Há uma cena no Homem-Aranha: Longe de Casa, onde Tom Holland e Jake Gyllenhaal apertam as mãos. (Nós prometemos – não há spoilers à frente!). Não é uma cena particularmente excitante, apenas um breve momento em que o lançador de teias de Holland e o mágico de Gyllenhaal, Mysterio, se encontram pela primeira vez e se cumprimentam. Para um filme de super-heróis extra continentais que inclui acrobacias aéreas, efeitos visuais e cenas de ação filmadas em vários países europeus, um aperto de mão deveria ter sido fácil.

Deveria. Mas na realidade, essa cena precisou de dúzias de tomadas – porque toda vez que Holland e Gyllenhaal apertavam as mãos e fechavam os olhos, caíam na risada. “Tom estava cansado, e ele simplesmente não conseguia se manter focado”, explica Gyllenhaal. “Toda vez que nós apertávamos as mãos, ele começava a rir, então eu começava a rir, e nós dois não conseguíamos parar de rir. Isso durou cerca de 30 minutos. Foram cerca de 45 a 50 tomadas e foi um desastre”.

“Eu nem lembro do que estávamos rindo”, acrescenta Holland. “Havia algo na cena em que Jake e eu simplesmente não conseguíamos manter uma cara séria.”

Holland e Gyllenhaal nunca haviam trabalhado juntos antes de “Longe de Casa” (no dia 2 de julho/ 4 de julho aqui no Brasil), mas no momento em que este filme – o 23º do Universo Marvel – terminou, eles se tornaram amigos muito rápido, o tipo de amigos que riem histericamente por simplesmente fazendo contato visual.

Quando eles se reuniram para a EW em maio, os dois começaram a falar um com o outro sobre suas escolhas de roupas, assim que eles chegaram. Em um momento, durante a sessão de fotos, Holland aproximou-se cada vez mais perto do rosto de Gyllenhaal, enquanto olhavam nos olhos um do outro e quase tocaram os lábios – antes de ambos começarem a rir (mais uma vez).

“Eles realmente se deram bem quase que imediatamente. Eles sempre tinham ataques de risos durante as tomadas, e essa era a única desvantagem”, diz o diretor Jon Watts sobre suas estrelas com um suspiro; “Nós estávamos em uma pegada incrível no meio do caminho e eles começavam a rir e tínhamos de cortar”.

Olhando de longe, Holland e Gyllenhaal não têm muito em comum. Holland é um britânico de 23 anos cujo charme e a experiência em ginástica fazem com que pareça que ele cresceu em um laboratório secreto da Marvel para ser Homem-Aranha (um papel que ele já fez em cinco filmes do MCU). Gyllenhaal é um indicado ao Oscar de Los Angeles que é 15 anos mais velho que Holland, conhecido por personagens peculiares que vão desde o dramático (Donnie Darko, O Abutre) até o completamente desequilibrado (Okja, alguém?).

Mas eles também são ambos nerds do teatro que, pela primeira vez, foram lançados para o estrelato do cinema ainda adolescentes. (Na verdade, Gyllenhaal quase interpretou Peter Parker, já que ele chegou a ser considerado um substituto de Tobey Maguire em Spider-Man 2 de Sam Raimi.) Eles sempre compartilharam uma admiração pelas carreiras um do outro – a dupla se conheceu alguns anos atrás, depois de um encontro casual em um restaurante, e quando Gyllenhaal se aproximou para se apresentar, ambos disseram que gostariam de trabalhar juntos algum dia.

Esse “um dia” chegou mais cedo do que pensavam quando Gyllenhaal foi escalado para o filme Longe de Casa como Quentin Beck, também conhecido como Mysterio. Homem-Aranha e Mysterio têm uma longa e hostil história nos quadrinhos, mas a sequência do Homem-Aranha de 2017, De volta ao Lar, posiciona Mysterio como mais um aliado. Este parceiro de luta com cabeça de bolha chega à Europa e ajuda Peter a derrubar um enorme monstro de água, enquanto Peter está de luto pela perda de seu mentor Tony Stark (Robert Downey Jr.), que se sacrificou para derrotar Thanos em Vingadores: Ultimato.

Assim que os heróis se conhecem, Parker e Beck ligam-se imediatamente à responsabilidade compartilhada de ser um super herói. “Peter se preocupa com um monte de pessoas diferentes, mas particularmente com estranhos que ele não conhece e compartilha interesses comuns com ele”, diz Gyllenhaal sobre a dinâmica de seus personagens. “Eu adoro que duas pessoas possam se tornar tão próximas tão rapidamente por causa de sua história e apenas por causa de suas próprias lutas como super-heróis.”

Como diz Watts, se Tony Stark era como um pai legal para Peter, o barbudo Quentin Beck é mais parecido com seu “tio legal” – trocando piadinhas, ajudando-o a combater forças misteriosas chamadas Elementais, e oferecendo conselhos sobre como conversar com garotas. Apesar… “Eu provavelmente deveria ter dito ‘irmão mais velho legal’, porque dizer ‘tio’ é uma palavra tão forte no universo de Peter Parker”, diz Watts. “Ele teve algumas experiências ruins no que diz respeito ao tio.”

Para o Holland, ele inspirou-se na relação entre mentor e aprendiz da vida real. “É sempre um pouco emocionante encontrar alguém que você admira”, diz Holland. “Fiquei muito grato quando conheci [Jake] e descobri que ele é adorável e um ótimo cara.” Como Parker, que pede orientação a Beck sobre tudo, de heroísmo a romance, Holland também se viu recorrendo a Gyllenhaal para conselhos de carreira. “Ele definitivamente é alguém que me sinto à vontade para ligar e dizer: ‘Ei cara, você se importaria em dar uma olhada nesse roteiro e me dizer o que você acha?'”, diz Holland.

Mas a troca de conselhos partiu de ambos. Apesar de Gyllenhaal já ter estrelado filmes de grande orçamento antes (como Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo, de 2010), “Longe de Casa” é sua primeira incursão no super-heroísmo com capas e calças justas. Em seu primeiro dia no set, o ator experiente vestiu a fantasia de Mysterio e filmou uma cena em que saltou no ar de uma enorme plataforma. (“Você é literalmente jogado no universo Marvel”, ele brinca.)

Entre as façanhas, o figurino e a pressão de ser o novo cara em uma franquia multibilionária, Gyllenhaal diz que se viu lutando para se adaptar nos primeiros dias. “Você entra em um dos filmes da Marvel e é tudo grande”, explica ele. “Eles são enormes. De certa forma, espera-se que você pegue o ritmo e siga em frente. Para mim, demora um segundo. Eu fico um pouco sobrecarregado em qualquer set, e leva algum tempo para me aquecer”.

Então, após os primeiros dias de filmagem, Holland puxou Gyllenhaal para o lado apenas para ver como ele estava. Quando Gyllenhaal disse que ele estava se sentindo “esgotado”, Holland respondeu que se sentia exatamente
da mesma maneira quando colocou o traje do Spidey para Capitão América: Guerra Civil, de 2016. “Todo mundo se sente assim”, acrescentou ele.

“A Marvel faz isso o tempo todo, [onde] você entra, aprende suas falas, e então eles lhe dão seis páginas de diálogo e dizem: ‘Sim, nós reescrevemos, aqui está você, pronto para filme?’” Holland explica. “Pode ir!, ‘espere um minuto! Não preciso aprender minhas falas?’ Então, esse é um grande primeiro dia, e eu acho que ele precisava de um amigo para ser tipo, ‘Cara, está tudo bem, já passei por isso.’”

“Quando ele assumiu a responsabilidade de liderança, ele fez isso de uma maneira tão bonita, apesar de compartilharmos uma diferença de muitos anos em nossas idades e experiência”, acrescenta Gyllenhaal. “Eu realmente me inspirei nele nesse sentido. Ele fez isso de uma maneira gentil. Atores, vocês nem sempre trocam facilmente esse tipo de gentileza. [Algumas vezes] as pessoas oferecem ajuda ou não querem, ou há egos envolvidos. Simplesmente não havia ego [de Tom]”.

Pode não ter tido ego, mas com certeza houve muita risada. “[Nós] partíamos de cenas realmente muito poderosas para uma cena de nós rindo muito por 20 minutos e deixando a equipe maluca”, diz Holland. “Somos grandes amigos fora da tela, então temos que permitir que nosso relacionamento floresça na tela.” Os filmes de super-heróis podem terminar, mas a amizade é para sempre.


Fonte: Entertainment Weekly
Tradução & Adaptação: Equipe Jake Gyllenhaal Brasil

deixe o seu comentário!