe rendeu o Evening Standard Theatre Award de ator revelação.

Gyllenhaal, 38 anos, retornará aos palcos de Londres no próximo ano para estrelar ‘Sunday In The Park With George’, de Stephen Sondheim, que segue o pintor pós-impressionista Georges Seurat ao concluir sua pintura mais famosa, A Sunday Afternoon on the Island of La Grande Jatte. Ele e sua co-estrela Annaleigh Ashford apareceram originalmente na versão protagonizada por eles em Nova York em 2016, que eles seguiram com a peça esgotada na Broadway em 2017.

Em entrevista à Standard Online, antes da transferência do musical para o West End, Gyllenhaal disse que sua passagem anterior em Londres “mudou todo o processo de seu trabalho” e elogiou a comunidade teatral “solidária” da capital.

“Eu não tinha ideia no que estava entrando, o que foi uma coisa maravilhosa”, disse ele. “Ingenuamente – eu obviamente conhecia a história do teatro de Londres – pulei nela como um tolo, o que acho que às vezes é a melhor maneira de se fazer. O que descobri quando me apresentei aqui há 18 anos foi uma comunidade incrível e solidária de artistas. Você realmente ganha seu lugar [aqui], você trabalha duro para garantir que você possa dominar o palco aqui.”

Ele também saudou o público do West End como “os melhores ouvintes”, creditando isso à história teatral “profundamente arraigada” da capital.

“Eu sinto que eles são os melhores ouvintes”, disse ele. “Há uma história profundamente enraizada na cultura aqui do teatro ao vivo; é uma história com o público. E, como resultado, eles são incluídos imediatamente e, se você estiver indo bem, eles ficarão com você, e eu amo isso. Para mim, não há teatro como aqui em Londres e levar uma peça como essa para West End será muito especial.”

Sunday In The Park With George estará no Teatro Savoy a partir de 11 de junho de 2020.


Fonte: Evening Standard
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Jake Gyllenhaal falou com Kenneth Goh, editor-chefe da Harper’s Bazaar Singapura, sobre filmes, relógios e superpoderes.

Faz um ano desde que você assumiu o papel de primeiro embaixador de relógios da Cartier. Como tem sido até agora?

Não é difícil usar um relógio bonito. Também é um ótimo lugar para trabalhar – eles são realmente maravilhosos para mim e também abraçam os artistas de uma maneira diferente. Obviamente, estamos aqui para vender algo e mostrar algo às pessoas, mas há algo fundamental por trás disso, que é o respeito pelos artistas e a apreciação de quem é alguém. Quando Cartier veio até mim e disse: “Apreciamos o seu trabalho e o foco com o qual você o faz”, que [meu trabalho] de alguma forma incorpora uma parte da empresa deles neste relógio … eu pensei que [isso poderia ser] uma parceria maravilhosa.

Por que você acha importante que os homens usem relógio o tempo todo?

Você sabe, não temos muitos acessórios; e há algo sobre a graça e a elegância do relógio. É um lembrete de quem você poderia ser, deveria ser, quer ser. E está bem no seu pulso.

Se você tivesse a chance de interpretar o papel de Alberto Santos-Dumont em uma cinebiografia, como o interpretaria?

Chapéus em abundância! É sempre sobre adereços: aviões, adereços, relógios … Santos estava no mundo pilotando aviões e fazendo todas essas coisas incríveis, sendo um aventureiro que corre riscos. Eu amo que quando você pensa em Cartier e pensa em Santos, existe esse equilíbrio entre função e estilo. É esse tipo intenso de obsessão entre os dois; sobre beleza e funcionalidade. E quando uso o relógio, vejo a história do relógio; Eu posso sentir isso. Sinto a responsabilidade de cumprir essa ideia.

Tendo interpretado um supervilão em Homem-Aranha: Longe de Casa, que qualidade de super-herói você desejaria ter em sua vida diária?

Não sei se esse personagem pode ser descrito como um supervilão, não sei se ele é mesmo um vilão, mas sei não há muito super sobre mim! OK… Super paciência! Sou muito paciente, mas não o suficiente. Então, eu gostaria de ter mais disso. Super paciência, você consegue imaginar um filme assim? Ninguém iria querer assistir esse filme. Sim, mas eu gostaria disso. O que você desejaria?

Eu acho que ser capaz de ser invisível.

Sério? Você está usando um terno rosa!

É o oposto diamétrico: você quer ser capaz de não estar aqui.

Isso é tão interessante. Seu estilo é lindo, mas você não quer ser visto. Isso é realmente interessante.

Qual foi o seu papel mais desafiador até agora?

Ser uma pessoa; esse é o meu papel mais desafiador; tipo, apenas ser um bom irmão, um filho … não considero nada tão desafiador, exceto quando interpretei o garoto que perdeu as pernas nos atentados de Boston [no filme biográfico de 2017, Stronger]. Tentando entender a mentalidade desse personagem, no que ele experienciou… isso foi um desafio.


Fonte: Harper’s Bazaar Singapura
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Em Sea Wall/A Life na Broadway, Jake Gyllenhaal – a estrela do cinema que recentemente vem se transformando em filmes como Nightcrawler ou Homem-Aranha: Longe de Casa – faz algo que parece ser novo em sua simplicidade. A performance dele no monólogo A Life é íntima e livre de personagem, interpretando um homem enfrentando os paralelos entre a morte de seu pai e o nascimento de seu recém-nascido (Gyllenhaal, merece ser mencionado, não passou por nenhuma dessas coisas).

“O trabalho que eu sempre tento fazer é muito, muito detalhado,” diz a diretora Carrie Cracknell, que trabalhou com ambos Gyllenhaal e Tom Sturridge, que interpreta o primeiro monólogo da peça, Sea Wall. “Nós conversamos bastante sobre o momento por momento, e eu acho que o que construímos foi um grupo de objetivos compartilhados sobre a estética da performance e o fato de que queríamos que tudo parecesse muito natural.”

Cracknell relembra do processo de ensaios – visto aqui nessas fotos exclusivas cedidas a Vanity Fair – como um tipo de “mania”, um período de exploração, reinvenção, e brincadeira, apesar do assunto sombrio. (Sturridge interpreta um pai e marido que é deixado com seu luto após uma viagem de família ter uma reviravolta trágica. A produção estreou em uma temporada limitada e esgotada no Public Theater no começo desse ano, e abriu a pré-estreia no Hudson Theater, na Broadway, semana passada. “Na maioria das vezes era só eu e um dos atores, e iria meio que alternar entre histeria total – e quero dizer, genuinamente – e meio que hilariante, e quase como um stand-up. Eles ficavam – ambos, mas particularmente o Jake – brincando e meio que fazendo essas vozes engraçadas e dançando pela sala, e daí meio que entravam nesse trabalho muito, muito emocionalmente vulnerável,” Cracknell explica. “Era muito interessante porque eu acho que estávamos tentando segurar essa dualidade o tempo inteiro sobre isso ser muito engraçado – alguns elementos da peça são como stand-up. E daí toca em algo muito real. Esse senso de exploração estava presente constantemente.”

Ela relembra que uma vez o Gyllenhaal testou seu monólogo inteiro como se fosse um monólogo; uma vez o Sturridge veio e tocou um set de piano inteiro antes de começar o trabalho do dia. Teve até uma semana em que o cachorro do Gyllenhaal, Leo, teve uma proposta de ser coadjuvante.

“O cachorro dele foi um aspecto bem grande – nós até conversamos sobre colocar o cachorro na peça e talvez fazer ele subir no palco,” conta Cracknell. “O Leo meio que trouxe essa afetuosidade e energia maravilhosa para todos nós enquanto ele estava na sala de ensaios.”

Gyllenhaal e Sturridge, que contracenaram em Velvet Buzzsaw, filme desse ano da Netflix, ambos viram o processo como um contraste ao ritmo acelerado de uma gravação de filme. “Isso tem um tipo de intensidade o tempo inteiro em termos de tomar decisões muito, muito rápido e entregá-las perfeitamente, e então na verdade os ensaios se tornaram esse tipo de processo de desenvolvimento de pausa em que eles podiam testar coisas e se sentir livres,” diz Cracknell. “Nós todos queríamos meio que manter essa atmosfera.”

E há uma liberação nas tentativas da produção de ser “estritamente conversacional” e quebrar a quarta parede repetidamente durante cada performance. “Nós tentamos realmente nos livrar de toda essa pele que você geralmente tem entre o ator e a audiência. Se alguém está tossindo, uma vez o Jake saiu e pegou água para ela e voltou com a água. Ou se um telefone toca, eles talvez falem, ‘Não se preocupe, está tudo bem.’ Então eles estão realmente tentando estar no ambiente com as pessoas que vêm assistir a isso todas as noites, e eles pegam essa energia e eles a colocam na apresentação. Acho que é pouco comum para atores, particularmente com o Jake; ele é muito conhecido e ele fez uma variedade tão incrível de personagens muito peculiares. Na verdade, no que ele estava interessado era jogar um pouco disso fora e tentar ficar mais próximo dele mesmo e tentar atuar de uma maneira que é muito, muito aberta, muito atenciosa, e meio simples.”

Cracknell diz que esse esforço em tentar se conectar teve alguns efeitos imediatos na plateia. “As peças [são] um lembrete de viver no momento presente porque você nunca sabe o que vai mudar, e eu acho que refletir sobre nascimento e sobre o luto e sobre transformação, meio que faz você querer ser mais vívido na sua vida e mais bem conectado as pessoas a sua volta,” ela diz. “Eu amo quando eu vejo pessoas saírem do teatro ligando para familiares e amigos. Eu vejo isso acontecendo alguns dias, aquele sentimento que faz você querer ir atrás e ser mais conectado à sua família, eu penso que se isso acontece, é muito especial.”


Fonte: Vanity Fair
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal

Você se da conta como o jovem Jake Gyllenhaal é, quando descreve sua primeira lembrança da Calvin Klein, a marca da qual agora ele é embaixador: “Um anúncio de Marky Mark e Kate Moss, perguntei ao meu pai o que era esse pôster gigante com aquele super-humano e me respondeu ‘é Mark Wahlberg com roupa intíma'”, explica. Desde que se tornou um ator cult para os críticos e para o público em Donnie Darko com 19 anos e em Brokeback Mountain com 24, Gyllenhaal (Los Angeles, 1980) sempre transmitiu uma energia melancólica para sua idade.

O ator foi escolhido para representar Eternity Eau De Parfum, a primeira fragância da Calvin Klein criada só para homens. No comercial, Gyllenhaal vive momentos de intimidade com sua mulher e filhos, mesmo que, na vida real, reconhece que a intimidade o aterroriza. Calvin Klein descreve o homem Eternity como ‘robusto mas refinado’ e não encontrariam ninguém melhor que Gyllenhaal: um tipo que foi de férias para o Caribe para ler a biografia do segundo presidente dos Estados Unidos, John Adams, vencedor do Pulitzer, mas causou sensação na internet por suas fotos passeando sem camisa na ilha de St. Barth. Robusto, mas refinado.

Nesse verão você abriu o Instagram coincidindo com a estreia de ‘Homem-Aranha: Longe de casa’. Como foi essa transição para as redes sociais [Instagram] aos 38 anos?

Vejo o Instagram como um olhar interessante da ideia do que é a fama, como isso faz você sentir a atenção de pessoas que não conhece. Para os artistas é normal ter contato com o publico, quem te oferece uma profunda quantidade de críticas e uma profunda quantidade de elogios que provavelmente não merece nos dois casos. Mas para pessoas que não se dedicam às artes, será impressionante. No meu caso, estou nos olhos do publico desde muito jovem, estar no Instagram não é tão diferente do que conceder uma entrevista, assistir um evento ou ler uma crítica sobre o meu trabalho. Instagram é como uma extensão da minha carreira.

Por alguma razão, a internet é fascinada por fotos sua comendo e há varias contas dedicadas a postá-las. Inclusive da sua mania de morder os fones. Isso te deixa constrangido toda vez que come fora?

Essa é uma pergunta interessante, porque vivemos em uma época em que as pessoas tiram fotos de outras pessoas, dentro ou fora de estabelecimentos e nas quais as pessoas tiram muitas fotos de si mesmas. Quando as pessoas te reconhecem na rua, tem que se render a possibilidade de que podem tirar uma foto sua. Portanto não tenho insegurança sobre como eu me alimento. Eu gosto de comer fora.

Na época, você confessou que após a audição para o papel de Frodo em ‘O Senhor dos Anéis’, o diretor Peter Jackson te disse que foi a pior audição que ele tinha visto. O que você aprendeu com aquela crítica?

Já fazem 20 anos, então eu não sei o que te dizer. Sou uma pessoa muito diferente do que era naquela época. Acredito que os atores tem que aprender a crescer em um mundo cheio de rejeições, alguns aprendem a progredir e outros partem seus corações. O que aprendi ao longo desses anos é que é muito mais fácil jogar tomates, você não precisa ter talento para ser negativo, mas precisa de talento para criar algo. É muito mais difícil ser criativo do que destrutivo, então acho que só de tentar requer uma valentia incrível.

Nesse verão você participou de um filme da Marvel, seu primeiro ‘blockbuster’ em dez anos. Você ainda pensa em continuar trabalhando em filmes com baixo orçamento?

Já tenho experiência o suficiente nesse ramo para confiar no meu instinto se considero que um projeto seja adequado, mas, essencialmente, trata-se de ser autêntico. Se você sente que um projeto se encaixa com o que você é de verdade e sente que não estará enganando o publico ou os jornalistas quando chegar a hora de apresenta-lo então é algo que você deve fazer. Alguns atores dizem “sempre quis interpretar essa pessoa” e eu também era assim em um ponto da minha carreira, mas aprendi a descartar essa atitude. Claro que existem cineastas com quem eu adoraria trabalhar, como Jacques Audiard, com quem eu consegui fazer um filme ano passado [The Sisters Brothers] ou Pedro Almodóvar. Acredito que Pedro está vivo em um mundo onde muitas pessoas não estão, o considero um cineasta impressionante. Mas nunca tive sonhos como ‘oh, adoraria interpretar Abraham Lincoln’, sou mais do tipo ‘o trabalho dessa pessoa me parece incrível, tomara que eu possa colaborar com ela, aprender com ela e que ela fique com o que aprender comigo’. Por isso faço o que eu faço.

Você disse que quando alguém te parava na rua, você se oferecia para conversar, mas eles só queriam uma selfie. Começaram a falar com você desde então ou ainda querem apenas uma foto?

É que eu percebi que as pessoas se importam menos de conversarem comigo do que documentar essa conversa. É como se estivéssemos perdendo o dom de simplesmente conversar uns com os outros, as pessoas só querem uma foto e quando eu falo ‘oi, tudo bem?’ ‘qual é o seu nome?’, eles já não estão mais interessados ​​[risos]. Então não, acho que a resposta para sua pergunta é que não com muita frequência, não.

Você acha que ‘Brokeback Mountain’ não mudou a cultura, mas a cultura estava esperando por aquilo. Mas foi muito surpreendente que um filme com estrelas contasse uma historia de amor entre dois homens. Alguém te aconselhou para não aceitar o papel?

Ninguém do meu círculo, profissional ou pessoal, me aconselhou para que não fizesse esse filme. Mas teve sim alguns que me falaram que talvez não fosse uma escolha adequada ou o caminho certo para mim, porque eu tinha outras opções para escolher naquele momento. Algumas pessoas consideravam que eu deveria fazer esses outros papéis, exceto [Brokeback Mountain] e curiosamente nenhum desses outros projetos foram filmados.

Você teve dúvidas?

Para mim nunca houve dúvidas. Não sei se é por causa da minha educação e por causa do mundo em que eu cresci, tive a sorte de frequentar uma escola muito progressista onde vários dos meus professores eram gays. Nunca os questionei, via homens casados com homens e mulheres casadas com mulheres e nunca dei a menor importância. É claro que por ser um homem hétero, me intimidava a ideia de filmar as cenas mais físicas. Me perguntava como sairiam e houve momentos embaraçosos. Mas ao mesmo tempo eu sabia que estávamos contando a historia sobre amor que significava muito para mim e isso era para mim mais importante que qualquer outra coisa. Ainda é. Me aterroriza o amor, a intimidade e manter relações profundas, te falo com sinceridade, mas sou consciente de que a minha vida não vale nada sem essas conexões. Então essas são as historias que eu quero contar. E afinal, a quantidade de pessoas que se aproximaram para contar como Brokeback Mountain significaram muito para eles me fez perceber que eu não era consciente da sorte que eu tive desde pequeno. Quando li Brokeback Mountain não pensei no fato de serem dois homens porque cresci em um mundo em que o amor podia estar em todas as partes e entre todas as pessoas.

É provável que, se filmassem hoje ‘Príncipe da Pérsia’ causaria polêmica por colocar um ator branco interpretando um personagem árabe. Você pensaria duas vezes antes de aceitar um papel assim?

Bom, meu amigo, você sabe que não há resposta para essa pergunta. Você não pode voltar no tempo.

Bem, no filme você podia.

Já fiz vários filmes nos quais eu posso controlar o tempo. O que aconteceu na época já passou, graças a Deus por todas as mudanças incríveis que estão acontecendo pelo mundo. Avançamos profundamente e estamos passando por tempos contraditórios que são confusos para muitas pessoas, porque se sentem isoladas apesar de terem dispositivos para se comunicar e olhar para outras pessoas. A única coisa que posso fazer, como alguém que ajuda a contar historias, é que as pessoas se reconciliem com elas mesmas e voltem a ser elas mesmas. Esse sempre foi meu objetivo, inclusive quando eu estava viajando para frente e para trás no tempo e virando tudo de cabeça pra baixo. E é isso.


Fonte: El País
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

O ator, agora na Broadway no show de dois homens “Sea Wall / A Life”, reprisa seu papel como o rosto de Calvin Klein Eternity para o novo eau de parfum deste mês. Não que ele precise. ”Eu acredito em tomar banho como uma prática espiritual e uma prática física.”

Jake Gyllenhaal acha que eu sou gostoso. Ele disse isso numa tarde de verão, enquanto estávamos sentados em um dos dois andares no pátio dos fundos da Lucali, a pizzaria do Brooklyn com a lista de espera perpétua de uma milha de comprimento. (Ele é assíduo. O proprietário, Mark Iacono, abriu cedo e já estava produzindo tortas.) Ou melhor, as palavras reais do ator eram: ”Você pode querer usar isso.” Ele estava segurando um guardanapo de papel com a mão, fazendo um gesto de abanar. Um bigode desuor perolado pontilhava meu lábio superior, e Gyllenhaal aparentemente se deu conta. Da minha gostosura.

Tirei meu blazer, deixando de lado um rubor de vergonha. Era verão na cidade e um forno a lenha brilhava por dentro. Além disso, não é isso que um ator perceptivo deve absorver: o sutil desconforto de seu companheiro de mesa murcho?

De certa forma, é isso que Gyllenhaal tem feito todas as noites no Hudson Theatre desde que o show da Broadway, Sea Wall/A Life, começou a ser exibido no final de julho. É um díptico de histórias de pesar: um soco no estômago de um monólogo de Tom Sturridge, seguido de uma virada anti-solo de Gyllenhaal, que interpreta trinta e poucos anos entre perder um pai e receber um filho. (“Li em algum lugar que nascer é arriscar a morte”, diz seu personagem, o peso da paternidade se aproxima.) Mas mesmo em um palco vazio, Gyllenhaal quase não está sozinho. ”Eu nunca fiz um show em que falo com o público o tempo todo”, diz ele, descrevendo um invulgar casulo de intimidade no local de mil lugares (quatro vezes o que a produção contou pela primeira vez quando saiu da Broadway na primavera passada ) ”Não temos regras em nosso programa. Aconteça o que acontecer, acontece.”

Como o quê? ”Um telefone toca. Muitos atores seriam como” – a voz de Gyllenhaal se transforma em fingida derrota – ”Como você se atreve a destruir a santidade do espaço sagrado do teatro?” Ele credita a diretora Carrie Cracknell por manter os dois homens à tarefa. ”Toda vez que parecia que estávamos nos apresentando, ela nos chamava de besteira e, nesse sentido, a ideia de que estamos separados do público também parece besteira. Se algo acontecer é humano – especialmente quando estamos falando sobre a bagunça de ser humano – não faz sentido tentar fingir que não existe.” É por isso que ele se desculpa comicamente, no meio do jogo, enquanto passa pela primeira fila. Gostaria de saber se ele alguma vez estendeu um lenço de papel a um espectador chorando. Ou suando.

Mas o que nos levou a Lucali (além da promessa de uma boa fatia de pizza) foi um tipo diferente de
papel: Gyllenhaal como o rosto do Calvin Klein Eternity. Em 2017, ele interpretou o homem da família em um comercial dirigido por Cary Fukunaga, ao lado de Liya Kebede e sua filha fictícia. (A internet jorrou sobre o momento de ”pai bonitão” de Gyllenhaal, mas, na realidade, ele é o tio bonitão das filhas de sua irmã Maggie.) Agora, Gyllenhaal está enfrentando uma versão mais intensa da eau de parfum. É um pouco como quando um show bem recebido é transferido para a Broadway? ”Estou totalmente disposto a fazer essa conexão”, ele disse com uma risada – e totalmente disposto a falar sobre aromas cinematográficos, narcisismo ficcional e sua maneira preferida de suar.

Vanity Fair: Paternidade é um tema recorrente na peça e nessa campanha original da Eternity. Sua família está pressionando?

Jake Gyllenhaal: Meu pai em particular ficou fascinado com a escolha de ser pai em um anúncio. Ele ficou tipo, “Então, o que é isso tudo?” Quando a equipe da Calvin Klein me trouxe à tona, o que parecia muito mais interessante foi a idéia de família, em vez de vender uma fragrância com sexo. Era obviamente a implicação do sexo porque havia uma criança, mas a filha era um produto do amor. Muitos dos papéis que faço são eu me perguntando, e não consigo separar – seja um anúncio ou um filme – ser honesto em relação a qualquer uma dessas coisas. E amo minhas sobrinhas, adoro a idéia de ter meu próprio filho, então queria explorar isso. Estou fazendo um show na Broadway que é sobre ser filho, ser pai e acho que estou em um lugar da minha vida em que meus pais estão em uma certa idade e nossas posições começam a mudar. Meus pais fizeram filmes, e minha mãe, em particular, sempre fazia perguntas sobre a família e explorava essa idéia.

VF: Estou no meio do “Maternidade”, de Sheila Heti, e o livro trata da ideia de ser uma artista ou uma mãe, e se uma sublima a outra.

JG: Bem, assisto a alguém como Stephen Sondheim, que eu diria ser o poeta-letrista de destaque de nossa época, particularmente no teatro musical – e ele gerou filho após filho com suas criações. Eu fiz um dos shows dele [Sunday in the Park with George], e o primeiro ato é sobre um artista estar obcecado com o trabalho dele e não ser capaz de se comprometer com a vida. E então, no segundo ato – essa é a minha interpretação – é um artista que era renomado, ganhou muito dinheiro, mas não era, como disse meu professor de história da arte do ensino médio, um ”artista meta-histórico” que transcende décadas e gerações. E, no entanto, ele descobre no final da peça que ter uma família é seu triunfo. As únicas coisas que deixamos para trás são crianças e arte, e essa é a pergunta sem fim.

VF: Dados os temas de Sea Wall / A Life, existe um peso persistente que você precisa, por exemplo, exorcizar na banheira à noite?

JG: Não. Eu sou uma bagunça maravilhosa, sabe? Aprendi a aceitar muito sobre mim. Eu me envolvi em muitas coisas físicas estranhas para papéis que fiz, coisas emocionais para papéis que fiz. No outro dia, Carrie [Cracknell, a diretora] foi tipo, ”Vocês dois pareciam destruídos no final da temporada [fora da Broadway]”. E é interessante porque nunca ri tanto na minha vida. No entanto, a energia que você está trocando retira de você. Eu acredito no banho como uma prática espiritual e uma prática física. Desde que trabalhei na Coréia do Sul em um filme, descobri que a esfoliação é uma coisa realmente maravilhosa e muito masculina, que eu não apreciava tanto antes.

VF: Claramente, você está investindo em se cuidar. Existem coisas que você faz para o bem-estar e depois coisas que você chama de besteira?

JG: Eu acho que é tudo besteira se você quiser que seja besteira, e não é se você não quiser. Eu me sinto assim em praticamente tudo, desde que você não esteja machucando ninguém. Eu acredito no suor, sob qualquer forma. Para mim, minha melhor forma de autocuidado é a intimidade; isso me faz suar. E então eu acredito no equilíbrio entre descanso e exercício. É realmente simples assim para mim. Porque eu tenho uma irmã mais velha que é atriz – e porque ela me ensinou desde que eu era criança e eu a admiro – o cuidado com a pele é importante. As pessoas podem definitivamente me aceitar por isso, mas você estaria rindo do jeito que quiser. Eu acho que cuidar de si mesmo é realmente importante, principalmente nos dias de hoje como homens. Ser vulnerável e admitir essas vulnerabilidades é muito, muito importante.

VF: Alguns atores usam perfume para ajudar a entrar no personagem. Você já fez isso, seja com aromas da floresta ou fedor sem chuva?

JG: Eu usei e tentei de tudo. Nada funciona. No final, é tudo uma boa redação.

VF: Por outro lado, John Waters deu à platéia cartões Odorama para ”Polyester”. Se você pudesse imaginar um filme seu que mereça um cartão de raspar e cheirar, o que seria?

JG: Estou pensando no Romeu e Julieta de Zeffirelli – como seria esse cartão de raspar e cheirar, porque se cheirar a aparência do filme, meu Deus. E Nightcrawler – cheiro de couro de carro novo. Possui notas de topo de sangue e matéria fecal.

VF: John Waters definitivamente aprovaria.

JG: Sim, com certeza.

VF: Conte-me sobre a próxima adaptação de Lake Success, de Gary Shteyngart. Parece entrar em um personagem que narcisista é talvez menos atraente do que o papel de pai para a eternidade?

JG: Eu quero experimentar isso. De fato, vivo nele o tempo todo – assinamos diariamente e a cada hora, minuto a minuto. Estou realmente fascinado por explorar alguém que é narcisista e obcecado pelo capitalismo e todas as armadilhas ao seu redor. É possível atrair alguém disso para sua humanidade? Estamos longe demais? Os textos de Gary – que você o ama e entende algo sobre ele, mesmo com nojo – , acho isso tão humano. Vivemos em um mundo onde há muitos negros e brancos, e o espectro realmente não existe em muitos outros espaços.

VF: Você entrou no Instagram recentemente e é um espaço igualmente higienizado. Você não vê muitos desconfortáveis.

JG: Eu concordo totalmente. No meu mundo, muitas pessoas se adaptam e alteram as partes bonitas de suas personalidades para mostrar às pessoas algo que provavelmente não é totalmente verdadeiro. Eu faço isso há muitos anos de maneiras diferentes, e acho que meu desejo de fazer parte de algo como o Instagram é apenas para dizer: ”Eu faço parte de tudo com todos”. Não quero me isolar de alguma ideia do que um artista deveria ser. Se estou interessado no desconhecido no meu trabalho, o Instagram é um desconhecido para mim. Por que eu evitaria isso? E estou descobrindo algumas coisas interessantes! Eu digo isso com uma piscadela. Curiosidade é tudo, e se a perdermos, somos fodidos.

Fonte: Vanity Fair
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil