Em Sea Wall/A Life na Broadway, Jake Gyllenhaal – a estrela do cinema que recentemente vem se transformando em filmes como Nightcrawler ou Homem-Aranha: Longe de Casa – faz algo que parece ser novo em sua simplicidade. A performance dele no monólogo A Life é íntima e livre de personagem, interpretando um homem enfrentando os paralelos entre a morte de seu pai e o nascimento de seu recém-nascido (Gyllenhaal, merece ser mencionado, não passou por nenhuma dessas coisas).

“O trabalho que eu sempre tento fazer é muito, muito detalhado,” diz a diretora Carrie Cracknell, que trabalhou com ambos Gyllenhaal e Tom Sturridge, que interpreta o primeiro monólogo da peça, Sea Wall. “Nós conversamos bastante sobre o momento por momento, e eu acho que o que construímos foi um grupo de objetivos compartilhados sobre a estética da performance e o fato de que queríamos que tudo parecesse muito natural.”

Cracknell relembra do processo de ensaios – visto aqui nessas fotos exclusivas cedidas a Vanity Fair – como um tipo de “mania”, um período de exploração, reinvenção, e brincadeira, apesar do assunto sombrio. (Sturridge interpreta um pai e marido que é deixado com seu luto após uma viagem de família ter uma reviravolta trágica. A produção estreou em uma temporada limitada e esgotada no Public Theater no começo desse ano, e abriu a pré-estreia no Hudson Theater, na Broadway, semana passada. “Na maioria das vezes era só eu e um dos atores, e iria meio que alternar entre histeria total – e quero dizer, genuinamente – e meio que hilariante, e quase como um stand-up. Eles ficavam – ambos, mas particularmente o Jake – brincando e meio que fazendo essas vozes engraçadas e dançando pela sala, e daí meio que entravam nesse trabalho muito, muito emocionalmente vulnerável,” Cracknell explica. “Era muito interessante porque eu acho que estávamos tentando segurar essa dualidade o tempo inteiro sobre isso ser muito engraçado – alguns elementos da peça são como stand-up. E daí toca em algo muito real. Esse senso de exploração estava presente constantemente.”

Ela relembra que uma vez o Gyllenhaal testou seu monólogo inteiro como se fosse um monólogo; uma vez o Sturridge veio e tocou um set de piano inteiro antes de começar o trabalho do dia. Teve até uma semana em que o cachorro do Gyllenhaal, Leo, teve uma proposta de ser coadjuvante.

“O cachorro dele foi um aspecto bem grande – nós até conversamos sobre colocar o cachorro na peça e talvez fazer ele subir no palco,” conta Cracknell. “O Leo meio que trouxe essa afetuosidade e energia maravilhosa para todos nós enquanto ele estava na sala de ensaios.”

Gyllenhaal e Sturridge, que contracenaram em Velvet Buzzsaw, filme desse ano da Netflix, ambos viram o processo como um contraste ao ritmo acelerado de uma gravação de filme. “Isso tem um tipo de intensidade o tempo inteiro em termos de tomar decisões muito, muito rápido e entregá-las perfeitamente, e então na verdade os ensaios se tornaram esse tipo de processo de desenvolvimento de pausa em que eles podiam testar coisas e se sentir livres,” diz Cracknell. “Nós todos queríamos meio que manter essa atmosfera.”

E há uma liberação nas tentativas da produção de ser “estritamente conversacional” e quebrar a quarta parede repetidamente durante cada performance. “Nós tentamos realmente nos livrar de toda essa pele que você geralmente tem entre o ator e a audiência. Se alguém está tossindo, uma vez o Jake saiu e pegou água para ela e voltou com a água. Ou se um telefone toca, eles talvez falem, ‘Não se preocupe, está tudo bem.’ Então eles estão realmente tentando estar no ambiente com as pessoas que vêm assistir a isso todas as noites, e eles pegam essa energia e eles a colocam na apresentação. Acho que é pouco comum para atores, particularmente com o Jake; ele é muito conhecido e ele fez uma variedade tão incrível de personagens muito peculiares. Na verdade, no que ele estava interessado era jogar um pouco disso fora e tentar ficar mais próximo dele mesmo e tentar atuar de uma maneira que é muito, muito aberta, muito atenciosa, e meio simples.”

Cracknell diz que esse esforço em tentar se conectar teve alguns efeitos imediatos na plateia. “As peças [são] um lembrete de viver no momento presente porque você nunca sabe o que vai mudar, e eu acho que refletir sobre nascimento e sobre o luto e sobre transformação, meio que faz você querer ser mais vívido na sua vida e mais bem conectado as pessoas a sua volta,” ela diz. “Eu amo quando eu vejo pessoas saírem do teatro ligando para familiares e amigos. Eu vejo isso acontecendo alguns dias, aquele sentimento que faz você querer ir atrás e ser mais conectado à sua família, eu penso que se isso acontece, é muito especial.”


Fonte: Vanity Fair
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal

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