Não é fácil ser o novo cara a entrar no universo de super-heróis. Jake Gyllenhaal descobriu isso vestindo seu elaborado e extremamente pesado (20 quilos) uniforme para interpretar Mysterio em seu primeiro filme Marvel, Homem-Aranha: Longe de Casa.

Com o peitoral aceso deslumbrantemente por baterias de lítio e uma capa do nível de Game of Thrones, a fantasia de ponta necessitava de quase uma hora para estar completamente armada. Não tinha nenhuma solução rápida se a natureza chamasse durante as longas horas de filmagens.

Enquanto isso, o co-protagonista Tom Holland, em seu segundo filme solo e quinta aparição como Homem-Aranha, teve modificações estratégicas com zíper feitas em seu traje heroico para esses momentos especificamente. “É uma das falhas no meu primeiro traje, que falta zíper para ir ao banheiro, uma coisa que o Tom pode te dizer como é importante,” conta Gyllenhaal, que continua. “Está tudo certo. Você regula a ingestão de água ao longo do dia.”

Isso que dá contratar um profissional como Gyllenhaal para estrelar como o vilão de longa data dos quadrinhos, Mysterio, que vai contra seu tipo ao se unir para salvar o mundo com o atirador de teias em ‘Longe de Casa’. Uma vez que o ator indicado ao Oscar se comprometeu a interpretar o super-herói, ele ia arrasar, com imperfeições no uniforme e tudo mais. E se existiram longas discussões no nível de ‘Hamlet’ nas quais ele ponderava juntar-se ou não ao universo da Marvel aos 38 anos, dentre uma das carreiras mais ambiciosas e indefiníveis de Hollywood, Gyllenhaal não irá mostrar.

O momento só parecia ser o certo, e a oportunidade perfeita se apresentou, conta um tranquilo Gyllenhaal, relaxado em um sofá no pátio do Hotel Four Season. O ator somente aparenta uma intensidade, com contato visual total enquanto explica seu interno debate final pré-Mysterio. “Ao pensar sobre um personagem como esse, você sempre tem que agarrar a ideia que provavelmente você será chamado assim nas ruas. Então eu tive que fazer uma pergunta simples: É esse um nome que eu quero que seja berrado quarteirão abaixo? E eu pensei, ‘Sim.’” Gyllenhaal diz, explodindo em risadas, “Se alguém gritar, ‘Mysterio!’ Eu na verdade não tenho que olhar porque todo mundo vai achar que o cara é meio doido de qualquer jeito. Posso só continuar andando.”

Ele não deveria ter tanta certeza disso. ‘Longe de Casa’ até oferece uma explicação para o nome de atração de circo. Após o super-herói desconhecido aparecer em Veneza, Itália, para lutar com um monstruoso elemental da água, os noticiários italianos o apelidam de ‘Mysterio’.

Mysterio, que tem como nome real Quentin Beck e que vem de um universo alternativo, imediatamente preenche o dolorido vazio paterno de Peter Parker após a saída do Tony Stark de Robert Downey em Vingadores: Ultimato. O diretor Jon Watts diz que desenvolveu esse tema crucial durante as filmagens, baseado na química palpável entre Gyllenhaal e Holland, 23.

Uma das cenas de ‘Longe de Casa’ mostra Gyllenhaal assustadoramente parecido com Stark ao colocar os óculos de sol do bilionário.

“Jake podia quase que se transformar nele,” diz Watts. “Era surreal, a metamorfose.”

Gyllenhaal e Downey são amigos de longa data. Na verdade, Gyllenhaal estava trabalhando no filme de 2007 Zodíaco com Downey enquanto o ator, previamente perturbado, estava prestes a aceitar o papel de super-herói que mudou a indústria.

“Robert tinha me contado que ia fazer esse filme do ‘Homem de Ferro’”, diz Gyllenhal, que estava animado em presenciar o perfil de Hollywood de Downey explodir com o novo papel. “Ver alguém que estava quase perdido em um período virar uma das maiores estrelas do mundo e ter isso acontecendo em um período tão curto de tempo. Uma das maiores lições que aprendi presenciando isso é que você nunca sabe quem vai estar, onde e quais oportunidades elas vão receber. Até mesmo no momento mais próximo.”

Gyllenhaal está aproveitando ao máximo esse momento. Ele e Holland começaram seu próprio bromance público para apoiar a relação existente entre eles no filme. “Eu realmente gosto do cara,” diz Gyllenhaal. “E ele é um ótimo ser humano, não sou o único que pensa isso.”

Ademais, Gyllenhaal é capaz de incorporar sua curiosidade intelectual, seu superpoder de atuação, em todos os aspectos do Mysterio. Ele até ponderou sobre a barba do Mysterio, um passo além do personagem dos quadrinhos. “Jake e eu passamos horas e horas e horas discutindo a barba, o comprimento, o maxilar. Teve muito papo de barba,” conta Watts.

Gyllenhal não discute totalmente seus motivos em introduzir outra barba no Universo Cinemático da Marvel, o que não é pouca coisa. “Há motivos para isso. Motivos que não posso elaborar agora,” ele diz. “Mas, sim, (a barba) teve que ser aprovada por um monte de pessoas.”

Existe muito que Gyllenhaal diz ter amado explorar. Como o nome sugere, Mysterio é um personagem complexo com várias camadas. Discuti-las revelariam spoilers gigantes. Mas foi satisfatório retirá-las.

“Tem motivos para eu amar esse personagem, e os motivos pelos quais eu amo o personagem serão revelados. Foi por isso que eu quis interpretá-lo,” diz Gyllenhaal, que se apoia na expressão facial mais comicamente exagerada enquanto levanta as mãos em um movimento de “me ajudem” tentando parar o que parece ser uma linha básica de questionamentos. “Têm tantas coisas acontecendo com o Mysterio. Mas é uma coisa complicada de se falar sobre.”

É suficiente dizer que o amor de Gyllenhaal pelo papel floresceu juntamente com sua fantasia complicada. Se Mysterio retornar para um bis, terão upgrades, promete Watts. “Da segunda vez o uniforme sempre melhora,” ele diz.

Mesmo enquanto Gyllenhaal caminha para novas jornadas dramáticas, preparando-se para as apresentações na Broadway de Sea Wall/A Life que iniciam em Julho e indo até London’s West End na próxima primavera com Sunday in the Park with George, ele tem os pensamentos felizes da batida de “Disco Inferno” que ele podia acender em seu peitoral.


Fonte: USA Today
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

deixe o seu comentário!