Arquivo de Entrevista



Eles são a atração principal de Sea Wall/A Life, mas além do agradecimento final, Jake Gyllenhaal e Tom Sturridge nunca estão no palco ao mesmo tempo. Mas eles claramente se tornaram amigos, brincando, enquanto conheço eles, sobre posar no sofá ao estilo daqueles anúncios sensuais para Burn This com Keri Russel e Adam Drive. Sendo estrela de cinema há mais tempo, Gyllenhaal age um pouco como um irmão mais velho para o Sturridge, que é o irmão britânico mais introvertido e inquieto, apesar de que estamos cruzando em uma curva aqui: Ambos são nervosos, pessoas inquietas. E também estão usando correntes douradas combinando.

O espetáculo começou no Teatro Público em fevereiro e março e agora está na Broadway com a mesma diretora, Carrie Cracknell. No primeiro dos dois monólogos, Sea Wall, de Simon Stephens, Sturridge interpreta um fotógrafo que descreve seu relacionamento com sua esposa e sogro; depois vem A Life, de Nick Payne, no qual o personagem de Gyllenhaal fala alternadamente sobre a doença de seu pai e a gravidez de sua esposa. Ambos monólogos revelam uma tragédia em seus centros, o que pode fazer com que eles pareçam exercícios de atuação.

Assim como juntar dois atores para falar sobre o que o outro faz no palco e como cada um deles chegou até lá. Uma coisa da qual o Gyllenhaal tem certeza é de que o espetáculo sutilmente se abrilhantou durante sua transferência. Se por nada mais, pelo clima do lado de fora. “Pessoas se referiram a ele como ‘rígido’” ele diz. “Esse espetáculo não é mais rígido. Esse espetáculo é durante o verão!”

Tom Sturridge: Eu quero começar com October Sky… [Filme importante de 1999 de Gyllenhaal, que interpreta o filho de um minerador de carvão]

Jake Gyllenhaal: [Risadas] dá para imaginar? No final dessa entrevista, nós nos odiaríamos.

TS: Eu não sei como você entrou em contato com o Nick [Payne].

JG: Eu fui na leitura de um espetáculo de um amigo, e Lynne Meadow, a diretora artística, disse, “Eu vou te dar algumas peças diferentes que eu acho que você vai se interessar,” e aconteceu que a do Nick era uma dessas, e aconteceu que If There Is I Haven’t Found It Yet  era uma das peças. Eu imediatamente me apaixonei por ela. Daí, por acaso do universo, a próxima coisa que fizemos foi Constellations [também de Payne]. Por que você quis fazer a sua parte da peça?

TS: Quando eu li pela primeira vez, eu me senti tão próximo dela pela beleza com o qual articula, exatamente o jeito que eu me sinto sobre a minha família. A maior parte da peça é sobre o nascimento de uma família e como isso é maravilhoso. Isso é raro no palco porque é esperado que nós mantenhamos as coisas interessantes fazendo todo mundo se odiar. Eu pensei, Essas circunstâncias são muito parecidas com as minhas. Acho que eu nunca hesitei. Para você, Nick fez uma leitura [de A Life, chamada de Art of Dying na época] na Royal Court, o que, no meu entendimento disso, foi como um homem lendo uma redação. Foi um salto de imaginação ter de pensar nela como teatro?

JG: Foi clareador, glorioso, insanamente claro somente porque era repleto de sentimento. Foi meio que esse monólogo obtuso que Nick escreveu para ele mesmo porque era só ele tentando lidar com a experiência do falecimento do seu pai.

TS: Você pensou que iria interpretar Nick Payne?

JG: Nunca. Há momentos em que escapa, mas eu resisti. Ele escreveu muitas coisas para mim, também. Meu ritmo e meu jeito de falar estão incorporados. É uma mistura estranha de nós dois e do jeito que nós falamos. O motivo pelo qual eu gosto da escrita dele, e você provavelmente pode perceber por essa entrevista, é que nós tropeçamos nas palavras, e nós adicionamos outras palavras. É aí que nos encontramos.

TS: Tendo dificuldade em encontrar vocabulário? 

JG: Acho que eu ainda continuo luto com quão pessoais alguns momentos da peça realmente são. Às vezes eu sinto como se eu estivesse potencialmente violando ficção e não-ficção, qualquer que seja o limite. Eu recentemente voltei desse grande longo tour de divulgação ao redor do mundo [de Spider-Man: Far From Home] em diferentes fusos horários, e eu voltava do aeroporto, e eu fazia minha parte no trânsito se eu estivesse em Seoul ou Londres ou outro lugar, indo até uma entrevista de rádio ou alguma coisa. Eu fazia quando eu acordava e não conseguia mais dormir. Eu ainda faço sempre que eu acordo, mesmo que seja em um estado inconsciente. Eu acho que é raro um ator ter a oportunidade de fazer algo novamente e redescobrir certas coisas. No nosso período de pré estreia no Public, você fez umas merdas bem malucas…

TS: Eu não sei se isso é uma sensibilidade inglesa para mim, mas é realmente uma extensão do processo de ensaio. Tem uma audiência lá, mas eles deveriam saber que estão assistindo um experimento. Na primeira pré-estreia, eu fiz com um microfone, tendo nunca segurado um microfone na minha vida. Mas eu acho que o animador de retornar para ela é detalhar ainda mais. Antes, nós só estávamos, “Conseguimos passar por esses dez minutos sem as pessoas dormires?” Agora a gente realmente consegue fazer cirurgia.

JG: Você pensa em mim e na minha história que vêm logo em seguida?

TS: Eu estou completamente consciente do bastão que eu te passo. Na primeira pré-estreia, eu saía em uma fúria, ainda no personagem, revoltado que ele tinha contado a história para essas pessoas. Você podia sentir a audiência pensando, Bom, por que caralhos você contou isso? Eu acho que tudo bem guiá-los de maneiras diferentes, mas é importante saber o que você está fazendo e que você lembre do amor [do personagem] no final.  

JG: Quero dizer, monólogos já tem essa percepção da complacência do ator. Esses são monólogos sobre perda. Como que você sai dessa caixa? Se qualquer um nos conhece como ator, a última coisa que você quer fazer é ser complacente a isso. Eu quero andar na montanha-russa de milhares de sentimentos diferentes. Eu realmente penso que é sobre as pessoas saírem do teatro no final dessa experiência se sentindo – como minha mãe dizia para mim quando eu assistia um filme que eu amava ou tinha uma experiência que eu amava – limpos.

TS: Esse é o contrato que pedimos da audiência: Ter fé no amor no começo. Estamos aqui para criar uma comunidade juntos e fazer algo lindo. Não “Aqui vamos nós, isso vai ser muito depressivo.” A audiência realmente dita a maneira com que as coisas acontecem. Se uma pessoa ri de alguma coisa por causa de uma conexão pessoal com ela, eu só – zoom, para onde quer que eles estejam, os próximos quatro minutos são para você. Não é uma coisa ruim. Estou reconhecendo que você tossiu, ou qualquer coisa, seu telefone pode tocar, estamos aqui juntos.

JG: “Venha para Broadway, cidadão. Desembale esses doces.”

TS: Todos na plateia estão somente a um passo de distância de quase todas as experiências essa tarde. Depois, quando falamos com as pessoas, eles não falam das especificidades da peça; eles falam sobre os pais deles ou dos filhos. É por isso que trouxemos ela pra Broadway, porque o público sentiu uma certa propriedade sobre ela.

JG: Se estamos falando honestamente, havia uma espécie de desejo de indulgência, a indulgência da atuação. Daí o que nos foi dado como resposta foram as pessoas compartilhando suas experiências próprias conosco, o que fez a gente perceber que essa coisa era maior do que o que estávamos fazendo. E daí do nada, o espetáculo virou um espetáculo.

TS: Tendo feito um grande número de peças, existe alguma diferença em como você se sente nos dez minutos antes da primeira pré-estreia?

JG: Quando eu fiz If There Is I Haven’t Found It Yet, eu ficava nervoso todas as noites. Quando eu fiz Sunday in the Park With George , eu não fique nervoso em nem um segundo.

TS: Sério?

JG: Mesmo quando fizemos ela no City Center. Você está envelopado e envolvido por uma orquestra de 25 partes, ou eu estava. Claro, tiveram vezes com esse show, antes de eu entrar, em que eu estava nervoso. Mas eu sabia em algum lugar que não funcionava a não ser que eu não escondesse nada.  Tudo que a audiência ama é essa imperfeição. É o que nós todos tendemos a fazer. É isso que eu descobri no palco, e é uma coisa linda porque me ajudou na minha vida e no meu trabalho com filmes. Você pode me odiar ou me amar ou sei lá, mas no final das contas eu sou assim. E você?

TS: Horas antes [de subir ao palco], simplesmente a ideia de ter que ir do começo ao fim era aterrorizante. O jeito que eu entrava no palco no Public, pelo menos no início, era como aquela cena em GLADIATOR que ele vai pra arena pela primeira vez. 

JG: “Você não está entretido?!”

TS: Eu me lembro de estar lá com a audiência pela primeira vez e o nervosismo completamente desaparecendo e eu percebi que esse era o lugar mais seguro possível para se estar. Tem algo que te assusta, ao entrar nessa nova experiência?

JG: Quero dizer, nós temos dois dias de ensaio e dois dias de técnico. A gente não faz o espetáculo há quatro meses. 

TS: Justo, estou com medo agora.

Sea Wall/A Life está no Hudson Theatre. Compre ingressos aqui

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Fonte: Vulture  | Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Não é fácil ser o novo cara a entrar no universo de super-heróis. Jake Gyllenhaal descobriu isso vestindo seu elaborado e extremamente pesado (20 quilos) uniforme para interpretar Mysterio em seu primeiro filme Marvel, Homem-Aranha: Longe de Casa.

Com o peitoral aceso deslumbrantemente por baterias de lítio e uma capa do nível de Game of Thrones, a fantasia de ponta necessitava de quase uma hora para estar completamente armada. Não tinha nenhuma solução rápida se a natureza chamasse durante as longas horas de filmagens.

Enquanto isso, o co-protagonista Tom Holland, em seu segundo filme solo e quinta aparição como Homem-Aranha, teve modificações estratégicas com zíper feitas em seu traje heroico para esses momentos especificamente. “É uma das falhas no meu primeiro traje, que falta zíper para ir ao banheiro, uma coisa que o Tom pode te dizer como é importante,” conta Gyllenhaal, que continua. “Está tudo certo. Você regula a ingestão de água ao longo do dia.”

Isso que dá contratar um profissional como Gyllenhaal para estrelar como o vilão de longa data dos quadrinhos, Mysterio, que vai contra seu tipo ao se unir para salvar o mundo com o atirador de teias em ‘Longe de Casa’. Uma vez que o ator indicado ao Oscar se comprometeu a interpretar o super-herói, ele ia arrasar, com imperfeições no uniforme e tudo mais. E se existiram longas discussões no nível de ‘Hamlet’ nas quais ele ponderava juntar-se ou não ao universo da Marvel aos 38 anos, dentre uma das carreiras mais ambiciosas e indefiníveis de Hollywood, Gyllenhaal não irá mostrar.

O momento só parecia ser o certo, e a oportunidade perfeita se apresentou, conta um tranquilo Gyllenhaal, relaxado em um sofá no pátio do Hotel Four Season. O ator somente aparenta uma intensidade, com contato visual total enquanto explica seu interno debate final pré-Mysterio. “Ao pensar sobre um personagem como esse, você sempre tem que agarrar a ideia que provavelmente você será chamado assim nas ruas. Então eu tive que fazer uma pergunta simples: É esse um nome que eu quero que seja berrado quarteirão abaixo? E eu pensei, ‘Sim.’” Gyllenhaal diz, explodindo em risadas, “Se alguém gritar, ‘Mysterio!’ Eu na verdade não tenho que olhar porque todo mundo vai achar que o cara é meio doido de qualquer jeito. Posso só continuar andando.”

Ele não deveria ter tanta certeza disso. ‘Longe de Casa’ até oferece uma explicação para o nome de atração de circo. Após o super-herói desconhecido aparecer em Veneza, Itália, para lutar com um monstruoso elemental da água, os noticiários italianos o apelidam de ‘Mysterio’.

Mysterio, que tem como nome real Quentin Beck e que vem de um universo alternativo, imediatamente preenche o dolorido vazio paterno de Peter Parker após a saída do Tony Stark de Robert Downey em Vingadores: Ultimato. O diretor Jon Watts diz que desenvolveu esse tema crucial durante as filmagens, baseado na química palpável entre Gyllenhaal e Holland, 23.

Uma das cenas de ‘Longe de Casa’ mostra Gyllenhaal assustadoramente parecido com Stark ao colocar os óculos de sol do bilionário.

“Jake podia quase que se transformar nele,” diz Watts. “Era surreal, a metamorfose.”

Gyllenhaal e Downey são amigos de longa data. Na verdade, Gyllenhaal estava trabalhando no filme de 2007 Zodíaco com Downey enquanto o ator, previamente perturbado, estava prestes a aceitar o papel de super-herói que mudou a indústria.

“Robert tinha me contado que ia fazer esse filme do ‘Homem de Ferro’”, diz Gyllenhal, que estava animado em presenciar o perfil de Hollywood de Downey explodir com o novo papel. “Ver alguém que estava quase perdido em um período virar uma das maiores estrelas do mundo e ter isso acontecendo em um período tão curto de tempo. Uma das maiores lições que aprendi presenciando isso é que você nunca sabe quem vai estar, onde e quais oportunidades elas vão receber. Até mesmo no momento mais próximo.”

Gyllenhaal está aproveitando ao máximo esse momento. Ele e Holland começaram seu próprio bromance público para apoiar a relação existente entre eles no filme. “Eu realmente gosto do cara,” diz Gyllenhaal. “E ele é um ótimo ser humano, não sou o único que pensa isso.”

Ademais, Gyllenhaal é capaz de incorporar sua curiosidade intelectual, seu superpoder de atuação, em todos os aspectos do Mysterio. Ele até ponderou sobre a barba do Mysterio, um passo além do personagem dos quadrinhos. “Jake e eu passamos horas e horas e horas discutindo a barba, o comprimento, o maxilar. Teve muito papo de barba,” conta Watts.

Gyllenhal não discute totalmente seus motivos em introduzir outra barba no Universo Cinemático da Marvel, o que não é pouca coisa. “Há motivos para isso. Motivos que não posso elaborar agora,” ele diz. “Mas, sim, (a barba) teve que ser aprovada por um monte de pessoas.”

Existe muito que Gyllenhaal diz ter amado explorar. Como o nome sugere, Mysterio é um personagem complexo com várias camadas. Discuti-las revelariam spoilers gigantes. Mas foi satisfatório retirá-las.

“Tem motivos para eu amar esse personagem, e os motivos pelos quais eu amo o personagem serão revelados. Foi por isso que eu quis interpretá-lo,” diz Gyllenhaal, que se apoia na expressão facial mais comicamente exagerada enquanto levanta as mãos em um movimento de “me ajudem” tentando parar o que parece ser uma linha básica de questionamentos. “Têm tantas coisas acontecendo com o Mysterio. Mas é uma coisa complicada de se falar sobre.”

É suficiente dizer que o amor de Gyllenhaal pelo papel floresceu juntamente com sua fantasia complicada. Se Mysterio retornar para um bis, terão upgrades, promete Watts. “Da segunda vez o uniforme sempre melhora,” ele diz.

Mesmo enquanto Gyllenhaal caminha para novas jornadas dramáticas, preparando-se para as apresentações na Broadway de Sea Wall/A Life que iniciam em Julho e indo até London’s West End na próxima primavera com Sunday in the Park with George, ele tem os pensamentos felizes da batida de “Disco Inferno” que ele podia acender em seu peitoral.


Fonte: USA Today
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Há uma cena no Homem-Aranha: Longe de Casa, onde Tom Holland e Jake Gyllenhaal apertam as mãos. (Nós prometemos – não há spoilers à frente!). Não é uma cena particularmente excitante, apenas um breve momento em que o lançador de teias de Holland e o mágico de Gyllenhaal, Mysterio, se encontram pela primeira vez e se cumprimentam. Para um filme de super-heróis extra continentais que inclui acrobacias aéreas, efeitos visuais e cenas de ação filmadas em vários países europeus, um aperto de mão deveria ter sido fácil.

Deveria. Mas na realidade, essa cena precisou de dúzias de tomadas – porque toda vez que Holland e Gyllenhaal apertavam as mãos e fechavam os olhos, caíam na risada. “Tom estava cansado, e ele simplesmente não conseguia se manter focado”, explica Gyllenhaal. “Toda vez que nós apertávamos as mãos, ele começava a rir, então eu começava a rir, e nós dois não conseguíamos parar de rir. Isso durou cerca de 30 minutos. Foram cerca de 45 a 50 tomadas e foi um desastre”.

“Eu nem lembro do que estávamos rindo”, acrescenta Holland. “Havia algo na cena em que Jake e eu simplesmente não conseguíamos manter uma cara séria.”

Holland e Gyllenhaal nunca haviam trabalhado juntos antes de “Longe de Casa” (no dia 2 de julho/ 4 de julho aqui no Brasil), mas no momento em que este filme – o 23º do Universo Marvel – terminou, eles se tornaram amigos muito rápido, o tipo de amigos que riem histericamente por simplesmente fazendo contato visual.

Quando eles se reuniram para a EW em maio, os dois começaram a falar um com o outro sobre suas escolhas de roupas, assim que eles chegaram. Em um momento, durante a sessão de fotos, Holland aproximou-se cada vez mais perto do rosto de Gyllenhaal, enquanto olhavam nos olhos um do outro e quase tocaram os lábios – antes de ambos começarem a rir (mais uma vez).

“Eles realmente se deram bem quase que imediatamente. Eles sempre tinham ataques de risos durante as tomadas, e essa era a única desvantagem”, diz o diretor Jon Watts sobre suas estrelas com um suspiro; “Nós estávamos em uma pegada incrível no meio do caminho e eles começavam a rir e tínhamos de cortar”.

Olhando de longe, Holland e Gyllenhaal não têm muito em comum. Holland é um britânico de 23 anos cujo charme e a experiência em ginástica fazem com que pareça que ele cresceu em um laboratório secreto da Marvel para ser Homem-Aranha (um papel que ele já fez em cinco filmes do MCU). Gyllenhaal é um indicado ao Oscar de Los Angeles que é 15 anos mais velho que Holland, conhecido por personagens peculiares que vão desde o dramático (Donnie Darko, O Abutre) até o completamente desequilibrado (Okja, alguém?).

Mas eles também são ambos nerds do teatro que, pela primeira vez, foram lançados para o estrelato do cinema ainda adolescentes. (Na verdade, Gyllenhaal quase interpretou Peter Parker, já que ele chegou a ser considerado um substituto de Tobey Maguire em Spider-Man 2 de Sam Raimi.) Eles sempre compartilharam uma admiração pelas carreiras um do outro – a dupla se conheceu alguns anos atrás, depois de um encontro casual em um restaurante, e quando Gyllenhaal se aproximou para se apresentar, ambos disseram que gostariam de trabalhar juntos algum dia.

Esse “um dia” chegou mais cedo do que pensavam quando Gyllenhaal foi escalado para o filme Longe de Casa como Quentin Beck, também conhecido como Mysterio. Homem-Aranha e Mysterio têm uma longa e hostil história nos quadrinhos, mas a sequência do Homem-Aranha de 2017, De volta ao Lar, posiciona Mysterio como mais um aliado. Este parceiro de luta com cabeça de bolha chega à Europa e ajuda Peter a derrubar um enorme monstro de água, enquanto Peter está de luto pela perda de seu mentor Tony Stark (Robert Downey Jr.), que se sacrificou para derrotar Thanos em Vingadores: Ultimato.

Assim que os heróis se conhecem, Parker e Beck ligam-se imediatamente à responsabilidade compartilhada de ser um super herói. “Peter se preocupa com um monte de pessoas diferentes, mas particularmente com estranhos que ele não conhece e compartilha interesses comuns com ele”, diz Gyllenhaal sobre a dinâmica de seus personagens. “Eu adoro que duas pessoas possam se tornar tão próximas tão rapidamente por causa de sua história e apenas por causa de suas próprias lutas como super-heróis.”

Como diz Watts, se Tony Stark era como um pai legal para Peter, o barbudo Quentin Beck é mais parecido com seu “tio legal” – trocando piadinhas, ajudando-o a combater forças misteriosas chamadas Elementais, e oferecendo conselhos sobre como conversar com garotas. Apesar… “Eu provavelmente deveria ter dito ‘irmão mais velho legal’, porque dizer ‘tio’ é uma palavra tão forte no universo de Peter Parker”, diz Watts. “Ele teve algumas experiências ruins no que diz respeito ao tio.”

Para o Holland, ele inspirou-se na relação entre mentor e aprendiz da vida real. “É sempre um pouco emocionante encontrar alguém que você admira”, diz Holland. “Fiquei muito grato quando conheci [Jake] e descobri que ele é adorável e um ótimo cara.” Como Parker, que pede orientação a Beck sobre tudo, de heroísmo a romance, Holland também se viu recorrendo a Gyllenhaal para conselhos de carreira. “Ele definitivamente é alguém que me sinto à vontade para ligar e dizer: ‘Ei cara, você se importaria em dar uma olhada nesse roteiro e me dizer o que você acha?'”, diz Holland.

Mas a troca de conselhos partiu de ambos. Apesar de Gyllenhaal já ter estrelado filmes de grande orçamento antes (como Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo, de 2010), “Longe de Casa” é sua primeira incursão no super-heroísmo com capas e calças justas. Em seu primeiro dia no set, o ator experiente vestiu a fantasia de Mysterio e filmou uma cena em que saltou no ar de uma enorme plataforma. (“Você é literalmente jogado no universo Marvel”, ele brinca.)

Entre as façanhas, o figurino e a pressão de ser o novo cara em uma franquia multibilionária, Gyllenhaal diz que se viu lutando para se adaptar nos primeiros dias. “Você entra em um dos filmes da Marvel e é tudo grande”, explica ele. “Eles são enormes. De certa forma, espera-se que você pegue o ritmo e siga em frente. Para mim, demora um segundo. Eu fico um pouco sobrecarregado em qualquer set, e leva algum tempo para me aquecer”.

Então, após os primeiros dias de filmagem, Holland puxou Gyllenhaal para o lado apenas para ver como ele estava. Quando Gyllenhaal disse que ele estava se sentindo “esgotado”, Holland respondeu que se sentia exatamente
da mesma maneira quando colocou o traje do Spidey para Capitão América: Guerra Civil, de 2016. “Todo mundo se sente assim”, acrescentou ele.

“A Marvel faz isso o tempo todo, [onde] você entra, aprende suas falas, e então eles lhe dão seis páginas de diálogo e dizem: ‘Sim, nós reescrevemos, aqui está você, pronto para filme?’” Holland explica. “Pode ir!, ‘espere um minuto! Não preciso aprender minhas falas?’ Então, esse é um grande primeiro dia, e eu acho que ele precisava de um amigo para ser tipo, ‘Cara, está tudo bem, já passei por isso.’”

“Quando ele assumiu a responsabilidade de liderança, ele fez isso de uma maneira tão bonita, apesar de compartilharmos uma diferença de muitos anos em nossas idades e experiência”, acrescenta Gyllenhaal. “Eu realmente me inspirei nele nesse sentido. Ele fez isso de uma maneira gentil. Atores, vocês nem sempre trocam facilmente esse tipo de gentileza. [Algumas vezes] as pessoas oferecem ajuda ou não querem, ou há egos envolvidos. Simplesmente não havia ego [de Tom]”.

Pode não ter tido ego, mas com certeza houve muita risada. “[Nós] partíamos de cenas realmente muito poderosas para uma cena de nós rindo muito por 20 minutos e deixando a equipe maluca”, diz Holland. “Somos grandes amigos fora da tela, então temos que permitir que nosso relacionamento floresça na tela.” Os filmes de super-heróis podem terminar, mas a amizade é para sempre.


Fonte: Entertainment Weekly
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Durante a press tour de Homem-Aranha: Longe de Casa, Jake Gyllenhaal concedeu entrevistas para vários portais, emissoras e rádios. Em nosso canal no youtube, vocês podem encontrar entrevistas legendadas do ator sozinho, e aqui no site faremos posts com entrevistas transcritas nas quais ele aparece acompanhado de algum colega do elenco.

Neste post, vocês podem conferir três entrevistas transcritas – dentre elas o Q&A com o elenco e equipe do filme:

PRIMEIRA PARTE (3:22 – 4:35)

D: Cara, é muito bom te ver!

J: Bom te ver também!

D: Uau! Você me surpreendeu!

J: É?

D: Nós conversamos ao longo dos anos. E na verdade eu até te conhecia antes, quando eu estava fazendo rádio. Então, te ver nesse papel eu fiquei apenas “Meu cara”. Arrebentou!

J: Obrigado, cara.

D: É um papel diferente pra você. O que te atraiu para isso?

J: Sabe, tem várias coisas que me atraíram pra isso. Eu acho que, principalmente… eu amo a perspectiva que é diferente dos quadrinhos. Ele é um vilão nos quadrinhos, porque ele é um pouco mais obscuro que muito dos outros personagens icônicos no universo da Marvel. Isso me permitiu fazer algumas coisas e permitiu que a Marvel fizesse algumas coisas que as pessoas não necessariamente esperariam, sem sentir enganadas. Então, eu amo esse herói e eu amo que ele une forças com o Homem-Aranha e eu amo todo o conceito disso e isso me animou. O traje é incrível, e eu estava um pouco receoso quanto ao capacete de aquário e o que eles fariam, mas quando nós finalmente decidimos como ficaria e particularmente como apareceria e desaparecia, e todas essas coisas, eu pensei “Isso é ótimo!”

SEGUNDA PARTE (7:26 – 8:32)

D: Quais são as coisas boas e ruins do traje? Eu sempre pergunto para os atores essa pergunta, e nós nunca tivemos a oportunidade de falar sobre esse tipo de papel para você.

J: Eu amei a minha roupa. Eu tenho que dizer, cara, se você já puder me dar tipo 50% a 75% do meu personagem e eu não tenho nem que me preocupar, eu estou dentro! É isso que o traje faz e eu amei. Eu amei vesti-lo. Estava tão quente no último verão quando estávamos gravando, mas eu também amo suar – é algo ótimo –, então eu estava permanentemente suando nessa roupa, que é algo que estranhamente eu gostei. Eu achei que foi tão legal. Talvez ao longo do tempo, se eu tivesse que vestir de novo e tal, eu teria uma opinião diferente em relação a isso, mas os figurinistas, as pessoas que me ajudaram a colocar a roupa diariamente foram ótimas, nós ficamos especialistas nisso, e assim, dessa forma, eu amei, eu realmente amei. Mas eu tipo, estou disposto a fazer essas coisas, eu sinto que sou uma criança novamente quando eu coloco o traje, e alguns dos papéis que eu interpretei são muito sérios e tem muitas coisas que eu mudei fisicamente e esse é apenas… foi divertido.

JAKE: Não sei se eu conseguiria decorar.

SAM: Não precisa, tem monitores no carro.

J: Eles têm?

S: Sim, eles têm. Tem na frente, tem do lado. Daí você consegue ler como se estivesse olhando no retrovisor. As letras estão bem ali.

ENTREVISTADORA: Você está estragando a ilusão.

J: Daí nem é você cantando.

E: 18 anos atrás você protagonizou um filme chamado “Jimmy Bolha”…

J: Sim!

E: Você alguma vez pensou que iam te colocar de novo dentro de uma bolha?

J: Sim.

E: Você pensou que sim?

J: Sim, pensei. Eu estava ansioso por esse momento, na verdade. E as pessoas fazem isso o tempo todo comigo, falando figurativamente. Mas não, eu não fazia ideia, e foi uma coincidência perfeita, e acho que bolhas me seguem por aí, e chega um ponto em que você se rende, e eu fiz isso. Eu estava preocupado com a coisa do aquário, eu não sabia totalmente o que eles iam fazer com aquilo, eu confio na Marvel, mas é uma coisa difícil de se fazer, sabe? Quando você olha para os quadrinhos, mas eles conseguiram, conseguiram mesmo.

E: Bom, eles mencionaram que parte do roteiro estava apagado para se manterem os segredos, isso aconteceu com vocês ou foi só com o Tom?

J: Eu pude ler o roteiro inteiro, mas às vezes, quando eu paro para pensar, eu vi algumas cenas que talvez não estivessem lá, mas ao mesmo tempo tem cenas que eles gravam em momentos diferentes que a gente nem… você pode ler o roteiro e daí eles pensaram em algo novo.

E: Peter perdeu seus pais, seu tio e agora seu mentor. Tem espaço para um novo mentor, você acha que o Mysterio está ocupando esse lugar de alguma maneira?

J: Sim, sim, eu acho que… o Tom gosta de dizer que ele é como seu irmão mais velho. E, sabe, eu estava indo na direção de tio, mas eu aceito irmão. Mas eu acho que é assim a relação, eles compartilham muito da mesma história, sabe, e ambos foram surpreendidos. Quero dizer, Mysterio meio que aparece e não sabe onde está, e do nada tem essa criança usando um traje, e eles tem que lutar juntos, o que é uma surpresa para ele – ele foi surpreendido com essa ideia. Mas sim, eu acho que eles acabam compartilhando muito dos mesmos interesses e, também, muito da mesma história e ele acaba… E também que o Mysterio já passou por muita coisa na vida, e acho que ele pode falar para ele (Peter) que “você deveria ir fazer as coisas com as quais você se importa, mas o mundo precisa de você, mas você precisa ser você mesmo”.

P: Jake, qual a sensação de fazer parte do Universo Cinematográfico da Marvel?

J: É uma honra. É tão legal fazer parte desse filme em particular, porque é como se fosse um acréscimo ao que o Tom disse antes. Eu vi o primeiro filme e o achei ótimo, tão engraçado e cheio de ação, mas esse filme é 10 vezes maior. É um filme enorme. É incrivelmente grande. É incrível. Então, fazer parte disso é muito animador, e me juntar com todo mundo, pessoas que eu admiro e que eu amei trabalhar, é ótimo.

SAM: E agora que o Tony Stark se foi nós precisamos de um novo orador. (risos)

P: O que te atraiu mais em interpretar o Mysterio?

J: Bom, eu acho que a perspectiva dos quadrinhos para o filme é diferente, sabe. E eu amo que ele se junta ao Homem-Aranha e que o Nick Fury meio que faz eles se conhecerem e por causa disso eles percebem que tem muito em comum. E eu amo a ideia de que eles se juntam e viram amigos, se tornam heróis juntos, que é tão diferente do que as pessoas esperariam. E eu realmente amo o traje. O traje era doce, sentimental e (brincadeira com o que foi dito antes por Jacob Batalon)

JACOB BATALON: Eu disse fofo, sentimental e doce.

P: Qual foi a cena mais difícil de gravar?

TOM: Eu achei, para nós, as cenas como os hologramas meio difíceis. As cenas em que estávamos olhando para hologramas e, obviamente, eles não reais. E haviam 4 ou 5 de nós olhando para a mesma coisa e eu ficava olhando para os olhos do Jake, tipo “pra onde ele está olhando? Ah, sim, estou vendo o que você está vendo.”

J: Foi minha primeira vez com hologramas também, então na primeira vez, na primeira tomada enquanto eu estava descrevendo, eu lembro que eu não fiz nada e o Jon estava tipo “Foi ótimo, mas tem esses hologramas girando por tudo” “onde eles estão girando?” “não tenho certeza de onde eles estão girando, só olhe” e eu estava meio “está bem”

JON: A gente os coloca pra onde vocês estiverem olhando, mas vocês estavam olhando cada um pra uma direção diferente.

J: “São todas criaturas elementais” e ele “talvez faça movimentos um pouco menores da próxima vez”.

Nosso site e canal serão atualizados com mais entrevistas, então fiquem ligados!

Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

Quando o primeiro trailer para Homem-Aranha: Longe de Casa estreou na internet no início desse ano, o ator Jake Gyllenhaal roubou o show como Mysterio, o vilão que usa um capacete de aquário e faz sua estreia na mais recente parcela da franquia.

Enquanto Gyllenhaal é um nome familiar, tendo atuado em uma série de clássicos cults – de Donnie Darko a Brokeback Mountain e Okja – sua primeira tentativa no Universo Cinematográfico da Marvel provavelmente o levará ao estrelato global quando o filme for lançado nos cinemas de todo o mundo em julho.

Quando nos encontramos, Gyllenhaal tinha acabado de finalizar um período de dois meses interpretando um de seus papéis mais exigentes, em Sea Wall/A life, uma produção teatral com cenas que estavam muito longe de Homem- Aranha e suas cenas de ação e efeitos especiais.

A peça, que será reprisada esse verão na Broadway após uma temporada bem-sucedida no Public Theater, em Nova York, apresenta dois monólogos, um com Jake Gyllenhaal e o outro com Tom Sturridge. O papel exigiu que Gyllenhaal ficasse sozinho no palco por quase uma hora, discorrendo sobre questões de vida, morte e amor, e muito foco e resistência. “Eu estava com muito medo de fazer isso por muitos meses… e eu acordava no meio da noite antes de fazer o show, pensando que eu não deveria fazê-lo e que deveria cancelar, mas então eu assisti ao documentário Free Solo,” diz Gyllenhaal, que está falando no Ritz Hotel em Paris como embaixador da marca Cartier.

“É tudo sobre prática e disciplina, e ser dedicado ao que você está fazendo e como você pode chegar lá […] não importa o que seja, se você está escalando sem cordas – o que é extraordinário – ou se você está fazendo um monólogo ou tentando fazer um teste. Então eu disse, ‘Eu posso fazer isso’ e me concentrei e fiz.”

O fato de Gyllenhaal conseguir alternar com facilidade entre um blockbuster que será visto por milhões, um monólogo dramático na Broadway, e filmes independentes mostram sua versatilidade e amplo alcance.

Filho de um pai diretor e de uma mãe roteirista, Gyllenhaal cresceu na indústria cinematográfica e fez sua estreia na televisão em 1991 na comédia City Slickers, ao lado de Billy Crystal. Sua irmã mais velha, Maggie, é uma atriz de sucesso (os irmãos estrelaram juntos em Donnie Darko), e embora Gyllenhaal nunca tenha se estabelecido como ator, ele reconhece que sua família influenciou sua trajetória profissional enquanto crescia.

“Eu não estava ciente até eu ficar mais velho, mas depois eu percebi que muitas das nossas conversas eram sobre criatividade, expressão, nossos sentimentos,” ele diz. “Eu sou muito grato por isso e [durante] alguns dos momentos mais difíceis da minha família, arte e expressão nos ajudaram a lidar. Eu escolhi isso em um certo ponto, mas eu estava em uma família onde as pessoas tocavam música e eram muito criativas […]. Eu já atuei com a minha irmã uma vez e ela é a pessoa mais difícil de se trabalhar, porque ela sabe quando estou de saco cheio. Você não pode se safar com nada, então esse é o nível mais alto de ator com quem você pode trabalhar – seu irmão – porque vocês se conhecem.”

Gyllenhaal está bem ciente de que seu papel em Homem-Aranha é um grande negócio, mesmo para um ator tão bem-sucedido, mas ele é rápido em apontar que atuar em um filme independente pode ser tão gratificante quanto participar de uma grande produção.

“Eu realmente achei que trabalhar em um filme da Marvel e em um filme do Homem-Aranha é uma aventura completamente nova da qual eu nunca tinha feito parte – estar em algo tão grande que você é uma pequena parte de algo […] porque não é apenas um filme, mas o universo inteiro, e o personagem que você está interpretando se encaixa nele”, diz ele.

“Trabalhando em filmes pequenos você se acostuma com aquela intimidade, mas o que eu descobri com Homem-Aranha é que John Watts, o diretor, está muito acostumado a encontrar momentos reais mesmo nessas grandes produções, e ele gasta tempo fazendo isso – é o que faz o filme ótimo.” Filmes da Marvel, como a saga dos Vingadores, permitem que atores sejam vistos por públicos que antes estavam fora de alcance. O mesmo vale para os serviços de streaming, como a Netflix, que se tornaram as plataformas padrão para os jovens espectadores consumirem entretenimento. Gyllenhaal, que desempenhou o papel principal em Velvet Buzzsaw (2019), uma paródia sobre o mundo da arte produzido pela Netflix, acolhe a empresa de streaming como uma nova maneira de os contadores de histórias se comunicarem com um público ainda maior.

“Isso diz algo sobre a minha confiança, e, potencialmente, minha estupidez, que acho que tudo que eu faço vai ser visto em todo o mundo,” diz Gyllenhaal. “Eu fiz filmes minúsculos que encontraram um caminho de chegar em todo o mundo, o que é um pouco alucinante porque você atua nessa coisa pequena e pensa que ninguém vai ver.”

“Com Homem-Aranha é obviamente diferente, mas eu não penso nisso quando estou trabalhando. Eu acho realmente divertido que você esteja se comunicando em um idioma internacional, que você não está dialogando apenas com sua própria cultura e em seu próprio idioma, e que você está falando em um nível diferente. E como ator, é maravilhoso e shakespeariano ser capaz de traduzir sua expressão para todos ao redor do mundo, e é divertido interpretar um papel onde você está pensando que os sentimentos que você mostra têm que ser verdadeiros porque a única coisa que conecta todos nós é quando sentimos que alguém está sendo honesto, não importa de que cultura eles são.”

Apesar de Gyllenhaal não falar muito sobre isso, ele tem sido um seguidor do Budismo e de religiões orientais desde seus tempos de faculdade na Universidade de Columbia.

“Eu estava procurando por um escape para a criatividade, e particularmente a religião oriental e o pensamento oriental, e a ideia do budismo e a cultura tibetana me pareceram interessantes”, diz ele. Ele é particularmente fascinado com a forma como a cultura tibetana, com seu próprio líder espiritual, foi capaz de cruzar as montanhas do que era então “um dos países militaristas mais dominadores do mundo”; – China – para “um país completamente espiritual” – Índia.

“Eu não sou um budista de carteirinha e eu não me considero assim, mas eu carrego isso comigo em muitas coisas e, filosoficamente e culturalmente, eu acho que há algo na cultura asiática e na ideia de artesanato e disciplina, e a importância da hierarquia ou de onde você começa, e de quem você aprende, e aquelas coisas que são a estrutura da cultura.”

“É algo que eu adoro e sinto que está sumindo um pouco nos EUA, onde é mais sobre quem eu posso conseguir para chegar em um lugar mais fácil em oposição ao que eu posso aprender; como eu posso dominar algo para chegar a outro lugar. Eu gosto de pensar sobre o Tibete e a espiritualidade; isso foi provavelmente parte disso para mim.”

Suas opiniões sobre o Tibete à parte, Gyllenhaal nunca foi abertamente político. Seus papéis no cinema – desde seu papel gay pioneiro em Brokeback Mountain em 2005 até seu papel mais recente como vítima de um atentado terrorista em Stronger (2017) – ajudaram a explicar um pouco sobre os seus ideais.

“Eu cresci em uma família muito aberta onde as pessoas falavam o que pensavam e eu conhecia pessoas de culturas muito diferentes, e minha mãe era uma feminista muito forte em muitos aspectos desde quando ela estava no ensino médio e durante toda a faculdade e em seu trabalho também,” diz Gyllenhaal. “Ela foi uma grande influência para a minha irmã nesse sentido, e indiretamente as duas são para mim.”

Gyllenhaal diz que não tem medo de expressar suas convicções, mas: “Há outras pessoas que falam mais articuladamente do que eu, mas minha maneira de falar é através do meu trabalho, através da atuação, através dos filmes que escolho, dos artistas que eu apoio, as pessoas que eu apoio – mesmo que seja indiretamente. Eu acho que se você olhar de perto quem eu sou, você pode descobrir no que eu acredito.”


Fonte: South China Morning Post
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil