Eles são a atração principal de Sea Wall/A Life, mas além do agradecimento final, Jake Gyllenhaal e Tom Sturridge nunca estão no palco ao mesmo tempo. Mas eles claramente se tornaram amigos, brincando, enquanto conheço eles, sobre posar no sofá ao estilo daqueles anúncios sensuais para Burn This com Keri Russel e Adam Drive. Sendo estrela de cinema há mais tempo, Gyllenhaal age um pouco como um irmão mais velho para o Sturridge, que é o irmão britânico mais introvertido e inquieto, apesar de que estamos cruzando em uma curva aqui: Ambos são nervosos, pessoas inquietas. E também estão usando correntes douradas combinando.

O espetáculo começou no Teatro Público em fevereiro e março e agora está na Broadway com a mesma diretora, Carrie Cracknell. No primeiro dos dois monólogos, Sea Wall, de Simon Stephens, Sturridge interpreta um fotógrafo que descreve seu relacionamento com sua esposa e sogro; depois vem A Life, de Nick Payne, no qual o personagem de Gyllenhaal fala alternadamente sobre a doença de seu pai e a gravidez de sua esposa. Ambos monólogos revelam uma tragédia em seus centros, o que pode fazer com que eles pareçam exercícios de atuação.

Assim como juntar dois atores para falar sobre o que o outro faz no palco e como cada um deles chegou até lá. Uma coisa da qual o Gyllenhaal tem certeza é de que o espetáculo sutilmente se abrilhantou durante sua transferência. Se por nada mais, pelo clima do lado de fora. “Pessoas se referiram a ele como ‘rígido’” ele diz. “Esse espetáculo não é mais rígido. Esse espetáculo é durante o verão!”

Tom Sturridge: Eu quero começar com October Sky… [Filme importante de 1999 de Gyllenhaal, que interpreta o filho de um minerador de carvão]

Jake Gyllenhaal: [Risadas] dá para imaginar? No final dessa entrevista, nós nos odiaríamos.

TS: Eu não sei como você entrou em contato com o Nick [Payne].

JG: Eu fui na leitura de um espetáculo de um amigo, e Lynne Meadow, a diretora artística, disse, “Eu vou te dar algumas peças diferentes que eu acho que você vai se interessar,” e aconteceu que a do Nick era uma dessas, e aconteceu que If There Is I Haven’t Found It Yet  era uma das peças. Eu imediatamente me apaixonei por ela. Daí, por acaso do universo, a próxima coisa que fizemos foi Constellations [também de Payne]. Por que você quis fazer a sua parte da peça?

TS: Quando eu li pela primeira vez, eu me senti tão próximo dela pela beleza com o qual articula, exatamente o jeito que eu me sinto sobre a minha família. A maior parte da peça é sobre o nascimento de uma família e como isso é maravilhoso. Isso é raro no palco porque é esperado que nós mantenhamos as coisas interessantes fazendo todo mundo se odiar. Eu pensei, Essas circunstâncias são muito parecidas com as minhas. Acho que eu nunca hesitei. Para você, Nick fez uma leitura [de A Life, chamada de Art of Dying na época] na Royal Court, o que, no meu entendimento disso, foi como um homem lendo uma redação. Foi um salto de imaginação ter de pensar nela como teatro?

JG: Foi clareador, glorioso, insanamente claro somente porque era repleto de sentimento. Foi meio que esse monólogo obtuso que Nick escreveu para ele mesmo porque era só ele tentando lidar com a experiência do falecimento do seu pai.

TS: Você pensou que iria interpretar Nick Payne?

JG: Nunca. Há momentos em que escapa, mas eu resisti. Ele escreveu muitas coisas para mim, também. Meu ritmo e meu jeito de falar estão incorporados. É uma mistura estranha de nós dois e do jeito que nós falamos. O motivo pelo qual eu gosto da escrita dele, e você provavelmente pode perceber por essa entrevista, é que nós tropeçamos nas palavras, e nós adicionamos outras palavras. É aí que nos encontramos.

TS: Tendo dificuldade em encontrar vocabulário? 

JG: Acho que eu ainda continuo luto com quão pessoais alguns momentos da peça realmente são. Às vezes eu sinto como se eu estivesse potencialmente violando ficção e não-ficção, qualquer que seja o limite. Eu recentemente voltei desse grande longo tour de divulgação ao redor do mundo [de Spider-Man: Far From Home] em diferentes fusos horários, e eu voltava do aeroporto, e eu fazia minha parte no trânsito se eu estivesse em Seoul ou Londres ou outro lugar, indo até uma entrevista de rádio ou alguma coisa. Eu fazia quando eu acordava e não conseguia mais dormir. Eu ainda faço sempre que eu acordo, mesmo que seja em um estado inconsciente. Eu acho que é raro um ator ter a oportunidade de fazer algo novamente e redescobrir certas coisas. No nosso período de pré estreia no Public, você fez umas merdas bem malucas…

TS: Eu não sei se isso é uma sensibilidade inglesa para mim, mas é realmente uma extensão do processo de ensaio. Tem uma audiência lá, mas eles deveriam saber que estão assistindo um experimento. Na primeira pré-estreia, eu fiz com um microfone, tendo nunca segurado um microfone na minha vida. Mas eu acho que o animador de retornar para ela é detalhar ainda mais. Antes, nós só estávamos, “Conseguimos passar por esses dez minutos sem as pessoas dormires?” Agora a gente realmente consegue fazer cirurgia.

JG: Você pensa em mim e na minha história que vêm logo em seguida?

TS: Eu estou completamente consciente do bastão que eu te passo. Na primeira pré-estreia, eu saía em uma fúria, ainda no personagem, revoltado que ele tinha contado a história para essas pessoas. Você podia sentir a audiência pensando, Bom, por que caralhos você contou isso? Eu acho que tudo bem guiá-los de maneiras diferentes, mas é importante saber o que você está fazendo e que você lembre do amor [do personagem] no final.  

JG: Quero dizer, monólogos já tem essa percepção da complacência do ator. Esses são monólogos sobre perda. Como que você sai dessa caixa? Se qualquer um nos conhece como ator, a última coisa que você quer fazer é ser complacente a isso. Eu quero andar na montanha-russa de milhares de sentimentos diferentes. Eu realmente penso que é sobre as pessoas saírem do teatro no final dessa experiência se sentindo – como minha mãe dizia para mim quando eu assistia um filme que eu amava ou tinha uma experiência que eu amava – limpos.

TS: Esse é o contrato que pedimos da audiência: Ter fé no amor no começo. Estamos aqui para criar uma comunidade juntos e fazer algo lindo. Não “Aqui vamos nós, isso vai ser muito depressivo.” A audiência realmente dita a maneira com que as coisas acontecem. Se uma pessoa ri de alguma coisa por causa de uma conexão pessoal com ela, eu só – zoom, para onde quer que eles estejam, os próximos quatro minutos são para você. Não é uma coisa ruim. Estou reconhecendo que você tossiu, ou qualquer coisa, seu telefone pode tocar, estamos aqui juntos.

JG: “Venha para Broadway, cidadão. Desembale esses doces.”

TS: Todos na plateia estão somente a um passo de distância de quase todas as experiências essa tarde. Depois, quando falamos com as pessoas, eles não falam das especificidades da peça; eles falam sobre os pais deles ou dos filhos. É por isso que trouxemos ela pra Broadway, porque o público sentiu uma certa propriedade sobre ela.

JG: Se estamos falando honestamente, havia uma espécie de desejo de indulgência, a indulgência da atuação. Daí o que nos foi dado como resposta foram as pessoas compartilhando suas experiências próprias conosco, o que fez a gente perceber que essa coisa era maior do que o que estávamos fazendo. E daí do nada, o espetáculo virou um espetáculo.

TS: Tendo feito um grande número de peças, existe alguma diferença em como você se sente nos dez minutos antes da primeira pré-estreia?

JG: Quando eu fiz If There Is I Haven’t Found It Yet, eu ficava nervoso todas as noites. Quando eu fiz Sunday in the Park With George , eu não fique nervoso em nem um segundo.

TS: Sério?

JG: Mesmo quando fizemos ela no City Center. Você está envelopado e envolvido por uma orquestra de 25 partes, ou eu estava. Claro, tiveram vezes com esse show, antes de eu entrar, em que eu estava nervoso. Mas eu sabia em algum lugar que não funcionava a não ser que eu não escondesse nada.  Tudo que a audiência ama é essa imperfeição. É o que nós todos tendemos a fazer. É isso que eu descobri no palco, e é uma coisa linda porque me ajudou na minha vida e no meu trabalho com filmes. Você pode me odiar ou me amar ou sei lá, mas no final das contas eu sou assim. E você?

TS: Horas antes [de subir ao palco], simplesmente a ideia de ter que ir do começo ao fim era aterrorizante. O jeito que eu entrava no palco no Public, pelo menos no início, era como aquela cena em GLADIATOR que ele vai pra arena pela primeira vez. 

JG: “Você não está entretido?!”

TS: Eu me lembro de estar lá com a audiência pela primeira vez e o nervosismo completamente desaparecendo e eu percebi que esse era o lugar mais seguro possível para se estar. Tem algo que te assusta, ao entrar nessa nova experiência?

JG: Quero dizer, nós temos dois dias de ensaio e dois dias de técnico. A gente não faz o espetáculo há quatro meses. 

TS: Justo, estou com medo agora.

Sea Wall/A Life está no Hudson Theatre. Compre ingressos aqui

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Fonte: Vulture  | Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

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